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| Normas
Gerais sobre o Uso de Agrotóxicos |
Introdução
Legislação sobre os agrotóxicos
Calibração
Preparo da Calda
Cuidados com embalagens de agroquímicos
Cuidados durante o preparo e aplicação dos produtos
fitosanitários
Com a promulgação da Lei 7.802, em 11 de julho de 1989, regulamentada
pelo Decreto 4.074, de 04 de janeiro de 2002, pode-se dizer que o Brasil
deu o passo definitivo no sentido de alinhar-se às exigências de qualidade
para produtos agrícolas reclamadas em âmbito doméstico e internacional.
A classificação dos produtos agrotóxicos é apresentada no
parágrafo único do art. 2º, sendo classificados de acordo com a toxicidade
em: classe I - extremamente tóxico (faixa vermelha); classe II - altamente
tóxica (faixa amarela); classe III - medianamente tóxica (faixa azul)
e classe IV - pouco tóxica (faixa verde).
O artigo 72 trata das responsabilidades para todos os envolvidos
no setor. São responsáveis, administrativa, civil e penalmente, pelos
danos causados à saúde das pessoas e ao meio ambiente, quando a produção,
a comercialização, a utilização e o transporte, não cumprirem o disposto
na legislação em vigor, na sua regulamentação e nas legislações estaduais
e municipais, as seguintes pessoas:
-
o
profissional, quando comprovada receita errada, displicente ou indevida
(caso de imperícia, imprudência ou negligência);
-
o
usuário ou o prestador de serviços, quando não obedecer o receituário;
-
o
comerciante que vender o produto sem receituário próprio ou em desacordo
com a receita;
-
o
registrante, isto é, aquele que tiver feito o registro do produto,
que, por dolo ou culpa, omitir informações ou fornecer informações
incorretas;
-
o
produtor que produzir mercadorias em desacordo com as especificações
constantes do registro do produto, do rótulo, da bula, do folheto
ou da propaganda;
-
o
empregador que não fornecer equipamentos adequados e não fizer a sua
manutenção, necessários à proteção da saúde dos trabalhadores ou não
fornecer os equipamentos necessários à produção, distribuição e aplicação
dos produtos;
Os agrotóxicos são produtos de ação biológica e visam defender
as plantas de agentes nocivos. Alguns, como os inseticidas, têm por fim
combater formas de vida animal e, como conseqüência, tendem a ser mais
perigosos para o homem. A avaliação toxicológica efetuada pelo Ministério
da Saúde antes do registro do produto visa permitir a comercialização
daqueles que, usados de forma adequada, não causem danos à saúde nem deixem
resíduos perigosos sobre os alimentos. Já a avaliação de impacto ambiental
realizada pelo IBAMA tem por objetivo permitir o uso apenas de produtos
compatíveis com a preservação do meio ambiente.
As classes de risco de toxicidade, caracterizadas pelas
faixas coloridas e por símbolos e frases, indicam o grau de periculosidade
de um produto, mas não definem de forma exata quais sejam esses riscos.
O conceito que as pessoas, geralmente, possuem do assunto é de que a toxicidade
oral aguda é o dado mais importante. Isso não corresponde à realidade,
pois raramente alguém ingere um produto. Na realidade, os maiores riscos
de intoxicação estão relacionados ao contato do produto ou da calda com
a pele. A via mais rápida de absorção é pelos pulmões; daí, a inalação
constituir-se em grande fator de risco. Assim, os trabalhadores que aplicam
rotineiramente agrotóxicos devem se submeter periodicamente a exames médicos.
A aplicação de agrotóxicos, tal como se conhece hoje, não
difere essencialmente daquela praticada há 100 anos, e se caracteriza
por um considerável desperdício de energia e de produto químico. O crescente
aumento nos custos dos produtos químicos, da mão-de-obra e da energia,
e a preocupação cada vez maior em relação à poluição ambiental, têm realçado
a necessidade de uma tecnologia mais acurada na colocação do produto químico,
bem como nos procedimentos e equipamentos adequados à maior proteção ao
trabalho.
Os equipamentos de aplicação de agrotóxicos devem ser regularmente
revisados e calibrados, o uso dos mesmos deve ser no momento certo e com
mão-de-obra treinada.
Para melhorar a qualidade e eficiência dos tratamentos e
reduzir o desperdício de produtos e contaminação do ambiente, os pulverizadores
devem ser calibrados periodicamente, utilizando-se equipamentos e métodos
reconhecidos internacionalmente.
Calibração
A calibração é fundamental para a correta aplicação de agrotóxicos.
Uma vez acoplado o pulverizador e abastecido com água, deve-se
verificar o funcionamento da máquina, se não há eventuais vazamentos,
e se os componentes estão funcionando a contento.
Equipar o pulverizador com bicos apropriados é um dos pontos
mais cruciais nesta fase. O pulverizador deve ser levado até o local de
trabalho e várias opções de bicos devem ser testadas para se decidir por
aquele que melhor atenda aos requisitos do tratamento, isto é, o que melhor
coloca o produto no alvo, sem perda por escorrimento nem por deriva.
Os componentes dos equipamentos que devem ser considerados
para melhorar qualidade e eficiência nos tratamentos fitosanitários, são
os seguintes:
Bicos - utilizar bicos de cerâmica, pela maior resistência, durabilidade
e qualidade de gotas. É considerado o principal órgão do pulverizador,
pois dele depende a vazão e a qualidade das gotas;
Filtro - utilizar filtros na entrada do tanque, antes da bomba
e antes dos bicos, para prevenir o desgaste e/ou entupimento. A limpeza
do filtro na entrada do tanque deve ser freqüente, no mínimo diário.
Agitadores - após a diluição dos produtos é necessário que, durante
a pulverização, a calda seja mantida homogeneizada, para uniformizar a
distribuição do produto na planta, e a vazão não deve ser superior a 80%
da capacidade da bomba. O agitador é indispensável quando se está trabalhando
com produtos de formulação pó molhável ou suspensão concentrada.
Manômetro - utilizado para aferir a pressão de saída da calda pelos
bicos. Os manômetros devem ter escala visível e serem banhados com glicerina,
para maior resistência. O manômetro comum apresenta problemas de durabilidade,
pois lhe falta robustez para suportar as árduas condições de trabalho
(vibração e líquido agressivo circulando no seu interior).
O preparo da calda pode ser realizado pela adição direta do produto
no tanque ou através de pré-diluição. Quando são utilizados produtos na
formulação líquida, podem ser adicionados diretamente no tanque com a
quantidade da água desejada. Para produtos na formulação de pó molhável,
é recomendado fazer pré-mistura, seguindo as etapas:
-
Dissolver
o produto em pequena quantidade de água, agitando-se até a completa
suspensão do produto;
-
Despejar
a suspensão no tanque, contendo aproximadamente dois terços do volume
de água a ser utilizada. Após, completar o volume. Quando usado mais
de um produto, deve ser seguida a recomendação para cada produto,
individualmente. Em alguns casos, a associação de produtos permite
a redução de dosagens dos mesmos.
-
Evitar
a contaminação ambiental - preserve a natureza;
-
Utilizar
equipamento de proteção individual - EPI (macacão de PVC, luvas e
botas de borracha, óculos protetores e máscara contra eventuais vapores).
Em caso de contaminação, substituí-lo imediatamente;
-
Não
trabalhar sozinho quando manusear produtos tóxicos;
-
Não
permitir a presença de crianças e pessoas estranhas ao local de trabalho;
-
Preparar
o produto em local fresco e ventilado, nunca ficando à frente do vento;
-
Ler
atentamente e seguir as instruções e recomendações indicadas no rótulo
dos produtos;
-
Evitar
inalação, respingo e contato com os produtos;
-
Não
beber, comer ou fumar durante o manuseio e a aplicação dos tratamentos;
-
Preparar
somente a quantidade de calda necessária à aplicação, a ser consumida
numa mesma jornada de trabalho;
-
Aplicar
sempre as doses recomendadas;
-
Evitar
pulverizar nas horas quentes do dia, contra o vento e em dias de vento
forte ou chuvosos;
-
Não
aplicar produtos próximo à fonte de água, riachos, lagos, etc.;
-
Não
desentupir bicos, orifícios, válvulas, tubulações com a boca;
-
Guardar
os produtos em embalagens bem fechadas, em locais seguros, fora do
alcance de crianças e animais domésticos e afastados de alimentos
ou ração animal;
-
Manter
o produto em sua embalagem original;
-
Não
reutilizar embalagens vazias.
É imprescindível fazer a tríplice lavagem e a inutilização das
embalagens, após a utilização dos produtos, não permitindo que possam
ser utilizadas para outros fins. É necessário observar a legislação para
o descarte de embalagens. As embalagens, após tríplice lavagem, devem
ser destinadas a uma central de recolhimento para reciclagem.

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