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Embrapa Uva e Vinho Sistema de Produção, 4 ISSN 1678-8761 Versão Eletrônica Jul./2003 |
Uvas Viníferas para Processamento em Regiões de Clima Temperado |
Loiva
Maria Ribeiro de Mello
José Fernando da Silva Protas
| Início Clima Preparo do solo, calagem e adubação Porta-enxertos e cultivares Obtenção e preparo da muda Sistema de condução Poda Doenças fúngicas e medidas de controle Doenças causadas por vírus, bactérias e nematóides e medidas de controle Pragas e medidas de controle Normas gerais sobre o uso de agrotóxicos Maturação e colheita Indicações Geográficas para Vinhos Brasileiros Custo e rentabilidade Produção e mercado Referências Expediente Autores |
A viticultura é uma atividade econômica recente no Brasil, quando comparada aos tradicionais países produtores da Europa, especialmente no que se refere a vinhos finos. O Rio Grande do Sul é o principal produtor de uvas para processamento, representando em torno de 95% do total de uvas processadas no país. A área de uvas no Brasil em 2002, segundo IBGE, foi de 65.381 ha (Tabela 1). O Rio Grande do Sul figura como o principal produtor com área de 36.668 ha ou seja, 56,08% da área total do país, seguido pelo Estado de São Paulo com 12.152 ha. Tabela 1. Área plantada de videiras no Brasil - 2001/2002.
Fonte: IBGE A produção de uvas no Brasil nos anos de 1998 a 2002 é apresentada na Tabela 2. Em 2002 foram produzidas 1.120.574 t de uvas, sendo 45,23% da produção nacional de uva foi destinada à elaboração de vinhos, sucos, destilados e outros derivados. O Estado do Rio Grande do Sul, produziu 570.161 t de uvas, São Paulo, 231.775 t, Pernambuco 99.978 t e Bahia 82.383 t. Tabela 2. Produção de uvas no Brasil, em toneladas - 1998/2002.
O Rio Grande do Sul também é o maior produtor do país de uvas viníferas, responsável por mais de 95% da produção. No ano 2002, foram processadas no Rio Grande do Sul 47.684 t de uvas viníferas, sendo quase 60% deste volume de uvas brancas (Tabela 3).
Embora as brancas ainda representem o maior volume, observa-se uma tendência decrescente. Nos últimos anos, tem havido um aumento de demanda por uvas viníferas tintas em detrimento das brancas. No conjunto, tem havido uma grande escassez de oferta de uvas viníferas, especialmente das tintas, decorrente, principalmente, dos baixos preços praticados no passado, dos custos de produção relativamente mais altos que as cultivares americanas e híbridas, e pela grande oscilação de demanda por estas cultivares ao longo do tempo. Como pode ser observado na tabela 3 há um grande número de cultivares vitiviníferas sendo exploradas comercialmente. Entretanto, no atual estágio de organização da cadeia produtiva vitivinícola brasileira, não está claro o direcionamento evolutivo do setor que determinará a sua consolidação no mercado de vinhos finos. Assim, ao longo dos últimos anos, diversas cultivares foram incentivadas para o plantio e depois relegadas à segundo plano. Como conseqüência deste quadro, no início ficam os viticultores recebendo preços compensadores e na seqüência, preços defasados. Um exemplo disto é a tradicional Cabernet Franc, que foi em parte substituída pela Cabernet Sauvignon, e num passado próximo chegou a ser paga pelo preço da uva comum. As quantidades processadas destas cultivares podem ser observadas pela Figura 1. Recentemente, dada a escassez de oferta, os preços pagos por este grupo de cultivares, atingiram até 2,5 reais ao quilo, em torno de quatro vezes a média histórica. Isto incentivou os produtores a novos plantios, o que provocará um novo preço de equilíbrio, inferior ao atual. Tabela 3. Quantidade de uvas viníferas processadas no Rio Grande do Sul, por cultivar, 1988/2002.
* EM 1998 e 1999, há misturas de outras malvasias A produção de vinhos, sucos e derivados. Segundo dados do Cadastro Vitícola do Rio Grande do Sul- 1995-2000, o Estado possui, 27.986,97 ha que pertencem a produtores que vendem uvas para processamento em 12.829 propriedades. Destes, 4.792 ha são cultivados com variedades viníferas (17,12%). No período de 1998 a 2000, verificou-se um incremento de 2,5% a.a. na área cultivada com videiras, no Rio Grande do Sul sendo que, as principais cultivares viníferas tiveram um incremento na área cultivada de 5% ao ano. A área total cultivada em 2000, bem como a área com plantas com menos de três anos, são apresentadas na tabela 4. Observa-se que as cultivares tintas tiveram aumentos bastante significativos (Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc, Tannat e Pinot Noir) (Cadastro Vitícola do Rio Grande do Sul - 1995/2000, 2001). Embora não se disponha de estatísticas oficiais para anos mais recentes, sabe-se que está havendo um incremento na área plantada de cultivares viníferas tintas não somente na região tradicional do Rio Grande do Sul, mas em outros municípios como Bagé, Candiota e Encruzilhada do Sul. Tabela 4. Área cultivada com as os principais cultivares viníferas em 2000.
Na principal região produtora, a viticultura se desenvolve em pequenas
propriedades, com média de 15 ha de área total, sendo destes 40% a 60%
de área útil e 2,5 ha de vinhedos. Estas áreas, geralmente, são pouco
mecanizadas devido à topografia acidentada, onde predomina o uso da mão-de-obra
familiar, cada propriedade dispondo em média de quatro pessoas. O sistema
de condução adotado é o latada. Tabela 5. Produção de vinhos, sucos e derivados do Rio Grande do Sul, em litros - 1999/2002.
*transformados
em litros de suco simples. Os vinhos finos de mesa nacionais apresentam uma tendência decrescente a partir de 1993, quando os vinhos estrangeiros começaram a absorver uma maior fatia do mercado (Figura 2). Este quadro deverá poderá se reverter, face aos altos preços ofertados pela agroindústria para as cultivares viníferas tintas de maior qualidade e conseqüentemente, a expansão da área cultivada com essas cultivares. No entanto, deve ser considerada a competitividade dos vinhos importados.
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