Embrapa Hortaliças
Sistemas de Produção, 5
ISSN 1678-880X Versão Eletrônica
Jun./2008
Cenoura (Daucus carota )
Autores

Sumário

Apresentação
Importância econômica
Clima
Solos
Adubação
Deficiências nutricionais
Cultivares
Plantio
Raleio
Irrigação
Plantas daninhas
Doenças
Pragas
Colheita
Coeficientes técnicos
Referências

Expediente


Plantas daninhas

Welington Pereira


O conhecimento dos aspectos gerais da biologia das plantas daninhas como: origem e distribuição, classes, ciclo de vida, importância econômica, tipos de reprodução, dormência das sementes ou propágulos vegetativos, e a interferência que elas causam na cultura de cenoura é essencial para definir as medidas de prevenção e controle. Práticas inadequadas de manejo das plantas daninhas tendem a aumentar o banco de sementes no solo agravando ainda mais o problema nos cultivos subsequentes.

Em geral, as plantas daninhas adaptam-se melhor no meio ambiente do que as plantas de cenoura, crescendo mais vigorosas, principalmente nos primeiros estádios de crescimento. Assim, é necessário manter as áreas de cultivos livres da interferência de plantas daninhas, pelo menos durante o período crítico, ou seja, até que a cultura se desenvolva, cubra suficientemente a superfície do solo, e não sofra mais a interferência negativa delas.

O período crítico de interferência das plantas daninhas na cultura ocorre, em geral, da terceira até a sexta semana após a emergência, variando basicamente de acordo com o banco de sementes no solo, condições edafoclimáticas e o sistema de cultivo. O controle das plantas daninhas pode ser feito por métodos culturais, manuais ou mecânicos, ou químico com o uso de herbicidas.

A escolha e a eficiência de uso de cada um desses métodos depende da natureza e interação das plantas daninhas, da época de execução do controle, das condições climáticas, do tipo de solo, dos tratos culturais, do programa de rotação de culturas, da disponibilidade de herbicidas e da disponibilidade de mão-de-obra e equipamentos. Os métodos culturais consistem de aração e gradagem da área com antecedência em relação ao plantio, de modo a favorecer a emergência das plantas daninhas e assim facilitar a sua eliminação pela capina ou incorporação por ocasião do levantamento dos canteiros.

As plantas daninhas podem ser eliminadas manual ou mecanicamente por ocasião do desbaste, com o emprego de sacho ou enxada estreita entre as linhas de plantas. Entretanto, o cultivo mecânico apresenta o inconveniente de não eliminar as plantas daninhas entre plantas nas fileiras e, muitas vezes, danificar as raízes da cenoura.

O controle químico das plantas daninhas destaca-se como um dos métodos de controle mais eficientes, possibilitando cultivar áreas relativamente extensas com gasto reduzido de mão-de-obra na limpeza das plantas daninhas. Quanto ao emprego de herbicidas, vários produtos podem ser utilizados.

A escolha deve ser feita de acordo com as espécies de plantas daninhas presentes e as características do produto (princípio ativo, seletividade, época de aplicação e efeito residual). Algumas das espécies de plantas daninhas comuns em plantações de cenoura e suas susceptibilidades aos herbicidas registrados para a cultura são apresentadas na Tabela 1.

 

Tabela 1. Susceptibilidade de algumas espécies de plantas daninhas aos herbicidas registrados para a cultura da cenoura
Plantas Daninhas
Nome comum e científico das espécies

Herbicida (*)
1
2
3
4
5
6
7
Amendoim-bravo - Euphorbia heterophylla
T1 T M M T T T
Ançarinha-branca – Chenopodium album
S - S S T T T
Apaga-fogo – Alternanthera tenella
M M S S T T T
Azevém - Lolium multiflorum
M M S M S A A
Beldroega – Portulaca oleracea
S - S A T T T
Botão-de-ouro – Galinsoga parviflora
T S M S T T T
Capim-amargoso - Digitaria insularis
- S S T S A A
Capim-arroz – Echinochloa crusgalli
M T - A S A S
Capim-carrapicho - Cenchrus echinatus
M T S T S A A
Capim-colchão - Digitaria sanguinalis
T T - A - A A
Capim-coloninho – Echinochloa colonum
T T - A - A S
Capim-colonião – Panicum maximum M T S M S A A
Capim-favorito - Rhynchelytrum roseum (Nees) Stapf et Hubb.
- - - - - A A
Capim-kikuyo – Pennisetum clandestinum - - T T S - -
Capim-marmelada – Brachiaria plantaginea
S T S S S A A
Capim-maçambará - Sorghum halepense
T T T T S S S
Capim-oferecido – Pennisetum setosum
- - - M S A A
Capim-pé-de-galinha – Eleusine indica S M S A S S A
Capim-rabo-de-raposa – Setaria geniculata M T S M S A A
Caruru - Amaranthus hybridus var. paniculatus S - S S T T T
Carrapicho-de-carneiro – Acanthospermum hispidum S S T S T T T
Carrapicho-rasteiro – Acanthospermum australe S S T M T T T
Corda-de-viola – Ipomoea grandifolia T - M M T T T
Erva-de-santa-maria – Chenopodium ambrosioides S S S S T T T
Falsa-seralha – Emilia sonchifolia
S S M S T T T
Fedegoso – Sena obtusifolia
S T T S T T T
Grama-seda – Cynodon dactylon
T T T T S S S
Guanxuma - Sida rhombifolia T M M S T T T
Joá-bravo ou da roça – Solanum sisymbriifolium
S T T M T T T
Joá-de-capote – Nicandra physaloides S M M S T T T
Maria-pretinha – Solanum americanum S S M M T T T
Mentrasto – Ageratum conyzoides S - S S T T T
Mentruz – Lepidium ruderale L.
S S S M T T T
Mostarda – Sinapis arvensis S - S - T T T
Nabiça – Raphanus raphanistrum S - S S T T T
Picão-preto – Bidens pilosa
S S T A T T T
Poaia branca – Richardia brasiliensis S M M M T T T
Serralha – Sonchus oleraceus S S M S T T T
Tiririca-amarela – Cyperus esculentus
T T M M T T T
Tiririca-roxa – Cyperus rotundus
T T M T T T T
Trapoeraba – Commelina virginica S M M S T T T
Trevo – Oxalis latifolia HBK.
T T S - T T T
1 T = Tolerante; S = Susceptível; M = Moderadamente susceptível; - = sem informação. 1=Trifluralin; 2= linuron; 3= oxadiason; 4= prometryne; 5= clethodim; 6= fenoxaprop-p; 7= fluazifop-p.
Fonte: Adapatado de Ahrens (1994) e Lorenzi (1994).
 

O preparo do solo deve ser bem feito, livre de torrões e de resíduos dos restos culturais facilitando, desse modo, o controle das plantas daninhas, promovendo a germinação e o crescimento vigoroso das plantas de cenoura, diminuindo, consequentemente, a competição das plantas. Irrigações por ocasião da aração facilitam o preparo e promovem a germinação das plantas daninhas as quais são eliminadas durante o preparo final (cerca de 15 dias após a aração) do leito de plantio.

Adicionalmente, o bom preparo do solo melhora o comportamento dos herbicidas de pré-emergência como linuron, oxadiazon e prometrine. Sempre que o solo for revolvido e submetido a umidade favorável (chuva ou irrigação) as sementes das plantas são estimuladas a germinar e desenvolver rapidamente.

Recomenda-se fazer o preparo do solo 2 a 3 semanas antes do semeio para permitir a germinação, crescimento e o controle pós-emergente das plantas daninhas na área pela aplicação de herbicidas não seletivos de ação de contato como diquat e paraquat ou sistêmica como glyphosate, podendo ser realizada antes ou após o plantio. Quando a aplicação é feita após o plantio sobre as plantas daninhas emergidas (4 a 6 folhas definitivas) e obrigatoriamente antes da emergência da cenoura pode-se combinar herbicidas de ação residual (linuron, oxadiozon ou prometryne) em pré-emergência melhorando o espectro e tempo de controle.

As plantas emergidas são eliminadas pelos herbicidas de contato ou sistêmico e aquelas em processo de germinação pelos herbicidas residuais. Em áreas com baixa infestação, pode-se aplicar, preferencialmente, herbicidas pós-emergentes como clethodim, fenoxaprop-p, fluazipfop-p, para o controle de gramíneas e linuron para o controle de dicotiledôneas.

O tipo de solo (arenoso ou argiloso) e o teor de matéria orgânica são fatores que devem ser levados em consideração para a definição da dose do herbicida a ser aplicada em pré-plantio e pré-emergência. Em solos arenosos e com baixos teores de matéria orgânica, recomenda-se usar a menor dosagem registrada no rótulo da embalagem.

Os herbicidas de pré-plantio incorporado devem ser aplicados com o solo bem preparado, seco e livre de plantas daninhas e imediatamente incorporados até 10 cm de profundidade. Os herbicidas de pré-plantio ou pré-emergência devem ser aplicados com o solo bem preparado, livre de plantas daninhas e com a umidade próxima da capacidade de campo.

Os herbicidas de pós-plantio ou pós-emergência devem ser aplicados quando as plantas daninhas estiverem ainda no início do desenvolvimento e quando as folhas estiverem enxutas.

Para melhorar o controle, pode-se combinar a aplicação isolada dos herbicidas ou da mistura registrada dos princípios ativos (Tabela 2), desde que observada a susceptibilidade das plantas daninhas e modo de ação e seletividade dos herbicidas. A eficiência do uso de herbicida é condicionada também à calibração do equipamento; ou seja, à pressão, tipo e numeração de bicos, à velocidade da aplicação e aos cálculos corretos das dosagens recomendadas nos rótulos das embalagens.

Tabela 2 - Herbicidas registrados para a cultura de cenoura - MAPA/SDSV/DIPROF.
Grupos de Plantas Daninhas Controladas
Nome comum dos herbicidas
Dosagem (kg/ha do i.a.)
e formulação (kg ou L/ha)
Época ou modo de aplicação (*)
1 – Folhas largas
Linuron
(0,99 a 1,98) 2,20 a 4,40
Pré e pós
Prometryne
(0,96 a 1,60 ) 1,20 a 2,00
Pré
2 – Folhas estreitas
(Gramíneas)
Clethodim
(0,08 a 0,11) 0,35 a 0,45
Pós

Fenoxaprop-p
(0,07 a 0,11) 0,63 a 1,00
Pós
Fluazifop-p
(0,09 a 0,25) 0,75 a 2,00
Pós
Oxadiazon
(1,00) 4,00
Pré e pós
Trifluralin
(1,80 a 2,40) 3,00 a 4,00
Pré
(0,53 a 1,07) 1,20 a 2,40
Ppi
(*) ppi = pré-plantio-incorporado; pré = pré-emergência; pós = pós-emergência.
Fonte: Agrofit, 2002.

Alguns dos produtos citados têm ação em ambos grupos de plantas. A especificidade de cada um deles no controle das diversas espécies de plantas daninhas encontra-se na tabela 2. É importante mencionar que a inclusão ou exclusão de um produto nesta lista depende da validade de registro dele junto ao MAPA/SDSV/DIPROF.

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