Embrapa Amazônia Oriental
Sistemas de Produção, 01
ISSN 1809-4325 Versão Eletrônica
Dez./2005
Sistema de Produção da Pimenteira-do-reino
Pedro Celestino Filho
Maria de Lourdes Reis Duarte
Walkymario de Paula Lemos
Sumário
Início

Apresentação
Importância econômica
Clima
Solos
Adubação
Cultivares
Produção de mudas
Micorrizas
Plantio
Irrigação
Tratos culturais
Plantas daninhas
Sistema de cultivo sombreado
Doenças e métodos de controle
Pragas e métodos de controle
Normas sobre uso de agrotóxicos
Colheita e pós-colheita
Mercado e comercialização
Coeficientes técnicos, custos, rendimento e rentabilidade
Referências
Glossário
Autores
Expediente
 Pragas e métodos de controle

Introdução

Os tecidos das hastes, ramos, folhas e frutos da pimenteira-do-reino possuem um alto teor de piperina responsável pelo sabor picante apresentado pela planta. Devido a essa característica, a pimenta é recomendada em muitas formulações de controle alternativo de vários insetos. No entanto, apesar do seu potencial inseticida a pimenteira ainda é afetada por vários insetos que causam danos nas hastes, folhas e frutos que podem levar a planta à morte. Além dos danos diretos, alguns são vetores de vírus que além de prejudicar o crescimento das plantas reduzem drasticamente a produção. As pragas da pimenteira incluem besouros, pulgões, cochonilhas, escamas, ácaros e em alguns locais, caracóis.

Broca da haste

A broca da haste tem sido observada atacando plantas da cultivar Cingapura, apenas em áreas situadas ao longo da Transamazônica, Municípios de Medicilândia e Uruará, PA. Trata-se de um besouro pequeno, de cor marrom-escuro, pertencente à família Curculionidae, identificado como Lophobaris piperis. Tanto as larvas como os adultos podem causar danos às hastes e ramos das plantas (Fig. 1). Os danos são maiores nas plantas que ficam mais próximas da mata.

Foto: Maria de Lourdes Duarte

Fig. 1. Danos na haste

As fêmeas depositam os ovos sobre os nós das hastes e ramos das plantas. As larvas se alimentam dos tecidos das hastes, formando galerias. As partes afetadas acima do nó atacado murcham, ficam de coloração escura e morrem, tornando-se quebradiças (Fig.1). A larva é de cor branca e geralmente é encontrada dentro das hastes. Normalmente encontra-se apenas uma larva por haste. O inseto adulto (Fig.2) tem hábito noturno, não sendo facilmente encontrado na planta. Os adultos podem causar perfurações que resultam na queda dos frutos. Os frutos atacados que permanecem presos à espiga pouco se desenvolvem tornando-se chochos.

Foto: Maria de Lourdes Duarte

Fig. 2. Adulto de L. piperis causados por L. piperis.

Para controlar este inseto é recomendado podar as hastes afetadas e pulverizar as plantas com inseticidas à base de carbaryl na dose de 225 mL dissolvidos em 100 litros de água.

Pulgões

Pulgões são insetos pequenos de coloração verde ou preta, com corpo de consistência mole, medindo 2 a 3 mm de comprimento. Formam colônias nos brotos e folhas jovens. As espécies mais comuns são Aphis gossypii e A. spiricolae (Fig. 3). A ocorrência desses insetos é maior durante o período chuvoso.

Os pulgões sugam a seiva dos tecidos das folhas e brotos novos causando amarelecimento, encarquilhamento e enrolamento das folhas. O maior dano dos pulgões em pimentais é na transmissão do vírus do mosaico (CMV-Pn).

Logo que surgirem colônias de pulgões, pulverizar as plantas, principalmente nos brotos jovens, com inseticidas à base de malation ou dimetoato, na dose de 1 mL/litro.

Foto: Maria de Lourdes Duarte

Fig 3. Broto jovem de pimenteira infestado por pulgão (Aphis spiricolae)

Os pulgões sugam a seiva dos tecidos das folhas e brotos novos causando amarelecimento, encarquilhamento e enrolamento das folhas. O maior dano dos pulgões é na transmissão do vírus do mosaico (CMV-Pn).
 
Logo que surgirem colônias de pulgões, pulverizar as plantas, principalmente nos brotos jovens, com inseticidas à base de malation, dimetoato ou endrin, na dose de 1 ml/litro.
 

Cochonilhas

As cochonilhas são insetos pequenos que geralmente possuem o corpo mole e recoberto de cera branca, farinhosa, a qual é secretada pelo próprio inseto. As fêmeas quando atingem a maturidade medem entre 1,2 mm e 2,0 mm, apresentam o corpo ovalado, com 12 lóbulos no dorso e 15 pares de apêndices dispostos ao longo do corpo. Os ovos são alongados, encontrando-se principalmente nas hastes, próximo das raízes adventícias e nas raízes de mudas mantidas em viveiro. Esses ovos são envolvidos por um tecido frouxo e cotonoso. Tanto as fêmeas como os ovos possuem coloração alaranjada. Infestam as raízes de mudas da pimenteira-do-reino e a haste de plantas, em condições de campo (Fig. 4 e 5).

Foto: Maria de Lourdes Duarte

Fig.4. Raízes pimenteira

Foto: Maria de Lourdes Duarte

Fig. 5 – Cochonilhas atacando hastes de pimenteiras.

  Ataques de cochonilha têm sido observados em pimentais mal cuidados, os quais estão expostos a diferentes tipos de estresse. Além de sugar a seiva das plantas, esses coccídeos agem como vetores do Piper Yellow Mottle Vírus (PYMV), um badnavirus. No campo, as cochonilhas estão sempre associadas às formigas-de-fogo (Solenopsis saevissima), que além de proteger os insetos, atuam como agentes de dispersão da cochonilha nos pimentais. As formigas alojam-se na folhagem da pimenteira infestada, principalmente na região dos nós de hastes aderidas ao tutor onde formam uma barreira protetora formada por folhas e solo. A presença de formigas-de-fogo dificulta os tratos culturais devido à agressividade desses insetos contra os operários rurais.

Logo que se constatar a presença de cochonilhas nas plantas, estas devem ser pulverizadas com inseticidas à base de dimetoato ou malation na dose de 1 mL/litro água. Formigas-de-fogo devem ser combatidas com inseticidas à base de carbaryl ou piretróides. É interessante lembrar que a eliminação das cochonilhas favorecerá o desaparecimento dos insetos.

Insetos-escama

A espécie mais comum nos pimentais é Protopulvinaria longivalvata. Esse inseto suga a seiva das folhas, e vive associado com formigas e fungos causadores de fumagina. Caso a infestação seja muito alta pode causar atrofiamento da planta e queda de produção. Atacam as folhas, ramos e brotos e quando as folhas ficam muito infestadas ficam flácidas e murcham quando o tempo está seco (Fig. 6). O único meio de controlar os insetos é pulverizar as plantas com inseticidas à base de malation ou dimetoato, na dose de 1 mL por litro de água. Repetir as pulverizações com intervalo de 15 dias, caso necessário.

 

Foto: Maria de Lourdes Duarte

Fig 6. Folhas infestadas por Protopulvinaria longivalvata em simbiose com fungos causadores de fumagina.

Besouro desfolhador

Um pequeno besouro de cor marrom escuro coberto por um pó amarelo (Lytostilus juvencus) se alimenta de folhas de pimenteiras provocando grandes orifícios irregulares na lâmina foliar (Fig. 7). Uma folha danificada pode ter grande porção da margem irregularmente destruída e em casos de ataque severo as folhas ficam reduzidas a uma faixa estreita de tecido próxima da nervura central. O inseto tem sido controlado com aplicações do inseticida à base de carbaryl , na dose de 225 mL/100 litros de água.

Foto: Maria de Lourdes Duarte

Fig. 7. Danos em folhas de pimenteira (perfurações) causados por Lytostilus juvencus

Ácaros

Pimentais mal cuidados, durante a estação menos chuvosa, podem ser infestados por ácaros brancos que sugam a seiva das folhas. Folhas altamente infestadas tornam-se amareladas, depois bronzeadas e em seguida caem. Pimentais onde são aplicadas formulações balanceadas de adubos dificilmente são infestados por ácaros. No caso de séria infestação pulverizar as plantas com inseticida-acaricida à base de Metamidophos, na dose de 1 mL/litro.

Caracóis

No Município de Santa Izabel do Pará, tem sido observado o ataque de caracóis nas folhas de pimenteiras. Os caracóis preferem lugares úmidos e sombreados e são encontrados escondidos nos tutores, entre a folhagem ou acima do solo, de onde saem para se alimentar durante à noite ou no início da manhã, sendo suspeitos de disseminar o vírus do mosaico nos pimentais desse município.

Os caracóis geralmente deixam um trilha pegajosa enquanto se deslocam sobre os tecidos das plantas. Eles se alimentam começando pela margem das folhas, destruindo grande área foliar em ataques severos.

Tão logo sejam observados nos pimentais, os caracóis devem ser esmagados até a morte. O controle químico com o produto à base de metaldeído (Lesmix) também pode ser utilizado. Aplicar 5g/m2 sobre a superfície do solo ou colocar uma colher de sopa do produto a cada m2 fazendo montículos nos lugares onde for maior o ataque às plantas.

 
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