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A história da v iticultura nas regiões tropicais brasileiras compõe
um cenário que mescla o ceticismo e a ousadia inicial, a organização setorial,
os investimentos públicos e a evolução tecnológica na fase de implantação/consolidação,
a projeção nacional e internacional e o sucesso empresarial dos anos 1980
até meados da década de 1990 e a natural necessidade de ajustes das características
dos produtos ofertados às exigências do mercado consumidor, em constante
mudança.
Neste contexto, já em meados da década de 1980 alguns viticultores,
sobretudo aqueles pequenos e médios localizados na região noroeste do
Estado de São Paulo, sentiram a necessidade de buscar outras alternativas
varietais no sentido de ajustar a matriz produtiva, baseada principalmente
na variedade Itália e sua mutação Rubi às novas exigências, gostos e preferências
do mercado consumidor. Entre as diferentes alternativas possíveis havia
um interesse especial pela variedade Niágara Rosada, tanto pela boa aceitação
que tem no mercado consumidor brasileiro quanto pelo relativo baixo custo
de produção e possibilidade, neste caso, de produzir na entressafra das
tradicionais regiões produtoras, (Região Sul do Brasil e Leste Paulista).
Entretanto, as dificuldades no ajuste do manejo da variedade naquelas
condições tropicais, até então não estudado, inviabilizavam a sua exploração
comercial devido a baixa produtividade das plantas.
A partir do início da década de 1990, com a criação da Estação
Experimental de Viticultura Tropical (Jales-SP), vinculada ao Centro Nacional
de Pesquisa de Uva e Vinho da Embrapa, deu-se prioridade ao trabalho de
avaliação e adaptação de variedades americanas e híbridas com características
e potencial para virem a ser a alternativa então buscada pelos viticultores.
Os resultados obtidos evidenciaram, confirmando as expectativas, o potencial
da variedade Niágara Rosada. Como normalmente acontece na experimentação
agropecuária aplicada, a medida em que os resultados iam sendo obtidos
pela pesquisas eram gradualmente difundidos através de dias de campo,
palestras etc, o que justifica o fato de muitas das informações disponibilizadas
nesta obra já .se encontrarem incorporadas às práticas culturais nos diversos
pólos vitícolas nacionais como Jales-SP; Pirapora-MG; Marialva e Bandeirantes-PR e Primavera do Leste e Nova Mutum-MT.
Portanto, é com muita satisfação que a Embrapa Uva e Vinho
lança o presente Sistema de Produção para a "Cultura da Niágara Rosada
em Áreas Tropicais do Brasil", ciente da importância do mesmo para a cadeia
produtiva vitícola tropical brasileira, assumindo ao mesmo tempo o compromisso
de continuar avançando nas pesquisas de forma a, periodicamente, atualizar
estas informações dando ainda mais capacidade competitiva a esta importante
alternativa que ora colocamos à disposição dos viticultores.

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