Embrapa Embrapa Uva e Vinho
Sistema de Produção, 8
ISSN 1678-8761, Versão Eletrônica
Dez.2005
Uvas Sem Sementes
Cultivares BRS Morena, BRS Clara e BRS Linda
Loiva Maria Ribeiro de Mello
Produção e comercialização de uvas

    A produção mundial de uvas (processamento e mesa) atingiu 64 milhões de toneladas em 2002, segundo dados da FAO. Em 2000, cerca de 13 milhões de toneladas foram destinadas ao consumo in natura, com crescimento de 10% em relação a 1990. Nesse mesmo período, a Ásia apresentou um crescimento de 14%, enquanto a Europa produziu 15% a menos. A Ásia produziu, em 2000, 49% da uva de mesa mundial, a Europa 23%, a América 14%, a África 12% e a Oceania os restantes 2% (Di Lorenjo, 2003).
    Em 2002, os principais países exportadores de uvas de mesa, segundo a FAO, foram Chile, Itália, Estados Unidos e África do Sul com, 654.932, 480.562, 370.947 e 207.491 toneladas exportadas, respectivamente. Segundo Di Lorenjo (2003), as cultivares Thompson Seedless e Flame Seedless (sem sementes) e Red Globe (com sementes) representam cerca de 75% das exportações mundiais do Chile, Estados Unidos (Califórnia) e Itália. A 'Red Globe', mesmo com sementes, tem aumentado a produção tanto pelo seu aspecto (boa aceitação no mercado) como pela alta produtividade.
    O cultivo de uvas sem sementes predomina no Chile, na África do Sul e nos Estados Unidos (Califórnia). No Brasil, o cultivo de uvas sem sementes é recente, abrange ainda uma pequena área destinada à exportação (estimativa de 2500 ha), concentrada na região do Vale do Rio São Francisco.
    Em 2003, foram produzidas 1.054.934 t de uvas. Nesse ano, cerca de 60% da uva produzida no Brasil foi destinada ao consumo in natura. Historicamente o Brasil destinava a maior parte da produção de uvas para processamento, no entanto, a partir de 2001 a situação se reverteu (Tabela 1). Enquanto a produção mundial de uvas de mesa cresceu 10% no período 1990-2000, no Brasil houve um acréscimo de 29%, sinalizando o potencial de produção de uvas de mesa tanto destinado ao mercado interno como para a exportação. A área de uvas no Brasil em 2003, segundo IBGE, foi de 68.323 ha. Observa-se que houve um crescimento médio de, aproximadamente, 3,5% ao ano, na área plantada com videiras, no período de 2000 a 2003 (Tabela 2).

Tabela 1. Produção, importação, exportação e consumo de uvas no Brasil, em toneladas, 1990/2003.

Ano Produção Exportação Importação Consumo in natura
Total Processamento Mesa
1990 786.218 7490.930 295.288 1.845 14.682 308.125
1991 648.026 339.369 308.657 2.882 12.131 317.906
1992 800.112 398.089 402.023 6.877 4.786 399.932
1993 785.958 401.472 384.486 12.552 4.508 376.442
1994 800.609 450.561 350.048 7.092 8.384 351.340
1995 836.545 455.772 380.773 6.786 23.891 397.878
1996 730.885 313.331 417.554 4.516 58.817 442.945
1997 855.641 414.485 441.156 3.705 23.222 460.673
1998 736.470 348.523 387.947 4.405 26.492 410.034
1999 868.349 469.870 398.479 8.083 8.599 398.870
2000 978.577 549.306 429.271 14.343 9.903 424.831
2001 1.062.817 469.098 593.719 20.660 7.457 580.516
2002 1.120.574 506.799 613.775 26.357 11.003 598.421
2003 1.054.834 425.946 628.888 37.601 7.612 598.899

*Dados estimados pelo autor com base em estatísticas disponíveis

Tabela 2. Área plantada de videiras no Brasil, em hectares.

Estado/Ano 2000 2001 2002 2003
Pernambuco 2.946 3.735 3.365 3.423
Bahia 2.238 2.768 2.732 2.911
Minas Gerais 804 843 952 903
São Paulo 10.425 11.128 12.152 12.398
Paraná 5.758 6.168 6.000 6.500
Santa Catarina 3.016 3.487 3.514 3.671
Rio Grande do Sul 34.156 34.682 36.668 38.517
Brasil 59.343 62.811 65.381 68.323

Fonte: IBGE

    Em São Paulo é expressiva a produção de uvas de mesa, assim como no Vale do São Francisco (Pernambuco e Bahia) e no Paraná. As principais cultivares de uvas finas de mesa produzidas nos principais pólos produtores são a Itália, Rubi, Benitaka e Red Globe, todas com sementes. No final da década de 90, com a definição de um sistema de produção adequado às variedades de uvas sem sementes que são produzidas mundialmente, o Vale do São Francisco iniciou a comercialização da cultivar Superior (Festival), cuja produção média anual por ano (duas safras) gira em torno de 20 t/ha. Além dessa cultivar, estão sendo cultivadas as cvs. Crimson Seedless e Thompson Seedless.
    O período de oferta de uvas finas para mesa, no Brasil, abrange os doze meses do ano com oscilações de períodos de maior ou menor oferta. No Vale do São Francisco, a oferta se dá em todos os meses do ano, enquanto em outras regiões há uma concentração em alguns meses (Fig. 1), cabendo destacar a região noroeste de São Paulo e norte de Minas Gerais, nas quais a oferta de uvas se dá nos meses de julho a outubro, meses de maior escassez no mercado.

Figura 1. Período de oferta de uvas de mesa finas por região produtora. (Fonte: Camargo, U.A.)

    Para suprir o mercado interno na época de escassez de oferta, o Brasil importa uva, especialmente a cultivar Thompson (sem sementes), proveniente do Chile. No período 1995 a 1998 (Tabela 1), a quantidade de uvas importadas foi bastante expressiva, provavelmente em decorrência da abertura do mercado e do maior poder aquisitivo do consumidor brasileiro naquele período. A partir de 1999, as importações apresentaram grandes reduções e as exportações brasileiras de uvas mostraram uma tendência de crescimento expressiva.
    O consumo anual per capita de uvas in natura no Brasil gira em torno de 3,40 kg, semelhante ao da França, 3,50 kg, e ao da Califórnia, 3,45 kg. As uvas sem semente alcançam preços atrativos no mercado internacional. Para exemplificar, na Califórnia, o preço alcança de 3 a 4 dólares o quilo, e os produtores brasileiros estão exportando as uvas sem sementes por cerca de 3 dólares o quilo.
    No mercado interno, a cultivar Thompson Seedless, importada, atinge os maiores preços de uva no Ceagesp como pode ser observado na Fig. 2. Comparativamente à cv. Itália (com sementes), produzida no Brasil, a cv. Thompson atinge preços de 4,5 a 6,0 vezes superiores. Obviamente a quantidade ofertada desta última é bastante inferior (Fig. 3), no entanto, mesmo comparando a Thompson com a Benitaka (com sementes), no período em que essas cultivares participaram do mercado com quantidades semelhantes (fevereiro a maio), os preços da uva sem sementes representam o dobro da uva com sementes.

Figura 2. Preço médio de algumas cultivares de uvas finas de mesa, no CEAGESP, período de 2000 a 2002
 
Figura 3. Quantidade média de uvas finas de mesa comercializada no CEAGESP, período de 2000 a 2002.
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