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Embrapa Uva e Vinho Sistema de Produção, 4 ISSN 1678-8761 Versão Eletrônica Jul./2003 |
Uvas Viníferas para Processamento em Regiões de Clima Temperado |
| Início Clima Preparo do solo, calagem e adubação Porta-enxertos e cultivares Obtenção e preparo da muda Sistema de condução Poda Doenças fúngicas e medidas de controle Doenças causadas por vírus, bactérias e nematóides e medidas de controle Pragas e medidas de controle Normas gerais sobre o uso de agrotóxicos Maturação e colheita Indicações Geográficas para Vinhos Brasileiros Custo e rentabilidade Produção e mercado Referências Expediente Autores |
As indicações geográficas na produção de vinhos estão consolidadas em vários países, em particular na Europa. Muitas delas são conhecidas mundialmente, como Bordeaux, Champagne, Porto e Rioja. Atualmente, verifica-se um interesse crescente por parte de novos países pelas indicações geográficas, não somente para produtos vinícolas, mas também para outros produtos da agropecuária e da agroindústria. Períodos
Evolutivos da Vitivinicultura Brasileira Períodos Evolutivos da Vitivinicultura BrasileiraAo analisarmos os períodos evolutivos da vitivinicultura brasileira, verifica-se que ela caracteriza-se pela produção de vinhos qualitativamente diferenciados ao longo dos últimos 120 anos. Três gerações de vinhos podem ser descritas (Figura 1):
Os "Vinhos de 3ª Geração" consolidam-se a partir dos anos 1970, através de um significativo aumento da superfície cultivada com uvas de Vitis vinifera L., destinadas à elaboração de vinhos finos. As variedades viníferas de origem francesa (ex.: Cabernet Franc, Merlot, Chardonnay) ganharam espaço em detrimento de algumas uvas de origem italiana (ex.: Barbera, Bonarda, Sangiovese). Além da implantação de vinhedos com uvas viníferas, a indústria vinícola, impulsionada pela chegada de empresas estrangeiras, realizou transformações importantes de modernização e investimentos: transporte de uvas em caixas plásticas, vinícolas, equipamentos, tecnologias de vinificação. Estas transformações estabeleceram um novo referencial de qualidade para os vinhos brasileiros. Este período corresponde ao período de produção de vinhos finos, com uma filosofia similar àquela dos países produtores do Novo Mundo, centrada nos vinhos varietais. Neste período evolutivo, o vinho brasileiro veio a conquistar um bom conceito junto ao consumidor brasileiro. A Produção de Vinhos de Qualidade em Regiões Determinadas
Com a abertura comercial do Brasil, em particular a partir dos
anos 1990, o consumidor brasileiro passou a ser estimulado com a presença
de vinhos importados no mercado nacional. Aumentaram as opções de consumo
de produtos diferenciados seja em termos de marcas, variedades e denominações
de origem. O mercado tornou-se mais competitivo para os vinhos brasileiros.
Nesse novo cenário, surgiu um consumidor mais exigente, que quer conhecer
mais sobre o vinho, suas qualidades, sua procedência, a diversidade quanto
as variedades, safras, etc., como mostram as pesquisas realizadas junto
ao mercado consumidor brasileiro.
Vale dos Vinhedos: A Primeira Indicação Geográfica do Brasil
Em 22 de novembro de 2002 o Instituto Nacional da Propriedade Industrial
- INPI, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior,
assinou o Registro de Indicação Geográfica n° IG 200002, reconhecendo
a denominação "Vale dos Vinhedos" como Indicação Geográfica (espécie da
Indicação Geográfica: Indicação de Procedência) para vinhos tintos, brancos
e espumantes. Tal reconhecimento se deu com base na Lei n° 9.279 e na
Resolução n° 075/2000 do Instituto Nacional da Propriedade Industrial,
de 28.11.2000, que estabelece as condições para registro das indicações
geográficas (INPI, 2000). Este fato histórico assinala o reconhecimento
da primeira Indicação Geográfica brasileira e marca a entrada do Brasil
no círculo mundial das Indicações Geográficas.
Certamente que este conjunto de inovações representa um primeiro passo no sentido de realmente incorporar os elementos mais complexos envolvidos no conceito das denominações de origem, para o qual algumas indicações geográficas brasileiras potenciais deverão evoluir. Ainda, será importante que o Brasil estabeleça regulamentos de base, normativos para todas as indicações geográficas. Potencial para Novas Indicações Geográficas de VinhosA qualificação e a diferenciação da produção de vinhos de qualidade no Brasil está passando por uma diversificação das regiões de produção, até então com produção quase que unicamente ocorrente na Serra Gaúcha (Figura 3). Este processo foi iniciado já nos anos 1970, com exceção de uma recente região vitivinícola que começa a ser implantada - São Joaquim. Tal diversificação amplia o leque de ecossistemas vitícolas e de vitivinicultores, criando potencial para gerar, de forma crescente, produtos diferenciados, com tipicidade própria dos vinhos. O interesse dos produtores em qualificar e diferenciar a produção de vinhos tem motivado a busca e implementação da regionalização vitivinícola. No Rio Grande do Sul, bem como na região Nordeste (Pernambuco e Bahia), observa-se o direcionamento de instituições existentes (Aprovale, Asprovinho, Apromontes, Valexport), bem como de lideranças produtivas das regiões com potencialidade para futura organização associativa (Campanha, Serra do Sudeste, São Joaquim), para a estruturação e tutela de indicações geográficas de vinhos. Assim, observa-se direcionamento para potenciais futuras indicações geográficas, incluindo, dentre outras:
Tal direcionamento virá a colocar o Brasil como produtor de vinhos
de qualidade em distintas regiões determinadas, a exemplo do que ocorre
na prestigiada viticultura Européia.
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