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| Uvas Americanas e Híbridas para Processamento em Clima Temperado |
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A videira (Vitis spp.) quando cultivada em condições climáticas favoráveis (elevada umidade e temperaturas amenas) ao desenvolvimento de fungos, está sujeita a uma série de doenças, as quais poderão acarretar graves prejuízos se não forem devidamente controladas. As principais doenças fúngicas que podem causar prejuízos para as videiras americanas e híbridos são descritos a seguir: Míldio -
Plasmopara viticola
É a principal doença fúngica da videira, podendo infectar todas as partes verdes da planta, causando maiores danos quando afeta as flores e os frutos. Sintomatologia: Nas folhas, na parte superior aparecem manchas amarelas, translúcidas contra a luz do sol com aspecto encharcado, denominadas de "mancha de óleo" (Figura 1). Em umidade relativa alta (acima de 95%), surge a esporulação branca do fungo na parte inferior da mancha (Figura 2), a seguir a área afetada fica necrosada, podendo causar a queda da folha. Nas inflorescências infectadas ocorre o escurecimento da ráquis, podendo ainda haver esporulação do fungo, seguido pelo secamento e queda dos botões florais. Quando o fungo ataca as bagas mais desenvolvidas, estas são infectadas pelos pedicelos e o fungo se desenvolve no interior da baga, tornando-as escuras, duras, com superfícies deprimidas, provocando a queda das mesmas (Figura 3). Este sintoma nesta fase de desenvolvimento é denominado de "míldio larvado" ou grão preto.
Medidas de controle: O controle preventivo deve começar adotando-se medidas que melhorem a aeração e insolação da copa, objetivando diminuir o tempo de molhamento foliar. Estas medidas incluem: espaçamento adequado; evitar áreas de baixada ou voltados para o sul, quando for escolher o local do vinhedo; boa disposição espacial dos ramos sobre o aramado; adubação equilibrada; poda verde (desbrota, desnetamento, desfolha, desponte, etc.).
Sintomatologia: A doença ataca todos órgãos verdes da planta (folhas, gavinhas, ramos, inflorescência, e frutos). Nos ramos, a doença causa o aparecimento de cancros com formatos irregulares de coloração cinzenta no centro e bordo preto (Figura 4). Com a evolução da doença nas folhas, as manchas ficam perfuradas no centro. Nas bagas também aparecem manchas circulares de cor cinza no centro e preta nas bordas, comumente chamada de "olho-de-passarinho" (Figura 5).
Condições predisponentes: O desenvolvimento do fungo é favorecido por alta umidade provocada pela precipitação, nevoeiro e orvalho. O fungo pode se desenvolver desde temperatura de 2ºC a 32ºC, porém desenvolve-se melhor em temperatura em torno de 20ºC. Medidas de controle:
Algumas medidas preventivas devem ser tomadas por ocasião da implantação
do vinhedo: evitar o plantio em baixadas úmidas e terrenos expostos
aos ventos frios do Sul, construir quebra-vento quando a área for
exposta aos ventos frios; utilizar material sadio. Estas medidas normalmente
não são suficientes para um controle eficiente da doença, portanto
quando se observa incidência de antracnose em anos anteriores, o controle
deve ser iniciado no período de repouso da videira, pela poda e queima
de ramos doentes, e/ou tratamento químico de inverno com calda sulfocálcica,
visando eliminar ou reduzir o inóculo inicial. No inicio da brotação,
a alta umidade e os tecidos tenros favorecem a infecção das plantas
pelo patógeno. As pulverizações devem ser iniciadas nesta fase. As
demais aplicações dependerão das condições climáticas e da persistência
do produto, até o estádio de meia baga, após esta fase as bagas se
tornam resistentes. Os produtos e doses recomendados para o controle
da doença constam da tabela 3.
Pode ser facilmente confundida com antracnose, pois em determinada fase, os sintomas são muito semelhantes. Sintomatologia: A escoriose se manifesta principalmente na base dos ramos do ano, apresentando os seguintes sintomas: necroses fusiformes ou arredondadas escuras, rachaduras e escoriações superficiais no córtex (Figura 6). No outono os ramos poderão se tornar esbranquiçados a partir de sua base e conter pequenos pontos negros que são os picnídios do fungo. Os ataques podem ocorrer nas nervuras principais de folhas jovens, pecíolos e pedúnculo.No limbo foliar, forma manchas arredondadas de 3 mm a 15 mm de diâmetro, sendo escura no centro e amarela(cloróticas) na periferia (Figura 7). Os ramos de ano podem quebrar facilmente devido ao intumescimento da sua inserção. Devido à morte das gemas basais a poda deve ser realizada na parte mediana do ramo, que distancia muito a produção da cepa, causando desequilíbrio da planta.
Condições predisponentes: A conservação do fungo se dá por meio de picnídios formados sobre os sarmentos e/ou do micélio no interior das gemas basais. Períodos prolongados de chuva e frio são as condições ideais para o patógeno. Temperatura entre 1ºC e 37ºC e períodos prolongados de água livre ou umidade relativa acima de 95% são as condições favoráveis às infecções. Os tecidos tenros(jovens) na fase inicial da brotação são altamente sensíveis ao fungo. Medidas de controle:
No inverno, reduzir o inóculo
pela remoção e destruição dos ramos doentes e/ou tratamento com calda
sulfocálcica antes do inicio da brotação.
Sintomatologia: O sintoma principal é o apodrecimento dos frutos maduros. Sobre as bagas inicialmente aparecem manchas marrom-avermelhadas, que posteriormente atingem todo o fruto, escurecendo-o. Em condições de alta umidade aparecem as estruturas do fungo na forma de pontuações cinza-escuras, das quais exsuda uma massa rósea, que são os conídios (Figura 8). Esta massa rósea serve também para diferenciar da podridão amarga.
Condições predisponentes: Temperatura entre 25ºC a 30ºC e alta umidade são as condições favoráveis ao patógeno. O fungo sobrevive em frutos mumificados e pedicelos, e na primavera, com elevada umidade, produz abundante frutificação. O excesso de nitrogênio favorece a infecção e o desenvolvimento do fungo. Medidas de controle:
A implementação de algumas
medidas gerais são importantes para o manejo e controle da doença:
remoção e destruição de frutos mumificados; eliminação de ramos podados;
adubação equilibrada; localização do vinhedo (meia encosta e exposição
norte). O tratamento químico deve ser iniciado no final da floração,
e repetir as pulverizações para proteger as bagas em todos seus estádios
de desenvolvimento (Tabela 3).
Sintomatologia: Nas folhas e ramos forma manchas marrom-avermelhadas escuras e pequenas, raramente maiores que 0,1 mm a 0,3 mm de diâmetro, com um halo amarelo. A ocorrência mais séria é sobre as bagas, causando podridões e destruição dos pedicelos. Nos cachos, quando afeta o engaço, impede o livre fluxo da seiva para as bagas. Estas se tornam enrugadas e mumificadas e caem com facilidade. O ataque direto do fungo sobre as bagas faz com que elas adquiram, inicialmente, coloração marrom-avermelhada, sem entretanto alterar-lhes a conformação. Pode-se observar, posteriormente, pontuações negras constituídas por estruturas típicas do fungo (acérvulos). As bagas restantes que permanecem no cacho, murcham, tornam-se múmias pretas, duras e secas (Figura 9).
O fungo pode sobreviver saprofiticamente de um ano para outro sobre os restos de cultura, pedicelos mortos e frutos mumificados remanescentes nas plantas, servindo de fonte de inóculo para o próximo ciclo. Medidas
de controle: Algumas praticas
são importantes para o manejo da doença e para melhorar a eficácia
do tratamento químico: remoção e destruição de frutos mumificados;
eliminação de ramos podados; adubação equilibrada; e arejamento da
copa. O tratamento químico deve ser iniciado no final da floração,
e repetir as pulverizações para proteger as bagas em todos seus estádios
de desenvolvimento (Tabela 3).
Em regiões quentes e úmidas a doença assume maior importância devido provocar desfolha precoce, podendo prejudicar a maturação dos ramos e enfraquecer a planta para o ciclo seguinte. Sintomatologia: Os sintomas se manifestam principalmente nas folhas, onde são bastante característicos. No limbo foliar aparecem manchas bem definidas de contorno irregular e coloração inicialmente castanho-avermelhada, que mais tarde escurecem (Figura 10). As manchas podem atingir até 2 cm de diâmetro e apresentam um halo amarelado ou verde claro bem visível; e na face oposta da folha, no tecido correspondente, observa-se uma coloração pardacenta que são as frutificações do fungo. Não há perfurações nem deformações das folha. As frutificações do fungo se desenvolvem tanto na face superior como na inferior da folha. O ataque severo da doença provoca a queda prematura das folhas, com conseqüências sobre o vigor por falta de reservas que seriam acumuladas após a colheita da uva, prejudicando a maturação dos ramos, podendo predispo-los ao ataque de pragas e doenças.
Condições predisponentes: A doença se desenvolve melhor em condições de alta temperatura e umidade, aparececendo primeiro nas folhas mais velhas, geralmente no inicio de maturação da uva, em parreiras que não foram suficientemente tratadas contra míldio. Medidas de controle: As medidas
adotadas para o controle do míldio, exceto os cúpricos, geralmente
são suficientes para manter as doenças em níveis baixos. Recomenda-se
iniciar os tratamentos quando aparecer os primeiros sintomas. Os tratamentos
químicos pós-colheita com ditiocarbamatos oferecem uma melhor proteção
à folhagem, mantendo as folhas pôr mais tempo na planta. Os produtos
e doses registrados constam da tabela 3.
As doenças de madeira podem ser causadas por diversos fungos, os quais colonizam a parte interna da planta ocasionando podridão descendente, e levando a sua morte se não controlada adequadamente. Os principais agentes de podridão descendente encontrados em vinhedos do Rio Grande do Sul são: Eutypa sp., Botryosphaeria spp., Sphaeropsis sp. e Phomopsis viticola . Sintomatologia: Os sintomas do declínio são bastante genéricos, caracterizando-se pelo retardamento da brotação na primavera; encurtamento dos internódios; deformação e descoloração dos ramos, as folhas são menores do que o normal, deformadas e cloróticas, com pequenas necroses nas margens; podendo murchar e cair; redução drástica do vigor; superbrotamento; seca de ramos e a morte da planta. Frutificação irregular e com menor número de bagas também é verificada. Morte de ramos e frutificação do fungo nestes locais são características importantes para diagnóstico do agente envolvido no declínio. Corte transversal da área do ramo afetado mostra a extensão da doença, apresentando área da madeira escura, morta e não funcional, em forma de cunha, contrastando com a parte ainda viva (Figura 11).
Condições predisponentes: A infecção ocorre por ferimentos da poda ou outras injúrias produzidas sobre a planta, e o patógeno sobrevive em tecidos infectados. Estresse hídrico e desequilíbrio nutricional favorecem o desenvolvimento da doença. Os fungos se desenvolvem numa ampla faixa de temperatura, sendo a temperatura ótima para Eutypa entre 20ºC a 25ºC; para Botryosphaeria e Phomopsis entre 23ºC e 26ºC. Todos os patógenos são favorecidos por alta umidade. Medidas de controle:
Como a infecção ocorre pelo corte da poda ou outros ferimentos, quanto
mais rápida a cicatrização destes, menor é o risco de infecção. As
observações mostraram que mesmo com as causas primárias definidas,
o declínio agrava-se quando a videira está em estresse de qualquer
natureza. A redução da ação dos fatores que provocam estresse nas
plantas poderá diminuir o efeito do declínio e às vezes até controlá-lo.
Como medidas gerais de controle recomenda-se: utilização de material
sadio, na poda retirar e destruir as partes doentes, desinfetar as
ferramentas com hipoclorito de sódio (água sanitária 1%), proteger
os ferimentos da poda o mais rápido possível com fungicida que pode
ser o tebuconazole, tiofanato metílico ou pasta bordalesa.
Esta doença causa redução drástica da produtividade da videira por provocar a mortalidade de plantas, além de ser uma doença de difícil controle. Sintomatologia: A fusariose é uma doença vascular, provocando interrupção na translocação da seiva (Figura 12). A doença reduz o crescimento de brotos, e provoca escurecimento interno da madeira, murchamento de folhas e de cachos. Os cachos murcham ainda verdes ficando aderidos aos ramos. As plantas infectadas podem morrer subitamente, normalmente em reboleiras. Em outras plantas pode-se verificar brotações no tronco, que também morrerão com a evolução da doença.
Medidas de controle: As medidas de controle são preventivas, pois o controle químico não é eficaz. As medidas preventivas recomendadas são: plantar em áreas livres da doença, adotar práticas que não provocam ferimentos ao sistema radicular, escolher solos bem drenados para a instalação do vinhedo, usar material de propagação sadio. Em áreas já contaminadas deve-se proceder ao arranquio das plantas infectadas com o máximo possível de raízes e queimá-las, aplicar cal virgem nas covas, evitar o uso de máquinas em áreas contaminadas e depois em áreas de vinhedos sadios, controlar a erosão para evitar o escoamento de águas superficiais de áreas contaminadas para áreas não contaminadas. A principal medida de controle é a utilização de porta-enxertos resistentes. O porta-enxerto Paulsen 1103 tem mostrado boa tolerância à fusariose, enquanto o porta-enxerto So4 é muito suscetível; a cv. Isabel de pé franco apresenta boa tolerância ao patógeno. |