Embrapa Suínos e Aves
Sistemas de Produção, 2
ISSN 1678-8850 Versão Eletrônica
Jan/2003
Produção Suínos
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Importância Econômica
Proteção Ambiental
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Manejo de Dejetos
Gerenciamento
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Proteção Ambiental

Além da produtividade e competitividade econômica, qualquer sistema de produção deve primar pela proteção ambiental, não somente pela exigência legal, mas também por proporcionar maior qualidade de vida a população rural e urbana.


Com relação a proteção ambiental o produtor deve implantar um sistema de gestão ambiental integrado contemplando as seguintes etapas:

Avaliação dos riscos de impacto ambiental
Manejo voltado para a proteção ambiental
    Manejo Nutricional
    Manejo de água na propriedade

 

Avaliação dos riscos de impacto ambiental

  • Proceder o diagnóstico da situação ambiental local antes de iniciar a construir.
  • Delinear um plano com dimensionamento do projeto em função do volume de resíduos gerados na produção de suínos.
  • Planejar as obras a partir das exigências da legislação ambiental federal, estadual e municipal, que determinam, por exemplo, as distâncias mínimas de corpos d´água (fontes, rios, córregos, açudes, lagos etc.), estradas, residências, divisas do terreno, a proteção das áreas de preservação permanente, 20% da área de reserva legal e outras.


    Figura 1. Croqui das distâncias de acordo com a Legislação da FATMA (SC).

    (Obs: Estas distâncias podem sofrer variações nos diferentes estados da federação, para tanto, sugere-se consultar o órgão estadual de proteção ambiental).
Quadro 1. Legislação pertinente ao licenciamento ambiental.
- Constituição Federal Brasileira - 1998 - Art. 225.
- Decreto Federal nº 0750/93 - Mata Atlântica.
- Lei Federal nº 9.605/98 - Lei dos Crimes Ambientais - Art. 60.
- Código das Águas - Decreto Federal nº 24.645 de 10/07/34 e alterações.
- Código Florestal Federal - Lei 4.771/65 e alterações.
- Lei Federal nº 6.766/79 - Disciplinamento do solo urbano.
- Legislações e Códigos Sanitários Estaduais e Municipais.
 
  • Planejar a propriedade tendo em vista a bacia hidrográfica como um todo, respeitando a disponibilidade de recursos naturais.
  • Minimizar o uso da água nas instalações através de: a)- Desvio das águas pluviais com o uso de calhas, aumento dos beirais e drenagem; b)- Adequação da rede hidráulica e escolha dos bebedouros; c)- Dimensionar o sistema hidráulico de forma a manter a velocidade e a pressão da água uniforme em todos os bebedouros (Tabela 1).
 
Tabela 1. Estimativa de consumo de água (litros/dia), de acordo com o tipo de bebedouro para a produção de um suíno de 100 kg de peso vivo.
Peso Corporal, kg

Bebedouro

Bom

Ruim

Desperdício

 

Consumo diário de água (l)
5-10
0,91
1,59
0,68
11-100
4,98
8,32
3,34
 
Consumo total de água(l)
5-10
11,11
25,39
14,28
11-100
542,82
906,88
364,06
Economia
-
-
378,34
Fonte: (Referência n° 32) Penz et.al. (1995).
 
 
  • Avaliar as áreas de maior risco de poluição em caso de acidentes.
  • Atender as Legislações Estaduais e Municipais que normalmente exigem:
  • a)- LP (Licença Prévia) que determina a possibilidade de instalação do empreendimento em determinado local; b)- LI (Licença de Instalação) que faz a análise do projeto quanto a conformidade com a legislação ambiental; c)- LO (Licença de Operação) que concede a licença de funcionamento após conferência do projeto executado com base na LI e prevê um plano de monitoramento.
  • Estabelecer um programa de nutrição e manejo das rações que minimize a excreção de nutrientes e de resíduos na propriedade, escolhendo o que for mais adequado a sua área (tratamento, reaproveitamento dos resíduos, exportação para vizinhos e etc)
  • Monitorar e avaliar a adequação do dimensionamento do projeto.
  • Considerar e avaliar as ampliações futuras em função da legislação, do licenciamento e de mudanças no plano de nutrição.
 
Manejo voltado para a proteção ambiental
 

Reduzir a geração de resíduos através do manejo nutricional eficiente e do manejo da água na propriedade, diminuindo o potencial poluente dos resíduos (Tabela 2).

Tabela 2. Características químicas e físicas dos dejetos (mg/l) produzidos em uma unidade de crescimento e terminação manejada em fossa de retenção, obtidos no Sistema de Produção de Suínos da Embrapa Suínos e Aves.

Parâmetro

Mínimo

Máximo

Média

Demanda Química de Oxigênio (DQO) 11530 38448 25543
Sólidos Totais 12697 49432 22399
Sólidos Voláteis 8429 39024 16389
Sólidos Fixos 4268 10408 6010
Sólidos Sedimentares 220 850 429
Nitrogênio Total 1660 3710 2374
Fósforo Total 320 1180 578
Potássio Total 260 1140 536
Fonte: (Referência n° 36) Silva F.C.M. (1996).
 
 

Manejo Nutricional


Para promover a melhora do desempenho e das carcaças, reduzindo o poder poluente dos dejetos e o custo de produção dos suínos, o produtor deve:

  • Buscar o aumento da eficiência alimentar e da produtividade por matriz.
  • Usar rações formuladas com base nos valores de disponibilidade de nutrientes dos alimentos, utilizando informações específicas dos suínos que estão sendo produzidos, especialmente quanto ao genótipo, sexo e consumo de ração.
  • Utilizar dietas formuladas com maior precisão, evitando o acréscimo de mais nutrientes ("margens de segurança") do que os animais necessitam.
  • Empregar o conceito de alimentação em múltiplas fases e sexos separados.
  • Evitar o uso de cobre como promotor de crescimento e reduzir ao máximo o uso de zinco no controle da diarréia.
  • Aumentar o uso de fontes de nutrientes com maior disponibilidade.
  • Utilizar enzimas nas dietas.
  • Utilizar a restrição alimentar em suínos na fase de terminação.

Manejo de água na propriedade


O manejo da água na propriedade deve contemplar:

  • Evitar a utilização de lâmina d'água.
  • Remoção do dejeto via raspagem.
  • Realizar manutenção periódica do sistema hidráulico.
  • Reduzir a demanda de água no sistema através do reaproveitamento da água, servida aos suinos, para limpeza das instalações, evitando o contato com os animais.
  • Tabela 3. Produção média diária de dejetos nas diferentes fases produtivas dos suínos.

    Categoria de Suínos

    Esterco* (kg/animal/dia)

    Esterco (+ urina kg/ animal/dia)

    Dejetos líquidos (l/ animal/dia)

    Suínos de 25-100 kg
    2,30
    4,90
    7,00
    Porcas em Gestação
    3,60
    11,00
    16,00
    Porcas em Lactação
    6,40
    18,00
    27,00
    Machos
    3,00
    6,00
    9,00
    Leitões desmamados
    0,35
    0,95
    1,40

    Média

    2,35
    5,80
    8,60
    *Considerando esterco com cerca de 40% de matéria seca.
    Fonte: (Referência n° 29) Oliveira et al. (1993).
     

 

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