Embrapa Florestas
Sistemas de Produção, 5
ISSN 1678-8281 Versão Eletrônica
Nov./2005
Cultivo do Pinus

Derli Dossa

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Coeficientes técnicos e custos da produção

No primeiro desbaste de Pinus, aos 8 anos, pode-se obter uma receita de R$ 350,00 a R$ 600,00/ha, oriunda da comercialização da matéria prima. Esses recursos auxiliam na amortização das despesas de manutenção dos povoamentos. No segundo desbaste, aos 12 anos, haverá uma entrada adicional de renda em torno de R$ 1.618,00/ha. Este valor está associado ao preço da madeira, em média, de R$ 15,00/m3, posto fábrica. No corte final, aos 21 anos, obtém-se uma renda de R$ 12.451,23/ha, ao preço médio de R$ 28,00/m3, livre de impostos. Assim, a receita total da venda da madeira, no período de 21 anos, é estimado em R$ 15.451,00/ha.

O sistema de preparo de solo, no primeiro ano, despende R$ 225,46/ha para enleirar, aplicar herbicidas e subsolar. Os custos de plantio, que envolvem a compra ou a produção de mudas, mão-de-obra, e controle de formigas, correspondem a R$ 232,23/ha. Por sua vez, o custo dos tratos culturais, que incluem a aplicação de herbicidas, a manutenção de aceiros contra fogo e o controle de formigas, é estimado em R$ 1.320,20/ha. O custo da terra, nesse período, é estimado em R$ 1.998,50/ha.

Para o sistema de produção de Pinus, em discussão, não estão sendo considerados os custos de administração das empresas. Todavia, por envolver grandes áreas, isso representa 2% a 3% dos custos totais da produção. Verificam-se variações nos custos de produção de Pinus, dependendo do destino da matéria prima.

Os preços da madeira se diferenciam, dependendo da forma de aproveitamento da matéria-prima. Por exemplo, o metro cúbico de Pinus pode custar R$ 4,00/m3, se for para energia e celulose, até R$ 30,00 a 70,00/m3, dependendo da qualidade da tora, para serraria e laminação.

No aspecto do manejo florestal, em uma área de 1 ha, plantada com 1.667 árvores, se produz 52 m3 (600 árvores) no primeiro desbaste, aos 8 anos se for removida uma em cada três linhas. No segundo desbaste, aos 12 anos, retiram-se, aproximadamente, 500 árvores que podem chegar a 72 m3. No corte final, aos 21 anos, colhem-se 480 m3 (500 árvores). Nesse modelo, a distribuição da matéria-prima destinada aos diferentes segmentos industriais varia conforme a idade do povoamento.

Mas, a maioria dos compradores de toras de Pinus não tem elasticidade operacional suficiente que lhe permita dar destinação diferenciada à matéria-prima. Isso faz com que paguem, pelo "blend", um preço determinado pela combinação dos preços das diferentes categorias. Assim, toras de Pinus vendidas no 8o. ano têm um preço médio de R$ 5,00/m3, que é equivalente ao valor pago pela matéria-prima predominante para energia e celulose. Aos 12 anos, a ponderação das proporções de matéria-prima para serraria, energia e celulose determina um preço médio em torno de R$ 15,00/m3. Aos 21 anos, quando a maioria (92%) das toras são de grandes dimensões e apropriada para laminação e madeira serrada, o preço estimado é R$ 28,00/m3.

No comércio mundial de produtos florestais, a participação brasileira não ultrapassa 2%, considerando-se os dados agregados de diferentes espécies. O Brasil ocupa o 11o. lugar no comércio de papel (2,2% de participação), 7o. lugar (4,2%) de celulose, 5o. lugar (4,3%) de madeira serrada, 2,9% de compensados, 3% de painéis reconstituídos e 11,1% de chapas duras.

Em decorrência da interrupção no ritmo de plantios florestais, após meados dos anos 80, já está ocorrendo déficit de madeira de Pinus no mercado, estimado em aproximadamente 6 milhões de metros cúbicos, em 2001. Esse déficit poderá chegar a 19 milhões de metros cúbicos em 2010 e 27 milhões em 2020. O desequilíbrio entre a oferta e a demanda deverá resultar em um ajuste nos preços das toras para um patamar superior aos praticados atualmente.

No período de 1995 a 2000, o aumento dos custos no processamento de papel e celulose foi de 37%, enquanto que na produção de toras para serrarias foi de 115% e, na produção de lâminas, 162%. Com base nisso, o aumento na produção de celulose deve ocorrer numa taxa anual de 5% no período de 2000 a 2005. Espera-se que a ampliação na produção nacional de celulose fique em torno de 3 milhões de toneladas até 2005. Há uma expectativa de incremento no consumo de madeira serrada, da ordem de 3% ao ano, oriunda de florestas nativas e de 5% de florestas plantadas. Porém, isso deverá ser ajustado à limitação na capacidade de oferta das florestas plantadas. Está previsto, também, um aumento na produção de MDF (chapas de fibra de média densidade) para 2005, equivalente a quatro vezes a produção de 1995. Por outro lado, a instalação de indústrias de OSB (chapas de fibras orientadas) aumentará a demanda de matéria-prima de florestas plantadas, principalmente Pinus. O aumento na produção de móveis, até 2004, está estimado em 12%. Nesse segmento, há uma participação significativa da madeira de Pinus. A demanda de madeira de Pinus que, atualmente, é de 40 milhões de metros cúbicos, deverá crescer para 78 milhões no ano 2020.

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