Embrapa Milho e Sorgo
Sistemas de Produção, 2
ISSN 1679-012X Versão Eletrônica - 2ª edição
Dez./2006
Cultivo do Sorgo
Francisco Morel

Sumário

Apresentação
Importância econômica
Clima
Ecofisiologia

Solos
Adubação
Cultivares
Plantio
Plantas daninhas
Doenças
Pragas
Colheita e pós-colheita
Mercado e comercialização
Coeficientes técnicos
Referências
Glossário

Expediente

Solos

Interpretação de resultados de análise de solo

Uma das condições para que os resultados da análise de solo e sua interpretação sejam válidos é que existam correlações entre os valores obtidos por um determinado método de extração e a resposta de culturas à adubação ou calagem em condições de campo. Por essa razão é que são desenvolvidos estudos de correlação e calibração de métodos de análise de solo. Na fase de correlação, por exemplo, são avaliados diferentes extratores sendo selecionados os que melhor se aproximam do método padrão, que é a quantidade absorvida e acumulada pelas plantas de um dado nutriente. Na fase de calibração são, então, definidos os níveis críticos e as doses dos nutrientes a serem aplicados. Como os métodos de extração podem variar entre laboratórios de estados diferentes que por sua vez possuem experimentação agronômica própria os critérios de interpretação deixam de ser, assim, únicos. A título de ilustração, merece ser mencionado que em Minas Gerais adota-se o extrator Mehlich-1 para fósforo ao passo que em São Paulo a extração deste elemento é feita com resina trocadora de íons.

As classes de interpretação para os resultados das análises químicas de solos emitidos pelos laboratórios em Minas Gerais encontram-se nas tabelas 1, 2, 3, 4 e 5. Embora essas classes sejam gerais, a utilização delas permite separar glebas com probabilidades diferentes de resposta à aplicação de nutrientes.

Acidez do solo

Na avaliação da acidez do solo deve-se levar em consideração as características acidez ativa ( ou pH ) e a trocável, a saturação por alumínio e por bases, a acidez potencial e o teor de matéria orgânica, que estão relacionadas entre si. Relacionada também com a acidez do solo está a disponibilidade dos nutrientes cálcio e magnésio e de micronutrientes como manganês, ferro, cobre e zinco (Tabelas 1 e 2).

Fósforo, enxofre e potássio

A eficiência de extração do fósforo disponível pelo método Mehlich-1 sofre grande influência da capacidade tampão de fosfatos do solo. Por isso, na interpretação da disponibilidade de fósforo são usadas características que estão relacionadas com a capacidade tampão, como o teor de argila ou o valor do fósforo remanescente (Tabela 3). O enxofre disponível, extraído com fosfato monocálcico em ácido acético, semelhantemente, é também afetado pela capacidade tampão de sulfatos do solo. Na interpretação do enxofre disponível de amostras compostas da camada subsuperficial as classes de fertilidade apresentadas estão de acordo, como para o fósforo disponível, com a concentração de fósforo remanescente (Tabela 4). Para o potássio disponível, como a capacidade tampão para potássio não afeta a eficiência de extração pelo método Mehlich-1, sendo também de pouco significado para a maioria dos solos de Minas Gerais, é adotada apenas uma classificação para este nutriente (Tabela 3).

Micronutrientes

Embora seja freqüente a deficiência de zinco e, ou, de boro em várias culturas em Minas Gerais, especialmente em solos de cerrado, há uma limitação de estudos detalhados no que se refere a trabalhos de calibração para interpretação de resultados de análise de solo para micronutrientes. Apesar disso, é apresentada uma primeira aproximação de interpretação sendo incluídas classes de fertilidade para zinco, manganês, ferro e cobre, extraídos com o extrator Mehlich-1, e para boro, extraído com água quente (Tabela 5).

Tabelas

Tabela 1. Classes de interpretação para a acidez ativa do solo (pH)1/

Classificação química

Ac. muito
elevada

Acidez
elevada

Acidez
média

Acidez
Fraca

Neutra

Alcalinidade
fraca

Alcalinidade
elevada

>4,5

4,5 - 5,0

5,1 - 6,0

6,1 - 6,9

7,0

7,1 - 7,8

>7,8

Classificação agronômica

Muito baixo

Baixo

Bom

Alto

Muito alto

< 4,5

4,5 - 5,4

5,5 - 6,0

6,1 - 7,0

> 7,0

Fonte: ALVAREZ V. et al. (1999).
1/
pH em H2O, relação 1:2,5, TFSA : H2O.


Tabela 2. Classes de interpretação de fertilidade do solo para.a matéria orgânica e para o complexo de troca catiônica

Característica

Unidade1/

Classificação

Muito baixo

Baixo

Médio2/

Bom

Muito Bom

Carbono orgânico (C.O.)2/

dag/kg

£ 0,40

0,41 - 1,16

1,17 - 2,32

2,33 - 4,06

> 4,06

Matéria orgânica (M.O.)3/

dag/kg

£ 0,70

0,71 - 2,00

2,01 - 4,00

4,01 - 7,00

> 7,00

Cálcio trocável (Ca2+)4/

cmolc/dm3

£ 0,40

0,41 -1,20

1,21 - 2,40

2,41 - 4,00

> 4,00

Magnésio trocável (Mg2+)4/

cmolc/dm3

£ 0,15

0,16 - 0,45

0,46 - 0,90

0,91 - 1,50

> 1,50

Acidez trocável (Al3+)4/

cmolc/dm3

£ 0,20

0,21 - 0,50

0,51 - 1,00

1,01 - 2,00

> 2,00

Soma de bases (SB)5/

cmolc/dm3

£ 0,60

0,61 - 1,80

1,81 - 3,60

3,61 - 6,00

> 6,00

Ac. potencial (H + Al)6/

cmolc/dm3

£ 1,00

1,01 - 2,50

2,51 - 5,00

5,01 - 9,00

> 9,00

CTC efetiva (t)7/

cmolc/dm3

£ 0,80

0,81 - 2,30

2,31 - 4,60

4,61 - 8,00

> 8,00

CTC pH 7 (T)8/

cmolc/dm3

£ 1,60

1,61 - 4,30

4,31 - 8,60

8,61 - 15,00

> 15,00

Saturação por Al3+ (m)9/

%

£ 15,0

15,1 - 30,0

30,1 - 50,0

50,1 - 75,0

> 75,0

Saturação por bases (V)10/

%

£ 20,0

20,1 - 40,0

40,1 - 60,0

60,1 - 80,0

> 80,0

Fonte: ALVAREZ V. et al. (1999).
dag/kg = % (m/m); cmolc/dm3. 2/ O limite superior desta classe indica o nível crítico. 3/ Método Walkley & Black; M.O. = 1,724 x C.O. 4/ Método KCl 1 mol/L. 5/ SB = Ca2+ + Mg2+ + K+ + Na+. 6/ H + Al, Método Ca(OAc)2 0,5 mol/L, pH 7.7/ t = SB + Al3+. 8/ T = SB + (H + Al). 9/ m = 100 Al3+/t. 10/ V = 100 SB/T.


Tabela 3. Classes de interpretação da disponibilidade para o fósforo de acordo com o teor de argila do solo ou do valor de fósforo remanescente (P-rem) e para o potássio

Característica

Classificação

Muito baixo

Baixo

Médio

Bom

Muito bom

---------------------------------(mg/dm3)1/------------------------------------------

Argila (%)

Fósforo disponível (P)2/

60 - 100

£ 2,7

2,8 - 5,4

5,5 - 8,03/

8,1 - 12,0

> 12,0

35 - 60

£ 4,0

4,1 - 8,0

8,1 - 12,0

12,1 - 18,0

> 18,0

15 - 35

£ 6,6

6,7 - 12,0

12,1 - 20,0

20,1 - 30,0

> 30,0

0 - 15

£ 10,0

10,1 - 20,0

20,1 - 30,0

30,1 - 45,0

> 45,0

P-rem4/ (mg/L)

0 - 4

£ 3,0

3,1 - 4,3

4,4 - 6,03/

6,1 - 9,0

> 9,0

4 - 10

£ 4,0

4,1 - 6,0

6,1 - 8,3

8,4 - 12,5

> 12,5

10 - 19

£ 6,0

6,1 - 8,3

8,4 - 11,4

11,5 - 17,5

> 17,5

19 - 30

£ 8,0

8,1 - 11,4

11,5 - 15,8

15,9 - 24,0

> 24,0

30 - 44

£ 11,0

11,1 - 15,8

15,9 - 21,8

21,9 - 33,0

> 33,0

44 - 60

£ 15,0

15,1 - 21,8

21,9 - 30,0

30,1 - 45,0

> 45,0

Potássio disponível (K)2/

£ 15

16 - 40

41 - 70

71 - 120

> 120

Fonte: ALVAREZ V. et al. (1999).
1/ mg/dm3 = ppm (m/v). 2/ Método Mehlich-1. 3/ Nesta classe apresentam-se os níveis críticos de acordo com o teor de argila ou com o valor do fósforo remanescente. O limite superior desta classe indica o nível crítico. P-rem = Fósforo remanescente.


Tabela 4. Classes de interpretação da disponibilidade para o enxofre1/ de acordo com o valor de fósforo remanescente (P-rem)

P-rem

Classificação

Muito baixo

Baixo

Médio2/

Bom

Muito bom

mg/L

------------------------------- (mg/dm3)3/ ---------------------------------

Enxofre disponível (S)

0 - 4

£ 1,7

1,8 - 2,5

2,6 - 3,6

3,7 - 5,4

> 5,4

4 - 10

£ 2,4

2,5 - 3,6

3,7 - 5,0

5,1 - 7,5

> 7,5

10 - 19

£ 3,3

3,4 - 5,0

5,1 - 6,9

7,0 - 10,3

> 10,3

19 - 30

£ 4,6

4,7 - 6,9

7,0 - 9,4

9,5 - 14,2

> 14,2

30 - 44

£ 6,4

6,5 - 9,4

9,5 - 13,0

13,1 - 19,6

> 19,6

44 - 60

8,9

9,0 - 13,0

13,1 - 18,0

18,1 - 27,0

> 27,0

Fonte: ALVAREZ V. et al. (1999).
1/ Extrator Ca(H2PO4)2, 500 mg/L de P, em HOAc 2 mol/L.
2/ Esta classe indica os níveis críticos de acordo com o valor de P-rem.
3/ mg/dm3 = ppm (m/v).



Tabela 5. Classes de interpretação da disponibilidade para os micronutrientes

Micronutrientes

Classificação

Muito baixo

Baixo

Médio1/

Bom

Muito bom

mg/L

------------------------------- (mg/dm3)2/ ---------------------------------

Zinco disponível (Zn) 3/

£ 0,4

0,5 - 0,9

1,0 - 1,5

1,6 - 2,2

> 2,2

Manganês disponível(Mn) 3/

£ 2

3 - 5

6 - 8

9 - 12

> 12

Ferro disponível (Fe) 3/

£ 8

9 - 18

19 - 30

31 - 45

> 45

Cobre disponível (Cu) 3/

£ 0,3

0,4 - 0,7

0,8 - 1,2

1,3 - 1,8

> 1,8

Boro disponível (B) 4/

£ 0,15

0,16 - 0,35

0,36 - 0,60

0,61 - 0,90

> 0,90

Fonte: ALVAREZ V. et al. (1999).
1/ O limite superior desta classe indica o nível crítico.
2/ mg/dm3 = ppm (m/v).
3/ Método Mehlich-1.
4/ Método água quente.

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