Embrapa Agrobiologia
Sistemas de Produção, 01
ISSN 1806-2830 Versão Eletrônica
Jan./2004
Processamento do Palmito de Pupunheira em Agroindústria Artesanal - Uma atividade rentável e ecológica
Autores

Início

Introdução
Importância econômica
Instalações
Equipamentos
Higiene e sanitização
Colheita
Processamento
Defeitos mais comuns
nas conservas de palmito

Segurança e plano
APPCC

Bibliografia
Anexos
Glossário



Expediente

Introdução

A pupunheira (Bactris gasipaes Kunth) é uma palmeira de clima tropical em que todas as partes podem ser aproveitadas, embora sejam mais importantes economicamente os frutos e o palmito (Clement e Mora Urpí, 1987). A importância dessa palmeira cresceu consideravelmente no Brasil, por ser uma excelente alternativa para cultivo sustentável do palmito em agricultura de pequeno porte.

A pupunheira apresenta uma série de vantagens para produção de palmito em relação às outras palmeiras nativas como o açaí (Euterpe oleraceae Martius) e a juçara (Euterpe edulis Martius), que são exploradas de forma extrativista e por isso apresentam restrições legais e risco de extinção. Segundo Moro (1996), as principais vantagens para a exploração comercial de palmito da pupunheira são: a) precocidade, com o primeiro corte a partir de 18 meses após plantio; b) perfilhamento da planta mãe, o que permite repetir os cortes nos anos subseqüentes, sem necessidade de replantio da área; c) qualidade do palmito, geralmente o palmito tem comprimento de 40 cm e diâmetro entre 1,5 - 4 cm, sendo muito macio e saboroso; d) lucratividade, quando plantado e conduzido adequadamente, um hectare produz de 5.000 a 12.000 palmitos por ano; e) segurança para o produtor, pois o palmito pode ser deixado no pé ou quando cortado pode ser processado, envasado e guardado para ser comercializado quando o mercado se encontrar mais propício; f) facilidade nos tratos culturais e corte, uma vez que plantas selecionadas não apresentam espinhos (Yuyama, 1996) e g) vantagens ecológicas, podendo a cultura ser conduzida a pleno sol, em áreas agrícolas tradicionais, sem nenhum dano às matas nativas, fato este de grande apelo comercial, principalmente para a exploração do palmito visando o mercado externo (Nishikawa, et al., 1998). Além disto, os frutos da pupunheira também podem ser aproveitados para a preparação de sucos (Figura 1), sorvetes e consumidos cozidos em água e sal, tendo sabor semelhante ao milho verde.


Fig. 1. Dimensões do fruto da pupunheira e suco preparado a partir de sua polpa

O palmito é retirado da parte superior do caule (estipe) da palmeira a partir da gema apical, correspondendo a parte central do estipe composta de tecido meristemático, bainhas e folíolos em formação (Araújo, 1993). Tem sabor agradável, macio, nutritivo e baixo teor calórico (Tabela 1). Além disso, é rico em fibras e minerais, como potássio, cálcio e fósforo, vitaminas e aminoácidos importantes, podendo fazer parte das dietas com restrições calóricas (Yuyama et al., 1999). O palmito de pupunheira pode ser consumido ao natural, cozido em água com sal e limão, assado ao forno ou em churrasqueiras e, mais tradicionalmente, na forma de conserva (Kerr et al., 1997).

Tabela 1. Composição nutricional de 100g de palmito de pupunheira apresentadas em duas publicações

Componentes

CORPEI (2001)

Yuyama et al. (1999)

In natura

cozido

Teor calórico (kcal)

27,5

16,3

17,0

Umidade (g)

91,7

91,5

93,5

Proteínas (g)

4,1

1,5

1,5

Carboidratos (g)

2,6

1,9

2,3

Gorduras (g)

0,6

0,3

0,2

Fibras solúveis (g)

0,7

0,0

0,6

Fibras insolúveis (g)

-

3,8

1,6

Cinzas (g)

1,0

1,0

0,3

Fósforo (mg)

109

-

-

Potássio (mg)

-

194

128

Cálcio (mg)

81

42

43

Magnésio (mg)

-

3,4

2,2

Ferro (mg)

1,5

0,2

0,3

Fitato (mg)

-

555

379

Ácido ascórbico (mg)

13

-

-

Caroteno (mg)

0,12

-

-

Niacina (mg)

0,79

-

-

Riboflavina (mg)

0,12

-

-

Tiamina (mg)

0,04

-

-

O processamento do palmito em uma agroindústria artesanal, embora simples, requer como qualquer alimento processado, condições sanitárias adequadas de manuseio que garantam a qualidade final do produto. Práticas de higiene pessoal, dos equipamentos e do local de processamento são fundamentais para obtenção de conservas de palmitos seguras e de boa qualidade para o consumidor. É, portanto, de suma importância a higiene pessoal, o treinamento e a orientação de todo pessoal envolvido no sistema. É também imprescindível o conhecimento dos requisitos, regulamentos e legislação pertinentes para implementação de um programa de higiene e sanitização adequado, desde a produção da matéria-prima até a comercialização do produto final.

O presente Sistema de Produção visa apresentar passo a passo recomendações tecnológicas do processamento do palmito de pupunheira em uma agroindústria artesanal funcional e viável.

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