Embrapa Amazônia Oriental
Sistemas de Produção, 01
ISSN 1809-4325 Versão Eletrônica
Dez./2005
Sistema de Produção da Pimenteira-do-reino
Célio Armando Palheta Ferreira
Maria de Lourdes Reis Duarte
Michinori Konagano
Germano Setsuo Hidaka
Sumário
Início

Apresentação
Importância econômica
Clima
Solos
Adubação
Cultivares
Produção de mudas
Micorrizas
Plantio
Irrigação
Tratos culturais
Plantas daninhas
Sistema de cultivo sombreado
Doenças e métodos de controle
Pragas e métodos de controle
Normas sobre uso de agrotóxicos
Colheita e pós-colheita
Mercado e comercialização
Coeficientes técnicos, custos, rendimento e rentabilidade
Referências
Glossário
Autores
Expediente
 Coeficientes técnicos, custos, rendimento e rentabilidade

Introdução

Dois sistemas de cultivo são identificados na cultura da pimenteira-do-reino. O sistema intensivo onde a pimenteira é cultivada a pleno sol, em monocultivo, usando tutores de madeira, com aplicação de adubação química pesada e tratos culturais intensivos. Este sistema permite obter elevada produtividade, mas é muito oneroso, reduz a vida útil dos pimentais e submete os solos cultivados à intensa lixiviação (Kato et al., 1997). Outro sistema de cultivo adotado é chamado extensivo que utiliza tutores vivos, geralmente é pouco adubado, com menor produtividade, mas de maior longevidade, podendo prolongar o ciclo da pimenteira por 20 a 25 anos (Waard, 1986). No Estado do Pará, um sistema de cultivo sombreado encontra-se sob teste e deverá ser adotado dentro de alguns anos devido à característica de sustentabilidade.

Os custos de implantação de 01 hectare de pimenteira-do-reino em sistema intensivo, no Brasil, são mais altos quando comparados aos demais países produtores da Ásia, sendo estimado em cerca de 5 mil dólares por hectare. Os itens que mais encarecem o estabelecimento de pimentais são o estacão e a muda enraizada. Quanto mais longe da fonte de produção mais caro será o estacão porque além do custo da madeira-de-lei está também embutido no preço, o custo do transporte. Os custos de implantação ainda variam com as operações usadas no preparo da área e do local onde vai ser instalado o pimental.

A muda é o segundo item mais caro do sistema de produção. Até o início da década de 80, a pimenteira-do-reino era propagada por estacas pré-enraizadas e transplantadas para o campo com a raiz nua. O desenvolvimento da tecnologia de produção de mudas herbáceas contribuiu para a formação de pimentais mais uniformes e preveniu a dispersão de doenças como a fusariose, a murcha e o mosaico, doenças transmitidas por estacas contaminadas.

Coeficientes técnicos do sistema de produção de mudas

Os coeficientes técnicos para instalação de jardins clonais em área de mata e de capoeira raleada com vistas à produção de mudas, no sistema com tutores inclinados (espaldeiras) são apresentados nas Tabelas 1 e 2. Segundo as recomendações do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, no sistema de tutores verticais, as matrizes, no jardim clonal devem ser plantadas em fileiras duplas, no espaçamento de 0,40 m a 0,60 m, cada fileira separada uma da outra de 2,0 m. Os estacões devem ser mais finos (1/3 do diâmetro de um estacão normal) para evitar que o produtor use a área para produção de pimenta-do-reino. Na Associação Fomento Agrícola de Tomé Açu (ASFATA) é usado o espaçamento de 0,50 m. No sistema de fileiras duplas e espaçamento de 0,50 m, 01 hectare comporta 8.000 matrizes. Os coeficientes técnicos usados pela ASFATA para produção de mudas em sistema com tutores verticais são especificados na Tabela 3.

Tabela 1. Coeficientes técnicos para produção de 5 mil mudas de pimenta-do-reino, no primeiro ano de atividade, incluindo desmatamento, queimada e construção das espaldeiras, no Município de Altamira, PA. (Área de mata)

Atividades

Unidade

Quantidade

Preço

Custo (R$)

MÃO-DE-OBRA
Escolha de pimentais sadios


HD


0,5


10,00


5,00

Seleção de matrizes no campo

HD

0,5

10,00

5,00

Pulverização das matrizes

HD

1

10,00

10,00

Construção das espaldeiras

HD

44

10,00

440,00

Preparo e manutenção do propagador

HD

2

10,00

20,00

Corte das estacas, tratamento e plantio no canteiro

HD

1

10,00

10,00

Plantio das mudas nas espaldeiras

HD

0,5

10,00

5,00

Manutenção das plantas na espaldeira

HD

6

10,00

60,00

Irrigação das mudas

HD

12

10,00

120,00

Enchimento de 5.000 sacos plásticos

HD

10

10,00

100,00

Transporte do adubo orgânico

HD

3

10,00

30,00

Adubação química e orgânica

HD

1,5

10,00

15,00

Corte de 30 palhas, esteios, enterrio e amarrio

HD

18

10,00

180,00

 

 

 

 

 

CUSTO DE INSUMOS

 

 

 

 

Sacos de plástico perfurados

milheiro

5

220,00

1.100,00

Esterco de gado curtido
Cinza oriunda da queimada

t
kg

2
60

50,00
-

100,00
0,00

Fertilizante químico (NPK: 10-10-10)

kg

50

0,82

41,00

Tesoura de podar

um

2

10,00

20,00

Benomyl

kg

1

78,00

78,00

Dimetoato

l

1

24,00

24,00

Oxicloreto de cobre

kg

1

8,00

8,00

Adubo foliar

l

1

6,00

6,00

Inseticida sistêmico

l

1

37,00

37,00

Pulverizador costal de 20 l

um

1

105,00

105,00

Total

2.519,00

HD = homem-dia
Fonte: Kato et al., 2000  

 

Tabela 2. Coeficientes técnicos para produção de 5 mil mudas de pimenta-do-reino, no primeiro ano de atividade, em área de capoeira raleada, no Município de Altamira, PA

Atividades

Unidade

Quantidade

Preço

Custo (R$)

MÃO-DE-OBRA
Escolha de pimentais sadios


HD


0,5


10,00


5,00

Seleção de matrizes no campo

HD

0,5

10,00

5,00

Pulverização das matrizes

HD

1

10,00

10,00

Construção das espaldeiras

HD

10

10,00

100,00

Preparo e manutenção do propagador

HD

2

10,00

20,00

Corte das estacas, tratamento e plantio no canteiro

HD

1

10,00

10,00

Plantio das mudas nas espaldeiras

HD

0,5

10,00

5,00

Manutenção das plantas na espaldeira

HD

6

10,00

60,00

Irrigação das mudas

HD

12

10,00

120,00

Enchimento de 5.000 sacos plásticos

HD

10

10,00

100,00

Transporte do adubo orgânico

HD

3

10,00

30,00

Adubação química e orgânica

HD

1,5

10,00

15,00

Corte de 30 palhas, esteios, enterrio e amarrio

HD

18

10,00

180,00

 

 

 

 

 

CUSTO DE INSUMOS

 

 

 

 

Sacos de plástico perfurados

milheiro

5

220,00

1.100,00

Esterco de gado curtido
Cinza oriunda da queimada

t
kg

2
60

50,00
-

100,00
0,00

Fertilizante químico (NPK: 10-10-10)

kg

50

0,82

41,00

Tesoura de podar

um

2

10,00

20,00

Benomyl

kg

1

78,00

78,00

Dimetoato

l

1

24,00

24,00

Oxicloreto de cobre

kg

1

8,00

8,00

Adubo foliar

l

1

6,00

6,00

Inseticida sistêmico

l

1

37,00

37,00

Pulverizador costal de 20 l

um

1

105,00

105,00

Total

2.179,00

HD = Homem-dia
Fonte: Kato et al., 2000  

Nesse sistema, uma muda é produzida ao custo de R$ 0,6718.

Tabela  3. Coeficientes técnicos para instalação de 01 hectare de jardim clonal para produção de mudas herbáceas de pimenta-do-reino, em sistema com tutores verticais, em viveiro comercial, no Município de Tomé Açu.

Atividade

 Quantidade x Custo Unitário

Total

A-PREPARO DO JARDIM CLONAL

 

 

 I–Preparo da Área (mata virgem)

 

 

 Brocagem e derrubada

35 HD x R$ 10,00

350,00

 Queimada e encoivaramento

45 HD x R$ 10,00

450,00

 Destocamento

50 HD x R$ 10,00

500,00

 Piqueteamento

10 HD x R$ 10,00

100,00

 Subtotal 1.400,00

 II - Aquisições

 

 

 Estacões

1.000 x R$ 1,50

1.500,00

 Mudas

1.100 x R$ 1,00

1.100,00

 Subtotal 2.600,00

III - Insumos

 

 

 a) Adubos

 

 

 Farinha de osso

 500 kg x R$ 0,74

370,00

 Calcario dolomítico

1.000 kg x R$ 0,16

160,00

 Termofosfato Mg (Yoorim Mg)

 150 kg x R$ 0,74

111,00

 Torta de mamona

1.000 kg x R$ 0,32

320,00

 NPK: 18-18-18

 200 kg x R$ 0,72

144,00

Subtotal 1.105,00

 b) Defensivos

 

 

 Benomyl (Benlate)

1 kg x R$ 78,00

78,00

 Mancozeb (Dithane M-45)

1 kg x R$ 26,00

26,00

 Metaminofós (Folidol)

1 kg x R$ 37,00

37,00

 Metalaxyl (Ridomil)

1 kg x R$ 85,00

85,00

 Metamidofós (Tamaron)

1 kg x R$ 32,00

32,00

 Subtotal 258,00

 c) Materiais

 

 

 Barbante de algodão

5 kg x R$ 17,00

85,00

 Enxada

3 ud x R$ 5,00

15,00

 Enxadeco

3 ud x R$ 4,50

13,50

 Draga manual

3 ud x R$ 12,00

36,00

 Subtotal 149,50

IV – Plantio

 

 

 Enterrio do estação

1.000 ud x R$ 0,50

500,00

 Plantio das mudas

5 HD x R$ 10,00

50,00

 Subtotal 550,00

 V – Tratos Culturais

 

 

 Adubação das covas

1.000 ud x R$ 0,33

330,00

 Adubação em cobertura

2 HD x R$ 10,00

20,00

 Capinas (x6)

1.000 ud x R$ 0,80

800,00

 Amarrio (x3)

6 HD x R$ 10,00

60,00

 Pulverizações

6 HD x R$ 10,00

60,00

 Cobertura morta

10 HD x R$ 10,00

100,00

 Subtotal 1.370,00


B – CUSTO TOTAL NO 1º ANO

 

 

 I – Preparo da Área

 

1.400,00

 II – Aquisições

 

2.600,00

 III – Insumos

 

 

 Adubos

 

1.105,00

 Defensivos

 

258,00

 Materiais

 

149,50

 IV – Plantio

 

550,00

 V – Tratos Culturais

 

1.370,00

 Total 7.432,50


C – CUSTO PARA PRODUZIR 1.000 MUDAS

 

 I - Serviços

 

 

 Corte de estacas

1 HD x R$ 10,00

10,00

 Queimar casca de arroz

2 HD x R$ 10,00

20,00

 Tratamento com fungicida

100 g x 78,00

7,80

 Pré-enraizamento

1 HD x R$ 10,00

10,00

 Enchimento de sacos de plástico

1.000 ud x 0,02

20,00

 Transplantio de estacas enraizadas

1 HD x R$ 10,00

10,00

 Pulverizações (x 12)

2 HD x R$ 10,00

20,00

 Capina na boca dos sacos, replantio

4 HD x R$ 10,00

40,00

 Subtotal 107,80

 II – Aquisições

 

 

 a) Materiais

 

 

 Tesoura de corte

1 ud x R$ 40,00

40,00

 Sacos de plástico

1.000 ud x 0,22

220,00

 Casca de arroz (carrada/Toyota)

1 cd x R$ 125,00

125,00

 Subtotal 385,00

 b) Insumos

 

 

 Benomyl (Benlate)

1 kg x R$ 78,00

78,00

 Mancozeb (Dithane M-45)

1 kg x R$ 26,00

26,00

 Paration metílico (Folidol)

1 litro x R$ 37,00

37,00

 Metaminofós (Tamaron)

1 litro x R$ 32,00

32,00

 Adubo foliar (Wuxal)

1 litro x R$ 6,00

6,00

* Subtotal 179,00

 

 Total 671,80

Fonte: Associação Fomento Agrícola de Tomé Açu (ASFATA), 2001
Nesse sistema, uma muda é produzida ao custo de R$ 0,6718.

 

 Coeficientes técnicos do sistema de produção intensivo

Os coeficientes técnicos para implantação de 01 hectare de pimenteira-do-reino no Município de Tomé Açu são apresentados na Tabela 4.

Tabela 4. Coeficientes técnicos para estabelecimento de 1 hectare de pimenta-do-reino, com 1.500 pés, em sistema intensivo, no Município de Tomé Açu, PA.

Atividades

Quantidade/unidade

Preço

Total (R$ 1,00)

1. - PREPARO DA ÁREA

 

 

 

 a) Manual

 

 

 

 Brocagem

10 HD

10,00

100,00

 Derrubada (machado)

10 HD

10,00

100,00

 Aceiro

2 HD

10,00

20,00

 Queimada

½ HD

10,00

5,00

 Encoivaramento

25 HD

10,00

250,00

 Destocamento (tocos menores)

20 HD

10,00

200,00

 b) Mecânico

 

 

 

 Brocagem

10 HD

10,00

100,00

 Derrubada (motoserra)

1 HD

10,00

50,00

 Aceiro

2 HD

10,00

20,00

 Queimada (após 6 dias)

½ HD

10,00

5,00

 Limpeza (trator de esteira)

4 hT

85,00

340,00

 Limpeza manual

10 HD

10,00

100,00

 Gradeamento (trator de rodas)

4 hT

85,00

100,00

2. – CALAGEM

4 HD

10,00

40,00

3. – PREPARO DAS LEIRAS

20 HD

10,00

200,00

4. - PIQUETEAMENTO

6 HD

10,00

60,00

5. – ENTERRIO DO ESTACÃO

19 HD

10,00

190,00

6. – ABERTURA DAS COVAS E ADUBAÇÃO

22 HD

10,00

220,00

7. – PLANTIO DAS MUDAS (250 PÉS)

6 HD

10,00

75,00

8. - CAPINA

 

 

 

 Manual (enxada)

12 HD

10,00

120,00

 Química

 

 

 

 Coroamento (R$ 0,03/pé)

 

 

45,00

 Aplicação de glifosato (Round-up)

1 HD

10,00

10,00

 Aplicaçao de Paraquat (Gramoxone)

2 HD

10,00

20,00

9. - DRENAGEM

 

 

 

 a) Manual (enxadeco)

30 HD

10,00

300,00

 b) Mecanizada (retro-escavadeira)

 

10,00

240,00

10. – ADUBAÇÃO QUÍMICA

3 HD

10,00

30,00

11. – ADUBAÇÃO FOLIAR (pulverizador costal)

3 HD

10,00

30,00

12. – AMARRIO

4 HD

10,00

40,00

13. – REFAZER AMONTOA

6 HD

10,00

60,00

14. – COLHEITA (3º ANO)

90 HD

10,00

900,00

15. – BENEFICIAMENTO

 

 

 

 a) Debulhamento (1.500 kg)

 

 

50,00

 b) Secagem

10 HD

10,00

100,00

 c) Ventilação (4.500 kg)

1 HD

10,00

10,00

 Custo Total 4.130,00

Fonte: Cooperativa Agrícola Mista de Tomé Açu (CAMTA), 2002

 

Custos de produção, rendimento e rentabilidade

A pimenteira-do-reino é cultivada por produtores que utilizam mão-de-obra familiar e contratada (permanente e ou temporária), e que o número de trabalhadores utilizados depende do tamanho da área, da época e necessidade, como no período de safra que concentra uma grande quantidade de trabalhadores temporários no campo.

A colheita é a época que exige maior demanda de mão-de-obra, merecendo bastante cuidado, para que não haja perdas. Pelos dados da Tabela 5, no segundo ano de cultivo já se tem a primeira colheita, mas não muito significativa, pois a receita não chega a cobrir os custos. Só a partir do terceiro ano é que a atividade começa a dar lucro e daí em diante proporciona retorno econômico ao produtor. A produção do terceiro e quarto ano vão corresponder a uma faixa de 1,5 kg e 3,0 kg por planta, e 2.400 kg e 4.800 kg por hectare.

Após a colheita a pimenta-do-reino é beneficiada na maioria das vezes no próprio local, enquanto outros levam a produção para ser beneficiada na cidade.

Na análise econômica a seguir foram considerados todos os custos operacionais relativos à mão-de-obra, aluguel de máquinas e equipamentos e materiais. Computaram-se, também, as despesas de mão-de-obra fixa e alugueis/juros da terra. Consideraram-se os preços praticados em Castanhal, Pará, para produtos e fatores, e um horizonte de planejamento de 6 anos (Tabela 5).

No primeiro ano o custo foi maior em relação aos outros anos, por haver necessidade do preparo de área, com utilização da mecanização e de atividades manuais, e da aquisição de insumos.

A mão-de-obra apresenta custo de 23% no primeiro ano, passando para 58%, 65% e 69% no 2º, 3º e 4º ao 6º ano, respectivamente.

Aquisição de insumos representou 72% dos custos do primeiro ano, caindo para 39%, 33% e 29% nos anos posteriores. Isso se deve ao fato de que as estacas, mudas, lona plástica e fosfato natural, são utilizados apenas uma vez no decorrer do cultivo.

Individualmente, é importante destacar o custo do coroamento, por exigir grande quantidade de mão-de-obra nesta prática. Pode-se reduzir estes custos com a utilização de herbicidas.

As receitas com a venda do produto são obtidas a partir do segundo ano. Nesse ano, a receita originou-se da produção de 480 kg do produto, totalizando R$ 1.680,00; no terceiro ano, a produção de 2.400 kg e a receita de R$ 8.400,00; e, do quarto ao sexto ano, a produção foi de 4.800 kg, com uma receita de R$ 16.800,00, anualmente. O preço considerado foi de R$ 3,50/kg.

Tabela 5. Custo de produção por hectare de pimenta-do-reino, espaçamento 2,5m x 2,5m, 1600 plantas, em  R$ 1,00.

Discriminação

Unid

V.Unit

Ano – 1

Ano – 2

Ano - 3

Ano – 4 a 6

Quant

V.Total

%

Quant.

V.total

%

Quant.

V.total

%

Quant.

V.Total

%

1 - Preparo de Área

 

 

 

1.410,00

12,73

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Gradagem pesada

h/m

50,00

3

150,00

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Gradagem Niveladora

h/m

50,00

2

100,00

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Calagem

h/m

50,00

3

60,00

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Balizamento e piquete

d/h

10,00

10

100,00

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fixação de tutor

d/h

10,00

60

600,00

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Abert. Cova e adubação

d/h

10,00

24

240,00

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Adubação em cova

d/h

10,00

16

160,00

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

2 – Plantio/replantio

d/h

10,00

10

100,00

0,90

 

 

 

 

 

 

 

 

 

3 – Tratos Culturais

 

 

 

1.310,00

11,83

 

3.220,00

54,41

 

3.220,00

47,14

 

9.660,00

40,49

Adub. quim./orgân.

d/h

10,00

 

 

 

40

400,00

 

40

400,00

 

120

1.200,00

 

Abert. cova/adub org

d/h

10,00

 

 

 

29

290,00

 

29

290,00

 

87

870,00

 

Poda e amarrio

d/h

10,00

27

270,00

 

10

100,00

 

10

100,00

 

30

300,00

 

Coroamento

d/h

10,00

66

660,00

 

192

1.920,00

 

192

1.920,00

 

576

5.760,00

 

Trat.fitossanitários

d/h

10,00

11

110,00

 

32

320,00

 

32

320,00

 

96

960,00

 

Adub. Em cobertura

d/h

10,00

27

270,00

 

19

190,00

 

19

190,00

 

57

570,00

 

4 – Aq .de Insumos

 

 

 

8.009,60

72,30

 

2.311,32

39,06

 

2.245,00

32,87

 

6.885,00

28,86

Barbante

rolo

8,50

 

 

 

2

17,00

 

2

17,00

 

6

51,00

 

Estacas

Unid

1,80

1600

2.880,00

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Mudas

Unid

2,00

1760

3.520,00

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Esterco curtido

35,00

12,80

448,00

 

12,80

448,00

 

12,8

448,00

 

38,4

1.344,00

 

Farinha de osso

kg

0,74

800

592,00

 

960

710,40

 

960

710,40

 

2.880

2.131,20

 

Termofosf. Master

kg

0,74

 

 

 

480

355,20

 

480

355,20

 

1.440

1.065,60

 

Arad fosfato natural

kg

0,40

480

192,00

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

N.P.K.(18-18-18)

kg

0,72

160

115,20

 

576

414,72

 

570

410,40

 

1.710

1.231,20

 

Calcário dolomítico

kg

0,16

1000

160,00

 

960

153,60

 

960

153,60

 

2.880

460,80

 

Defensiv. / adesivos

vb

160,00

0,64

102,40

 

0,64

102,40

 

0,64

102,40

 

1.92

307,20

 

Sacaria

Unid

1,00

 

 

 

10

10,00

 

48

48,00

 

294

294,00

 

Lona plástica

1,00

 

 

 

100

100,00

 

 

 

 

 

 

 

5 – Colh. / benef.

d/h

10,00

 

-

 

24

240,00

4,06

120

1.200,00

17,57

675

6.750,00

28,29

6 – Sub-Total

 

 

 

10.829,60

 

 

5.771,32

 

 

6.665,00

 

 

23.295,00

 

7 – Outros Custos

 

 

 

248,59

2,24

 

146,23

2,47

 

165,30

2,42

 

561,90

2,36

Mão-de-obra fixa

%

 

2

216,59

 

2

114,23

 

2

133,30

 

2

465,90

 

Aluguel/juros da terra

%

 

10

32,00

 

10

32,00

 

10

32,00

 

10

96,00

 

8 – Total

 

 

 

11.078,19

100,00

 

5.917,55

100,00

 

6.830,30

100,00

 

23.856,90

100,00

9 – Produção/Receita

kg

3,50

 

 

 

480

1.680,00

 

2400

8.400,00

 

14.400

50.400,00

 

Fonte: Embrapa Amazônia Oriental


O orçamento unitário da atividade apresentou custos totais de R$ 47.682,94, relativos às atividades de implantação e manutenção. A receita bruta roporcionada pela venda do produto alcançou o montante de R$ 60.480,00. O fluxo de caixa apresentou um benefício líquido não atualizado de R$ 12.797,06 (Tabela 6).

Tabela 6. Fluxo de caixa de 1 hectare de pimenta-do-reino, 1.600 plantas

Componentes

Anos

Totais

1

2

3

4 a 6

a – Preparo de área

1.410,00

0

0

0

1.410,00

b – Plantio

100,00

0

0

0

100,00

c – Tratos culturais

1.310,00

3.220,00

3.220,00

9.660,00

17.410,00

d – Aquisições

8.009,60

2.311,32

2.245,00

6.885,00

19.450,92

e – Colheita e beneficiamento

0

240,00

1.200,00

6.750,00

8.190,00

Subtotal

10.829,60

5.771,32

6.665,00

23.295,00

46.560,92

Outros custos

248,59

146,23

165,30

561,90

1.122,02

1 - Custos totais

11.078,19

5.917,55

6.830,30

23.856,90

47.682,94

2 – Receita bruta

0

1.680,00

8.400,00

50.400,00

60.480,00

3 – Benefício líquido (2-1)

-11.078,19

-4.237,55

1.569,70

26.543,10

12.797,06

Fonte: Embrapa Amazônia Oriental

Para a análise de sensibilidade (Tabela 7) considerou-se, como situação original: o custo da mão-de-obra a R$ 10,00/dia, para as diversas variações nos preços do produto; e, o preço da pimenta a R$ 3,50/kg, para as variações do custo da mão-de-obra. Os dados mostram que alterações nas receitas para mais ou para menos provocam variações significativas na Taxa Interna de Retorno (TIR). E que o mesmo ocorre para as variações do custo da mão-de-obra. Considerou-se que: para aumento de 10% no custo da mão-de-obra o custo total cresceu 4,24%; para aumento de 20% na mão-de-obra o custo total subiu 10,13%; e para mão-de-obra mais cara em 40% o custo total aumentou 27,51%.

Atualizando-se os valores do benefício líquido a taxas de descontos de 6%, 12%, 15%, 18% e 25%, observa-se diferenças positivas (B/C > 1) e negativas (B/C < 1) entre as receitas e os custos, comparados com a situação original. O preço de R$ 3,50/kg está próximo do limite mínimo para viabilizar o plantio, inclusive chegando a ter uma relação B/C < 1 para a taxa de desconto de 25%. Para os demais níveis de taxa de desconto e para preços mais elevados o plantio se mostra perfeitamente viável.

Quando o preço reduz para R$ 3,00/kg (menos 15%), a TIR é 6,69%, ou seja, o plantio só é viável para taxa de desconto de 6%, para os demais níveis o projeto apresentará lucratividade negativa. A níveis de preço abaixo de R$ 3,50/kg, para a atividade ser viável economicamente é necessário que o produtor reduza seus custos de produção.

Quanto ao custo da mão-de-obra, o projeto é viável para valores da diária a R$ 10,00, exceto para taxa de desconto de 25%. Se o custo da mão-de-obra subir 10%, para R$ 11,00, o plantio será viável para taxas de desconto até 15%. Se o custo da mão-de-obra aumentar 20%, a viabilidade se dará apenas a taxas de desconto até 11%, que é o valor da TIR. Para os demais níveis a atividade será inviável.

Na situação original, a TIR é igual a 18,63%. Isto significa que o retorno econômico do plantio é maior que o custo de oportunidade do capital e é significativa quando comparada com remunerações pagas pelo mercado financeiro (6%, 12%, 15%, 18%), tais como poupança, fundos de renda fixa e outros investimentos a médio e longo prazo. Considerando a estrutura de custos e receitas da situação original, o plantio só será inviável para taxas de desconto superiores a 18,63%.  

Tabela 7. Análise de sensibilidade do plantio de 1 ha de pimenta-do-reino, R$1,00.

Taxa desconto (%)

Preços do produto – R$/kg

Custo da mão-de-obra (d/h) – R$1,00

2,50

3,00

3,50

4,00

5,00

10,00

11,00

12,00

14,00

B/C

B/C

B/C

B/C

B/C

B/C

B/C

B/C

B/C

6

0,84

1,01

1,18

1,35

1,68

1,18

1,13

1,07

0,92

12

0,78

0,93

1,09

1,25

1,56

1,09

1,05

0,99

0,85

15

0,75

0,90

1,05

1,20

1,50

1,05

1,01

0,95

0,82

18

0,72

0,86

1,01

1,15

1,44

1,01

0,97

0,92

0,79

25

0,66

0,79

0,92

1,05

1,31

0,92

0,88

0,84

0,75

TIR (%)

-8,29

6,69

18,63

28,84

46,12

18,63

15,44

11,20

-0,43

Fonte: Embrapa Amazônia Oriental

 
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