Embrapa Hortaliças
Sistemas de Produção, 6
ISSN 1678-880X Versão Eletrônica
Jun./2008
Batata-doce (Ipomoea batatas)
Autores

Sumário

Apresentação
Introdução
Origem
Material de propagação
Clima e solo
Nutricao e adubacao
Cultivares
Plantio
Tratos culturais
Irrigação
Colheita
Lavagem
Classificação
Controle de soqueira
Rotacao de cultura
Disturbios
Doenças
Desordens não infecciosas
Pragas
Manejo integrado de pragas
Consórcio
Composição e uso
Referências

Expediente


Nutrição e adubação

A planta de batata-doce possui um sistema radicular muito ramificado, o que a torna eficiente na absorção de nutrientes, especialmente o fósforo. Por isso, são raros os resultados positivos de adubação fosfatada (BREDA FILHO et al., 1966; CARMARGO et al., 1962; CAMARGO, 1951).

Quando a cultura é instalada em seqüência a uma outra cultura que tenha recebido altas doses de fertilizantes, como é o caso da maioria das hortaliças, geralmente não são feitas adubações e nem correções de acidez. Entretanto, com base na análise do conteúdo mineral, a cultura extrai 60 a 113kg de N; 20 a 45,7kg de P2O5; 100 a 236kg de K2O; 31 a 35kg de CaO e 11 a 13kg de MgO, para uma produção de 13 a 15 t/ha. Para uma produção de 30t/ha de raízes, extrai cerca de 129Kg/ha de N; 50kg/ha de P2O5 e 257Kg/ha de K2O (MIRANDA et al., 1987). Contudo deve-se considerar que a extração de nutrientes depende da cultivar, das características químicas e físicas do solo, do clima e do ciclo da cultura.

Os elementos extraídos devem ser fornecidos ao solo, com a finalidade de manter a sua capacidade produtiva. Por isso, para as condições de solos com alta capacidade de retenção de fósforo, como é a maioria dos solos da região dos cerrados, recomenda-se aplicar, pelo menos, fertilizantes fosfatados. Como recomendação geral, existem algumas propostas regionais, resumidas no Quadro 1, cujos limites de interpretação dos resultados de análises de solo para fósforo e potássio estão no Quadro 2.

Quadro 1. Recomendação de adubação mineral para batata-doce para alguns estados, com base nos teores de fósforo e potássio encontrados no solo.

Estado do Espírito Santo
Fósforo
Potássio
 
Baixo
Médio
Alto
 
Kg/ha de N – P2O5 – k2O
Baixo
20-90-100
20-90-70
20-90-40
Médio
20-60-100
20-60-70
20-60-40
Alto
20-40-100
20-40-70
20-40-40
Estado de Minas Gerais
Baixo
60-180-90
60–180–60
60–180–30
Médio
60-120-90
60–120–60
60–120–30
Alto
60-60-90
60–60–60
60–60–30
Estado de São Paulo
Baixo
40-100-120
40–100–90
40–100–60
Médio
40-80-120
40–80–90
40–80–60
Alto
40-60-120
40–60–90
40–60–60
Fonte: Raij et al., 1996; Ribeiro et al., 1999; Dadalto et al., 2001.

Quadro 2. Limites de interpretação do nível de fertilidade adotados pelos laboratórios de análise de solo.

Parâmetro Analisado
Baixo
Médio
Alto
   Fósforo (mg/dm³)
Textura argilosa
< ou = 5
6-10
> 10
Textura média
< ou = 10
11-20
> 20
textura arenosa
< ou = 20
21-30
> 30
Potássio (mg/dm³)
< ou = 30
31-60
> 60
Fonte: Dadalto e Fullin, 2001.

Obs:

a) Aplicar todo o fósforo e metade do potássio e do nitrogênio no plantio;

b) Efetuar cobertura com nitrogênio e potássio aos 40 – 45 dias.

O nitrogênio é o nutriente que mais merece atenção. Em solos com alta disponibilidade desse elemento ocorre um intenso crescimento da parte aérea, em detrimento da formação de raízes de reserva. O crescimento luxuriante de folhas e ramas causa o auto-sombreamento excessivo, que reduz a taxa de fotossíntese e favorece o crescimento de patógenos, principalmente os fungos. Por outro lado, a deficiência de nitrogênio prejudica o desenvolvimento da planta, causando a redução da fotossíntese, o amarelecimento e a queda das folhas basais.

Para evitar o excesso, bem como a deficiência do elemento, deve-se acompanhar o crescimento da cultura. A aplicação de fertilizante nitrogenado só deve ser feita quando houver sintomas de deficiência do nutriente que é o amarelecimento das folhas, principalmente as mais velhas. Esta atenção deve ser dada antes que as plantas atinjam cerca de 45 dias, pois a partir desse período torna-se mais difícil realizar qualquer operação na lavoura, devido ao entrelaçamento das ramas.

Em relação ao potássio, por ser um elemento solúvel e bastante móvel no solo, é recomendado que se faça a aplicação da metade da dose no plantio e o restante aos 45 dias.

Os nutrientes cálcio e magnésio são geralmente supridos através da calagem com calcário dolomítico.

Quanto aos micronutrientes, em solos com baixa fertilidade como é o caso dos solos da região dos cerrados, recomenda-se aplicar 10 a 20kg/ha de bórax e ????kg/ha de sulfato de zinco. Entretanto, se nos cultivos anteriores tiverem sido feitas adubações com este fertilizante, deve-se atentar para a possibilidade de ocorrência de níveis tóxicos.

A aplicação de matéria orgânica tem proporcionado excelentes resultados por dois motivos: o primeiro, por promover o arejamento e o afrouxamento do solo, facilitando o crescimento lateral das raízes. Com isso, formam-se raízes menos tortuosas. O segundo motivo é que, sendo uma cultura de ciclo relativamente longo, ocorre a liberação mais lenta dos minerais durante a decomposição da matéria orgânica mantendo um equilíbrio entre a formação de partes vegetativas e a acumulação de reservas. Caso haja disponibilidade de matéria orgânica, pode-se adicionar 20 a 30t/ha de esterco de gado, e neste caso, reduzir à metade a adubação com nitrogênio mineral. Os fertilizantes devem ser distribuídos no espaçamento correspondente às leiras, antes da sua construção, de forma que fiquem localizados na base da leira.

 

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