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Preparo do Solo, Calagem e Adubação |
Escolha
da área
Topografia
Preparo da área
Calagem
Adubação
Formas de Aplicação de Adubos e Corretivos
Manejo da Cobertura do Solo
A videira
se adapta em ampla variedades de solos, dá-se preferência a solos com
textura franca e bem drenados, com pH variando de 5,0 a 6,0 e com teor
de matéria orgânica com pelo menos 20 g dm-3.
A topografia influencia na drenagem das águas e na temperatura
ambiente. Solos planos e argilosos tendem a ter menor capacidade de drenagem
das águas, enquanto que os solos declivosos tendem a não apresentar problemas
com encharcamento. A exposição do vinhedo para o norte permite que as
plantas recebam os raios solares por mais tempo e ainda ficam protegidas
dos ventos frios do sul.
O preparo da área tem por finalidade assegurar que as mudas de videira
sejam plantadas em condições que possam expressar todo o seu potencial
produtivo. Ele consta das operações de roçagem, destocamento, lavração,
gradagem, abertura das covas ou sulcamento.
-
Roçagem
- Consiste na eliminação da vegetação existente. Esta prática pode
ser executada manualmente ou com tratores. Em ambos os casos, não
se aconselha a queima da vegetação, apenas retiram-se os arbustos
e galhos maiores, sendo o restante incorporado ao solo através de
uma ou mais lavrações.
-
Destocamento
- Caso a área seja coberta por mata ou outra vegetação maior, com
sistema radicular mais desenvolvido, aconselha-se executar o destocamento
após a roçagem da vegetação. Esta prática tem por objetivo a retirada
dos tocos maiores para facilitar os demais trabalhos. Ela é feita
com implementos mais pesados tracionados por tratores e eventualmente
por animais.
-
Lavração
- Esta prática visa a mobilização total do solo. A profundidade em
que esta mobilização é feita depende do tipo de solo e dos trabalhos
nele executados anteriormente. É mais comum fazer a lavração à profundidade
de 20 a 25 cm.
-
Gradagem
- Esta prática visa nivelar o terreno que foi revolvido. Este nivelamento
permite a distribuição mais uniforme dos adubos e facilita a demarcação
das covas para o plantio.
-
Preparo
das covas ou sulcamento - As covas são preparadas após o nivelamento
do solo, tendo as dimensões de 50 x 50 x 50 cm. Quando a topografia
permite, no lugar das covas, faz-se a abertura de sulcos com profundidade
de 20 a 25 cm.
Tem como finalidade eliminar prováveis efeitos tóxicos dos elementos
que podem ser prejudicial às plantas, tais como alumínio e manganês, e
corrigir os teores de cálcio e magnésio do solo. Para a videira o pH do
solo deve estar próximo de 6,0. No RS e SC utiliza-se o índice SMP como
indicador da necessidade de calagem.
Na tabela 1 se observa
a quantidade de calcário a ser adicionada em função do índice SMP. Na
implantação do vinhedo, para os solos da região da Serra Gaúcha, recomenda-se
aplicar, no máximo, 3,5 t ha-1, sendo o restante parcelado anualmente.
Deve-se dar preferências para o uso do calcário dolomítico
(com magnésio), sendo que o mesmo deve ser aplicado ao solo, pelo menos,
3 meses antes do plantio, distribuindo-se em toda área.
Só aplique calcário quando a análise de solo indicar necessidade
e/ou os teores de cálcio e magnésio forem menores que 4,0 e 2,0 cmolc,
respectivamente.
Normalmente após três a quatro anos após a implantação do
vinhedo há necessidade de fazer uma nova calagem. O modo de aplicação
do calcário é bastante controverso, pois em regiões de ocorrência de fusariose,
o corte do sistema radicular pode aumentar a mortalidade de plantas infectadas
por fusarium, e, em vinhedos sob Litossolos, há afloramento de rochas.
Nas duas situações é proibitivo a prática da incorporação do calcário,
sendo então necessário a aplicação do calcário na superfície sem a necessidade
de incorporação.
Exigências nutricionais e sintomas de deficiência
-
Fósforo
- Solos brasileiros são deficientes em fósforo, com teores médios
em torno de 1,0 mg kg-1 (Mehlich 1), que
torna necessário utilização de adubos químicos para suprir a deficiência.
Os sintomas de deficiência de fósforo ocorrem em folhas maduras, onde
é observado redução do tamanho, tornam-se amareladas e ainda podem
apresentar limbo com manchas avermelhadas.
A concentração normal de fósforo nas folhas da videira
varia de 0,15 a 0,25 %, sendo que a planta absorve cerca de 1,4 kg
de P2O5 para produzir
1000 kg de frutos. Apesar dos solos brasileiros serem naturalmente
deficientes em fósforo, não se tem observado sintomas de deficiência
em plantas.
-
Potássio
- Na grande maioria dos solos brasileiros o concentração de K é considerada
baixa, no entanto, os solos da região da Serra Gaúcha apresentam teores
de médio a elevado.
Por ser um elemento bastante móvel no interior das plantas,
os sintomas de deficiência de potássio ocorrem em folhas mais velhas.
Nas variedades brancas os sintomas iniciais se caracterizam por amarelecimento
nas proximidades das bordas foliares, com o agravamento da deficiência
as bordas ficam necrosadas. Nas variedades tintas, as folhas tornam-se
avermelhadas e também mostram o necrosamento das bordas.
A concentração normal de potássio nas folhas da videira
varia de 1,50 a 2,50 %, sendo que a planta absorve cerca de 6 kg de
K2O para produzir 1000 kg de frutos. Apesar
dos solos brasileiros serem naturalmente deficientes em potássio,
como no fósforo, também não é comum sintomas de deficiência em plantas.
O uso indiscriminado de fertilizantes potássicos aumenta a concentração
desse elemento no mosto, isso pode acarretar problemas enológicos.
-
Nitrogênio
- O teor de matéria orgânica é o indicador de disponibilidade de N
no solo mais utilizado, mas este não tem sido muito eficaz na predição
do comportamento das plantas, o que tem causado sérios problemas na
viticultura, pois tanto o excesso quanto a deficiência de nitrogênio
afeta a produtividade e a qualidade dos frutos.
Os sintomas de deficiência de nitrogênio se caracterizam
pela redução no vigor das plantas e pela clorose (amarelecimento)
no limbo das folhas maduras e velhas. Em algumas variedades tintas
as folhas e, principalmente, os pecíolos podem apresentar coloração
avermelhada.
A concentração normal de N nas folhas da videira varia
de 1,60 a 2,40 %, sendo que a planta absorve cerca de 2 kg de N para
produzir 1000 kg de frutos. Apesar dos solos brasileiros serem naturalmente
deficientes em nitrogênio, freqüentemente observa-se tanto a falta
quanto o excesso de N nos parreirais. Isto indica que os produtores
ainda não têm consenso no uso de nitrogênio, principalmente porque
há uma relação inversa entre excesso de vigor das plantas e produtividade
e/ou qualidade dos frutos, o que leva os produtores a temer uma aplicação
excessiva de fertilizantes nitrogenados.
-
Cálcio
- O cálcio é um elemento pouco móvel na planta, por isso os sintomas
de deficiência aparecem nas folhas jovens. Essas folhas normalmente
são menores do que as normais, com a superfície entre as nervuras
cloróticas, com pintas necróticas e tendência a se encurvarem para
baixo. Os teores de cálcio considerados normais para a videira varia
de 1,6 a 2,4 % , sendo que as plantas retiram cerca de 6 kg de CaO
para produzir 1000 kg de frutos.
-
Magnésio
- Apesar dos teores de Mg2+ da grande maioria
dos solos brasileiros serem baixos, ele não tem sido problema sério
para a videira, pois, como para o cálcio, a utilização de calcário
dolomítico para aumentar o pH do solo também aumenta o teor de Mg.
O magnésio é um elemento móvel na planta, por isso os
sintomas de deficiência aparecem nas folhas maduras. Essas folhas
apresentam a superfície entre as nervuras cloróticas, que com o agravamento
da deficiência vão ficando amareladas, no entanto as nervuras permanecem
verdes. Tem-se observado um distúrbio fisiológico chamado dessecamento
da ráquis, sendo sua ocorrência mais freqüente em anos em que o período
de maturação dos frutos é bastante chuvoso e o solo apresenta-se com
alto teor de potássio e baixo de magnésio. Os teores de magnésio considerados
normais para a videira varia de 0,25 a 0,50 % , sendo que as plantas
retiram cerca de 1 kg de MgO para produzir 1000 kg de frutos.
-
Boro
- A grande maioria dos solos do Brasil, cultivados com videira, possuem
baixo teor de boro. No RS, freqüentemente tem-se observado sintomas
de deficiência de B, sendo que os problemas normalmente aparecem em
solos cujo teor é menor do que 0,6 mg dm-3.
A mobilidade do boro nas plantas ainda é muito discutida,
principalmente porque os sintomas de deficiência aparecem nas folhas
e ramos novos. A característica principal é a redução no tamanho das
folhas e encurtamento dos estrenós. Os teores de boro considerados
normais para a videira varia de 15 a 22 mg dm-3,
sendo que as plantas retiram cerca de 10 g de B para produzir 1000
kg de frutos.
Existem três tipos fundamentais de adubação: a de correção, efetuada
antes do plantio, a de plantio ou crescimento, realizada na ocasião do
plantio do porta-enxerto ou da muda até 2 a 3 anos, e a de manutenção,
realizada durante a vida produtiva da planta. A primeira é feita para
corrigir a fertilidade do solo para padrões de fertilidade preestabelecido,
a segunda é feita para permitir o crescimento inicial das plantas, a terceira
é para repor os elementos absorvidos pela planta durante o ano.
-
Adubação
de Correção - Como o nome já diz, é feita para corrigir possíveis
carências nutricionais. Nela procura-se corrigir os teores de fósforo,
potássio e do micronutriente boro.
Os indicadores da disponibilidade de K e P para os solos
do RS é o Mehlich 1, enquanto que para boro é a "Água Quente". A quantidade
de nutriente a ser aplicada baseia-se em análise de solo e segue-se
a tabela 2. Os fertilizantes devem ser aplicados 10 dias
antes do plantio e devem ser distribuídos em toda área.
As fontes utilizadas para fósforo são os superfosfatos,
enquanto que para o potássio recomenda-se o uso do cloreto de potássio
ou sulfato de potássio. Em condições de pH menor que 6,0 há possibilidade
de utilização de fosfatos naturais, mas deve-se comparar custo dessa
aplicação com a aplicação de um fosfato mais solúvel. Para o boro
recomenda-se a utilização de bórax, ácido bórico e ulexita.
-
Adubação
de Plantio ou Crescimento - Esta adubação tem finalidade fornecer
nitrogênio às plantas durante os dois a três primeiros anos após a
implantação. Utiliza-se esterco e/ou fertilizante químico à base de
nitrogênio.
A quantidade de nitrogênio a ser aplicada está relacionada
com o teor de matéria orgânica do solo e segue-se a tabela 3. A fonte de N a ser utilizada deve ser aquela
mais fácil de ser encontrada na região. Quando for utilizado uréia
deve-se tomar o cuidado para evitar perdas por volatilização, assim
o solo deve estar úmido e/ou incorporar o fertilizante ao solo.
Em solos com menos de 25 g kg-1
de matéria orgânica recomenda-se a aplicação de esterco de frango
na ocasião do plantio, na dose 15 t ha-1,
que deve ser colocado no fundo das covas das plantas e bem misturado
com o solo.
-
Adubação
de manutenção - Tem a finalidade de repor os nutrientes que são
exportados na forma de frutos. A recomendação para nitrogênio, fósforo
e potássio é feita na expectativa da produtividade a ser alcançada
e se utiliza três classes de produtividade que são: < 15, 15 a
25 e > 25 t ha-1, as doses recomendadas
se encontram nas tabelas 4, 5 e 6 e as épocas
de aplicações estão na tabela 7.
O Boro é o micronutriente que mais comumente se apresenta em concentrações
abaixo do normal nas plantas da videira, assim, quando necessário,
faz-se adubações de correção nas doses recomendadas pela tabela
8.
Durante os dois primeiros anos de cultivo da videira a área poder
ser cultivada com uma cultura anual nas entrelinhas da videira, esta cultura
intercalar deverá permitir a cobertura do solo enquanto a videira cresce.
A partir do 3° ano do plantio (2° ano após a enxertia) não é mais recomendável
a cultura intercalar. Contudo, a utilização da cobertura verde do solo
do vinhedo, com gramíneas e/ou leguminosas de outono-inverno, pode ser
útil ao solo e à videira. Entre vários benefícios, esta prática auxilia
o controle de ervas daninhas, mantém ou aumenta o teor de matéria orgânica
do solo e diminui o estresse hídrico nas primaveras e verões secos. Para
atingir esses objetivos sugere-se a seguinte sistemática:
-
março/abril
- fazer a análise do solo e realizar as correções da acidez e fertilidade
do solo necessárias para a videira e a cultura verde de cobertura
do solo. Somam-se as quantidades recomendadas dos fertilizantes para
as duas culturas e a incorporação deve ser feita seguindo o seguinte
esquema: calagem (se necessária) - adubação orgânica e/ou química
- semeadura da cultura para a cobertura verde.
-
Roçada
ou dessecamento - a época para fazer a roçada ou dessecamento
da cobertura verde varia de ano para ano. O produtor de deixar as
plantas vegetando durante o maior tempo possível, mas tendo cuidado
com a competição entre as plantas de cobertura e a videira. Na região
da Serra Gaúcha é tecnicamente possível manter o solo do pomar coberto
até outubro. A roçada ou dessecamento é feita com roçadeira ou herbicida
sistêmico (glifosato ou similar).
Para a cobertura verde podem ser usadas várias espécies
como: aveia preta, ervilhaca, azevém, nabo forrageiro, trevo, tremoço,
entre outras. Também, pode-se fazer uma combinação de uma leguminosa
com uma gramínea. A relva expontânea (natural) pode ser deixada como
cobertura verde do solo, roçando quando atingir a altura de 30 cm,
aproximadamente.

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