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A
importância da Soja
Exigências Climáticas
Rotação de Culturas
Manejo do Solo
Correção e Manutenção
da Fertilidade do Solo
Cultivares
Tecnologia de Semente e Colheita
Inoculação das Sementes com Bradyrhizobium
Instalação da Lavoura
Controle das Plantas Daninhas
Manejo de Insetos-Pragas
Doença e Medidas de Controle
Retenção Foliar e Haste Verde
Referências Bibliográficas
Expediente
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Origens
A
soja (Glycine max (L) Merrill) que hoje cultivamos é muito diferente
dos seus ancestrais, que eram plantas rasteiras que se desenvolviam na
costa leste da Ásia, principalmente ao longo do Rio Yangtse, na
China. Sua evolução começou com o aparecimento de
plantas oriundas de cruzamentos naturais entre duas espécies de
soja selvagem que foram domesticadas e melhoradas por cientistas da antiga
China. Sua importância na dieta alimentar da antiga civilização
chinesa era tal, que a soja, juntamente com o trigo, arroz, centeio e
millet, era considerada um grão sagrado, com direito a cerimoniais
ritualísticos na época do plantio e da colheita.
Apesar de conhecida e explorada no Oriente há mais de cinco mil
anos, sendo uma das mais antigas plantas cultivadas do Planeta, o Ocidente
ignorou o seu cultivo até a segunda década do século
vinte, quando os Estados Unidos (EUA) iniciaram sua exploração
comercial, primeiro como forrageira e, posteriormente, como grãos.
Em 1940, no auge do seu cultivo como forrageira, foram plantados, nesse
país, cerca de dois milhões de hectares com tal propósito.
A partir de 1941, a área cultivada para grãos superou a
cultivada para forragem, cujo plantio declinou rapidamente, até
desaparecer em meados dos anos 60, enquanto a área cultivada para
a produção de grãos crescia de forma exponencial,
não apenas nos EUA, como também no resto do mundo (Fig.
1).
Em 2001/2002, segundo dados do USDA, o Brasil figura como o segundo produtor
mundial, responsável por 23,5 das 184 milhões de toneladas
produzidas em nível global ou 23,6% da safra mundial. (Nota: segundo
dados da Conab, esse volume não passaria de 42 milhões de
toneladas).
Introdução
no Brasil
A
soja chegou ao Brasil via Estados Unidos, em 1882. Gustavo Dutra, então
professor da Escola de Agronomia da Bahia, realizou os primeiros estudos
de avaliação de cultivares introduzidas daquele país.
Em 1891, testes de adaptação de cultivares semelhantes aos
conduzidos por Dutra na Bahia, foram realizados no Instituto Agronômico
de Campinas, Estado de São Paulo (SP). Igual que nos EUA, nessa
época a soja era estudada mais como uma cultura forrageira, do
que como planta produtora de grãos para a indústria de farelos
e óleos vegetais. Eventualmente também produzindo grãos
para consumo de animais em nível da propriedade.
Em 1900 e 1901, o Instituto Agronômico de Campinas, SP, promoveu
a primeira distribuição de sementes de soja para produtores
paulistas e para essa mesma data tem-se registros do primeiro plantio
de soja no Rio Grande do Sul (RS), onde a cultura encontrou efetivas condições
para se desenvolver e expandir, dadas as semelhanças climáticas
do ecossistema de origem dos materiais genéticos (EUA), com as
condições climáticas predominantes no RS.
Com o estabelecimento do programa oficial de incentivo à triticultura
nacional em meados dos anos 50, a cultura da soja foi igualmente incentivada,
por ser, desde o ponto de vista técnico (leguminosa sucedendo gramínia),
quanto econômico (melhor aproveitamento das máquinas, implementos,
infra-estrutura e mão de obra), a melhor alternativa de verão
para suceder o trigo plantado no inverno.
Produção
O primeiro registro de plantio de soja no Brasil data de 1914, no município
de Santa Rosa, RS. Mas foi somente a partir dos anos 40 que ela adquiriu
alguma importância econômica, merecendo o primeiro registro
estatístico nacional em 1941, no Anuário Agrícola
do RS (área cultivada de 640 ha, produção de 450
ton e rendimento de 700 kg/ha). Nesse mesmo ano instalou-se em Santa Rosa,
RS, a primeira indústria processadora de soja do País e,
em 1949, com produção de 25.000 ton, o Brasil figurou pela
primeira vez como produtor de soja nas estatísticas internacionais.
Mas é a partir da década de 1960, impulsionada pela política
de subsídios ao trigo, visando sua auto-suficiência nacional,
que a soja se estabeleceu como cultura economicamente importante para
o Brasil. Nessa década, a sua produção multiplicou-se
por cinco (passou de 206 mil toneladas em 1960 para 1,056 milhão
de toneladas em 1969), sendo que 98% desse volume era produzido nos três
estados da Região Sul, onde prevalecia a dobradinha: trigo no inverno
e soja no verão.
Apesar do significativo crescimento da produção no correr
dos anos 60, foi na década seguinte que a soja se consolidou como
a principal cultura do agronegócio brasileiro, passando de 1,5
milhões de toneladas (1970) para mais de 15 milhões de toneladas
(1979). Esse crescimento se deveu, não apenas ao aumento da área
plantada (1,3 para 8,8 milhões de hectares), mas, também,
ao expressivo incremento da produtividade (1,14 para 1,73t/ha), graças
às novas tecnologias disponibilizadas aos produtores pela pesquisa
brasileira (Figura
2). Mais de 80% do volume produzido na época concentrava-se
na Região Sul do Brasil.
Nas décadas de 1980 e 1990 repetiu-se, na região tropical
do Brasil, o explosivo crescimento da produção ocorrido
nas duas décadas anteriores na Região Sul. Em 1970, menos
de 2% da produção nacional de soja era colhida no Centro-Oeste,
em 1980 esse percentual passou para 20%, em 1990 já era superior
a 40% e em 2002 está em 58%, com tendências a ocupar maior
espaço a cada nova safra. Essa transformação promoveu
o Estado do Mato Grosso a líder nacional de produção
e produtividade de soja, com boas perspectivas de consolidar-se nessa
posição (Figura
3).
Causas da Expansão
Muitos fatores contribuíram para que a soja se estabelecesse
como importante cultura, primeiro no sul do Brasil (anos 60 e 70) e, posteriormente,
nos Cerrados do Brasil central (anos 80 e 90). Alguns desses fatores são
comuns a ambas as regiões, outros não. Dentre aqueles que
contribuíram para seu rápido estabelecimento na Região
Sul, podemos destacar:
* semelhança do ecossistema do sul do Brasil com aquele predominante
no sul dos Estados Unidos, favorecendo o êxito na transferência
e adoção de variedades e outras tecnologias de produção;
* estabelecimento da “Operação Tatu” no RS em meados dos
anos 60, cujo programa promoveu a calagem e a correção da
fertilidade dos solos, favorecendo o cultivo da soja naquele Estado, então
o grande produtor nacional da oleaginosa;
* incentivos fiscais disponibilizados aos produtores de trigo nos anos
50, 60 e 70 beneficiaram igualmente a cultura da soja, que utilizava,
no verão, a mesma área, mão de obra e maquinário
do trigo plantado no inverno;
*mercado internacional em alta, principalmente em meados dos anos 70,
em resposta à frustração da safra de grãos
na Rússia e China, assim como da pesca da anchova no Peru, cuja
farinha de peixe era amplamente utilizada na fabricação
de rações, quando os fabricantes passaram a utilizar o farelo
de soja;
* substituição das gorduras animais (banha e manteiga) por
óleos vegetais, mais saudáveis ao consumo humano;
* estabelecimento de um importante parque industrial de processamento
de soja, de máquinas e de insumos agrícolas, em contrapartida
aos incentivos fiscais do governo, disponibilizados, tanto para o incremento
da produção, quanto para o estabelecimento de agroindústrias;
* facilidades de mecanização total da cultura;
* o surgimento de um sistema cooperativista dinâmico e eficiente,
que apoiou fortemente a produção, a industrialização
e a comercialização das safras;
* estabelecimento de uma bem articulada rede de pesquisa de soja envolvendo
o poder público federal e estadual, apoiado financeiramente pela
industria privada (Swift, Anderson Clayton, Samrig, etc.);
* melhorias nos sistemas viário, portuário e de comunicações,
facilitando e agilizando o transporte e as exportações;
Dentre os fatores que mais contribuíram para o meteórico
crescimento da soja no centro oeste brasileiro, podemos destacar:
* construção de Brasília na região, determinando
uma série de melhorias na infra-estrutura regional, principalmente
vias de acesso, comuni-cações e urbanização;
* incentivos fiscais disponibilizados para a abertura de novas áreas
de produção agrícola, assim como para a aquisição
de máquinas e construção de silos e armazéns;
* estabelecimento de agroindústrias na região, estimuladas
pelos mesmos incentivos fiscais disponibilizados para a ampliação
da fronteira agrícola;
* baixo valor da terra na região, comparado ao da Região
Sul, nas décadas de 1960/70/80;
* desenvolvimento de um bem sucedido pacote tecnológico para a
produção de soja na região, com destaque para as
novas variedades adaptadas à condição de baixa latitude
do centro oeste;
* topografia altamente favorável à mecanização,
favorecendo o uso de máquinas e equipamentos de grande porte, o
que propicia economia de mão de obra e maior rendimento nas operações
de preparo do solo, tratos culturais e colheita;
* boas condições físicas dos solos da região,
facilitando as operações do maquinário agrícola
e compensando, parcialmente, as desfavoráveis características
químicas desses solos;
* melhorias no sistema de transporte da produção regional,
com o estabelecimento de corredores de exportação, utilizando
articula-damente rodovias, ferrovias e hidrovias;
* alto nível econômico e tecnológico dos produtores
de soja do Brasil central, oriundos, em sua maioria, da Região
Sul, onde cultivavam soja com sucesso previamente à sua fixação
na região tropical;
Impactos
A revolução socio-econômica e tecnológica protagonizada
pela soja no Brasil Moderno, pode ser comparada ao fenômeno ocorrido
com a cana de açúcar no Brasil Colônia e do café
no Brasil Império, que, em épocas diferentes, comandaram
o comércio exterior do País. A soja responde por uma receita
cambial direta para o Brasil de mais de seis bilhões de dólares
anuais (10% do total das receitas cambias brasileiras) e cinco vezes esse
valor, se considerados os benefícios que gera ao longo da sua extensa
cadeia produtiva.
Abrindo fronteiras e semeando cidades, a soja liderou a implantação
de uma nova civilização no Brasil central, levando o progresso
e o desen-volvimento para uma região despovoada e desvalorizada,
fazendo brotar cidades no vazio do Cerrado e transformando os pequenos
conglo-merados urbanos existentes, em metrópoles.
O explosivo crescimento da produção de soja no Brasil, de
quase 30 vezes no transcorrer de apenas três décadas, determinou
uma cadeia de mudanças sem precedentes na história do País.
Foi a soja, inicialmente auxiliada pelo trigo, a grande responsável
pelo surgimento da agricultura comercial no Brasil. Também, ela
apoiou ou foi a grande responsável pela aceleração
da mecanização das lavouras brasileiras; pela modernização
do sistema de transportes; pela expansão da fronteira agrícola;
pela profissionalização e incremento do comércio
internacional; pela modificação e enriquecimento da dieta
alimentar dos brasileiros; pela aceleração da urbanização
do País; pela interiorização da população
brasileira (excessivamente concentrada no sul, sudeste e litoral); pela
tecnificação de outras culturas (destacadamente a do milho);
assim como, impulsionou e interiorizou a agroindustria nacional, patrocinando
o deslanche da avicultura e da suinocultura brasileiras.
Perspectivas
Embora as estimativas que fazemos do futuro, tomando como referência
as tendências dos cenários presentes, dificilmente se realizem
com a precisão prospectada, suas indicações são
úteis, mesmo quado os novos cenários não apresentam
aderência total com os projetados.
Em realizando uma análise prospectiva sobre o intenso agronegócio
da soja brasileira, tomando como referência a realidade atual, pareceria
pertinente afirmar que:
* crescerá o consumo e consequentemente a demanda por soja no mundo,
porque a população humana continuará aumentando;
* o poder aquisitivo dessa população continuará incrementando-se,
destacadamente na Ásia, onde está o maior potencial de consumo
da oleaginosa;
* o medo da doença da vaca louca manterá em alta o consumo
de carne suína e de frango, cuja alimentação é
feita, principalmente, com ração à base de farelo
de soja;
* a proibição, na Europa, do uso de farinha de carne nas
rações para bovinos, manterá alta a demanda por farelo
de soja;
* os usos industriais não tradicionais da soja, como biodiesel,
tintas, vernizes, entre outros, aumentarão a demanda do produto;
* o consumo interno de soja deverá crescer, estimulado por políticas
oficiais destinadas a aproveitar o enorme potencial produtivo do País,
que está excessivamente dependente do mercado externo;
* o protecionismo e os subsídios à soja, patrocinados pelos
países ricos, tenderão a diminuir pela lógica e pressão
dos mercados e da Organização Mundial do Comércio,
aumentando, conseqüentemente, os preços internacionais que
estimularão a produção e as exportações
brasileiras;
* a produção dos nossos principais concorrentes (EUA, Argentina,
Índia e China) tenderá a estabilizar-se por falta de áreas
disponíveis para expansão em seus territórios;
* a cadeia produtiva da soja brasileira tenderá a desonerar-se
dos pesados tributos para incrementar a sua competitividade no mercado
externo, de vez que o País precisa “exportar ou morrer”.
* Pode-se estimar, também, pelas tendências do quadro atual
da agricultura brasileira, que a produção da oleaginosa
no País se concentrará cada vez mais nas grandes propriedades
do centro oeste, em detrimento das pequenas e médias propriedades
da Região Sul, cujos proprietários, por falta de competitividade
na produção de grãos, tenderão migrar para
atividades agrícolas mais rentáveis (produção
de leite, criação de suínos e de aves, cultivo de
frutas e de hortaliças, ecoturismo, entre outros), porque são
mais intensivas no uso de mão de obra, “mercadoria” geralmente
abundante em pequenas propriedades familiares, onde o recurso escasso
é a terra.
Feitas estas considerações, parece racional acreditar positivamente
no futuro da produção brasileira de soja, de vez que, dentre
os grandes produtores mundiais da oleaginosa, o Brasil figura como o país
que apresenta as melhores condições para expandir a produção
e prover o esperado aumento da demanda mundial. Este País possui,
apenas no ecossistema do Cerrado, mais de 50 milhões de hectares
de terras ainda virgens e aptas para a sua imediata incorporação
ao processo produtivo da soja. A área cultivada com soja nos EUA,
Argentina, China e Índia, que juntos com o Brasil produzem mais
de 90% da soja mundial, só cresce em detrimento de outros cultivos.
Sua fronteira agrícola está quase ou totalmente esgotada.
Em última análise, o futuro da soja brasileira dependerá
da sua competitividade no mercado global, para o que precisará,
ademais do empenho do produtor, o apoio governamental, destacadamente
na abertura e integração de novas e mais baratas vias de
escoamento da produção. Iniciativas nesse sentido já
estão sendo tomadas com a implementação dos Corredores
de Exportação Noroeste, Centro-Norte, Cuiabá-Santarém
e Paraná-Paraguai, integrando rodovias, ferrovias e hidrovias aos
sistemas de transporte da produção agrícola nacional.
Este esforço do governo é indispensável para que
o País possa reduzir a importância desse item na composição
dos custos totais da tonelada de produto brasileiro que chega aos mercados
internacionais. O custo médio do transporte rodoviário é
muito mais alto que o ferroviário e este mais caro que o hidroviário.
Apenas para ilustrar, 16% da soja americana é transportada por
rodovias, contra 67% da brasileira. Em contrapartida, 61% da soja americana
viaja por hidrovias, contra 5% da brasileira.
Mesmo assim, o Brasil não precisa ter medo de competir. Já
alcançou a produtividade média da soja dos EUA e tem condições
de alcançá-los, também, na produção.
Pesquisa
O crescimento da produção e o aumento da capacidade
competitiva da soja brasileira sempre estiveram associados aos avanços
científicos e à disponibilização de tecnologias
ao setor produtivo. Até o final dos anos 60, a pesquisa com a cultura
da soja no Brasil era muito pouca e concentrava-se na Região Sul
do País, atuando, fundamentalmente, na adaptação
de tecnologias (variedades, principalmente) introduzidas dos EUA. O primeiro
programa consistente de pesquisa com a soja estabeleceu-se na década
de 1950, no Instituto Agronômico de Campinas, SP. Mas foi no RS,
uma década mais tarde, que a cultura encontrou condições
para se estabelecer e expandir como lavoura comercial, para o que foi
fundamental a boa adaptação que as cultivares introduzidas
dos EUA tiveram para as condições do sul do Brasil.
O rápido desenvolvimento do cultivo da soja no País, a partir
dos anos 60, fez surgir um novo e agressivo setor produtivo, altamente
demandante por tecnologias que a pesquisa ainda não estava estruturada
para oferecer na quantidade e qualidade desejadas. Consequentemente, os
poucos programas de pesquisa com soja existentes na região foram
fortalecidos e novos núcleos de pesquisa foram criados no sudeste
e centro oeste, principalmente.
De todas as iniciativas para incrementar e fortalecer a pesquisa com soja
no País, implementadas a partir dessa época, merece destacar-se
a criação da Embrapa Soja em 1975, que patrocinaria, já
a partir do ano seguinte, a instituição do Programa Nacional
de Pesquisa de Soja, cujo propósito foi o de integrar e potencializar
os isolados esforços de pesquisa com a cultura espalhados pelo
sul e sudeste.
Além do programa de pesquisa da Embrapa Soja no Paraná,
outros programas de pesquisa com a cultura estabeleceram-se nessa mesma
década pelo Brasil afora: Universidade Federal de Viçosa
e Epamig em Minas Gerais; Emgopa em Goiás; Embrapa Cerrados no
Distrito Federal; Coodetec, Indusem e FT-Sementes no Paraná; Fundacep
no RS; Embrapa Agropecuária Oeste e Empaer no Mato Grosso do Sul,
além do fortalecimento dos programas já existentes na Embrapa
Trigo e Secretaria da Agricultura do RS e IAC em SP. Com o advento da
Lei de Proteção de Cultivares na década de 1990,
novos programas de pesquisa privados estabeleceram-se no País,
dentre os quais merecem destaque a Monsoy, Fundação Mato
Grosso, Syngenta, Pioneer e Milênia.
Até 1970, a preocupação maior dos programas de pesquisa
de soja brasileiros era com a produtividade. Com menor ênfase, também
buscavam a altura adequada das plantas para a colheita mecânica,
a resistência ao acamamento e resistência à deiscência
das vagens. Os problemas fitossanitários não preocupavam
muito os pesquisadores da época. Foi somente a partir dos anos
80 que resistência a doenças como a Pústula Bacteriana,
o Fogo Selvagem e a Mancha Olho de Rã passaram a constitui-se em
características necessárias para a recomen-dação
de uma nova cultivar. Posteriormente, problemas fitossanitários
maiores surgiram, como o Cancro da Haste, o Nematoide de Cisto e o Oídio,
ampliando a lista de exigências para a recomendação
de novas cultivares.
É conquista da pesquisa brasileira o desenvolvimento de cultivares
adaptadas às baixas latitudes dos climas tropicais. Até
1970, os plantios comerciais de soja no mundo restringiam-se a regiões
de climas temperados e subtropicais, cujas latitudes estavam próximas
ou superiores aos 30º. Os pesquisadores brasileiros conseguiram romper
essa barreira, desenvolvendo germoplasma adaptado às condições
tropicais e viabilizando o seu cultivo em qualquer ponto do território
nacional. Somente no Ecossistema do Cerrado, mais de 200 milhões
de hectares improdutivos foram transformados em área apta para
o cultivo da soja e outros grãos.
A Embrapa Soja tem tido uma participação decisiva no avanço
da cultura rumo às regiões tropicais, em função
do modelo de parcerias com associações de produtores de
sementes utilizado em seu programa de melhoramento genético. Esses
parceiros incrementaram enormemente a capacidade de desenvolvimento de
novas cultivares da Embrapa, Brasil afora, dando sustentação
financeira e, consequentemente, agilizando o processo. Fruto desse modelo,
as “cultivares Embrapa” respondem por mais de 50% do mercado nacional
de sementes de soja. A oferta de cultivares foi acompanhada pela incorporação,
tanto nas “velhas” quanto nas novas cultivares, de resistência às
principais doenças que atacam a cultura no País.
O desenvolvimento de técnicas de manejo integrado de invasoras
e de pragas possibilitaram uma redução sensível na
quantidade de pesticidas utilizados no seu controle.
Estudos sobre a nutrição da soja possibilitaram melhor manejo
da adubação e da calagem. A seleção de estirpes
eficientes de R. japonicum enriqueceram os inoculantes, substituindo completamente
a adubação nitrogenada na cultura da soja. Pesquisas com
micronutrientes indicaram a necessidade de sua utilização
para obter-se máximos rendimentos, particularmente nos Cerrados,
assim como, trabalhos sobre manejo de solos e rotação de
culturas, resultaram na substituição quase total do plantio
convencional pelo direto.
O zoneamento agroclimático desenvolvido pela Embrapa Soja permitiu
indicar as áreas mais aptas para a produção de soja
no País, onde, produzir sementes de qualidade sempre foi um desafio,
superado com tecnologias como o Diagnóstico Completo (Diacom),
evolvendo princípios de vigor e patologia de sementes.
A caracterização dos principais fatores responsáveis
por perdas no processo de colheita e a conscientização dos
produtores sobre o volume dessas perdas e suas causas, possibilitaram
a redução média das perdas, de aproximadamente quatro,
para dois sacos/ha.
Estudos sobre características nutricionais e nutracêuticas
da soja têm promovido o seu consumo via incorporação
da soja na dieta alimentar da população brasileira.
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