Embrapa Amazônia Oriental
Sistemas de Produção, 01
ISSN 1809-4325 Versão Eletrônica
Dez./2005
Sistema de Produção da Pimenteira-do-reino
Raimundo Evandro Barbosa Mascarenhas
Sumário
Início

Apresentação
Importância econômica
Clima
Solos
Adubação
Cultivares
Produção de mudas
Micorrizas
Plantio
Irrigação
Tratos culturais
Plantas daninhas
Sistema de cultivo sombreado
Doenças e métodos de controle
Pragas e métodos de controle
Normas sobre uso de agrotóxicos
Colheita e pós-colheita
Mercado e comercialização
Coeficientes técnicos, custos, rendimento e rentabilidade
Referências
Glossário
Autores
Expediente
 Plantas daninhas

Introdução

A infestação de plantas daninhas em plantios de pimenteira-do-reino é um dos principais fatores que onera os custos de produção da cultura. O controle mecânico, sistema tradicional da região é aplicado isoladamente pela maioria dos produtores, tem-se mostrado ineficiente pelo baixo rendimento operacional que apresenta onerando em cerca de 15% o custo de produção. Esse fato é conseqüência da grande quantidade de mão-de-obra empregada e da freqüência de roçagens e capinas manuais feitas para manter a cultura livre da concorrência das plantas daninhas, principalmente nos meses mais chuvosos do ano na Região Norte. Além disso, a pimenteira-do-reino possui um sistema radicular ativo, concentrado nos primeiros 30 cm do solo e, dessa maneira a capina manual danifica o sistema radicular, diminuindo sua área de exploração e consequentemente prejudicando o desenvolvimento e nutrição das plantas, podendo facilitar também a incidência de enfermidades através do corte das raízes.

Com base nas considerações acima mencionadas, o controle integrado através de métodos preventivo, mecânico, físico e químico é uma alternativa viável, eficiente e economicamente sustentável para controlar as plantas daninhas infestantes na cultura da pimenteira-do-reino. 

Identificação das espécies de plantas de plantas daninhas

Para que se obtenha um controle eficiente a longo prazo das plantas daninhas em plantios de pimenteira-do-reino, é necessário que se faça inicialmente a identificação das espécies presente na área, bem como a determinação da freqüência, dispersão, densidade de infestação, formas de reprodução etc. A análise conjunta desses parâmetros indicarão qual a associação de métodos mais adequados a empregar. Na Tabela 1 estão listadas em ordem alfabética os nomes das famílias das espécies que ocorrem com mais freqüência nos pimentais da Amazônia Oriental.

Tabela 1. Principais plantas daninhas dicotiledôneas (folhas largas) e monocotiledôneas (folhas estreitas) infestantes em plantios de pimenta-do-reino na Amazônia Oriental.
Família
Espécie
Nome vulgar

Amarontaceae

Alternanthera ficoidea (dicotiledônea)

Corrente

 

Amaranthus spinosus (dicotiledônea)

Cururu-espinhoso

Commelinaceae

Commelina longicaulis (monocotiledônea)

Maria-mole

Compositae

Acanthospeermum australis (dicotiledônea)

Jamburena

 

Bidens pilosa (dicotiledônea)

Jamburena

 

Elephantopus mollis (dicotiledônea)

Língua-de-vaca

 

Emilia sonchifolia (dicotiledônea)

Serralha

 

Rolandra argentea (dicotiledônea)

Barba-de-paca

Convolvulaceae

Ipomoea asarifolia (dicotiledônea)

Salsa

 

Ipomoea batatoides (dicotiledônea)

Batarana

Cucurbitacae

Cyperus diffusus (monocotiledônea)

Tiririca

Ciperacea

Cyperus flavus (monocotiledônea)

Barba-de-bode

 

Cyperus ferax (monocotiledônea)

Tiriricão

 

Cyperus ligulares (monocotiledônea)

Capim-de-botão-grande

Graminea

Brachiaria humidicola (monocotiledônea)

Quicuio

 

Digitaria horizontalis (monocotiledônea)

Capim-colchão

 

Eleusine indica (monocotiledônea)

Pé-de-galinha

 

Leptochloa virgata (monocotiledônea)

Pé-de-galinha

 

Panicum maximum (monocotiledônea)

Colonião

 

Paspalum conjugatum (monocotiledônea)

Capim-pancoan

 

Paspalum maritimem (monocotiledônea)

Capim-gengibre

Malvaceae

Sida rhombifolia (dicotiledônea)

Malva-vermelha

Rubiaceae

Borreria latifolim (dicotiledônea)

Erva-listada

 

Borreria verticilata (dicotiledônea)

Vassorinha-de-botão

Fonte: Embrapa Amazônia Oriental

 

Métodos de controle de plantas daninhas

Controle preventivo

Consiste no emprego de medidas que impeçam o estabelecimento, disseminação e infestação de plantas em plantios de pimenteira-do-reino:

a) Bom preparo do solo de modo a eliminar o máximo possível as plantas daninhas nas área de plantio.

b) Formação e plantio de mudas através de sacos plásticos, isentas de plantas daninhas.

c) Fermentação de esterco e matéria orgânica.

Controle mecânico

É o mais utilizado pelos pipericultores da região. Pode ser feito de duas maneiras: manualmente através de capinas e roçagens e mecanizado por meio de roçadeiras rotativas acopladas em tratores e deve ser efetuado antes que as plantas daninhas iniciem a produção de sementes.

Não se recomenda o uso de grades e enxadas rotativas quando as plantas daninhas se reproduzem por rebrotamento, rizomas, bolotas etc, principalmente no período chuvoso, pois aumentam o grau de infestação das mesmas, além disso danificam também o sistema radicular da cultura.

Controle físico

Efetuado juntamente com os outros métodos de controle, através da cobertura morta e cobertura viva. Como cobertura morta emprega-se, casca-de-arroz, serragem em coroamento. Não se recomenda usar capim seco com sementes pois pode aumentar a infestação na área. Como cobertura viva usa-se leguminosas nas entrelinhas de plantio e que tenham as seguinte características: boa adaptação às condições locais, sejam herbáceas, anuais e ou perenes, decumbente, produzam sementes na área e mantenham-se bem desenvolvidas após roçagens periódicas de modo a fornecer constantemente, biomassa para a cobertura morta no solo. Essa prática cultural além de controlar as plantas daninhas, fornece também nitrogênio para a pimenteira, fixado da atmosfera pelas leguminosas.

Controle químico

Consiste no emprego de produtos químicos chamados de herbicidas que aplicados isoladamente ou em misturas possuem a capacidade de matar ou reduzir drasticamente as plantas daninhas, sem afetar a cultura. O emprego dos herbicidas deve ser considerado como uma alternativa no combate às plantas daninhas e não como um substituto dos demais métodos. Para controle de plantas daninhas em pimentais, com herbicidas, recomenda-se os procedimentos apresentados na Tabela 2.

Tabela 2. Herbicidas aplicados isoladamente ou em mistura (kg/ha de i. a.), para controlar as plantas daninhas, na cultura da pimenteira-do-reino.
Herbicidas
Dose i.a* Kg/ha
Modo de aplicação
Plantas daninhas controladas
2,4-D
2,0 a 3,35
Pós-emergência
Folhas largas: dicotiledôneas

anuais e perenes e algumas de

folhas estreitas (monocotiledôneas)
Glifosato
0,72 a 1,44
Pós-emergência
Folhas estreitas: gramíneas

e ciperáceas e algumas

de folhas largas.
Mistura Glifosato

 +2,4-D
0,72 a 1,44+2,0

a 3,35
Pós-emergência
Folhas largas e folhas estreitas
i.a. = ingrediente ativo, componente da formulação do herbicida, responsável pelas  propriedades fitotóxicas
Fonte: Embrapa Amazônia Oriental

Controle integrado ou combinado

Não existe uma forma padronizada de controle integrado. A associação dos diferentes métodos é desejável sempre que possível para o manejo integrado de plantas daninhas em pimentais depende das espécies de plantas daninhas e suas características botânicas, tipo de solo e clima, densidade e extensão da infestação, recursos financeiros, disponibilidade de mão-de-obra e herbicidas, máquinas e implementos etc.

Em todas as aplicações deve ser usado pulverizador costal com capacidade de 20 litros, com bico em leque referência 110.15 e 110.02 calibrado para um consumo de 300 a 400 litros por hectare de calda adicionando-se espalhante adesivo numa proporção de até 0,5%. Pulverizar a calda na área foliar total das plantas daninhas, com jato dirigido usando o protetor (chapéu de Napoleão) para evitar o efeito danoso da deriva do produto sobre a cultura. As doses menores são recomendadas para as plantas daninhas nos primeiros estádios de desenvolvimento (2 a 4 folhas) e as maiores para as plantas mais desenvolvidas.

Em pimentais infestados com maria-mole (Commelina longicaulis), por ser uma planta agressiva e de difícil controle, deve ser aplicado a dosagem mais alta de 2,4-D adicionando-se 0,5% de uréia em cada pulverizador.

 
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