Embrapa Amazônia Oriental
Sistemas de Produção, 01
ISSN 1809-4325 Versão Eletrônica
Dez./2005
Sistema de Produção da Pimenteira-do-reino
Maria de Lourdes Reis Duarte
Hiroshi Okajima
Sumário
Início

Apresentação
Importância econômica
Clima
Solos
Adubação
Cultivares
Produção de mudas
Micorrizas
Plantio
Irrigação
Tratos culturais
Plantas daninhas
Sistema de cultivo sombreado
Doenças e métodos de controle
Pragas e métodos de controle
Normas sobre uso de agrotóxicos
Colheita e pós-colheita
Mercado e comercialização
Coeficientes técnicos, custos, rendimento e rentabilidade
Referências
Glossário
Autores
Expediente
 Irrigação

Introdução

Irrigação de pimentais não é uma prática agrícola difundida entre os pipericultores. No ciclo produtivo, a irrigação é essencial nas fases de sementeira, câmaras de pré-enraizamento e no viveiro. A constatação da relação entre o estresse hídrico e a incidência da fusariose no campo, estimulou o uso da irrigação dos plantios comercias por alguns produtores, por meio de equipamentos mais sofisticados ou com simples garrafas de plástico presas ao estacão, próximo do solo.

O sistema de irrigação deve ser instalado por empresas credenciadas para evitar custos desnecessários.

Irrigação em câmaras de pré-enraizamento e viveiros

Devido ser propagada por meio de material vegetativo, a pimenteira-do-reino necessita de irrigação na fase de pré-enraizamento das estacas e durante o período que as mudas permanecem no viveiro. Pequenos produtores costumam irrigar as plantas com mangueiras de plástico munidas de aspersores semelhantes a chuveiro para evitar que a pressão da água retire o solo dos sacos de plástico, expondo as raízes. Grandes viveiristas costumam irrigar as plantas com micro-aspersores instalados nos esteios dos viveiros ou a 50m ou 70 cm do solo (Fig. 1). Os micro-aspersores podem ser acionados manualmente ou serem programados para irrigar a intervalos regulares, por meio de relés.

Foto: Maria de Lourdes Reis Duarte

Fig. 1. Viveiro comercial irrigado com micro-aspersores instalados no solo.

Irrigação no campo

Na Região Norte, os pimentais adultos são cultivados sem irrigação suplementar porque os rios da Bacia Amazônica não têm experimentado extremos de clima e nem as mudanças de estação que ocorrem nas regiões de clima temperado. Entretanto, onde há períodos secos regulares e definidos, o cultivo da pimenteira-do-reino pode necessitar de irrigação.

 Nos municípios com clima do tipo Awi, caracterizado por apresentar um período seco de mais de três meses, anualmente, há necessidade de irrigação. No município de Paragominas, nos últimos seis anos, produtores têm irrigado os pimentais. Inicialmente, a irrigação era feita em bacias, em torno da planta, com raio de 75 cm (Fig. 2).

Foto: Maria de Lourdes Reis Duarte

Fig. 2. Preparo de “bacias” em torno das plantas para irrigação no período de estiagem, em Paragominas, PA.

O volume de irrigação recomendado é de 100 litros de água de irrigação por planta a intervalos de 8 a 10 dias. O estabelecimento e crescimento das plantas jovens é aumentado se for dada irrigação suplementar até o terceiro ano de crescimento. Na Índia, os produtores costumam colocar folhas secas ou outro material orgânico dentro das bacias para manter o solo úmido por mais tempo.

As plantas podem também ser irrigadas por gotejamento. Neste caso, a água é distribuída em mangueiras perfuradas a intervalos regulares, distribuindo-se três furos por planta. Cada planta é irrigada com 2 litros de água/planta/dia, correspondendo a 60 litros/mês. Plantas irrigadas apresentam melhor desenvolvimento vegetativo, menor índice de incidência de podridão das raízes e maior longevidade, reduzindo em 40% as perdas de produção. No Município de Paragominas, há pimentais irrigados com 13 anos de idade e em plena produção. Com o uso da fertirrigação obtém-se um aumento de produção de 20 até 30%.

O efeito benéfico da irrigação tem sido surpreendente, de modo que nos projetos de financiamento de novos pimentais, a irrigação vem sendo incluída como investimento.

 
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