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Custo e rentabilidade
Produção e mercado
Referências
Expediente
Autores |
A videira, a não ser em casos especiais, não pode ser cultivada
satisfatoriamente sem alguma forma de suporte. É uma planta que apresenta
uma grande diversidade de arquitetura de seu dossel vegetativo e das partes
perenes. A distribuição espacial desse dossel, do tronco e dos braços,
juntamente com o sistema de sustentação, constituem o sistema de condução
da videira.
Latada
Espaldeira
Há vários fatores que influenciam a tomada de decisão para a escolha
de um sistema de condução: a) o objetivo da produção (qualidade x quantidade);
b) a variedade, especialmente no que se relaciona ao hábito de frutificação,
que pode exigir poda em cordão esporonado ou mista, neste caso deixando
varas e esporões; tamanho do cacho; vigor da planta, que pode requerer
altura e/ou largura maiores para uma melhor exposição ao sol; c) as condições
do solo e do clima; d) a topografia do terreno; e) o método de colheita,
manual ou mecânico; f) o custo de instalação e de manutenção dos postes
e fios; g) a conjuntura econômica/rentabilidade do viticultor; h) a tradição.
Há uma diversidade muito grande de sistemas de condução
da videira utilizados nas diferentes regiões vitícolas do mundo. Para
o Sistema de Produção de Uvas Viníferas para Processamento em Regiões
de Clima Temperado, são abordados os sistemas de condução latada e
espaldeira.
O sistema de condução latada é também chamado de pérgola. É o sistema
mais utilizado na Serra Gaúcha, RS e no Vale do Rio do Peixe, SC. Na América
do Sul tem alguma expressão na Argentina, Chile e Uruguai. Na Europa,
aparece em determinadas regiões vitícolas, especialmente na Itália, com
denominações e formas diferenciadas.
O dossel é horizontal e a poda é mista ou em cordão esporonado,
conforme a variedade de videira. As varas são atadas horizontalmente aos
fios do sistema de sustentação do vinhedo. As videiras são alinhadas em
fileiras distanciadas geralmente de 2,00 a 3,00 m, sendo 2,50 m o mais
usual. A distância entre plantas é de 1,50 a 2,00 m, conforme a variedade
e o vigor da videira. A zona de produção da uva situa-se a aproximadamente
1,80 m do solo. A carga de gemas também é variável, sendo em geral de
100 mil a 140 mil gemas/ha.
Principais
Vantagens
- Proporciona
o desenvolvimento de videiras vigorosas, que podem armazenar boas quantidades
de material de reserva, como o amido;
- Permite
uma área do dossel extensa, com grande carga de gemas. Isto proporciona
elevado número de cachos e alta produtividade;
- Em função
de sua produtividade, possui uma boa rentabilidade econômica especialmente
em pequenas propriedades;
- É de fácil
adaptação à topografia de regiões montanhosas, como a Serra Gaúcha e
o Vale do Rio do Peixe;
- Facilita
a locomoção dos viticultores, que pode ser feita em todas as direções.
Principais
Desvantagens
- Os custos
de implantação e de manutenção do sistema de sustentação são elevados;
- A posição
do dossel e dos frutos situados horizontalmente acima do trabalhador
causa transtornos à execução das práticas culturais;
- A posição
horizontal do dossel e o vigor excessivo das videiras podem causar sombreamento,
afetar negativamente o microclima, a fertilidade das gemas e a qualidade
da uva e do vinho;
- O elevado
índice de área foliar, se o dossel não for bem manejado, pode proporcionar
maior umidade na região dos cachos e das folhas, o que favorece o aparecimento
de doenças fúngicas;
- O sistema
de sustentação necessita ser sólido para suportar o peso do dossel e
da produção e o impacto do vento;
- A área
máxima recomendada de cada parcela de um vinhedo conduzido em latada
é de 4 ha.
O manejo do dossel de um vinhedo conduzido em latada pode se tornar
relativamente dispendioso se o número de varas e de esporões não for condizente
com as características da cultivar, o vigor das plantas e a densidade
de plantio. Nesse caso, há necessidade de realizar a poda verde, especialmente
a desbrota, a desfolha e a desponta, a fim de que haja uma melhor distribuição
espacial das folhas e uma maior captação da radiação solar.
O sistema de sustentação deve ser suficientemente resistente, durável
e ter custos acessíveis de instalação e de manutenção ao empreendimento.
O sistema de sustentação deve suportar o peso da uva, dos braços, dos
ramos e folhas. Além disso, deve-se considerar o impacto de acidentes
durante as operações no vinhedo e os efeitos de ventos e de chuvas muito
intensas. Ele é formado por postes e fios que podem ter especificações
variadas.
Postes
Os postes devem ter algumas características especiais para serem
utilizados nos sistemas de sustentação. Eles devem ser a) resistentes,
para suportar o peso do dossel vegetativo e da produção de uva; b) duráveis,
de preferência durante todo o tempo de vida da planta; e c) enterrados
a uma profundidade adequada para que não caiam sob o efeito de chuvas
e de ventos intensos.
Eles podem ser de madeira, metálicos, de pedra ou de concreto.
Os de madeira são os mais usados, mas devem ter resistência aos fungos
e insetos que atacam a madeira. Em geral utiliza-se o eucalipto, que tem
fraca resistência natural mas pode tornar-se excelente quando tratado.
Para isso, deve-se a) utilizar postes redondos; b) secá-los de 3 a 6 meses
antes do tratamento; c) tirar a casca e fazer uma ponta em uma das extremidades;
d) tratá-los com produto recomendado para sua conservação e que substitui
a seiva, inicialmente fazendo-se vácuo e após, pressão. Os produtos usados
são sais metálicos à base de cobre, de cromo e de arsênio (CCA), o que
exige cuidado com seu manuseio. O creosoto é um outro produto que também
apresenta uma eficácia muito boa. De qualquer forma, é importante que
o viticultor tenha certeza que o tratamento foi bem realizado, a fim de
evitar sérios transtornos operacionais e econômicos mais tarde. Isso pode
ser feito cortando-se o poste a uns 20 cm da extremidade e verificar se
no corte transversal há coloração cinza-esverdeada em toda sua extensão.
Atualmente, pode-se adquirir postes tratados de empresas especializadas
nesse trabalho, mas elas têm de ser idôneas.
Os postes de pedra e de concreto são muito resistentes,
especialmente os de pedra. Mas são pesados e difíceis de serem manipulados,
são quebradiços e apresentam certa dificuldade para a instalação dos fios.
Os postes metálicos são muito utilizados nos principais países vitivinícolas.
Eles são facilmente colocados nos solos não pedregosos e permitem uma
fixação rápida dos fios de sustentação da vegetação. São flexíveis, mas
precisam ser firmemente inseridos no solo para evitar que se inclinem
com a ação de ventos fortes. Sua longevidade depende do material de que
são feitos e do material de revestimento. Em geral são galvanizados, o
que aumenta sua longevidade e permite uma boa relação preço/longevidade.
No sistema de condução latada, há os seguintes tipos de
postes: cantoneiras, cabeceiras, laterais, internos e rabichos. As cantoneiras
são postes reforçados, colocados nas quatro extremidades do vinhedo. Em
geral, devem medir 3,00 m de comprimento e ter um diâmetro de 16 a 18
cm (Figura 1). Além dos postes, há os tutores.
 |
| Fig.
1. Sistema de condução da videira em latada, especificando
postes e fios. Postes - a) cantoneira; b) lateral; c) interno; d)
rabicho; Fios - e) cordão primário de cabeceira; f) cordão primário
lateral; g) fio da produção; h) fio da vegetação; i) fio de sustentação
da malha; j) fio rabicho. (Ilustração: A. Miele) |
As cabeceiras são postes externos que limitam o início e o fim
das fileiras. Os laterais, são igualmente postes externos mas colocados
nas laterais do vinhedo. Ambos devem ser reforçados. Em princípio, são
feitos com os mesmos materiais das cantoneiras e devem medir cerca de
2,50 m de comprimento e ter de 12 a 14 cm de diâmetro. O espaçamento entre
as cabeceiras é determinado pela distância entre as fileiras e o dos laterais
deve ser de 5,00 m no máximo. As cantoneiras, as cabeceiras e os laterais
podem se colocados verticalmente ou oblíquos para fora do vinhedo, dependendo
das condições de solo e do tipo de rabicho a ser utilizado.
Os postes internos devem medir 2,20 m de comprimento e ter
um diâmetro de 7 a 10 cm. Eles são colocados no cruzamento dos fios da
produção e os de sustentação da malha. Deve-se fazer uma canaleta na extremidade
superior para apoiar o fio de sustentação da malha.
Os rabichos devem ser colocados oblíquos e externamente
a 1,50 m das cantoneiras, das cabeceiras e dos laterais. Medem 1,20 m
de comprimento e são feitos de pedra, concreto ou ferro, atados a esses
postes com um cordão de três fios, o que permite manter o aramado esticado.
O material necessário para a formação de um vinhedo na forma
de quadrado e conduzido em latada varia conforme as características do
desenho idealizado. A seguir, enumeram-se os postes necessários para a
formação de um hectare de vinhedo com as seguintes especificações: a)
distância entre fileiras - 2,50 m; b) distância entre plantas - 1,50 m;
c) distância entre os laterais -5,00 m; d) distância entre os postes internos
- 5,00 m; e) um fio da produção e quatro fios da vegetação por fileira
(Tabela 1).
Tabela
1. Especificações e número de postes para
formar um hectare de vinhedo na forma de quadrado e conduzido em latada.
| Tipo
de poste |
Comprimento
(m) |
Diâmetro
(cm) |
Número
de peças |
| Cantoneira |
3,00 |
16
a 18 |
4 |
| Cabeceira |
2,50 |
12
a 14 |
78 |
| Lateral |
2,50 |
12
a 14 |
38 |
| Interno |
2,20 |
7
a 10 |
741 |
| Rabicho |
1,20 |
15 |
124 |
Fórmula
para determinar o número de cabeceiras e de laterais necessários:
[(comprimento
da latada ÷ espaçamento dos postes laterais) -1] x 2 +
[(largura da latada ÷ espaçamento dos postes cabeceira) -1] x 2
Fórmula
para determinar o número de postes internos:
[(comprimento
da latada ÷ espaçamento dos postes laterais) -1] x
[(largura da latada ÷ espaçamento dos postes cabeceira) -1]
Arames
Os cordões, fios e acessórios utilizados na formação de vinhedos
devem ser especiais para a finalidade desejada. São produtos com galvanização
pesada, o que implica numa maior vida útil do aramado devido à maior proteção
contra a ferrugem e à maior resistência mecânica. Além disso, apresentam
menor coeficiente de alongamento, isto é, aumentam pouco seu comprimento
quando a temperatura se eleva ou são tracionados pelo peso dos frutos
e da vegetação.
O aramado é formado por cordões de cabeceira e cordões laterais
e por fios da produção, da folhagem e dos rabichos (das cantoneiras, das
cabeceiras e dos laterais). Os cordões de cabeceira são dois, interligando
as cantoneiras de duas extremidades do vinhedo e os postes de cabeceira
situados entre eles. Os cordões laterais também são dois, colocados perpendicularmente
aos cordões de cabeceira e interligando as cantoneiras de duas cabeceiras
do vinhedo e unindo os postes laterais. Ambos geralmente são formados
por sete fios enrolados helicoidalmente e revestidos por uma camada de
alumínio pesada.
Os fios de sustentação da malha são colocados perpendicularmente
às fileiras das plantas e paralelamente aos cordões de cabeceira. Eles
unem os postes laterais de ambos os lados do vinhedo, passando pelos postes
internos. São formados por três fios, com um diâmetro total de 4,00 mm.
Os fios da produção unem os postes das duas cabeceiras do
vinhedo e têm a finalidade de sustentar a cabeça da videira, quando ela
é podada em poda mista, ou os cordões, quando a poda é em cordão esporonado.
Utilizam-se fios ovalados 15 x 17 (2,40 mm x 3,00 mm).
Os fios da vegetação unem os dois cordões de cabeceira e
são paralelos aos fios da produção. Utilizam-se fios de 2,10 mm de diâmetro.
Tanto os fios da produção como os fios da vegetação passam por cima dos
fios de sustentação. Geralmente colocam-se quatro fios da vegetação para
cada fio da produção, dois de cada lado e distanciados cerca de 50 cm
um do outro, dependendo da distância entre as fileiras.
Os postes de cabeceira e laterais são amarrados aos rabichos
correspondentes através de fios. Para as cantoneiras, utilizam-se dois
cordões com três fios cada e para as cabeceiras e os laterais, um cordão
com três fios. O cordão deve ter cerca de 4,00 mm de diâmetro.
As características dos diferentes tipos de fios que podem
ser utilizados no sistema de sustentação de um vinhedo conduzido em latada
são descritas na Tabela 2. Além da cordoalha e dos fios, são necessários
acessórios para o acabamento do aramado.
Tabela
2. Características do aramado para a formação de um hectare de
vinhedo conduzido em latada.
| Fio |
Número
de fios |
Carga
mínima de ruptura (kgf) |
Diâmetro
(mm) |
Quantidade
(m) |
| Cordão
de cabeceira |
7 |
2.500 |
6,4 |
210 |
| Cordão
lateral |
7 |
2.500 |
6,4 |
210 |
| Fio
de sustentação da malha |
3 |
1.000 |
4,0 |
1.920 |
| Fio
da produção |
1 |
800 |
2,40
x 3,00
(15 x 17) |
4.000 |
| Fio
da vegetação |
1 |
500 |
2,10 |
16.000 |
| Fio
do rabicho |
3 |
1.000 |
4,0 |
350 |
O formato da latada deve ser, de preferência, quadrado ou retangular.
Entretanto, pode ter outra forma, como a de um trapézio.
Marcação
do Terreno e Colocação dos Postes
A formação do vinhedo inicia com a marcação das covas, que pode
ser feita com um teodolito ou através do esquadrejamento. Estica-se uma
linha de pedreiro ou um fio onde deve se localizar uma das cabeceiras
ou das laterais. Na extremidade dessa linha, instala-se uma estaca onde
deverá se situar uma das cantoneiras e, a partir dela, fazer um outro
alinhamento de 20 m. Uma segunda estaca deve ser colocada a 15 m da estaca
da cantoneira e no mesmo alinhamento do fio. A partir dela, estica-se
uma linha ou fio de 25 m de comprimento, de modo que a extremidade do
alinhamento de 20 m coincida com o alinhamento de 25 m. Coloca-se, então,
uma baliza sobre esta estaca e a estaca correspondente à cantoneira. Após,
com uma terceira estaca faz-se o alinhamento desta com a cabeceira ou
a lateral do vinhedo até completar o seu comprimento. Esse procedimento
deve ser repetido na outra extremidade do alinhamento inicial. Ligam-se,
então, as extremidades dos alinhamentos das cabeceiras ou dos laterais.
No contorno, colocam-se estacas conforme os espaçamentos pré-deteminados
para o vinhedo. A seguir, unem-se as estacas correspondentes da cabeceira
e da lateral com um fio. A interseção desses alinhamentos corresponde
à marcação dos postes internos.
A escavação pode ser feita com trator munido de broca e
seu diâmetro deve ser de pelo menos 2,5 vezes o dos postes. Essas escavações
são verticais para os postes das cabeceiras, dos laterais e dos internos
e inclinadas de 60º para os rabichos.
O preparo dos postes, como os entalhes, pode ser feito anteriormente
à instalação da latada. Emprega-se, em geral, um molde para fazer a marcação
dos entalhes dos postes e dos rabichos. Os entalhes dos postes de cabeceira
devem ser feitos de preferência após sua instalação: deve-se fazer dois
anelamentos rasos semicirculares a 50 cm da parte de cima do poste, um
para cada rabicho, com uma distância de 5 cm um do outro.
Recomenda-se começar a instalação do vinhedo por um poste
de cabeceira ou por um poste lateral vizinho ao cabeceira. Inicialmente,
faz-se uma marca que identifica o comprimento do poste que ficará acima
e abaixo do solo. Coloca-se o poste no buraco e alinha-se esta marcação
rente à superfície do solo. Após, mede-se o comprimento vertical da parte
superior do poste até a superfície do solo. Se a latada estiver em área
plana, esticam-se duas linhas, uma na parte superior e a outra na metade
do comprimento exposto, ligando os dois postes vizinhos às cantoneiras
de cada cabeceira e de cada lateral. A instalação dos demais postes externos
terá a inclinação e a altura dos postes onde essas linhas foram amarradas.
Mas, se a latada for instalada em solo irregular, o que é o mais freqüente,
a instalação dos postes externos deverá ser feita individualmente. Neste
caso, usa-se molde de madeira ou de metal com as dimensões de comprimento
do poste e altura vertical. Para evitar que a terra do fundo do buraco
ceda e o poste afunde, coloca-se pedra ou terra batida. Colocado o poste,
deve-se encher esse buraco com terra e compactá-la completamente.
Colocados todos os postes de cabeceira e os laterais, procede-se
à instalação das cantoneiras. Faz-se um alinhamento da base da cantoneira
com a base dos postes laterais e de cabeceira, cuja parte superior deve
estar alinhada com a parte superior desses postes. Feito isso, compacta-se
a terra.
A colocação dos postes internos pode ser feita antes ou
depois da colocação do aramado. Se após, tem-se a vantagem de conhecer
o ponto de apoio e de fixação de um poste interno através da interseção
do fio da produção com o fio de sustentação da malha. Esse procedimento
conduz a um alinhamento perfeito. Além disso, em solos irregulares a instalação
do aramado antes da dos postes internos pode fazer com que o vinhedo não
tenha sempre a mesma distância da malha até o solo.
Os rabichos são instalados após os demais postes: para cada
poste de cabeceira ou lateral há um rabicho; mas para as cantoneiras há
dois, um para o cordão de cabeceira e, outro, para o cordão lateral.
Instalação
do Aramado
Ao adquirir os fios, eles não devem ser armazenados próximos de
adubos ou em locais excessivamente úmidos, pois isso pode comprometer
sua qualidade. Para desenrolar os fios, deve-se usar um desenrolador de
arame ou, na ausência deste, colocar três estacas inclinadas no interior
do rolo.
Inicia-se a instalação do aramado pelos cordões de cabeceira
ou laterais. A seguir, colocam-se sucessivamente o fio de sustentação
da malha, o fio da produção e, finalmente, o fio da folhagem. Este fio
é desenrolado numa cabeceira e finalizado na outra, tomando-se o cuidado
de passá-lo sobre o fio de sustentação da malha. A seguir, ele é cortado
e emendado. Faz-se um novo arremate com o fio da folhagem na outra cabeceira,
tensionando-o com um alicate. Recomenda-se iniciar o tensionamento da
malha pelo vão situado no meio da cabeceira e, a partir daí, proceder
dessa forma alternadamente com o vizinho da esquerda e da direita.

O sistema de condução espaldeira é um dos mais utilizados pelos
viticultores nos principais países vitivinícolas. No Rio Grande do Sul,
é adotado especialmente na Campanha e na Serra do Sudeste e por algumas
vinícolas da Serra Gaúcha.
As videiras conduzidas em espaldeira tem dossel vertical
e a poda é mista ou em cordão esporonado. As varas são atadas horizontalmente
aos fios da produção do sistema de sustentação do vinhedo. Se necessário,
os ramos são despontados. Normalmente, deixam-se duas varas/planta quando
a poda é mista; em cordão esporonado, há dois cordões/planta. A distância
entre as fileiras varia de 2,00 a 2,50 m, mas se a altura do dossel vegetativo
for de 1,00 m a captação da radiação solar é maximizada com fileiras distanciadas
de 1,00 m. A distância entre plantas é de 1,20 a 2,00 m, conforme a variedade
e a fertilidade do solo. A zona de produção geralmente situa-se entre
1,00 e 1,20 m do solo. Deixam-se de 65 mil a 80 mil gemas/ha, dependendo
principalmente da variedade. A altura do sistema de sustentação do solo
até a parte superior é de 2,00 a 2,20 m (Figura 2).
Principais
Vantagens
- Adapta-se
bem ao hábito vegetativo da maior parte das viníferas;
- Os frutos
situam-se numa área do dossel vegetativo e as extremidades dos ramos
em outra: isso facilita as operações mecanizadas, como remoção de folhas,
pulverizações dos cachos e desponta;
- Apresenta
boa aeração;
- Pode ser
ampliado paulatinamente, pois a estrutura de cada fileira é independente;
- O custo
de implantação é menor que o do latada;
- É atrativo
aos olhos, especialmente quando se faz a desponta.
Principais
Desvantagens
- Apresenta
tendência ao sombreamento, portanto não é indicado para cultivares muito
vigorosas ou para solos muito férteis;
- A densidade
de ramos geralmente é muito elevada;
- Se a distância
das fileiras for maior que 3,00 m, a área de superfície do dossel vegetativo
será pequena;
- Como conseqüência
do exposto no item c, é necessário compensar a perda exagerada da produtividade
com elevada carga de gemas o que aumenta o sombreamento e diminui a
qualidade da uva e do vinho.
Manejo do
Dossel Vegetativo
Geralmente, são necessários de dois a três repasses durante o ciclo
vegetativo para posicionar os ramos. Essa prática pode ser realizada colocando
os ramos entre os fios e amarrando-os quando necessário. Mas, é bem mais
rápido quando o sistema de sustentação possui fios móveis para o posicionamento
dos ramos. Esses fios devem ser colocados paralelos ao 2º fio e são movimentados
em direção aos ramos, apanhando-os e posicionando-os para cima. Portanto,
não necessitam ser atados. O primeiro posicionamento dos ramos deve ser
feito próximo à floração e o último, antes da mudança de cor da uva. A
desponta deve ser feita deixando-se ramos com cerca de 1,30 m de comprimento,
os últimos 30 cm dos ramos estendendo-se além do 4º fio.
Instalação
do Sistema
As considerações gerais feitas sobre o material utilizado para
a formação de um vinhedo conduzido em latada servem, também, para um conduzido
em espaldeira. Portanto, descrevem-se, a seguir, somente as especificações
do material e os passos para a instalação do vinhedo.
Postes
A estrutura do sistema de sustentação da espaldeira é formada de
postes de cabeceira e internos, rabichos, tutores e fios. Os postes de
cabeceira devem ter 2,50 m de comprimento e de 12 a 14 cm de diâmetro
e são colocados nas extremidades das fileiras; os postes internos, 2,20
m de comprimento e de 7 a 10 cm de diâmetro, colocados a uma distância
máxima de 5,00 m um do outro.
Os rabichos medem 1,20 m de comprimento e são colocados
em cada extremidade das fileiras da mesma forma que o foram para o sistema
latada. Sua colocação pode ser externa ao sistema de sustentação, em posição
oblíqua e afastando-se da cabeceira; ou internos, oblíquos e escorando
as cabeceiras das fileiras.
O aramado é formado por três ou quatro fios. Neste caso,
o 1° fio situa-se de 1,00 a 1,20 m do solo; o 2°, a 30 cm do primeiro;
o 3°, a 35 cm do segundo; e o 4°, a 35 cm do terceiro. Para manter o dossel
numa posição vertical pode-se usar um fio suplementar, móvel, paralelo
ao 2° fio.
Similarmente ao sistema de condução latada, o material necessário
para a formação de um vinhedo conduzido em espaldeira é variável conforme
as características do desenho idealizado. A seguir, descrevem-se os postes
necessários para a formação de um hectare de vinhedo no formato de quadrado
possuindo as seguintes especificações: a) distância entre fileiras - 2,00
m; b) distância entre plantas - 1,50 m; c) distância entre os postes internos
- 5,00 m; d) há um fio da produção, três fios fixos da vegetação e um
fio móvel de posicionamento do dossel (Tabela 3).
Tabela
3. Especificações e número de postes para formar um hectare de
vinhedo conduzido em espaldeira.
| Tipo
de poste |
Comprimento
(m) |
Diâmetro
(cm) |
Número
de peças |
| Cabeceira |
2,50 |
12
a 14 |
98 |
| Interno |
2,20 |
7
a 10 |
931 |
| Rabicho |
1,20 |
15 |
98 |
Fórmula
para determinar o número de cabeceiras necessários:
Número de
fileiras x 2.
Fórmula
para determinar o número de postes internos:
[(comprimento
de cada fileira ÷ espaçamento dos postes internos) -1] x Número de fileiras
Arames
O aramado do sistema de condução espaldeira é bem mais simples
que o do latada, pois consta de fios da produção, da vegetação e rabichos.
Os fios da produção sustentam as cabeças das videiras, quando conduzidas
em poda mista, ou os cordões, quando conduzidas em cordão esporonado.
Os fios da vegetação são geralmente quatro, sendo três fixos e um móvel,
este paralelo ao 2º fio. Tanto os fios da produção como os da vegetação,
partem de um poste cabeceira, passam pelos postes internos e terminam
no poste cabeceira da outra extremidade da fileira. Os fios rabichos sustentam
as cabeceiras.
As características dos diferentes tipos de fios que podem
ser utilizados no sistema de sustentação de um vinhedo conduzido em latada
são descritas na Tabela 4.
Tabela
4. Características do aramado para a formação de um hectare de
vinhedo conduzido em espaldeira.
| Fio |
Número
de fios |
Carga
mínima de ruptura (kgf) |
Diâmetro
(mm) |
Quantidade
(m) |
| Fio
da produção |
1 |
800 |
2,40
x 3,00
(15 x 17) |
5.150 |
| Fio
da vegetação |
1 |
500 |
2,10 |
20.600 |
| Fio
rabicho |
3 |
1.000 |
4,00 |
120 |
Etapas para
Formação do Vinhedo
A instalação de um vinhedo conduzido em espaldeira é mais simples,
e mais barata, que a da latada. É conveniente que as fileiras não excedam
100 m de comprimento e que o espaçamento entre os postes internos seja,
no máximo, de 5 m.
A colocação das estacas em áreas planas deve ser feita da
mesma forma que a instalação de uma latada. Em área com declives, recomenda-se
colocar as fileiras em curvas de nível. A escavação dos pontos demarcados
pelas estacas pode ser feito com broca de trator.
Os entalhes das cabeceiras são feitos de acordo com o número
de fios a serem utilizados. Recomenda-se furar os postes internos para
a passagem dos fios, o que assegura maior sustentação vertical e horizontal
ao aramado. Os furos devem ter ½ polegada no mínimo, a fim de evitar acúmulo
de umidade e corrosão dos fios. Os entalhes e as furações devem ser feitas
de preferência antes da instalação dos postes.
A instalação das cabeceiras e dos rabichos é feita da mesma
forma que a colocação das cabeceiras e dos laterais da latada.
Após a colocação dos postes, deve-se compactar a terra para
evitar que caiam com as intempéries e o peso da vegetação e da produção.
As espaldeiras construídas em curva de nível devem ter um comprimento
menor que as de terreno plano. Além disso, os postes internos devem ser
um pouco maiores para que a parte que fica em baixo da terra seja maior.
 |
Fig.
2. Sistema de condução da videira em espaldeira e com poda
mista: a) poste de cabeceira; b) poste interno; c) fio da produção;
d) fios fixos da vegetação; e) fio móvel da vegetação. (Ilustração:
A. Miele) |

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