Embrapa Embrapa Uva e Vinho
Sistema de Produção, 5
ISSN 1678-8761 Versão Eletrônica
Nov./2003
Cultivo da Videira Niágara Rosada em Regiões Tropicais do Brasil

Marcos Botton
Saulo de Jesus Soria
João Dimas Garcia Maia

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Insetos Pragas e seu Controle

Pragas
Ácaros
Coleobrocas
Vespas e Abelhas

Pragas

    As pragas mais comuns que atacam a cultivar Niágara Rosada cultivada sob clima tropical são as formigas cortadeiras (quenquéns e saúvas), cochonilhas subterrâneas e da parte aérea, coleobrocas, ácaros, vespas e abelhas.

Formigas Cortadeiras

    As formigas cortadeiras, tanto as saúvas (Atta spp.) quanto as quenquéns (Acromyrmex spp.) causam sérios danos à videira devido ao corte de folhas, brotos e cachos. O ataque de formigas é prejudicial em qualquer fase do ciclo, porém o dano é maior na fase de formação da planta, quando paralisa temporariamente o crescimento.

Controle: algumas espécies de quenquéns têm o hábito de forragear a noite, não deixando trilha que leve até os ninhos como fazem as saúvas. Estas formigas são mais facilmente controladas quando se localiza o ninho, porém, muitas vezes, como os mesmos não estão acompanhados dos montículos de terra, torna-se difícil à aplicação de formicidas de forma localizada. Dentre os principais métodos de controle de formigas, destacam-se as iscas formicidas e o emprego de inseticidas em pó.
    As iscas formicidas (Tabela 1) devem ser utilizadas diretamente da embalagem, distribuindo os grânulos ao lado dos carreiros, próximo aos olheiros. As espéciesde quemquéns não conseguem carregar, satisfatoriamente, as iscas do tamanho que se utiliza para as saúvas. A aplicação deve ser realizada com tempo seco para evitar que ocorra degradação dos grânulos devido a umidade. As iscas não devem ser armazenadas com outros produtos químicos nem tocadas diretamente com as mãos, sob o risco de perda de atratividade (formiga não carrega). Os inseticidas em pó (Tabela 1) devem ser aplicados diretamente nos ninhos, através de insufladores.
    Em algumas situações, quando não é possível localizar os ninhos e o ataque está ocorrendo, pode ser utilizado gel repelente (Eaton's) que deve ser aplicado ao redor do tronco, em faixas de 2 mm de largura visando impedir que as formigas subam para cortar as folhas. Este método não controla a formiga, apenas evita o dano até que o formigueiro seja localizado e controlado.


Tabela 1. Inseticidas empregados no controle de formigas cortadeiras.

Ingrediente ativo Nome Comercial Dose Formulação
Sulfluramida Mirex S S=8-10g/m2 formigueiro Isca
QQ=10-12g/formigueiro
Fluramim S=6-10g/m2 formigueiro Isca
QQ=10-30g/formigueiro
Formicida Gran.Dinagro-S S=6-10g/m2 formigueiro Isca
Formicida Gran.Pikapau-S S=6-10g/m2 formigueiro Isca
Isca Formicida Atta Mex-S S=6-10g/m2 formigueiro Isca
Isca Tamanduá Bandeira-S S=6-10g/m2 formigueiro Isca
Fipronil Blitz S=10g/m2; QQ=5g/form. Isca
Clorpirifós Isca Formicida Landrin QQ=8-10g/formigueiro Isca
Isca Formicida Pyrineus S=5-10g/m2 formigueiro Isca
Isca Formifos S=10g/m2 formigueiro Isca
Deltametrina K-Othrine 2 P S e QQ=10g/m2 formigueiro

S=Saúva; QQ=Quemquém


Cochonilhas-do-tronco

    As principais espécies de cochonilhas-do-tronco encontradas danificando a cultivar Niágara Rosada são a Hemiberlesia lataniae Signoret, 1869 e Duplaspidiotus fossor Newstead 1914 (Hemiptera: Diaspididae). Estas cochonilhas são semelhantes quanto ao tamanho e forma da carapaça, dificultando a identificação no campo. Praticamente não existem informações sobre a biologia destas cochonilhas na cultura da videira, o que dificulta o estabelecimento de medidas de controle no período que o inseto seria mais sensível (eclosão das ninfas).
    O ataque ocorre de forma agregada nos ramos velhos da parreira, abaixo do ritidoma (Figura 1). Ao se alimentarem, depauperam as plantas, podendo provocar a morte. No município de Jales, SP, tem sido observado maior índice de infestações de cochonilhas em trocos e ramos da cultivar Niágara Rosada quando a mesma é enxertada em IAC-766 e IAC 313 do que no porta-enxerto IAC-572.

Figura 1
Fig. 1. Infestação de cochonilhas em troncos de Niágara sobre o porta-enxerto IAC-766. (Foto: J.Dimas G. M.)

Controle: Nas situações em que ocorrem infestações elevadas do inseto, o controle químico é recomendado (Tabela 2), devendo-se associar ao inseticida um óleo emulsionável. Entretanto, como a cochonilha normalmente se localiza sob o ritidoma, dificultando o contato com os produtos aplicados, recomenda-se realizar previamente uma limpeza do tronco. Esta operação pode ser feita manualmente com escovas ou utilizando calda sulfocálcica a 4º Bé durante o inverno. Aproximadamente 30 a 45 dias após o tratamento com a calda, o ritidoma começa a se desprender, facilitando o contato do inseticida com as cochonilhas. O uso da calda sulfocálcica encontra restrições dos produtores devido à ação corrosiva sobre os arames do parreiral. Embora este assunto seja bastante controverso, no caso da aplicação no tronco, é possível utilizar uma haste com dupla saída (Figura 2), adaptada ao pulverizador costal, de modo a atingir os dois lados do caule, evitando o contato com o arame. O aplicador também pode ser utilizado para direcionar o tratamento das cochonilhas somente nas plantas infestadas. Após o uso da calda sulfocálcica, é importante lavar o equipamento de aplicação com uma solução de vinagre a 10% para retirar os resíduos da calda, evitando a corrosão.

Figura 2
Fig. 2. Haste de dupla saída adaptada para aplicação no tronco da videira. (Foto: M. Botton.)

    Embora não existam levantamentos de inimigos naturais destas cochonilhas nos parreirais, é comum encontrar as carapaças perfuradas devido à emergência de parasitóides. Por este motivo, é importante que o controle químico da cochonilha seja direcionado somente para as plantas infestadas, visando preservar as espécies benéficas presentes no parreiral.


Tabela 2.
Inseticidas registrados no Ministério da Agricultura e do Abastecimento para o controle das principais pragas da videira. Bento Gonçalves, RS, 2003.

Praga Inseticida Dose (mL/100 L) Carência (dias) Classe toxicológica
Ingrediente ativo Produto comercial
Cochonilha branca Pseudococcus Paratiom metil + óleo emulsionável Bravik 600 CE 100 15 I
Folidol 600 I
Folisuper I
Fenitrotiom + óleo emulsionável Sumithion 500 150 14 II
Óleo emulsionável Iharol 500 a 1000 SR IV
Triona 500 a 1000 SR IV
Hemiberlesia lataniae e Duplaspidiotus fossor Paratiom metil Bravik 600 CE 100 15 I
Folidol 600 I
Folisuper I
Ácaro branco Polyphagotarsonemus latus Enxofre Kumulus 200 a 400 SR IV
Thiovit 200 a 400 SR IV
Abamectin Vertimec 18 CE 80 a 100 28 III
Ácaro rajado Tetranychus urticae Abamectin Vertimec 18 CE 80 a 100 28 III


Cochonilhas de solo

    As principais cochonilhas de solo que atacam a cultura da videira são a pérola-da-terra Eurhizococcus brasiliensis (Hemiptera: Margarodidae) e a cochonilha branca Pseudococcus sp. (Hemiptera: Pseudococcidae) embora esta última também seja encontrada na parte aérea das plantas.
    A pérola-da-terra, Eurhizococcus brasiliensis (Hempel, 1922) (Hemiptera: Margarodidae), é uma cochonilha subterrânea que ataca raízes de plantas cultivadas e silvestres. O inseto somente é prejudicial na fase jovem (ninfas), visto que os adultos são desprovidos de aparelho bucal. A cochonilha reproduz-se através de partenogênese telítica facultativa apresentando uma geração por ano na cultura da videira.
    A sucção da seiva efetuada pelo inseto nas raízes provoca um definhamento progressivo da videira, com redução da produção e conseqüente morte das plantas. No caso de novos plantios, no primeiro ano o vinhedo desenvolve-se normalmente; a partir do segundo ano, a brotação é fraca e desuniforme, ocorrendo a morte das plantas geralmente no terceiro ano. Plantas adultas, normalmente demoram mais para morrer por possuírem o sistema radicular mais desenvolvido.

Controle: em plantios novos, o ideal é escolher áreas não infestadas pela pérola-da-terra. Entretanto, caso isto não seja possível, as seguintes medidas são recomendadas:

  • Fazer análise do solo, corrigir e adubar a área de acordo com as recomendações para a cultura utilizando sempre que possível adubo orgânico.

  • Realizar um preparo profundo do solo, inclusive com subsolagem, de modo a permitir que as raízes tenham um bom desenvolvimento.

  • Utilizar mudas de boa procedência e livres de viroses. A ausência de viroses auxilia no desenvolvimento das plantas resultando em maior tolerância ao ataque da praga.

  • Utilizar porta-enxertos mais resistentes à pérola-da-terra como o 39-16 e o 43-43. Mesmo com o emprego destes porta-enxertos, o controle químico é necessário principalmente nos primeiros anos de plantio.

  • Controlar as plantas invasoras hospedeiras do inseto como a língua-de-vaca ( Rumex sp.) presentes no parreiral. Estas plantas servem de reservatório natural do inseto na área, contribuindo para aumentar a infestação.

  • Nos primeiros anos, caso o produtor queira cultivar outras espécies para aproveitar o terreno no interior do parreiral, deve utilizar culturas anuais não hospedeiras da praga, como o alho e o feijão É comum produtores cultivarem espécies como a batata-doce ( Ipomoea batatas ) ou plantarem figueiras ou roseiras nas bordas, visando aproveitar o espaço. Estas espécies auxiliam a aumentar a população da praga na área, sendo responsáveis pela reposição do inseto que atacará as plantas de videira.

    O controle químico recomendado para o controle do inseto encontra-se na Tabela 3.


Tabela 3.
Inseticidas recomendados para o controle da pérola-da-terra Eurhizococcus brasiliensis na cultura da videira.

Inseticida Idade das plantas Dose (g produto comercial/planta) Classe Toxicológica Carência (dias)
Ingrediente ativo Produto Comercial
Thiamethoxan Actara 10 GR 1 ano 12-20 IV 45
2 anos 20-30
3 anos 30-40
Imidacloprid Premier 700 GrDA 1 ano 0,2-0,3 IV 60
2 anos 0,3-0,5
3 anos 0,5-0,8

   Os inseticidas devem ser aplicados no solo, durante o mês de novembro, período em que inicia o ataque das ninfas primárias às raízes da videira. Em situações de alta infestação, a dosagem recomendada pode ser dividida em duas, aplicando-se em novembro e janeiro. O índice de controle da praga reduz conforme aumenta a idade das plantas. Por isso, é fundamental estabelecer um programa de controle do inseto na propriedade a partir do primeiro ano de plantio. O thiamethoxan, na formulação grânulos dispersíveis em água devem ser diluídos em água e regados no solo, na região onde encontra-se o sistema radicular, aplicando-se de dois a quatro litros de calda por planta. Quando o inseto encontra-se atacando plantas adultas, a redução na população da praga é gradual, devendo-se controlar o inseto por mais de uma safra. Em casos de infestação elevada, é conveniente replantar as mudas, aplicando o programa de tratamento recomendado para plantas novas.
    Os produtos devem ser aplicados quando as plantas estão em plena atividade, evitando-se períodos de estiagem. É importante eliminar as invasoras que estão próximas às plantas a serem tratadas para evitar que as mesmas absorvam o inseticida, reduzindo o controle. Evitar o emprego de cama-de-aviário com presença de serragem ou maravalha antes da aplicação dos produtos, pois a mesma adsorve os inseticidas reduzindo o efeito do tratamento.
    Caso o inseto não esteja presente na propriedade, adotar as seguintes medidas para impedir que a praga seja introduzida:

  • Evitar a utilização de mudas com torrão para uso doméstico de espécies hospedeiras como flores, fruteiras e condimentos provenientes de áreas infestadas.

  • Ao comprar mudas de videira, utilizar as de raiz nua, que devem ser lavadas para verificar a presença da pérola-da-terra. Em caso de dúvida quanto à presença do inseto, as mudas podem ser tratadas com fosfina para eliminar o inseto, na dosagem de uma pastilha de 3 g/m3 por 72 horas (Dal Bó & Crestani, 1988) ou methidatiom (0,01%) conforme Hickel et al. (2001).

  • Providenciar a limpeza dos equipamentos provenientes de locais onde o inseto encontra-se presente antes de utilizá-los na propriedade.


Cochonilha branca - Pseudococcus spp. (Hemiptera: Pseudococcidae)

    Este grupo é chamado de cochonilha branca em função da cera pulverulenta que recobre o corpo dos insetos, dando aspecto algodonoso (Figura 3). São de pequeno tamanho, vivendo de forma agregada sobre folhas, frutos, ramos e brotos podendo também afetar as raízes. Devido ao tamanho reduzido e hábito de vida, localizando-se nas raízes ou interior dos cachos, estes insetos têm passado de forma desapercebida pelos produtores, principalmente quando estão em pequeno número. Quando a população encontra-se elevada nos pomares são facilmente percebidas, pois em função da secreção açucarada que liberam verifica-se a presença de formigas doceiras associadas ao inseto, podendo dar origem a fumagina, que deprecia comercialmente os frutos. As espécies presentes nos parreirais do Brasil ainda não foram estudadas quanto a bioecologia, sendo que o principal gênero relatado em videira é o Pseudococcus.

Figura 3
Fig. 3. Cochonilha branca em raízes de videira (Foto: M.Botton)

Controle: Em situações de alta infestação, empregar os produtos indicados na Tabela 2. É comum encontrar parasitóides associados às cochonilhas. Por este motivo, o controle químico deve ser direcionado somente para as plantas infestadas, visando preservar as espécies benéficas presentes no parreiral.

Ácaros

Os ácaros que atacam a videira têm sido mais prejudiciais em regiões tropicais onde o clima é seco, favorecendo a multiplicação. As espécies mais freqüentes associadas à cultura são as seguintes:


Ácaro branco Polyphagotarsonemus latus (Banks, 1904) (Acari: Tarsonemidae)

    O ácaro branco é uma praga polífaga e cosmopolita, possui tamanho reduzido (machos e fêmeas medem aproximadamente 0,17 mm e 0,14 mm de comprimento, respectivamente), dificilmente visualizados a olho nu. O macho, mesmo sendo menor que a fêmea, possui o hábito de carregar a pupa desta para acasalamento no momento da emergência. Os ovos são depositados isoladamente na face inferior das folhas. O ataque ocorre somente nas folhas novas da videira, não havendo presença de teias.
    O ataque do ácaro branco resulta num encurtamento dos ramos da videira como resultado da alimentação contínua das folhas novas. Em situações de elevada infestação, as folhas ficam coriáceas e quebradiças podendo ocorrer a queda das mesmas. O ataque é mais importante em plantas novas, tanto em mudas como nos porta-enxertos, visto que a praga reduz o desenvolvimento, atrasando a formação do parreiral (Figura 4).

Figura 4
Fig. 4. Sintomas de infestação do ácaro branco. (Foto: J. Dimas G.M.)

    Nas situações de elevada infestação, o controle deve ser realizado com acaricidas específicos. O ácaro branco também é sensível ao enxofre, devendo-se direcionar o tratamento às brotações novas. Entretanto, o uso do enxofre pode causar fitotoxicidade à cultura.


Ácaro rajado Tetranychus urticae (Koch, 1836) (Acari: Tetranychidae)

    A espécie é considerada como uma das mais importantes pelos inúmeros hospedeiros que possui e sérios prejuízos que causa em diferentes culturas. O principal efeito do ataque deste ácaro é a queda parcial ou total das folhas, resultando numa menor produtividade ou na depreciação da uva. Isto ocorre devido ao fato deste ácaro raspar a epiderme das folhas, alimentando-se do conteúdo celular das partes do vegetal atacado. O ácaro rajado mede cerca de 0,5 mm de comprimento, possui coloração amarelo-esverdeada com duas manchas escuras no dorso do corpo. Vive principalmente na página inferior das folhas e tece teia (Figura 5). Altas temperaturas e ausência de chuvas favorecem o desenvolvimento da praga.
    Os sintomas de ataque iniciam como pequenas áreas cloróticas nas folhas, entre as nervuras principais, posteriormente, o local de ataque fica necrosado. Na página superior das folhas correspondente às lesões, surgem tons avermelhados. Altas infestações podem causar desfolhamento e também ataque aos cachos, causando bronzeamento das bagas.
    O ácaro rajado deve ser controlado eliminando-se as plantas daninhas hospedeiras da praga presentes no parreiral antes da brotação da videira. Na região sul do Brasil, tem sido comum os produtores utilizarem a ervilhaca como cobertura morta no interior do parreiral, realizando a dessecação no início da brotação. Os ácaros presentes nesta planta acabam migrando para a videira, causando danos à cultura. Outra prática que deve ser evitada é o emprego exagerado de adubos nitrogenados, visto que plantas com altos teores de nitrogênio favorecem o desenvolvimento da praga. Evitar o emprego de produtos pouco seletivos aos inimigos naturais, principalmente inseticidas piretróides, que provocam aumento na população do ácaro. Ao utilizar o controle químico (Tabela 2) as aplicações devem ser direcionadas para a face inferior das folhas.

Figura 5
Fig. 5. Ácaro rajado. (Foto: E. Hickel)

Coleobrocas

    As espécies Dolichobostrychus augustas, Micrapate brasiliensis e Xylopsocus capucinus tem sido as principais brocas encontradas atacando videira em São Paulo. O adulto é um besouro de aproximadamente 3 a 5 mm de comprimento, coloração marrom, com a extremidade dos élitros truncadas abruptamente e finamente pontuda. As larvas são esbranquiçadas e se transformam em pupa no interior das galerias que abrem. A presença do inseto fica evidenciada pelo aparecimento de goma junto ao furo de entrada da galeria (Figura 6). Pode causar destruição total ou parcial da planta, além de facilitar a entrada de microorganismos que causam o apodrecimento de ramos e tronco. Quando a infestação é alta pode causar a morte de ramos e até da planta devido a obstrução da passagem de seiva. Não existem medidas de controle eficazes para o controle das brocas. Recomenda-se manter as plantas em equilíbrio, retirar do vinhedo os restos de poda infestados queimando-os e, caso se consiga detectar o inicio do ataque, aplicar inseticidas fosforados de forma localizada.

Figura 6
Fig. 6. Perfurações no caule por larvas de coleobrocas.
(Foto: J. Dimas G.M.)

Vespas e Abelhas

    Vespas e abelhas são insetos benéficos ao homem, porém, devido à escassez de alimentos durante o verão, acabam indo buscá-lo nos cachos de uva em maturação. As vespas ou marimbondos possuem mandíbulas bem desenvolvidas e rompem a película das bagas para sugar o suco que, ao extravasar, atrai grande quantidade de abelhas. As abelhas acabam afugentando as vespas da baga rompida, levando-as a romper outra baga em seguida, até secar todo o cacho (Figura 7). As principais vespas e abelhas que atacam a videira são Apis mellifera, Polistes spp. Polybia spp. e Synoeca syanea, Trigona spinipes.

Figura 7
Fig. 7. Bagas atacadas por abelhas. (Foto: J. Dimas G.M.)

    O ataque de vespas e abelhas aos cachos de uva deve-se à falta de alimento (floradas) no período de maturação da uva. Estes insetos, preferem néctar a qualquer exudato adocicado, sendo a primeira fonte de alimento flores e não frutos. A falta de floradas está associada à ausência de matas nativas próximas aos parreirais, que forneceriam flores durante os meses de verão. Outra situação comum, é a falta de planejamento dos apicultores, que muitas vezes, superpovoam as áreas próximas aos vinhedos.

Controle: Cultivo nas áreas marginais aos vinhedos de plantas que florescem no mesmo período de maturação da videira para suprir as abelhas de alimento no período critico de ataque.
    As áreas próximas aos parreirais devem ser reflorestadas com espécies como eucalipto, angico, canela lageana e sassafrás, louro, pau marfim, cambuim, maricá, fedegoso, carne de vaca, palmeiras e butiás, ampliando a fonte de alimento para estas espécies. Também pode ser fornecido alimento artificial às abelhas em comedouros coletivos.
    Quando possível, ensacar os cachos de uva próximo à colheita. Em último caso, empregar fungicidas repelentes às abelhas, como o captan.
    A destruição dos ninhos de vespas e abelhas, normalmente localizados em árvores e cupinzeiros abandonados, deve ser feita com muito critério, pois as mesmas são valiosas auxiliares na predação de pragas e polinização de culturas.

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