Embrapa Amazônia Oriental
Sistemas de Produção, 01
ISSN 1809-4325 Versão Eletrônica
Dez./2005
Sistema de Produção da Pimenteira-do-reino
Heráclito Eugênio Oliveira da Conceição
Yukihisa Ishizuka
Sumário
Início

Apresentação
Importância econômica
Clima
Solos
Adubação
Cultivares
Produção de mudas
Micorrizas
Plantio
Irrigação
Tratos culturais
Plantas daninhas
Sistema de cultivo sombreado
Doenças e métodos de controle
Pragas e métodos de controle
Normas sobre uso de agrotóxicos
Colheita e pós-colheita
Mercado e comercialização
Coeficientes técnicos, custos, rendimento e rentabilidade
Referências
Glossário
Autores
Expediente
 Plantio


Introdução

Para o sucesso de qualquer empreendimento agrícola, torna-se necessário conhecer as diversas etapas que compõem essa atividade e, dentre essas destaca-se o plantio do pimental. As principais etapas de plantio são: 1) escolha da área; 2) análise do solo; 3) preparo da área; 4) destocamento e gradagem; 5) marcação do terreno e piqueteamento; 6) enterrio dos estacões e preparo de covas; 7) plantio das mudas no campo. Para cada etapa é imprescindível que se estabeleça um planejamento adequado que permita executá-lo tanto do ponto de vista técnico como do econômico, de acordo com o sistema de plantio a ser usado.

Escolha da área

Na instalação do pimental, a escolha da área é muito importante para que as plantas apresentem um bom desenvolvimento. Os terrenos bem drenados e profundos, sem camada impermeável logo abaixo da superfície e próximo a uma fonte de água são os mais recomendados. A área deve possuir topografia ligeiramente plana e lençol freático profundo, com boa drenagem e livre de alagamentos Os tipos de solo mais usados para cultivo da pimenteira-do-reino são o Latossolo Amarelo, Latossolo Vermelho textura média a pesada e Argissolo vermelho-amarelo. Solos basálticos (Nitossolo vermelho) também podem ser usados. Latossolo amarelo concrecionário, solos sujeitos a encharcamento e solos arenosos muito lavados devem ser evitados. Devem ser observados além das características edáficas, os aspectos fitossanitários, visto que a fusariose é um dos principais problemas da pipericultura no Estado do Pará. A área a ser escolhida deve ficar afastada pelo menos 1 km de distância de áreas infestadas.

Análise do solo

A análise do solo é imprescindível tanto para determinar a quantidade de adubo necessária para o bom desenvolvimento das plantas, como para informar as necessidades de correção de acidez do solo. Baixos teores de macro e micronutrientes serão corrigidos com adubação química e orgânica, enquanto que correção da acidez e a neutralização do alumínio serão feitas com aplicações de calcário dolomítico que contém cálcio e magnésio. No primeiro ano de implantação do pimental, a coleta de amostras de solo para análise deve ser feita após a queimada. Quando for necessária a correção do solo, aplica-se 2,0 a 4,0 t/ha de calcário dolomítico a lanço, incorporando-se com grade de disco dentado, à baixa profundidade, 30 dias antes do plantio. Para manter os teores de cálcio e magnésio recomenda-se aplicar 500 g/planta de calcário dolomítico, em anos alternados.

Preparo da área

Um preparo de terreno bem executado é condição básica para a formação de um bom pimental. Pode ser manual e mecanizado. Se a cobertura do terreno for mata virgem ou capoeira de primeiro ciclo e o produtor escolher o preparo manual, deve cortar as árvores de maior valor econômico seguindo-se as de menor valor e os arbustos. No preparo mecanizado é empregado o trator de esteira que arrasta a vegetação com a lâmina frontal ("bulldozer"). Embora o preparo mecanizado seja rápido, tem o inconveniente de não aproveitar as madeiras nobres além de causar o empobrecimento rápido do solo. Em ambos sistemas estão incluídas as operações de broca, derrubada, queimada, encoivaramento, destocamento e gradagem

Broca e derrubada

A broca é uma operação que visa eliminar plantas de menor porte, o que facilita a derrubada e formação de uma camada de galhos finos e secos, importante para uma queimada uniforme. Estas atividades devem ser realizadas na estação seca a fim de se obter uma boa queimada, dois meses depois.

Queimada e encoivaramento

Normalmente dois meses após a derrubada se faz a queimada. Em áreas sujeitas a vento ou próximas de outras propriedades deve-se fazer o aceiro, que consiste em colocar as hastes e ramos mais grossos na divisa das propriedades para evitar que o fogo atinja a propriedade vizinha. Esta operação é feita manualmente. Em seguida, processa-se o encoivaramento que consiste na retirada de galhos e troncos finos que não foram eliminados pelo fogo. Esse material é empilhado e ateado fogo novamente.

Destocamento e gradagem

Após a queimada é feito o destocamento manual para facilitar a marcação da área e eliminar raízes das plantas infectadas por fungos de solo, principalmente Rigidoporus lignosus agente da podridão branca das raízes, a fim de impedir que esse fungo infecte pimenteiras jovens. Nesta operação são usados machados, enxadas, enxadecos, foices e motoserras. O destocamento pode também ser feito com trator de esteira ou com trator de rodas dotado de lâmina, dependendo do tipo de vegetação. Deve-se ter o cuidado para evitar as alterações na física do solo. A gradagem deve ser feita, de preferência, com trator de rodas, acoplado com grade de disco dentado.

Marcação do terreno e piqueteamento

Esta operação irá definir a distância entre as plantas e deverá ser feita utilizando-se trenas e cordões previamente marcados com o espaçamento recomendado. Os espaçamentos mais utilizados são 2,0 m x 2,0 m, 2,5 m x 2,5 m ou 2,0 m x 3,0 m, em fileiras simples. Se o plantio for continuo, no espaçamento de 2,5 m x 2,5 m, serão plantadas 1.600 plantas/ha, mas se o plantio for em leiras espaçadas de 4m, serão plantadas 1.000 pimenteiras/ha. No caso dos espaçamentos em fileiras simples, a área deve ser dividida em quadras de 25 x 25 plantas, deixando-se ruas de 4 a 5 metros entre as mesmas, para facilitar o trânsito de máquinas e equipamentos.

Enterrio dos estacões e preparo de covas

A pimenteira-do-reino por ser uma planta trepadeira, necessita de um tutor, geralmente de madeira-de-lei, que serve de apoio para fixação das raízes adventícias. Para tal recomenda-se a utilização de estacões com 3,00 m a 3,20 m, devendo ser enterrados 0,5 metros. Os estacões mais recomendados são oriundas das espécies acapú, jarana, acariquara ou sapucaia. Estacões de eucalípto ou pinho podem ser usados se tratados por autoclavagem ou outro produto. Nessas condições podem durar de 10 a 20 anos.

A abertura das covas para enterrio dos estacões pode ser manual usando-se na operação enxadecos e dragas ou mecanizado, usando-se uma perfuratriz acoplada a um trator de rodas. A cova deve ter 50 cm a 60 cm de profundidade. As covas para o plantio são abertas próximas do estacão, no lado leste e devem ter as dimensões de 50 cm x 50 cm x 40 cm. Ao cavar a cova colocar o solo nas bordas (Fig. 1).  

Foto: Maria de Lourdes Duarte

Fig. 1. Enterrio de estacão e abertura de   covas para plantio de mudas

As covas devem ser adubadas com 1,5 kg a 3,0 kg de matéria orgânica (esterco bovino curtido, cama de galinheiro, torta de mamona, algodão ou babaçu). Cerca de 300 g a 500 g de termofosfato (Yoorin Bo-Zn, Arad Bo-Zn) devem ser misturados com a terra retirada da cova, enchendo-se em seguida, a cova com essa mistura. As covas devem ser adubadas 30 dias antes do plantio para permitir a decomposição principalmente das tortas vegetais. O calcário dolomítico para correção do solo deve ser aplicado à lanço, 30 dias antes do plantio. 

Plantio das mudas no campo

As mudas para plantio são preparadas a partir de estacas com 2 a 3 nós ou de mudas cultivadas em sacos de plástico preto. O plantio é feito no início da estação chuvosa (janeiro-fevereiro) podendo estender-se até o mês de março. Plantios tardios poderão não desenvolver um bom sistema radicular resultando em morte das mudas durante o período menos chuvoso. As mudas devem ser plantadas em dias nublados ou chuvosos. A distância entre a muda e o tutor deve ser de 10 cm, aproximadamente e as mudas devem ser plantadas no lado leste (nascente) do estacão, em posição inclinada, com a parte superior voltada para o tutor (Fig. 2).

Foto: Maria de Lourdes Duarte

Fig. 2. Plantio de mudas a lado leste do estacão

No caso de mudas preparadas em sacos de plásticos, deve-se ter o cuidado de remove-los antes do plantio. As plantas devem ser amarradas ao tutor com barbante de algodão, de aniagem ou fita de plástico para facilitar a fixação nos tutores.

 
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