Embrapa Milho e Sorgo
Sistema de Produção, 2
Clima
Luiz Marcelo S. Aguiar
Adriana Vieira de Camargo de Morais
Daniel Pereira Guimarães

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Época de plantio

Embora a época de plantio tenha relativamente pouco efeito no custo de produção, seguramente afeta o rendimento e o lucro do agricultor. A tomada de decisão quanto à época de plantio deve-se embasar nos fatores de riscos e nos objetivos propostos pelo agricultor, que tendem a ser minimizados quanto mais eficiente for o planejamento das atividades relacionadas à produção.

A produtividade do sorgo é função de vários fatores integrados (interceptação de radiação pelo dossel, eficiência metabólica, eficiência de translocação de fotossintatos para os grãos, capacidade de dreno, entre outros). As relações de fonte e dreno são funções de condições ambientais e genéticas, e as plantas procuram se adaptar a essas condições. As respostas diferenciadas dos genótipos à variabilidade ambiental, ou seja, à interação genótipo x ambiente, significa que os efeitos genotípicos e ambientais não são independentes. Daí a importância de conhecer a época de plantio analisando todo o ciclo da cultura, procurando prever as condições ambientais em todas as suas fases fenológicas. A grande dificuldade que se encontra é com respeito às variações ambientais não previsíveis. Essas variações imprevisíveis correspondem aos fatores ambientais altamente variáveis, não só espacialmente como de forma temporal (precipitação, temperatura do ar, vento, radiação, etc.). Sabe-se que a interação genótipo x ambiente está associada a fatores simples e complexos. Os simples são proporcionados pela diferença de variabilidade entre genótipos nos ambientes e o complexos pela falta de correlação entre os desempenhos do genótipo nos ambientes. Como pode-se observar é uma tarefa difícil estabelecer a época de plantio para uma dada região sem um conhecimento prévio das cultivares a serem plantadas e das condições ambientais onde se pretende desenvolvê-las, embora a cultura do sorgo tenha uma ampla adaptação. No que se refere a resposta do sorgo a condições ambientais deve-se preocupar com temperatura do ar, precipitação e água no solo. A maioria da redução de produtividade esta relacionada ao decréscimo do número de sementes resultante da redução do período de desenvolvimento da panícula. No que se refere a temperatura do ar, a literatura tem mostrado que existem diferentes temperaturas ótimas, ou seja, a temperatura ótima varia com a cultivar e que 5oC acima do valor da temperatura ótima noturna pode reduzir até 33% a produtividade. Isso se deve ao aumento da taxa respiração noturna , chegando mesmo Eastin et al (1978) a concluir que para cada 1oC de aumento a temperatura noturna há uma taxa de aumento de respiração em torno de 14%. Na literatura brasileira consultada a temperatura requerida para ótimo crescimento e desenvolvimento da cultura do sorgo não tem sido determinada para as diferentes cultivares de sorgo mas sabe-se que varia para cada cultivar. A literatura internacional tem mostrado que temperatura superior a 38oC reduz a produtividade e que a maioria das cultivares não crescem bem em temperaturas inferiores a 16oC. No que se refere a água, é vasta a literatura mostrando que diferentes genótipos apresentam diferente tolerância ao estresse hídrico. O sorgo tem habilidade de manter-se dormente durante o período de seca e retorna o crescimento tão logo o estresse desapareça, e possui relativamente boa resistencia à dessecação. O sorgo tem mostrado a capacidade de recuperar após prolongado período de murchamento. Bastam 5 dias de ritmo normal a abertura de estômato retorna às atividades fisiólogicas normais. As varias características xerofíticas da planta de sorgo é que o torna resistente a seca, porem a sua capacidade de recuperar após a seca é sua mais importante propriedade quando se pensa na predição de sua produtividade. Embora seja uma cultura resistente a estresse hídrico, ela também sofre efeito do déficit hídrico, chegando reduzir consideravelmente a produtividade Portanto, definir a época de semeadura, refere-se ao período em que a cultura tem maior probabilidade de desenvolver-se em condições edafoclimáticas favoráveis.

No Brasil Central, mais especificamente na região dos Cerrados, embora o cultivo do sorgo seja feito em diversas condições climáticas por ser uma cultura de ampla adaptação, considerando a variabilidade temporal e espacial do clima, pode-se observar que durante todo o ciclo da cultura a temperatura é superior a 18oC e raramente ocorrem geadas. A temperatura noturna em momento nenhum local ultrapassa valores superiores as 30 oC, inclusive, segundo a literatura apresenta valores abaixo da temperatura noturna otima. Pode, inclusive, ser em alguns locais onde a altitude é mais elevada, a temperatura noturna se baixa prejudicando o desempenho das plantas.

De uma forma geral pode-se sugerir que, nessa região, a semeadura seja entre setembro e novembro, dependendo da época de início das chuvas da região considerada. A produtividade é, provavelmente, mais elevada quanto as condições do tempo permitem o plantio em outubro. Trabalhos de pesquisa no Brasil Central mostram que, o atraso do plantio a partir da época mais adequada (geralmente em outubro) pode não causar danos a cultura, como causaria a cultura do milho, considerando que a mesma suporta, sem muita perda de produtividade, a déficits hídricos prolongados.

Excetuando-se as elevadas altitudes, onde quem determina a época de plantio é a temperatura, no Brasil Central quem define a época de plantio é a distribuição das chuvas. O uso consuntivo de água para o sorgo durante seu ciclo varia de 380 mm e 600mm dependendo das condições climáticas dominantes. A água é absorvida diferencialmente com o estádio de crescimento e desenvolvimento da cultura. Vale a pena ressaltar a importância da água, ou seja, o déficit hídrico tem influência direta na taxa fotossintética que está associada diretamente com a produção de grãos e, sua importância varia com o estádio fenológico em que se encontra a planta. Pesquisas mostram que até dias de estresse hídrico a cultura do sorgo recupera na sua quase totalidade de forma a reduzir muito pouco a produtividade.

Em resumo, a época de semeadura é determinada em função das condições ambientais (temperatura, fotoperiodo e distribuição das chuvas e disponibilidade de água do solo) e da cultivar (ciclo, fases da cultura e necessidade térmicas das cultivares). Ainda com respeito ao clima deve-se levar em consideração a radiação solar e a intensidade e freqüência do veranico nas diferentes fases fenológicas da cultura.

O sorgo safrinha que é plantado alem dos limites do Cerrado, não tem um período prefixado para seu plantio. É uma cultura desenvolvida de janeiro a abril, normalmente após a soja precoce e em alguns locais após milho de verão e feijão das águas.

Por ser plantado no final da época recomendada, o sorgo safrinha era esperado ter sua produtividade bastante afetada pelo regime de chuvas e por fortes limitações de radiação solar e de temperatura do ar na fase final de seu ciclo. Além disso, como o sorgo safrinha é plantado após uma cultura de verão, a sua data de semeadura depende da época do plantio dessa cultura antecessora e de seu ciclo. Assim, o planejamento do sorgo safrinha começa com a cultura de verão, visando liberar a área o mais cedo possível. Quanto mais tarde for o plantio, menor será o potencial e maior o risco de perdas por adversidades climáticas ( temperatura do ar, fotoperiodismo e/ou geadas).

Isso a torna uma cultura de maior risco uma vez que a temperatura do ar é bastante heterogênea nessa época, ocorrendo uma variabilidade espacial e temporal muito grande e como conseqüência uma variabilidade de produção muito grande, alem disso a probabilidade de estresses hídricos muito prolongados é grande. Na safrinha além do potencial de produção ser reduzido, é uma cultura de alto risco de frustação de safras e o produtor não investe, consequentemente, tem baixa produtividade e baixo lucro.

Considerando a inviabilidade de antever a interação genótipo x ambiente, a variabilidade temporal do clima com inclusive viabilidade de influência da temperatura e radiação alterando o ciclo da cultura para plantio após o mês de fevereiro e o manejo diferencial da cultura, as épocas limites recomendadas preferencialmente para a semeadura, de acordo com vários trabalhos de pesquisa encontram-se na Tabela 1.

Tabela 1. Limite das épocas de semeadura para a cultura do milho safrinha, por estado e região produtora.

Estado

Época Limite

Altitude(1)

Região (cidades referência)

Mato Grosso

15 de março

Alta

Centro-Norte (Sapezal, Lucas do Rio Verde)

Goiás e DF

15 de fevereiro

Baixa

Sudeste (Bom Jesus, Santa Helena)

28 de fevereiro

Alta

Sudoeste (Rio Verde, Jataí e Montividiu)

Minas Gerais

28 de fevereiro

Baixa

Vale do Rio Grande (Conceição das Alagoas)

Mato Grosso do Sul

15 de março

Baixa e Alta

Centro-Norte (Campo Grande, São G. do Oeste, Chapadão do Sul)

Baixa

Centro-Sul (Dourados, Sidrolândia, Itaporã, Ponta Porã)

São Paulo

28 de fevereiro

Alta

Alto Paranapanema (Taquarituba, Itapeva, Capão Bonito)

15 de março

Baixa

Norte (Guaíra, Orlândia, Ituverava)

Baixa

Noroeste (Votuporanga, Araçatuba)

30 de março

Baixa

Médio Vale do Paranapanema (Assis, Ourinhos)

Paraná

30 de janeiro

Alta

Transição (Wenceslau Braz, Mauá da Serra, sul de Ivaiporã, Cascavel, sul de Toledo até Francisco Beltrão)

15 de março

Baixa

Oeste e Vale do Iguaçu (Campo Mourão, sul de Palotina, Medianeira e Cruzeiro do Iguaçu)

30 de março

Baixa

Norte (Cornélio Procópio, Londrina, Maringá, Apucarana)

Baixa

Noroeste (Paravaí, Umuarama)

(1)Alta = altitude igual ou superior a 600 m e Baixa = altitude inferior a 600 m.
Fonte: Vários autores citados por Duarte (2001)

Informações Relacionadas
Manejo de solo e semeadura do milho safrinha. VI. Seminário Nacional de milho Safrinha, II Conferencia Nacional de Milho Safrinha.
Environmental responses in sorghum. Reunion Internacional de Sorgo.
Agricultural climatology of sorghum - the Americas. Proceedings of the International Symposium . Agrometeorology of Sorghum and Millet in the Semi- Arid Tropics
Climatic factors related to crop yield. International sorghum workshop
Zoneamento Agricola . Safra 2001/2002. MA/CER/Coordenação Nacional do Zoneamento Agricola
 

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