Embrapa Suínos e Aves
Sistemas de Produção, 2
ISSN 1678-8850 Versão Eletrônica
Jan/2003
Produção Suínos
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.Manejo de Dejetos


A preservação ambiental, preocupação básica de qualquer sistema de produção, deve estar presente em qualquer atividade, em especial no manejo dos dejetos e rejeitos de animais. Prioritariamente os dejetos devem ser usados como adubo orgânico, respeitando sempre as limitações impostas pelo solo, água e planta. Quando isso não for possível há necessidade de tratar os dejetos adequadamente, de maneira que não ofereçam riscos de poluição quando retornarem à natureza.

Manejo dos dejetos
Uso dos dejetos como fertilizante
Geração de energia pela biodigestão anaeróbia dos dejetos
Outros materiais poluentes


Manejo dos dejetos

  • Estabelecer um projeto de coleta, armazenagem, tratamento, transporte e disposição dos dejetos de acordo com as características da propriedade (Referências n° 15 e 16).
  • Quando houver área suficiente para o uso dos dejetos como fertilizante orgânico, construir esterqueiras para armazenamento do dejeto, com tempo de retenção mínima de 120 dias, recomendado pelos Órgãos de Fiscalização Ambiental.
  • Não havendo área suficiente para recebimento de dejetos, maximizar e valorizar a produção de lodo ou composto para atender a capacidade de absorção da propriedade e tratar o excesso de acordo com a Legislação.
  • Adotar sistema de separação de fases (decantador) combinado com sistemas de tratamento como lagoas anaeróbias, facultativas e de aguapé.
  • Dimensionar o decantador de acordo com a característica dos dejetos e da vazão diária e as lagoas, através da carga orgânica gerada diariamente.
  • Utilizar tecnologias de tratamento dos resíduos, tanto da fase líquida, através de sistema de lagoas (Referência n° 34) para remoção dos nutrientes e do odor, quanto da fase sólida, através do processo de compostagem ou geração de biogás.
  • Manter as calhas de coleta de esterco dos suínos (Figura 6) com líquido suficiente para cobrir o esterco (água de desperdício de bebedouros e urina). A água não deixa as larvas das moscas viverem no esterco.
  • A água de limpeza com desinfetante deve ser desviada para um sumidouro para não atrapalhar a fermentação do esterco.
  • Se a canaleta externa de coleta de esterco for muito rasa ou for em desnível, que não permita a manutenção da água, raspar o esterco para a esterqueira duas vezes por semana, antes das larvas das moscas formarem o casulo.
  • O esterco misturado à maravalha, usada na maternidade ou em outras baias de animais, deve ser destinado à compostagem em leiras cobertas com lona plástica ou em composteiras construídas em alvenaria (Referência n° 30).


Figura 6. Sistema de manejo de dejetos líquidos e resíduos da desinfecção.

Uso dos dejetos como fertilizante

A segurança sanitária é um item que também deve ser levado em conta na reciclagem dos dejetos. Para diminuir os riscos envolvidos na reciclagem dos dejetos e a disseminação de organismos potencialmente prejudiciais a humanos, animais e/ou ao ambiente, além de todos os cuidados sanitários aplicados aos rebanhos, mostra-se prudente assegurar um tempo mínimo de retenção de 30 dias para a decomposição dos dejetos em sistemas anaeróbios ativos, antes de utiliza-los como fertilizante.
   
O reaproveitamento dos dejetos como fertilizante na propriedade requer área disponível, e distanciamento dos corpos d'água (rio, córrego, açude, nascentes, lagoa, etc...). A disposição do resíduo no solo deve obedecer aos seguintes critérios:
  • Proceder a analise do solo;
  • Seguir as recomendações de segurança sanitária;
  • Não ultrapassar a capacidade de absorção do sistema solo planta;
  • Utilizar técnicas adequadas de conservação do solo;
  • Procurar utilizar o plantio de espécies exigentes em N e P.

Os dejetos de suínos são um composto multinutriente, cujos elementos encontram-se em quantidades desproporcionais em relação aos assimilados pelas plantas. Quando os dejetos são aplicados ao solo com base na demanda total das plantas, de qualquer um dos elementos N-P-K, os demais geralmente estarão em excesso. Com o acúmulo de nutrientes no solo, surge o risco de fitotoxicidade às plantas e de perdas de nutrientes por erosão e lixiviação, que poderão causar a poluição das águas e do solo, cuja gravidade será tanto maior, quanto menos se observar o princípio do balanço de nutrientes e as boas práticas agronômicas.

Geração de energia pela biodigestão anaeróbia dos dejetos

O gás resultante da digestão anaeróbia dos dejetos (biogás) pode ser utilizado na produção de energia. Utilizando o processo de produção de gás com lona de PVC colocada sobre o depósito de dejetos, há uma redução do custo de implantação, redução dos níveis de patógenos e do poder poluente, redução de odores e substituição de combustíveis como lenha, GLP e energia elétrica (Referência n° 29). O biogás pode ser utilizado para aquecimento de aviários, banheiros e instalações para suínos.
 

Tabela 17. Volume de biodigestor (BIOD), produção diária de biogás (BIOG) e biofertilizante (BIOF), de acordo com o dimensionamento do rebanho.

Nº de
Matrizes

BIOD
(m3)

BIOG
(m3/d)

BIOF
(kg/d)

12
25
12
1000
24
50
25
2000
36
75
37
3000
60
125
62
5000
Fonte: (Referência n° 20) Konzen (1983).

Outros materiais poluentes

Os materiais poluentes como lixo e embalagens também devem ser objeto de preocupação, seguindo procedimentos adequados de armazenamento e disposição, a saber:
  • Armazenar em recipientes com tampa, frascos e embalagens usadas de medicamentos e desinfetantes, ou outro produto veterinário, encaminhando-os à postos de coleta locais ou regionais.
 

Dar destino adequado a todo o lixo produzido no sistema de produção, de forma a não causar nenhum dano ao ambiente.

 

 

 

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