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Clima
Preparo do solo, calagem e adubação
Porta-enxertos e cultivares
Obtenção e preparo da muda
Sistema de condução
Poda
Doenças fúngicas e medidas de controle
Doenças causadas por vírus, bactérias e nematóides e
medidas de controle
Pragas e medidas de controle
Normas gerais sobre o uso de agrotóxicos
Maturação e colheita
Indicações Geográficas para Vinhos Brasileiros
Custo e rentabilidade
Produção e mercado
Referências
Expediente
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A poda compreende um conjunto de operações que se efetuam na planta
e que consistem na supressão parcial do sistema vegetativo lenhoso (sarmentos,
cordões e, excepcionalmente, tronco) ou herbáceo (brotos, inflorescências,
cachos, bagas, folhas, gavinhas).
A videira, em seu meio natural, pode atingir grande desenvolvimento.
Nessas condições, a produtividade não é constante, os cachos são pequenos
e a uva é de baixa qualidade. Ao limitar o número e o comprimento dos
sarmentos, a poda seca proporciona um balanço racional entre o vigor e
a produção, regularizando a quantidade de uva produzida. A poda verde
constitui-se num importante complemento da poda seca para melhorar as
condições do dossel vegetativo do vinhedo e, conseqüentemente, da qualidade
da uva.
Poda
Seca
Escolha do sistema de poda
Localização e tipos de gemas
Principios fundamentais da poda
Época da poda
Elementos da poda
Sistemas de poda
Localização dos cortes de poda
Tipos de poda
Poda Verde
Remoção de gemas
Desbrota
Desfolha
Desponta
Sistematização dos brotos
Os principais objetivos da poda seca são: a) propiciar que as videiras
frutifiquem desde os primeiros anos de plantio; b) limitar o número de
gemas para regularizar e harmonizar a produção e o vigor, de modo a não
expor as videiras a excessos de produção que podem levá-las a períodos
de baixa frutificação; c) melhorar a qualidade da uva, que pode ser comprometida
por uma elevada produção; d) uniformizar a distribuição da seiva elaborada
para os diferentes órgãos da videira; e) proporcionar à planta uma forma
determinada que se mantenha por muito tempo e que facilite a execução
dos tratos culturais.
A eleição de um sistema de poda depende da cultivar, das características
do solo, da influência do clima e de aspectos sanitários.
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Cultivar:
em condições similares de clima e solo, as diversas cultivares apresentam
desenvolvimento vegetativo diferenciado. Nas vigorosas deixa-se um
maior número de gemas/vara.
O sistema de poda depende também da localização das
gemas férteis ao longo do sarmento. Quando as gemas férteis estão
situadas em sua base, normalmente faz-se a poda em cordão esporonado;
as cultivares que apresentam gemas inférteis na base do sarmento exigem
poda longa ou mista. O comprimento dos entrenós também deve ser considerado
para a realização da poda.
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Características
do solo: o vigor da planta está relacionado com a fertilidade
do solo. Videiras em solos de baixa fertilidade não são muito vigorosas
e, por isso, normalmente adota-se a poda curta; solos férteis propiciam
grande desenvolvimento às videiras, sendo então utilizada a poda longa.
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Influência
do clima: uma mesma cultivar, plantada em solos similares, comporta-se
segundo as características climáticas do local. Em áreas sujeitas
a geadas tardias, a videira deve ser conduzida mais alta. Em climas
úmidos, as gemas da base do sarmento geralmente são inférteis. Climas
secos proporcionam maior fertilidade das gemas da base do sarmento.
É importante, ainda, considerar a predominância dos ventos.
Nas regiões onde a incidência direta do sol não é favorável à qualidade
da uva, deve-se fazer a poda de forma que os cachos fiquem sombreados;
nas regiões frias e úmidas, a poda deve facilitar a incidência dos raios
solares nos cachos.
Na videira não se distinguem gemas vegetativas e gemas frutíferas,
como em muitas espécies, mas somente gemas mistas que originam brotos
com inflorescências e folhas ou somente folhas. A gema da videira é composta,
sendo a principal chamada de primária, que geralmente dá origem a um broto
frutífero; as outras duas são chamadas de secundárias, que geralmente
brotam quando ocorrer algum dano com a gema primária (geada, granizo,
quebra pelo vento, dano nas gemas superiores), as quais dão origem a brotos
que podem ser férteis ou não.
As gemas da videira se localizam nas axilas das folhas,
na posição lateral do ramo, inseridas junto aos nós (Fig. 1).
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Gemas
prontas: formam-se na primavera-verão, cerca de uma dezena de
dias antes das gemas francas. Assim que formadas podem dar origem
a uma brotação chamada feminela ou neto (ramo antecipado), que segundo
a cultivar pode ser estéril, pouco ou muito fértil. Localiza-se, também,
na axila das folhas, ligeiramente descentralizada e ao lado da gema
franca.
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Gemas
francas ou axilares: formam-se na base das gemas prontas, junto
à inserção do pecíolo foliar e permanecem dormentes durante o ano
de formação, mas sofrem uma série de transformações. A formação dos
primórdios florais se completa somente na primavera seguinte. Durante
a brotação e desenvolvimento dos ramos, as gemas francas não brotam
porque são inibidas pela atividade dos ápices vegetativos (dominância
apical) e das gemas prontas (inibição correlativa). Essas gemas podem
produzir geralmente de um a três cachos, dependendo da cultivar.
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Gemas
basilares, da coroa ou casqueiras: são um conjunto de gemas não
bem diferenciadas que se formam na base do ramo, junto à inserção
do broto do ano com a madeira do ano anterior. Somente brotam quando
se fizer poda curta, aplicação de regulador de crescimento ou ocorrer
problemas com as gemas francas. Geralmente são inférteis na maioria
das cultivares viníferas.
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Gemas
cegas: são as mais desenvolvidas das gemas basilares, sendo as
primeiras gemas visíveis localizadas logo acima dessas.
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| Fig.
1. O sarmento da videira e suas partes (Segundo
Chauvet & Raynier, 1984). |
Mesmo que os sistemas de poda sejam transmitidos durante gerações,
de forma empírica ou intuitiva, é importante que o podador conheça as
bases racionais nas quais se sustenta a difícil técnica de podar. Os princípios
da poda são os seguintes:
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A
videira normalmente frutifica em ramos do ano que se desenvolvem de
sarmentos do ano anterior.
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O
sarmento que proporcionou um broto frutífero não produz novamente,
por isso deve ser substituído por outro que ainda não tenha produzido.
A preocupação deve ser o presente (próxima safra), mas não se pode
esquecer o futuro (safras subseqüentes).
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A
frutificação é em geral inversa ao vigor, pois a produção de uva reduz
a capacidade da videira para a próxima safra ou safras. As videiras
com altas produções apresentam menos vigor e terão menor produtividade
no ano seguinte ou nos anos seguintes.
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O
vigor individual dos ramos de uma videira é inversamente proporcional
ao seu número.
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Quanto
mais o ramo se aproximar da posição vertical, maior será o seu vigor.
A brotação inicia pelas gemas das pontas das varas ou esporões (brotação
mais precoce e mais vigorosa); as gemas da parte mediana e da base
das varas brotam posteriormente e algumas delas, muitas vezes, nem
brotam. A curvatura da vara, as amarrações e o uso de reguladores
de crescimento alteram essa dominância.
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Uma
videira só tem condições de nutrir e maturar de forma eficaz uma determinada
quantidade de frutos.
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Os ramos
mais afastados do tronco são, em igualdade de condições, os mais vigorosos.
As gemas mais afastadas da base do ramo têm, em geral, maior fertilidade.
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O
tamanho e o peso dos cachos, nas mesmas condições de cultivar, solo,
clima e poda, aumentam quando se faz desbaste de cachos após o pegamento
do fruto.
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Para
continuar um braço, se elegerá o sarmento situado mais próximo da
base.
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Qualquer
que seja o sistema de poda aplicado, o viticultor deverá vigiar para
que a futura área foliar e a produção tenham as melhores condições
de aeração, calor e luminosidade.
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A
dominância apical é variável em função da cultivar (as que possuem
forte dominância apical devem ser podadas curtas), do vigor da videira
(plantas fracas apresentam dominância apical mais marcada), do rigor
do período de repouso (inverno deficiente a favorecem) e do tipo de
sustentação (orientação dos ramos).
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A
adequada nutrição de carboidratos, crescimento moderado do ramo e
produtividade normal favorecem a maturação do ramo e propiciam a formação
de gemas frutíferas. Os sarmentos maduros armazenam maior quantidade
de reservas (amido e sacarose) que sarmentos parcialmente maduros.
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O
comprimento do entrenó está relacionado com o vigor da planta (velocidade
de crescimento). Ramos formados no início do ciclo e com crescimento
regular terão entrenós com comprimento normal, o que significa dizer
boas condições para o desenvolvimento das gemas frutíferas e para
a maturação; entrenós muito longos indicam excesso de vigor e de crescimento,
induzindo a formação de sarmentos imaturos e deficiente desenvolvimento
das gemas frutíferas; entrenós muito curtos ocorrem quando há nutrição
deficiente, falta de água, pragas ou doenças.
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Os
ramos ladrões com crescimento normal podem ser utilizados como elementos
da poda. Quando o desenvolvimento é rápido, com excessivo vigor, apresentam
gemas pouco férteis ou geralmente estéreis.
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O
podador deve selecionar as varas e os esporões pela sua condição (vigor
e sanidade) e, após, pela sua posição na planta.
A época depende de vários fatores, entre os quais a cultivar, tamanho
do vinhedo, topografia do terreno (riscos de geadas tardias), disponibilidade
de mão-de-obra qualificada, concorrência com outras atividades na propriedade,
umidade do solo e objetivos da produção (indústria, mesa).
A poda é feita durante o período de repouso da videira,
isto é, desde a queda das folhas até pouco antes do início da brotação.
Nas regiões expostas a geadas tardias poda-se tarde, quando as gemas das
extremidades dos sarmentos já estão brotadas; nos climas temperados, durante
o inverno; e podam-se tarde as videiras vigorosas e cedo, as fracas. As
podas excessivamente precoces ou demasiadamente tardias são debilitantes
para a videira e retardam a brotação.
A poda tardia, geralmente apresenta as seguintes vantagens:
a brotação tardia é mais uniforme; há menor incidência de antracnose e
menor probabilidade de danos por geadas; propicia maior produtividade
do vinhedo; e a temperatura é mais adequada para o desenvolvimento dos
tecidos e órgãos da videira.
Os elementos da poda são o esporão e a vara. O esporão desempenha
duas funções na poda, ou seja, frutificação e produção de sarmento para
a futura poda. Quando adotada a poda mista, sua função principal é a produção
de sarmentos. A função da vara é a frutificação. Nos sistemas que adotam
a poda longa (somente varas), seleciona-se como vara a brotação do sarmento
do ano anterior mais próxima da base.
Há grande variabilidade de sistemas de poda, em função da cultivar,
clima, solo e porta-enxerto. Mas, podem ser agrupados em poda curta (cordão
esporonado), poda longa (vara) e mista (vara e esporão). A poda é considerada
curta quando o esporão tem até três gemas francas (geralmente duas), longa
quando as varas tem mais de quatro gemas (geralmente de seis a dez) e
mista quando permanecem esporões e varas na mesma planta.
Em função do número de gemas deixadas na videira a poda
pode ser rica, média ou pobre. Uma poda é considerada rica quando permanecem
mais de 120 mil gemas por hectare e pobre, quando esta quantidade é de
50 mil a 60 mil gemas por hectare. Existe uma carga ótima para cada planta,
dependendo das condições existentes. Se a quantidade de gemas for menor
daquela que a planta exigir, os brotos serão muito vigorosos, haverá maior
número de ladrões e, eventualmente, surgirão problemas com a floração;
caso a quantidade de gemas for exagerada, resultará numa produção excessiva
de frutos que debilitará a planta. O equilíbrio entre a parte vegetativa
e a produtiva pode ser expresso pela relação peso fresco do fruto/peso
da poda. Um vinhedo equilibrado apresenta valores entre 5 e 10.
Sendo a poda mista e o sistema de condução o latada, deixam-se
de 5 a 6 varas (6 a 8 gemas por vara) e de 10 a 12 esporões (2 gemas por
esporão) por planta; mas se o sistema for o espaldeira, deixam-se 2 varas,
uma para cada lado do fio de sustentação da produção, e 3 ou 4 esporões
por planta.
No caso de haver necessidade de renovação de parte da planta
no sistema latada, deve-se deixar varas contendo um certo número de gemas,
determinado principalmente pela posição do esporão que deu origem a essa
vara em relação aos fios de sustentação da folhagem, que serão utilizadas
para substituir as partes comprometidas (braços ou cordões) da videira.
Quando o corte for realizado no tronco ou nos braços da videira,
geralmente ocorre a morte dos tecidos subjacentes à secção do corte se
esses forem efetuados rasos. Por esses cortes se infiltra a água da chuva,
que pode provocar a decomposição e a necrose do tecido caso não sejam
adequadamente protegidos até que se forme a cicatriz que os isola dos
agentes externos. É importante deixar um pouco de madeira, a qual contribuirá
para melhorar a cicatrização.
Os cortes nas varas e esporões não devem deixar a medula
exposta, pois pode ocorrer acúmulo de água da chuva e a entrada de insetos
e fungos parasitas da videira. Geralmente poda-se logo acima da última
gema que se quer deixar, a fim de que permaneça uma pequena porção da
medula. O corte deve ser em bisel, com a parte mais comprida do lado da
última gema.
Há quatro tipos de poda da videira: implantação, formação, frutificação
e renovação, realizadas em função da idade da videira.
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Poda
de implantação: efetuada na muda, antes do plantio. Consiste no
encurtamento das raízes que se quebraram durante o transporte e na
poda do enxerto a duas ou três gemas. As mudas importadas e de alguns
viveiristas nacionais apresentam o enxerto protegido por uma camada
de cera e geralmente são plantadas sem podar a parte aérea.
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Poda
de formação: tem por finalidade dar a forma adequada à planta,
de acordo com o sistema de sustentação adotado.
Desde o plantio da muda ou da enxertia é importante
que ocorra um bom desenvolvimento da área foliar e, conseqüentemente,
do sistema radicular. Por isso, toda a vegetação da planta deve ser
mantida em boas condições.
A formação da planta deve ser bem planejada e posta
em prática no início da brotação. Na Serra Gaúcha, adotam-se os seguintes
procedimentos: o broto de maior vigor do enxerto ou da muda (Fig.
2A) é conduzido mediante sucessivas amarrações junto ao tutor (Fig.
2B); quando esse broto alcançar a estrutura da latada ou o primeiro
fio da espaldeira, será despontado cerca de 10 cm abaixo desta (Fig.
2C), para eliminar a dominância apical e estimular a brotação e o
desenvolvimento das feminelas; os brotos das últimas duas feminelas
são conduzidos no arame, mediante amarrações no sentido da linha de
plantio, um para cada lado (Fig. 2D). Esses brotos serão os futuros
braços da videira. Caso eles tiverem o vigor suficiente, poderão ser
novamente despontados. Nos sistemas em que se adotar a condução em
um braço, o ramo principal não será despontado, devendo ser conduzido
junto ao tutor e quando alcançar o primeiro fio da estrutura será
desviado e conduzido no sentido desejado. O mesmo poderá ser despontado
quando alcançar a videira seguinte.
A poda de formação consiste em podar os futuros braços
das videiras deixando no máximo seis gemas (Fig. 2E). As mudas que
não foram despontadas, mas que apresentam vigor suficiente, são podadas
na altura da estrutura de sustentação. As mudas fracas devem ser podadas
a duas gemas. É importante manter uniformidade no desenvolvimento
das mudas, pois videiras com diferentes idades dificultam o manejo
e os tratos culturais do vinhedo.
Normalmente, a poda de formação é concluída até o terceiro
ano. A poda de formação adequada proporciona maior facilidade para
a realização da poda de frutificação.
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| Fig.
2. Poda de formação: A - enxerto ou muda; B - condução
da muda; C - desponta; D - condução das feminelas; E - poda seca.
(Desenhos: Adriano Mazzarolo) |
- Poda
de frutificação: A poda de frutificação, também chamada de poda
de produção, tem por objetivo preparar a videira para a produção da
próxima safra. Deve ser feita através da eliminação de sarmentos mal
localizados ou fracos e de ladrões, a fim de que permaneçam na planta
somente as varas e/ou esporões desejados. A carga de gemas do vinhedo
deve ser adequada à maximização da produtividade e da qualidade de uva,
sem comprometer as produções dos anos seguintes.
Nas videiras espaçadas de 2,5 m x 1,5 m, conduzidas em
latada e com poda mista, pode-se deixar, em cada braço, três varas com
6 a 7 gemas cada uma e até 6 esporões com duas gemas cada um (Fig. 3A).
Isso resulta de 60 a 66 gemas/planta. As varas devem estar distanciadas
entre si cerca de 50 cm. Portanto, nos 75 cm de cada braço permanecem
duas varas num sentido e uma no sentido oposto. Os esporões devem ficar
bem distribuídos ao longo de cada braço. As sucessivas podas de frutificação
consistem em eliminar as varas que já produziram e substituí-las por
outras originadas dos esporões (Fig. 3B). Das duas brotações dos esporões
(Fig. 3C) seleciona-se, na próxima poda, a mais afastada do braço para
ser a futura vara (Fig. 3D) e a mais basal para ser o esporão (Fig.
3E). Desta forma, a carga básica é de 6 varas e 12 esporões por videira.
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| Fig.
3. Poda de frutificação: A - planta antes da poda, mostrando
os sarmentos originados dos esporões e varas deixados no ano anterior;
B - planta mostrando as varas e os esporões deixados após a poda;
C - brotação das duas gemas do esporão; D - detalhe indicando
a posição dos cortes na poda mista de inverno; E - detalhe mostrando
a vara e o esporão após a poda. (Desenhos: Adriano
Mazzarolo) |
Nas videiras conduzidas em espaldeira pode-se adotar a poda
tipo Guyot (vara e esporão) seguindo, basicamente, o que foi descrito
para a latada ou o cordão esporonado (somente esporões). Nesse caso,
os esporões devem ficar distanciados cerca de 20 cm entre si.
Nas videiras conduzidas em Y, pode-se adotar a poda
mista, conforme descrito para a latada, ou o cordão esporonado, sendo
a vegetação distribuída nos dois planos de sustentação. Geralmente,
as varas apresentam menor número de gemas do que no sistema latada.
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Poda
de renovação: a poda de renovação consiste em eliminar as partes
da planta, principalmente braços e cordões, que se encontram com pouca
vitalidade devido a acidentes climáticos, danos mecânicos, doenças
ou pragas, e substituí-los por sarmentos mais jovens. É utilizada,
também, para rebaixar partes da planta que se elevaram em demasia
em relação ao aramado, bem como às partes que devido a sucessivas
podas se distanciaram dos braços ou cordões.
Para a renovação de toda a copa, utiliza-se a brotação
de uma gema latente do tronco (ladrão) bem localizada e a partir dela
se reconstitui a planta. Essa prática é pouco utilizada sendo preferível
a substituição da videira.
Denomina-se poda verde as operações efetuadas durante o período
vegetativo da videira. Desde que efetuada com cautela e na época oportuna,
poderá melhorar as condições do microclima dos vinhedos, possibilitando,
com isso, a diminuição de doenças fúngicas, maior eficiência nos tratamentos
fitossanitários e colheitas mais equilibradas. Entretanto, seus efeitos
serão prejudiciais se realizada fora da época ou de forma abusiva, pois
se estará reduzindo a capacidade fotossintética da videira.
O manejo do dossel vegetativo é efetuado com o objetivo
de complementar a poda seca da videira e de melhorar o equilíbrio entre
a vegetação e os órgãos de produção. No manejo do dossel, a poda verde
é uma de suas principais atividades.
Os objetivos gerais da poda verde na videira são: 1) direcionar
o crescimento vegetativo para as partes que formarão o tronco e os braços;
2) diminuir os estragos causados pelo vento; e 3) abrir o dossel vegetativo
de maneira a expor as folhas mais favoravelmente à luz e ao ar.
As principais modalidades de poda verde, realizada nas videiras
destinadas à elaboração de vinhos finos, são a remoção de gemas, a desbrota,
a desponta e a desfolha.
Consiste na eliminação das gemas antes da brotação. Ela pode ser
praticada tanto na poda de formação quanto na de frutificação. Na poda
de formação são eliminadas as gemas que estão localizadas abaixo do fio
de sustentação bem como as gemas localizadas no lado de baixo dos futuros
cordões. A remoção de gemas da parte inferior do tronco de uma planta
jovem é realizada com o intuito de concentrar o crescimento em um ou mais
ramos situados na parte superior, os quais formarão os braços da videira.
Na poda de frutificação, principalmente nas cultivares que
possuem entrenós curtos ou com vegetação muito fechada, pode-se podar
as varas com maior número de gemas e após eliminar as excedentes, visando
melhorar a distribuição da futura vegetação.
A desbrota consiste em suprimir os brotos herbáceos que se desenvolvem
no tronco e nos braços e os ladrões que se desenvolvem no porta-enxerto
(esladroamento).
Essas práticas têm como principais objetivos: eliminar órgãos
frutíferos ou não; reduzir os riscos de infecção do míldio; reduzir os
riscos da fitotoxicidade de herbicidas sistêmicos; preparar as operações
da poda seca, de maneira a reduzir o tempo para a execução dessa prática;
auxiliar no estabelecimento das plantas como complemento da formação de
inverno, além de melhorar a distribuição e o desenvolvimento dos ramos
não eliminados.
A remoção dos brotos deve ser executada no início da brotação,
brotos com até 15 a 20 cm, em uma ou mais vezes se necessário. Quanto
mais cedo for realizada a desbrota melhor a cicatrização das lesões.
Não devem ser eliminados os brotos inférteis que sirvam
para renovar ramos comprometidos ou ocupar espaços vazios no vinhedo.
A eliminação dos netos da região do cacho será útil em videiras
vigorosas para o melhor arejamento dos cachos, redução do excessivo sombreamento
e facilidade de penetração dos tratamentos fitossanitários.
A desfolha consiste na eliminação de folhas da videira, principalmente
as situadas próximas aos cachos.
Essa prática tem como principais objetivos: aumentar a temperatura,
a radiação solar e a aeração na região dos cachos; melhorar a coloração
e a maturação das bagas; reduzir a incidência das podridões do cacho;
favorecer o acesso aos cachos das pulverização tardias contra as podridões
da uva.
A desfolha, da mesma forma que a desponta, deve ser feita
com cuidado, pois se for inadequada pode comprometer a atividade fotossintética
da planta. Deve ser feita durante o pegamento do fruto se os objetivos
forem melhorar as condições para a maturação da uva e diminuir as condições
de incidência das podridões. Mas se o objetivo for acelerar a maturação,
ela deve ser feita poucos dias antes da colheita da uva. Convém salientar
que em qualquer caso deve-se eliminar somente as folhas mais velhas, para
não comprometer o fornecimento de nutrientes para o cacho.
Cultivares que apresentam folhas pequenas, recortadas, têm
menor necessidade de desfolha, assim como as que apresentam bagas sensíveis
à radiação solar direta.
Para as condições meteorológicas do estado do Rio Grande
do Sul, nas espaldeiras com orientação Leste-Oeste, sugere-se preservar
as folhas do lado Norte e atuar com mais intensidade nas do lado Sul;
no caso das fileiras com orientação Norte-Sul, é melhor desfolhar no lado
Leste, pois pela manhã o sol e as temperaturas são mais amenas que a tarde
(lado Oeste).
A desponta consiste na eliminação de uma parte da extremidade do
ramo em crescimento e tem os seguintes efeitos:
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Efeito
fisiológico - diminuir a incidência do desavinho em cultivares
susceptíveis a este distúrbio fisiológico, quando realizada no início
da floração;
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Efeito
prático - facilitar a penetração de produtos fitossanitários,
o que não seria tão facilmente realizado com uma vegetação densa;
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Efeito
sobre o microclima dos cachos - melhorar as condições de luminosidade
e de aeração através da redução da sombra;
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Efeito
sobre a sensibilidade às doenças - eliminação de órgãos jovens
susceptíveis à infecção de doenças, especialmente o míldio;
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Efeito
sobre a morfologia da planta - manter um porte ereto dos ramos
no vinhedo conduzido em espaldeira, antes que adquiram uma posição
em direção ao solo.
A desponta pode ser feita mais de uma vez, se necessário. Realizada
muito cedo, ela pode estimular o desenvolvimento das feminelas aumentando
o efeito da competição por nutrientes e o sombreamento na região do cacho;
praticada muito tarde, não apresenta efeito sobre o pegamento do fruto.
A intensidade da desponta não deve ser muito severa, pois
pode causar um importante efeito depressivo na videira. De um modo geral,
recomenda-se suprimir em torno de 15 cm do ramo. Devem ser deixadas, no
mínimo, de 6 a 7 folhas acima do último cacho. O ideal é que permaneça
1,20 m de vegetação acima dos cachos. Supressões mais severas, ou seja,
de 30 cm a 60 cm, podem causar os problemas acima mencionados.
Nas cultivares muito sujeitas às queimaduras das bagas pelos
raios solares, a desponta, provocando a brotação das feminelas, pode proporcionar
proteção aos cachos.
É uma operação indispensável para a condução da videira. O objetivo
geral, além de manter a arquitetura do sistema de condução, é reorientar
os brotos, através de amarrações, para a correta ocupação dos espaços
do dossel vegetativo e com isso uniformizar as condições microclimáticas
da planta. São utilizadas tiras plásticas flexíveis para a fixação dos
brotos junto ao aramado. O uso de máquinas para a amarração (alceador)
agiliza essa atividade.

Copyright © 2003, Embrapa
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