Embrapa Amazônia Oriental
Sistemas de Produção, 01
ISSN 1809-4325 Versão Eletrônica
Dez./2005
Sistema de Produção da Pimenteira-do-reino
Alfredo Kingo Oyama Homma
Célio Armando Palheta Ferreira
Maria de Lourdes Reis Duarte
Sumário
Início

Apresentação
Importância econômica
Clima
Solos
Adubação
Cultivares
Produção de mudas
Micorrizas
Plantio
Irrigação
Tratos culturais
Plantas daninhas
Sistema de cultivo sombreado
Doenças e métodos de controle
Pragas e métodos de controle
Normas sobre uso de agrotóxicos
Colheita e pós-colheita
Mercado e comercialização
Coeficientes técnicos, custos, rendimento e rentabilidade
Referências
Glossário
Autores
Expediente
 Mercado e comercialização

Introdução

O Brasil faz parte da Comunidade Internacional da Pimenta-do-reino (IPC), criada em 1971, com sede em Jacarta, Indonésia, da qual também fazem parte a Índia, Indonésia, Malásia, Sri Lanka e Tailândia. O Brasil é um dos maiores produtores mundiais de pimenta-do-reino. Em 2002, a produção brasileira foi a terceira maior entre os países produtores dessa piperácea, só perdendo para a Índia (maior produtor) e para a Indonésia. Pelos dados da Tabela 1 observa-se que a produção do Brasil correspondeu a 15% da produção mundial, em 2002.

A expansão da lavoura da pimenta-do-reino demonstrou a grande capacidade de resposta dos agricultores paraenses aos sinais de mercado e preços favoráveis. Nos anos de 1980 a 1983, o Brasil liderou a produção mundial de pimenta-do-reino. Nos anos de 1980 a 1982 e em 1984 o país alcançou a posição de maior exportador mundial, graças a produção paraense. Em apenas cinqüenta anos após a sua re-introdução, a produção do Brasil ultrapassou a de milenares produtores dessa especiaria, como a Índia, a Indonésia e a Malásia. Em 1991, o Brasil alcançou a máxima produção nacional de pimenta-do-reino, com mais de 83 mil toneladas e em 1981, exportou a quantidade máxima, com quase 47 mil toneladas.

Tabela 1. Maiores produtores mundiais de pimenta-do-reino, 1990 a 2002, em 1.000 t.

Países

1990

1991

1992

1993

1994

1995

1996

1997

1998

1999

2000

2001

2002

Índia 55.190 47.950 52.010 50.760 51.300 60.700 61.580 56.000 57.000 66.000 66.000 66.000 58.000
Indonésia 69.899 62.549 65.014 65.782 54.043 58.955 52.168 46.600 49.660 52.188 55.000 57.000 57.000
Brasil 78.155 83.906 33.034 42.270 34.927 33.852 32.318 22.359 23.050 27.761 38.443 49.018 45.000
Vietnam 8.623 8.877 7.830 7.500 8.900 9.300 10.500 13.000 15.900 31.000 37.000 37.000 44.400
Malásia 31.191 29.069 26.515 18.003 16.370 15.768 16.276 18.171 19.087 21.000 21.000 21.000 22.000
China 11.083 9.090 13.120 12.120 13.135 12.135 14.150 15.150 17.810 18.160 17.660 17.660 18.665
Sri Lanka 8.732 9.938 10.888 14.100 14.712 16.000 16.890 17.270 17.160 17.270 17.000 17.000 16.830
Tailândia 10.345 10.443 10.500 9.000 10.232 10.949 7.730 7.074 6.500 7.000 7.000 7.000 9.000
México 868 894 -2,395 734 940 3.599 4.120 1.761 2.700 2.500 2.500 2.600 2.500
Gana - - - - - - 1.500 1.500 2.000 2.000 2.000 2.000 2.500
Outros 766 892 11.048 12.187 13.231 1.197 1.322 11.824 11.275 11.681 11.041 11.021 10.822
Total 281.777 271.609 232.354 232.456 217.790 233.228 230.452 210.709 222.142 256.560 274.644 287.299 300.395
Fonte: FAO (1990/2002), www.fao.org (19/02/2003)

A grande pergunta é se o Estado do Pará terá mercado nos próximos anos para produzir 50 mil toneladas de pimenta-do-reino? No final de 1999 houve euforia no plantio da pimenta-do-reino no Estado do Pará e até em Estados como Ceará, Mato Grosso do Sul, Tocantins, Maranhão, Minas Gerais, entre outros, contagiados pelos preços que alcançaram até R$ 11,00/kg, preço esse que chegou a atrair a formação de quadrilhas especializadas no roubo do produto, e que chegaram a ser motivo de manchete nacional. Trata-se de um preço insustentável, motivado por circunstâncias momentâneas e associado a desvalorização cambial de 14 de janeiro de 1999. O perigo é que ao seguir a moda dominante, sempre se corre o risco de todos os produtores serem prejudicados. A cultura da pimenta sofreu essa conseqüência durante as décadas de 1980 e 1990. Por ser um produto inelástico, como o sal de cozinha, não se consegue aumentar seu consumo reduzindo seus preços, ao contrário obtém-se maiores lucros mantendo-se seus preços elevados e produzindo em quantidade reduzida.

Outra conseqüência dessa febre de plantio foi a inflação nos preços de insumos para a implantação dos pimentais. Em face da dificuldade de obter-se adubo orgânico (os produtores estão transportando esterco de aves e torta de mamona do Nordeste), da escassez de estacões, do interesse no setor de venda de mudas e as próprias restrições ambientais, a tendência é a limitação da expansão dos pimentais, em termos de novas áreas e da obtenção de estacões.

Como o ciclo de vida da pimenta-do-reino está na faixa de 8 a 10 anos, nesse sentido a taxa ideal de expansão não deveria ultrapassar 10 a 12% da área colhida, para cobrir a depreciação dos pimentais. No caso paraense, a taxa ideal de plantio anual deveria estar entre 1.100 a 1.700 hectares/ano. Esse ritmo asseguraria uma contínua renovação, o controle da produção e de preços. Em vez de promover uma expansão desenfreada, o aumento da produtividade deveria ser incentivado, pela heterogeneidade tecnológica que essa cultura apresenta, com produtividade variando entre 600 kg/ha até 3.200 kg/ha/ano, redução nos custos de produção e, privilegiando pequenos produtores, uma vez que constitui em excelente opção para capitalização, de emprego de mão-de-obra familiar, com maior capacidade de suportar crises futuras de preços e de reinvestimentos dos lucros obtidos no próprio local.

No ângulo internacional, a participação do Brasil desde 1980 na IPC não tem sido devidamente aproveitada. A Tailândia e o Vietnã conseguiram ocupar o vácuo da produção brasileira durante o período de crise que se estendeu do final da década de 1980 até quase toda a década de 1990. Somente o Vietnã apresenta capacidade de exportar 30 a 35 mil toneladas de pimenta e com baixo custo de mão-de-obra. A restrição com relação ao futuro da economia de pimenta-do-reino nos países produtores da Ásia está relacionado com países que superam a casa de bilhão de habitantes (China e Índia) e àqueles com alta densidade demográfica (Índia, Vietnã, China, Tailândia, Indonésia, Malásia, nessa ordem), que deverá implicar na realocação de recursos produtivos em favor de alimentos básicos e do caminho da industrialização. Apesar das dificuldades, há necessidade de se definir políticas de controle de produção entre os países membros, troca de material genético de interesse similar e tecnologia de novos produtos. A pimenta-do-reino chegou a representar mais de 35% do valor das exportações paraenses em 1975, reduziu para pouco mais de 2%, mas ainda tem uma importante contribuição futura e cabe aos produtores a tarefa de mantê-las de maneira mais sustentável possível.

Mercado

No cenário mundial, a Índia tem perdido a posição de maior exportadora mundial de pimenta-do-reino que vinha mantendo até a safra 1998/99, em favor do Vietnã e Indonésia. A queda das exportações indianas, além de sua oscilação, decorre do efeito combinado do crescimento populacional, baixos preços e mudanças nos padrões de consumo, fazendo com que o consumo interno fosse aumentado de 40.000 t para 45.000 t/ano.

As exportações de pimenta-do-reino vietnamita apresentaram tendência crescente durante a década de 1990, quando o país se transformou no maior exportador de pimenta preta tipo ASTA. A produção destinada para consumo doméstico é estimada em 2.000 t/ano. As boas condições climáticas têm estimulado os plantios nas tradicionais áreas produtoras de Binh Phuoc, Dong Nai e Ba Ria-Vung Tau. Novas plantações estão sendo estimuladas em Dak Lak, Gia Lai e Ninh Thuan, bem como no norte do país nas províncias de Quang Tri e Nghe Na, representando, portanto, uma grande ameaça para os plantios de pimenta-do-reino do Brasil.

A principal região produtora da Indonésia é a Sumatra, que tem apresentado oscilações nas exportações, levando esse país, a importar pimenta do Vietnã em 2001 na ordem de 4.000 a 5.000 toneladas, para cobrir contratos. A Indonésia se caracteriza como a maior produtora mundial de pimenta branca, superando a pimenta preta, concentrando-se em Bangka essa produção.

A Malásia tem apresentado, a partir de 1997, crescimento na sua principal região produtora Sarawak, favorecido pelas boas condições climáticas e da expansão dos plantios realizados em 1998. Atualmente, devido aos baixos preços, os plantios têm sido suspensos. A produção de pimenta branca na Malásia tem declinado nos últimos anos, decorrente da queda entre 25 a 30% do preço da pimenta preta.

A produção de pimenta-do-reino na China tem crescido nos últimos anos alcançando 20.000 toneladas, destinada basicamente para o consumo interno. A mudança nos hábitos alimentares, principalmente de refeições rápidas, provocou um considerável aumento no consumo de pimenta-do-reino. A reduzida produção de pimenta branca nos últimos anos tem sido destinada basicamente para o consumo interno, havendo necessidade de importar outras 2.000 toneladas de pimenta branca.

A produção nacional de pimenta-do-reino se concentra basicamente no Estado do Pará. Em 2002, a área plantada nesse Estado foi de 20.962 ha, correspondendo a 85% do total nacional; a área colhida foi de 19.856 hectares, 85% do total; e, a produção foi de 51.688 t, 88% do total produzido no país.

A quase totalidade da pimenta-do-reino produzida no país destina-se ao mercado externo, sendo que em 2003, 86% da produção foi exportada, principalmente, para os Estados Unidos, Alemanha, Países Baixos e Argentina.

Em geral, a pimenta-do-reino possui alto valor comercial, podendo ser comercializada na forma de pimenta preta, pimenta branca e pimenta verde em conserva. Dos grãos são extraídos subprodutos que alcançam até três vezes mais que o preço da pimenta, destacando-se dentre estes o óleo. Essa especiaria se constitui em um importante componente para a indústria de carnes, para consumo alimentar como condimento e para a indústria de perfumaria.

A produção de pimenta-do-reino no Brasil concentra-se nos meses de setembro a novembro, coincidindo em parte com a safra da Indonésia que se estende de agosto a outubro. A safra indiana tem início em janeiro e se estende até março, vindo logo após a safra brasileira. No Vietnã a safra coincide com a indiana uma vez que se estende de fevereiro a abril. Na Malásia, que tem como principal região produtora Sarawak, a safra é logo após a do Vietnã, estendendo-se no período de maio a julho.

Época da colheita de pimenta-do-reino nos principais países produtores.

Jan

Fev

Mar

Abr

Mai

Jun

Jul

Ago

Set

Out

Nov

Dez

Índia

Indonésia

Vietnã

Malásia

Brasil


Dessa forma, a comercialização da safra brasileira tem sempre a concorrência da safra da Indonésia e das safras futuras da Índia, do Vietnã e da Malásia.

Os preços internacionais da pimenta-do-reino na década de 1990 tiveram incremento vertiginoso, ensejando a que os produtores tivessem lucros extraordinários no período. O preço do produto subiu de US$ 0.88/kg, em 1992, para US$ 4.46/kg, em 1999, um crescimento de mais de 4.000%. A partir de 2000, o preço internacional da pimenta-do-reino vem experimentando sensível redução, em face do aumento da oferta do produto no mercado internacional. Na Tabela 2, constam os dados relativos a produção, área colhida, rendimento, Estados produtores e exportações da pimenta-do-reino, no período de 1991 a 2003.

Tabela 2. Produção, área colhida, rendimento, exportações, principais produtores, principais importadores de pimenta-do-reino, Brasil, 1991 a 2002.

Discriminação

1991

1992

1993

1994

1995

1996

1997

1998

1999

2000

2001

2002

Produção (1.000 t)

83,7

32,9

41,4

34,7

33,9

32,3

22,4

23,1

27,8

38,7

50,1

45,0

Área colhida (1.000 ha)

36,8

29,0

23,3

20,8

18,6

18,2

11,8

11,2

13,2

15,9

20,4

24,1

Rendimento (kg/ha)

2.277

1.132

1.776

1.668

1.815

1.890

1;853

2.071

2.099

2.868

2.331

2.439

Exportações (1.000t)

48,2

26,4

26,9

22,3

22,2

24,2

14,0

17,2

19,6

20,4

36,6

37,5

Preço exportações (US$/kg)

-

0.88

1.09

1.94

2.37

2.28

4.25

4.50

4.46

3.38

1.61

1,56

Valor exportações (US$ 1,000)

-

13,501

28,242

40,854

50,297

55,122

59,375

77,670

87,448

69,075

59,299

58.432

Principais produtores (1.000 t):

 Pará

75,3

25,3

33,8

27,8

27,8

26,6

17,3

18,0

23,4

33,5

44,0

 Espírito Santo

5,5

4,7

4,5

3,6

2,8

3,5

3,0

2,5

2,6

3,3

3,5

 Bahia

1,7

2,0

2,1

2,3

2,3

2,4

1,9

2,2

1,3

1,6

2,1

Exportações (1.000 t):

 Estados Unidos

15,3

6,1

4,6

8,1

3,0

4,8

4,6

5,7

8,1

8,0

10,7

13,8

 Alemanha

5,7

4,0

7,3

4,0

4,3

4,7

2,4

2,4

4,0

2,5

4,5

7,0

 Países Baixos

4,8

1,1

2,0

1,8

2,1

4,0

2,1

3,1

3,4

2,2

5,9

5,7

 Argentina

1,8

0,8

1,0

1,3

1,1

1,3

1,1

1,4

0,8

0,9

0,8

1,0

Fonte: IBGE (2003); SECEX/MDIC/SERPRO, Programa ALICE (06.05.2002).

Comercialização

Existe uma oferta de exportação anual estimada em 220.000 toneladas e a demanda em torno de 175.000 toneladas, indicando um excedente de 45.000 toneladas anual ou cerca de 25% da demanda mundial. Apesar do lucro dos produtores estar reduzindo, em conseqüência dos baixos preços, comparados com outras "commodities" a produção de pimenta-do-reino é ainda um negócio atrativo. Considerando os investimentos que já foram realizados e o custo da mão-de-obra relativamente baixo nos países asiáticos, a oferta não cairá drasticamente. Outros países, como o Camboja, seguindo o exemplo do Vietnã, estão envidando esforços no aumento da produção de pimenta-do-reino que, apesar de ser pequena no momento, vem pressionar a oferta mundial.

Nos últimos anos (2000 e 2001), o preço internacional da pimenta-do-reino sofreu sensível queda no mercado, ficando cada vez mais difícil a sua produção. No Estado do Pará, por esse motivo, já está havendo mobilização dos produtores e órgãos públicos competentes, em procurar alternativas para minimizar os custos de produção e, com isso, viabilizar economicamente a cultura.

A queda no preço da pimenta-do-reino no mercado e o crescente aumento dos custos de produção, fazem com que os produtores diminuam as despesas com adubos, corretivos, defensivos, reduzindo a quantidade total utilizada ou substituindo os itens mais onerosos. Como conseqüência a produção local reduz e a oferta tende a forçar o aumento dos preços.

Considerada isoladamente, a pimenta-do-reino responde por quase 0,5% das vendas externas do agronegócio brasileiro, ao lado da soja e suco de laranja, chegando a representar cerca de 0,10% das exportações globais brasileiras.

O comércio da pimenta-do-reino foi crescente na década de 90 até 1999 quando superou 87 milhões de dólares, graças à reação favorável do mercado internacional.

O principal uso da pimenta-do-reino é no preparo de alimentos industrializados (salame, salsicha, mortadela, fiambre, presunto, paio), na indústria farmacêutica, de cosméticos e perfumaria e como inseticida natural. Na Malásia, o uso de pimenta-do-reino na medicina natural é milenar. No mercado brasileiro, a pimenta-do-reino é vendida na forma de grãos inteiros e moídos, em mistura com outros condimentos principalmente o cominho e na composição de temperos, molhos e patês.

Sendo consumida na alimentação humana, cuidados higiênicos devem ser tomados durante a colheita, processamento e manuseio para evitar contaminação macro e microbiológica. A qualidade da pimenta-do-reino é determinada de acordo com padrões estabelecidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). A classificação e a fiscalização do mercado interno obedece a Portaria Nº 112, do MAPA, publicada em 10 de maio de 1982, enquanto que o mercado externo segue o disposto na Resolução CONCEX Nº 176, do atual Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), publicada em 27 de junho de 1989. Cada país produtor tem uma classificação equivalente (Tabela 3).

Tabela 3. Classificação da pimenta-do-reino para os tipos preta e branca, comercializadas nos principais países produtores, em ordem decrescente de qualidade.
País
Tipos de pimenta-do-reino comercializadas
Preta

Branca

Verde
Brasil
ASTA
ASTA
NA
Brasil 1
Brasil 1
NA
Brasil 2
Brasil 2
NA
 
Índia
MG-1
-
-
FAQ
-
-
 
Indonésia
Lampong ASTA
Muntok ASTA
-
Lampong FAQ
Muntok FAQ
-
 
Malásia
Rótulo marrom
Rótulo marrom
-
Rótulo amarelo
Rótulo amarelo
-
Rótulo preto
Rótulo preto
-
 
Vietnã
FAQ
-
-
NA = Não se aplica
Fonte: Embrapa Amazônia Oriental

Além dos aspectos de macro contaminação como ausência de pedras, sementes de outros vegetais, insetos (vivos ou mortos, inteiros ou fragmentos) e presença de grãos mofados, aspectos microbiológicos como ausência de Salmonella, coliformes fecais, aflatoxinas e resíduos de pesticidas têm sido exigidos pelos países importadores. A fim de uniformizar a classificação do produto exportável e estabelecer níveis de macro contaminação toleráveis, a IPC vem desenvolvendo junto com os países membros uma nova classificação para ser adotada no futuro, pelos países importadores e exportadores (Tabela 4). Após mais de quatro anos de discussão, a classificação da IPC foi aprovada, com a ressalva de que a adoção da nova classificação não seria uma imposição, devido a preocupação do Brasil com os níveis de umidade estabelecidos.

Os países exportadores ficariam livres para negociar seus produtos de acordo com as exigências dos importadores, entretanto, a tendência é a adoção da classificação da IPC por importadores e exportadores, por isso, o Brasil propôs um prazo de um a dois anos para adequar os padrões de classificação da pimenta brasileira aos da IPC. Se a classificação da IPC for adotada como padrão pelos países importadores, aqueles que não adequarem seus padrões ou que persistirem em seus padrões de classificação, por certo perderão suas cotas no mercado internacional.

Tabela 4. Novos padrões de classificação para a pimenta preta e branca, em grãos, propostos pela International Pepper Community (IPC).

MICROBIOLÓGICO

Salmonella

Ausente em amostras de 25 g

MACRO
  1. Umidade (% vol/peso, Max.)

12

14

13

15

  2. Densidade (g/L, min.)

550

500

600

600

  3.Grãos chochos (% por peso, max)

2

10

1

2

  4. Matéria estranha (% peso, max)

1

2

1

2

  5. Grãos pretos (% por peso, max)

NA

NA

1

2

  6. Grãos mofados (% por peso,max)

1

3

1

3

  7. Grãos atacados por insetos
     (% por peso, Max)

1

2

1

2

  8. Insetos inteiros, vivos ou mortos
    (por contagem, max)
 

Não mais do que 2 em cada sub-amostra e não mais que 5 no total de sub-amostras

Não mais do que 2 em cada sub-amostra e não mais que 5 no total de sub-amostras

  9. Dejetos de mamíferos ou outros animais

Deve estar livre de dejetos de mamíferos ou de outros animais

Deve estar livre de dejetos de mamíferos ou de outros animais

1Revisada em agosto de 2001, durante a 5th Meeting of IPC Committee on Quality Standardisation, realizada em Kochi, India.
Fonte: Embrapa Amazônia Oriental

Os países exportadores ficariam livres para negociar seus produtos de acordo com as exigências dos importadores, entretanto, a tendência é a adoção da classificação da IPC por importadores e exportadores, por isso, o Brasil propôs um prazo de um a dois anos para adequar os padrões de classificação da pimenta brasileira aos da IPC. Se a classificação da IPC for adotada como padrão pelos países importadores, aqueles que não adequarem seus padrões ou que persistirem em seus padrões de classificação, por certo perderão suas cotas no mercado internacional.

 
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