Embrapa Hortaliças
Sistemas de Produção, 6
ISSN 1678-880X Versão Eletrônica
Jun./2008
Batata-doce (Ipomoea batatas)
Autores

Sumário

Apresentação
Introdução
Origem
Material de propagação
Clima e solo
Nutricao e adubacao
Cultivares
Plantio
Tratos culturais
Irrigação
Colheita
Lavagem
Classificação
Controle de soqueira
Rotacao de cultura
Disturbios
Doenças
Desordens não infecciosas
Pragas
Manejo integrado de pragas
Consórcio
Composição e uso
Referências

Expediente


Clima e solo

A batata-doce se desenvolve melhor em locais ou épocas em que a temperatura média é superior a 24 ºC. Quando a temperatura é inferior a 10 ºC, o crescimento da planta é severamente retardado. A cultura não suporta geada, mas pode ser cultivada em regiões temperadas, nos períodos da primavera e verão, quando a temperatura elevada e a alta radiação solar favorecem o desenvolvimento da cultura.

Quanto ao regime pluvial, a cultura deve ser implantada em locais com pluviosidade anual média de 750 a 1000 mm, sendo que cerca de 500 mm são necessários durante a fase de crescimento.

A fase crítica de disponibilidade de umidade no solo ocorre na primeira semana após o plantio, porque as ramas-semente não possuem ainda sistema radicular para explorar umidade contida em camadas inferiores do solo. Neste período é necessário realizar pelo menos duas irrigações, sendo a primeira logo após o plantio, visando promover o contato do solo com as ramas-semente, favorecendo a manutenção da umidade do tecido vegetal. Com isso garante-se maior taxa de aproveitamento do material de propagação, evitando-se o replantio.

O solo deve ser preferencialmente arenoso, bem drenado, sem presença de alumínio tóxico, com pH ligeiramente ácido e com alta fertilidade natural. Solos arenosos facilitam o crescimento lateral das raízes, evitando a formação de batatas tortas ou dobradas. Além disso, facilita a colheita, permitindo o arranquio das batatas com menor índice de danos e menor esforço físico.

Solos ácidos, com pH entre 4,5 e 5,5 resultam em menor ocorrência de sarna, que é uma bacteriose causada por Streptomyces spp. Entretanto, solos muito ácidos, geralmente têm níveis elevados de alumínio solúvel, o que é prejudicial ao desenvolvimento das plantas. Por isso, uma análise química do solo deve indicar ou não a necessidade de correção da acidez, que deve ser realizada com calcário dolomítico.

A capacidade de drenagem do solo é outro fator limitante. Em solos com lençol freático pouco profundo ou sujeitos a longos períodos de encharcamento, pode causar a formação de raízes longas, denominadas de “chicote” (Figura1).

Foto: João Bosco Carvalho da Silva

Fig. 1. Raízes longas "chicote" ocasionadaspor plantio em solos rasos ou encharcados

Quanto à topografia, a utilização de áreas de pouco declive facilita as operações mecanizadas. No entanto, áreas relativamente acidentadas também podem ser utilizadas pois a construção de leiras em nível promove um controle eficiente da erosão do solo.

O preparo do solo consiste na formação de leiras ou camalhões com 30 cm de altura, distanciadas de 80 cm (Figura 2). Utilizando-se para isto um sulcador com dois bicos. Em locais com solos arenosos pode-se dispensar a aração, mas em solos argilosos é necessário fazer primeiramente uma aração para descompactar o solo e, em seguida, uma gradagem.

Foto: João Eustáquio Cabral de Miranda
adadada
Fig. 2. Leiras para plantio

As leiras devem ser construídas em nível, principalmente quando a área tiver topografia acidentada, pois atuam como controladoras de erosão (Figura 3).

Foto: João Eustáquio Cabral de Miranda
adad
Fig. 3. Leiras construídas em nível

Quando for necessário aplicar fertilizantes, estes devem ser distribuídos nas linhas correspondente às leiras, antes da sua construção, de forma que os fertilizantes fiquem localizados na base das mesmas.


 

Todos os direitos reservados, conforme Lei n° 9.610.