Embrapa Milho e Sorgo
Sistema de Produção, 2
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Doença açucarada do sorgo (Sphacelia sorghi)

Importância e Distribuição: A doença açucarada do sorgo conhecida também como "ergot" ou mela da panícula, foi constatada pela primeira vez no Brasil em 1995. Atualmente, essa doença tem ocorrido de maneira severa e generalizada em todas regiões do Brasil, tornando-se um sério problema para as indústrias de sementes e para os produtores de grãos e ou forragens de sorgo.
Como o patógeno infecta, somente, o ovário não fertilizado, durante antese todos os fatores climáticos e biológicos que afetam a produção e vigor do polém e/ou impedem a abertura normal das anteras vão favorecer o patógeno a induzir e desenvolver a doença açucarada.
O agente causal dessa doença é fungo Sphacelia soghi a forma imperfeita de Claviceps africana. A forma imperfeita o conidial do fungo é mais freqüente na natureza onde os conídios estão contidos na exsudação das flores infectadas em três formas: os microconídios e os macroconídios e os conídios secundários.

Sintomas: Os primeiros sintomas da doença podem ser observados no ovário de três a cinco dias após a infecção. O ovário infectado apresenta-se com uma coloração cinza enrugado, em contraste com verde escuro e arredondado de um ovário sadio e fertilizado. Com a evolução da infecção a base do ovário é substituída por uma estrutura estromática que gradualmente, estende-se para cima.
Externamente, os sintomas evidenciam-se de 5 a 10 dias após a inoculação na forma de gotas de coloração rósea, pegajosas, adocicadas que exudam dos ovários infectados(Figura 1). Sob condições de alta umidade, um saprófita Cerebella volkensii cresce sob as gotas que convertem em uma massa negra e amorfa. Sob condições de alta temperatura e de baixa umidade, há um ressecamento da exudação que se transforma em uma crosta esbranquiçada e dura que facilmente, se destaca da panícula. No interior das glumas, finalmente, a estrutura do fungo (estroma) pode transformar-se em esclerócio.

Epidemiologia: Os conídios provenientes de hospedeiros secundários, de panículas de sorgo infectadas de plantas remanescentes ou de restos de cultura, são inóculo primários ou fonte de infecção primária. A disseminação secundária da doença ocorre de cinco a doze dias após a infecção primária no sorgo por meio de conídios que são produzidos aos milhares e disseminados de uma flor a outra de uma mesma panícula ou para diferentes panículas. O patógeno é disseminado, rapidadmente, dentro da lavoura levado pelo vento, respingo de chuva e insetos.
As condições meteorológicas favoráveis ao desenvolvimento da doença açucarada, durante o florescimento, são temperaturas mínimas de 13,0 oC a 18,7 oC e umidade relativa de 76% a 84%.

Controle: A indisponibilidade de genótipos de sorgo resistentes a Sphacelia sorghi e o estabelecimento da doença só em flores não fertilizadas fazem com que se adotem medidas de controle que associem técnicas de manejo da cultura de modo a se obter uma boa produção de polém na lavoura e a utilização de fungicidas. Dentre estas medidas são seguintes:

  1. uso de cultivares bem adaptadas a região de plantio e mais tolerantes a baixas temperaturas;
  2. semeadura em épocas adequadas, de modo a se evitar que o período de florescimento não coincida com baixas temperaturas;
  3. remoção de plantas remanescentes e de plantas hospedeiras secundárias do patógeno;
  4. adequação da proporção de linhagens macho-estéreis e restauradoras em campos de produção de sementes para garantir uma boa disponibilidade de polém, uma vez que a infecção não ocorre em flores fertilizadas;
  5. programação do plantio a fim de que haja uma boa coincidência de florescimento entre as linahgens macho e fêmeas para garantir uma rápida fertilização; e
  6. Utilização dos fungicidas Tebuconazole e Propiconazole recomendados para controlar a doença. Esta medida de controle deve ser restrita a área de produção de sementes.

 

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