Embrapa Embrapa Uva e Vinho
Sistema de Produção, 11
ISSN 1678-8761 Versão Eletrônica
Dez./2005
Sistema de Produção de Uva de Mesa do Norte de Minas Gerais
Rosemeire de Lellis Naves
Lucas da Ressurreição Garrido
Olavo Roberto Sônego
Doenças e seu controle

A videira está sujeita a uma série de doenças, que podem ocorrer em todas as partes da planta, como raízes, troncos, ramos, folhas, brotos e cachos. Algumas dessas doenças, de natureza fúngica ou virótica, provocam grandes perdas e, frequentemente, tornam-se fatores limitantes à viticultura em regiões tropicais, caso medidas adequadas de controle não sejam adotadas. Eficiência e capacidade de manter um custo de produção competitivo no mercado são algumas características essenciais a um método de controle. A utilização de um conjunto de medidas que englobem os princípios gerais de controle de doenças de plantas - evasão, exclusão, erradicação, regulação, proteção, imunização e terapia- é a melhor alternativa. Assim, deve-se aliar a escolha do local adequado de plantio, uso de cultivares resistentes e material de propagação sadio, adubação equilibrada, manejo correto da cultura, eliminação de plantas ou partes vegetais doentes e o controle de insetos pragas e plantas invasoras ao uso de fungicidas.
O conhecimento dos patógenos importantes para as diferentes cultivares de videira e os estádios de maior suscetibilidade da planta às principais doenças, a influência das condições climáticas sobre os patógenos e as plantas e os fungicidas empregados em cada situação, auxiliarão no estabelecimento de um programa de controle químico racional de doenças, tornando os tratamentos mais eficientes e reduzindo os custos de produção e os riscos de contaminação do ambiente.
Dentre as doenças fúngicas que ocorrem em uvas finas de mesa na região de Pirapora, Minas Gerais, destacam-se míldio (Plasmopara viticola), oídio (Uncinula necator), podridões de cachos (Glomerella cingulata, Botryotinia fuckeliana), antracnose (Elsinoe ampelina) e ferrugem (Phakopsora euvitis). Além das doenças fúngicas, as viroses também podem causar sérios prejuízos aos viticultores.

Míldio - Plasmopara viticola

Principal doença fúngica em áreas tropicais, o míldio, também conhecido como mofo ou mufa, é causado pelo pseudofungo Plasmopara viticola e pode causar perdas de até 100% na produção. As condições climáticas ideais para o desenvolvimento da doença são temperaturas entre 18 °C e 25 °C e umidade relativa do ar acima de 60%. A presença de água livre na superfície dos tecidos vegetais, seja proveniente de chuvas, orvalho ou gutação, por um período mínimo de 2 horas, é indispensável para que ocorra a infecção, sendo a umidade relativa do ar acima de 95%, necessária para a produção de esporos. O patógeno afeta todas as partes verdes da planta. Nas folhas, inicialmente aparecem manchas amareladas, translúcidas contra o sol, denominadas de "mancha de óleo" (Fig. 1 ). Em condições de alta umidade relativa, na face inferior da folha, sob a mancha de óleo, observa-se um mofo branco que é a frutificação do pseudofungo (Fig. 2). Em seguida, o tecido foliar afetado necrosa (Fig. 3) e, quando o ataque é muito intenso, ocorre a desfolha precoce da planta. Os cachos são atacados desde antes da floração até o início da maturação. Quando o patógeno atinge as flores ou os frutos até o estádio de chumbinho, observa-se escurecimento do ráquis, o cacho pode ficar recoberto por uma massa branca (Fig. 4), secar e cair. A fase de maior susceptibilidade da cultura ao míldio compreende o período entre o início da brotação dos ramos até a fase "grão ervilha". Nas bagas mais desenvolvidas, o fungo penetra pelos pedicelos e se desenvolve no seu interior, tornando-as escuras, duras, com superfície deprimida, destacando-se facilmente do cacho.
O controle preventivo do míldio deve ser iniciado com a escolha do local adequado para instalação da parreira, evitando-se áreas de baixada ou com face sul. Medidas que melhorem a aeração da copa, como espaçamento adequado, boa disposição espacial dos ramos sobre o aramado e poda verde (desbrota, desnetamento, desfolha, desponte, etc.), devem ser adotadas, objetivando diminuir o tempo de molhamento foliar e a disponibilidade de inóculo. Nas áreas que apresentam condições climáticas favoráveis, o controle por meio do uso de fungicidas (Tabela 1) deve ser realizado desde o início da brotação até a compactação dos cachos.

Oídio - Uncinula necator

Conhecido também por cinza ou mufeta, o oídio, causado por Uncinula necator, forma conidial Oidium tuckeri, é uma doença de grande importância quando ocorrem períodos secos. A germinação dos esporos - inibida pela presença de água livre na superfície das folhas - e o crescimento micelial ocorrem mais rapidamente entre 21 °C e 30 °C, embora o fungo possa se desenvolver a temperaturas entre 6 °C e 33 °C.
O fungo desenvolve-se na superfície dos órgãos verdes das plantas como brotos, folhas (Fig. 5) e bagas (Fig. 6), que ficam recobertos por um crescimento branco pulverulento, formando manchas difusas. Flores e bagas pequenas atacadas secam e caem. Outro sintoma típico, é a rachadura das bagas (Foto 7) mais desenvolvidas com exposição das sementes. Mesmo não ocorrendo fendilhamento, os cachos ficam depreciados, pois a superfície da baga fica manchada.
O controle químico do oídio deve ser realizado, em áreas com condições ambientais favoráveis, do início da brotação até a compactação dos cachos. Os fungicidas recomendados, as respectivas doses e os intervalos de aplicação estão listados na Tabela 1. Os produtos a base de enxofre, quando aplicados preventivamente, são eficientes e relativamente baratos, mas não devem ser utilizados nas horas mais quentes do dia, pois podem causar queimaduras na folhagem, flores e bagas.

Antracnose - Elsinoe ampelina

A antracnose, também conhecida como varola, negrão, carvão e olho-de-passarinho, é causada pelo fungo Elsinoe ampelina, forma conidial Saphaceloma ampelinum. As condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento do fungo são ventos frios e umidade relativa elevada. Temperaturas de 2ºC a 32ºC permitem que o patógeno cause infecção, embora a faixa de temperatura ótima para o seu desenvolvimento seja de 24 °C a 26 °C.
O fungo ataca todos os órgãos verdes da planta (folhas, gavinhas, ramos, inflorescências e frutos). Nos brotos, ramos (Fig. 8) e gavinhas, aparecem lesões arredondadas de coloração cinzenta no centro e bordos negros. Nas folhas, formam-se manchas escuras e circulares (Fig. 9) e, muitas vezes, o tecido necrótico desprende-se da lesão, que transforma-se num pequeno furo. Caso as lesões ocorram nas nervuras, causam a deformação da folha (Fig. 10). Nas bagas, manchas arredondadas tornam o tecido mumificado e escuro (Fig. 11). O ataque do fungo na fase de floração causa escurecimento e destruição das flores.
O controle da antracnose deve ser iniciado na época da poda com a destruição de ramos doentes e com tratamento químico, visando eliminar ou diminuir o inóculo inicial. A proteção do parreiral com o plantio de quebra-vento também reduz a ocorrência da doença. As pulverizações com fungicidas devem ser realizadas desde o estádio de ponta verde (início da brotação) até a compactação dos cachos. Os produtos recomendados para o controle da doença estão listados na Tabela 1.

Podridões do cacho - Glomerella cingulata e Botryotinia fuckeliana

As principais podridões do cacho que podem ocorrer de Pirapora são a podridão da uva madura, a podridão cinzenta ou mofo cinzento e podridão ácida, que provocam perdas tanto na qualidade como na quantidade da uva produzida. Ferimentos nos frutos favorecem o estabelecimento dos patógenos e adubação nitrogenada em excesso favorece o desenvolvimento das podridões, pois proporciona alto vigor à planta. Essas doenças podem ocorrer simultaneamente no mesmo cacho e, normalmente, provocam murcha e mumificação de parte ou de todas as bagas. Alta umidade favorece o desenvolvimento e a esporulação dos fungos, que podem ser disseminam pela ação do vento, da chuva e de insetos.
A podridão da uva madura é causada pelo fungo Glomerella cingulata, forma conidial Colletotrichum gloeosporioides. Além de alta umidade, temperaturas entre 25 ºC e 30 ºC são condições favoráveis à ocorrência da doença.
Os principais sintomas, observados nos cachos no período da maturação ou em uvas colhidas, surgem como manchas circulares marrom-avermelhadas sobre a película das bagas atacadas que, posteriormente, atingem todo o fruto, escurecendo-o (Fig. 12). Em condições de alta umidade, aparecem as frutificações do fungo na forma de pontuações cinza-escuras, concêntricas, das quais exsuda uma massa rósea ou salmão que são os conídios fúngicos (Fig. 13). Embora os sintomas tornem-se visíveis na uva madura, o fungo pode penetrar em todos os estádios de desenvolvimento do fruto, permanecendo latente até a fase de maturação.
A podridão cinzenta, podridão de botritis ou mofo cinzento é causada por Botryotinia fuckeliana, forma conidial Botrytis cinérea, fungo que ataca diversas culturas. É uma doença que ocorre com maior freqüência em cultivares de uvas finas, de cachos compactos e bagas com película fina. Água livre ou umidade relativa acima de 90% e temperatura próxima a 25°C são condições ideais ao desenvolvimento do fungo.
O patógeno pode infectar folhas, flores, ramos, pedúnculo e ráquis. Os botões florais, secam e caem. Se durante a floração ocorrer infecção do estilete floral, o fungo permanecerá em estado latente e o sintoma só aparecerá no início da maturação da uva, quando ocorre o aumento do teor de açúcar e redução do teor de ácidos. Nas bagas de uvas brancas, os sintomas iniciais são manchas circulares de coloração lilás que, posteriormente, tornam-se pardas (Fig. 14). Nas uvas tintas, os sintomas são mais difíceis de serem observados. Em condições favoráveis de umidade, o fungo se desenvolve na polpa, consumindo os açúcares e emitindo órgãos de frutificação que podem recobrir toda a baga, formando um mofo cinzento (Fig. 15). Lesões marrom-escuras podem aparecer na borda das folhas. Em estacas armazenadas em câmara de crescimento na produção de mudas por enxertia de mesa, o fungo provoca a doença conhecida como "teia de aranha".
Botrytis cinérea sobrevive no solo na forma de micélio em restos culturais e gemas e na forma de escleródios na casca. Frutos mumificados da safra anterior também proporcionam o substrato para sua sobrevivência.
A podridão ácida é causada por um complexo de microorganismos que inclui fungos, bactérias e leveduras presentes na superfície das plantas e sobre material em decomposição. As bagas afetadas pela podridão ácida inicialmente adquirem coloração marrom-clara e posteriormente escurecem. A polpa se decompõe, o suco começa escorrer pelo ferimento (Fig. 16) no qual se iniciou a podridão e contamina as bagas vizinhas. Após o escorrimento do suco, as bagas secam e escurecem, permanecendo aderidas ao pedúnculo. Nos cachos doentes, se observa a presença da mosca Drosophila, responsável pela disseminação dos microorganismos. Uma das características da podridão ácida é o odor de vinagre proveniente do ácido acético produzido pelas bactérias. Períodos quentes e chuvosos quando as uvas estão na fase de maturação, com teor de açúcar acima de 8%, favorecem a ocorrência da podridão ácida.
O controle das podridões do cacho deve ser feito por meio de um programa integrado de manejo: adoção de medidas que melhorem a aeração da copa, como espaçamento adequado, boa disposição espacial dos ramos sobre o aramado e poda verde (desbrota, desnetamento, desfolha, desponte, etc.); adubação equilibrada sem excesso de nitrogênio; colheita de todos os cachos para que não mumifiquem na planta; prevenção de ferimentos por meio do controle de doenças como o míldio e de pragas da parte aérea; proteção dos cachos com "chapéu chinês" , evitando que as bagas fiquem molhadas em períodos chuvosos na fase de maturação; pulverizações com fungicidas específicos no final da floração, antes da compactação dos cachos e mudança de cor da uva (Tabela 1).

Ferrugem - Phakopsora euvitis

Causada pelo fungo Phakopsora euvitis, a doença foi inicialmente detectada na Ásia e na América do Norte, sendo constatada pela primeira vez no Brasil no ano de 2001 em municípios da região norte do Estado do Paraná. Atualmente, no entanto, devido ao seu grande potencial de disseminação, a ocorrência do patógeno já se estendeu aos parreirais de outras regiões vitícolas do país. Ocorre, principalmente, em áreas tropicais e subtropicais onde a severidade da doença parece ser maior que nas regiões de clima temperado. Registros preliminares têm mostrado que cultivares européias (V. vinifera) sofrem menos danos que as cultivares americanas e híbridas.
Os sintomas da ferrugem na videira são lesões amareladas a castanhas de várias formas e tamanhos nas folhas. Massas amarelo-alaranjadas de uredosporos são produzidas na face inferior das folhas (Fig. 17), com manchas escuras necróticas na face superior. Ataques severos do fungo causam senescência e queda prematura de folhas, prejudicando a maturação dos frutos e reduzindo o vigor das plantas no ciclo seguinte.
Para o controle químico da ferrugem da videira, normalmente não são necessárias pulverizações específicas, uma vez que os fungicidas do grupo dos triazóis, utilizados para o controle de oídio, também são eficientes no controle de Phakopsora euvitis. Da mesma forma, estrobilurinas, como azoxistrobina e piraclostrobina, e diversos fungicidas que contém ditiocarbamatos e clorotalonil, os quais são utilizados para o controle de míldio e outras doenças, também controlam a ferrugem.

Requeima das folhas

A requeima das folhas da videira foi observada pela primeira vez em uvas americanas (Vitis labrusca L.) e híbridas cultivadas na região de Jales (SP), no início da maturação dos frutos, no ano de 1998 e, no ano seguinte, o problema passou a ser observado também nas cultivares de uvas finas (Vitis vinifera L.), durante o ciclo de formação. A doença provoca a queda prematura de folhas e prejudica a maturação dos frutos, tornando os cachos inadequados para a comercialização. Além disso, compromete a formação e maturação dos ramos para o ciclo seguinte, devido ao menor acúmulo de reservas de carboidratos.
Os sintomas iniciais, em cultivares de Vitis vinifera, são lesões castanho-claras com bordos escuros, podendo apresentar anéis concêntricos e halo amarelado bem visível (Fig. 18). Essas lesões, predominantes nos bordos foliares, aumentam rapidamente de tamanho e podem coalescer, cobrindo quase todo o limbo, o que provoca a morte e queda das folhas. A esses sintomas observados nas folhas de videiras, fungos do gênero Alternaria têm sido encontrados em constante associação, embora os testes de patogenicidade ainda não tenham sido concluídos.
Para o controle químico da requeima das folhas, não são necessárias pulverizações específicas, uma vez que os fungicidas do grupo dos triazóis, utilizados para o controle de oídio, também são eficientes no controle de Alternaria sp.

Doenças da madeira ou declínio da videira ou botriodiplodiose - Eutypa lata, Botryosphaeria spp.

Declínio ou morte descendente é um termo genérico que, num conceito mais amplo, designa a morte lenta e gradual de plantas ou partes da planta provocada por agente(s) bióticos ou abióticos. Os principais agentes de declínio da videira identificados no Brasil são Eutypa lata (forma conidial Libertella blepharis) e Botryosphaeria spp. (forma conidial Botryodiplodia theobromae e Dothiorella sp).

Os fungos penetram pelos ferimentos das podas ou outras injúrias produzidas sobre as plantas, se desenvolvem numa ampla faixa de temperatura e são favorecidos por alta umidade. O estresse hídrico e desequilíbrios nutricionais agravam a doença.

Os sintomas, bastante genéricos, são retardamento da brotação após a poda; encurtamento dos internódios; folhas pequenas e mal formadas com pequenas necroses nas margens, redução drástica de vigor, superbrotamento, frutificação irregular e menor número de bagas, seca de ramos e morte da planta. Cancros formados nos ramos velhos e frutificações do fungo, são importantes para o diagnóstico do agente causal. Um corte transversal do ramo na área afetada mostra um escurecimento em forma de "V", contrastando com a parte ainda viva da madeira (Fig. 19).

Para o controle do declínio da videira recomenda-se a utilização de material de plantio sadio; retirada e destruição de ramos podados e partes afetadas da planta, protegendo-se os ferimentos com pasta bordalesa, tebuconazole ou tiofanato metílico; desinfestação das ferramentas de poda com água sanitária. As plantas parcialmente afetadas podem ter suas copas renovadas, fazendo-se uma poda drástica logo acima do enxerto. A redução da ação dos fatores que provocam estresse nas plantas poderá diminuir os efeitos do declínio e, às vezes, até controlá-lo.

Uso de fungicidas no controle de doenças em cultivares de uvas de mesa

As pulverizações com fungicidas nas cultivares de uvas finas de mesa devem iniciar logo após a brotação, quando as plantas entram na fase de maior suscetibilidade às principais doenças fúngicas (Fig. 20), utilizando-se, de forma racional, produtos registrados para a cultura (Tabela 2). Além da escolha do local adequado para implantação da parreira e a adoção de práticas de manejo que melhorem a aeração da copa, a calibração dos pulverizadores é um fator muito importante para o sucesso do tratamento fitossanitário, podendo contribuir para a redução do uso de fungicidas na cultura.
No tratamento químico de doenças em uvas para mesa, deve-se cuidar para que as bagas não sejam manchadas, depreciando o valor comercial do cacho. Para aplicação de fungicidas formulados na forma de pó molhável, após a floração, recomenda-se a utilização de bicos de baixa vazão e a adequação da velocidade de deslocamento do trator, evitando-se o escorrimento do produto.
Embora sejam mais eficazes que os fungicidas de contato, os fungicidas sistêmicos e mesostêmicos, por apresentarem sítios de ação mais específicos, podem induzir o aparecimento de raças resistentes na população dos patógenos. Dessa forma, produtos que possuam ação sistêmica e pertençam ao mesmo grupo químico, não devem ser utilizados em mais de duas ou três aplicações por ciclo vegetativo.
Para o controle do míldio da videira o produtor tem a sua disposição os fosfitos, produtos derivados do ácido fosforoso, que são menos tóxicos. Estes produtos possuem ação estimulante das defesas naturais da planta, induzindo a produção de fitoalexinas. Os fosfitos mostraram alta eficácia no controle do míldio tanto em aplicações isoladas como em misturas com outros fungicidas. Embora diversas marcas comerciais estejam disponíveis no mercado, pode-se utilizar uma dosagem de 200 a 300 mL/100 litros de calda. Além de eficazes, estes produtos não mancham as uvas.

Tabela 1. Recomendações para o controle químico das principais doenças fúngicas das cultivares de uvas finas de mesa na região de Pirapora -Minas Gerais.
Doença/ Patógeno Época de aplicação Princípio ativo, concentração (%) Dosagem (i.a.)* (g/100L) Intervalo de Aplicação (dias)**
Antracnose
(Elsinoe ampelina)
Umidade e temperatura favoráveis: do início da brotação até compactação dos cachos captan
folpet
dithianon
difenoconazole
chlorothalonil
tiofanato metílico
imibenconazole
125
67,5-90,0
93,75
2-3
200
50
15
7
7
7
12-14
7
12
12
Míldio
(Plamopara viticola)
Presença de água livre: do início da brotação até compactação dos cachos dithianon
mancozeb
folpet
metalaxyl + mancozeb
cymoxanil + famoxadone
cymoxanil + maneb
iprovalicarb +propineb
azoxystrobin
fosetyl-Al
benalaxyl + mancozeb
captan
propineb
hidróxido de cobre
93,75
240
67,5 - 90,0
24+192
31,5
20+160
135
12
200
146
120
210
54
2
2
2
7
3
3
7
7
3
7
2
2
2
Oídio
(Uncinula necator)
Umidade e temperatura favoráveis: do início da brotação até compactação dos cachos enxofre
fenarimol
triadimenol
tebuconazole
difenoconazole
tetraconazole
240-320
2,4
15,5-18,7
25
2-3
5-7,5
7
7
7
7
7
7
Podridões do cacho
(Melanconium fuligineum, Glomerella cingulata)
Iniciar os tratamentos na floração tebuconazole
captan
mancozeb
folpet
25
125
200-280
65
10
7
7
7
*i.a.= ingrediente ativo;
** Baseado em informações do fabricante ou observações de campo
Fonte: Embrapa Uva e Vinho

Tabela 2. Fungicidas registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para controle das doenças fúngicas da videira (Fonte: Agrofit, consulta em 24/10/2005).
Ingred.
ativo
Produto comercial GQ MA FR CT. Dosagem do p.c. PC IM
g ou ml/100 L g ou ml/Ha
Azoxystrobin Amistar Estrobirulina S GrDa IV 24 240 7 Óleos em geral
Benalaxyl + Mancozeb Galben-M Fenilalamida S + C PM III 200 a 250   21  
Benalaxyl + Mancozeb Tairel M Fenilalamida S + C PM I 200 a 250   7  
Boscalida + Kresoxim-metil Collis Estrobirulina S SC III   500 24  
Captan Captan 500 PM Fitalamida C PM III 240   1 Produtos alcalinos
Captan SC Fitalamida C SC III 400   1  
Orthocide 500 Fitalamida C PM III 240   1  
Chlorothalonil Bravonil 500 Isoftalonitrila C SC I 400   7 Óleo mineral
Bravonil 750 PM Isoftalonitrila C PM II 200   7 Óleo mineral
Bravonil Ultrex Isoftalonitrila C GrDa I 150   7 Óleo mineral
Isatalonil Isoftalonitrila C PM II 200   7  
Daconil BR Isoftalonitrila C PM II 200   7 Óleo mineral
Daconil 500 Isoftalonitrila C SC I 300   7 Óleo mineral
Dacostar 500 Isoftalonitrila C SC I 400   7 Óleo mineral
Vanox 500 SC Isoftalonitrila C SC I 400   7 Óleo mineral
Vanox 750 PM Isoftalonitrila C PM II 250   7 Óleo mineral
Dacostar 750 Isoftalonitrila C PM II 200   7  
Chlorothalonil + Tiofanato metil Cerconil PM Isoftalonitrila + benzimidazole S+C PM II 200   14 Óleo mineral
Cerconil SC Isoftalonitrila + benzimidazole S+C SC III 200   14  
Cymoxanil + Famoxadone Equation Acetamida + Oxazolidinadiona S GrDa III 60 600 7 Produtos de forte reação alcalina
Cymoxanil + Mancozeb Curzate BR Acetamida + ditiocarbamato S+C PM III 250   7 Produtos de reação alcalina
Cymoxanil + Mancozeb Academic Acetamida + ditiocarbamato S+C PM II 200 a 300   7  
Cymoxanil + Mancozeb Curathane Acetamida + ditiocarbamato S+C PM III 250 a 350   7  
Cymoxanil + Zoxamida Harpon WG Acetamida + Benzamida S WG III 30
a 35
  7  
Cymoxanil + maneb Curzate - M + Zinco Acetamida + ditiocarbamato S+C PM III 250 2000
a 2500
7 Produtos de reação alcalina
Cyproconazole Alto 100 Triazol S SC III 20   14 Sulfato de Zn e Mn
Difenoconazole Score Triazol S CE I 8 a 12   21  
Dithianon Delan Antraquinona C PM II 125   21 Produtos alcalinos e óleos derivados do petróleo
Enxofre Cover DF Inorgânico C WG IV 200 a 400   ND Produtos de forte reação alcalina
Kumulus DF Inorgânico C WG IV 200 a 400   ND Produtos de forte reação alcalina
Sulficamp Inorgânico C PM IV 500   ND Produtos a base de óleo
Famoxadone + Mancozeb Midas BR Oxazolidinadiona + ditiocarbamato S + C WG II 120   7  
Fenamidone Censor Omidazolinona S SC III 30 300 7  
Fenarimol Rubigan 120 EC Pirimidinil carbinol S CE II 15
a 20
  15  
Folpet Folpan Agricur 500 PM Fitalamidas C PM IV 135 a 180   1 Produtos de forte reação alcalina
Folpet Folpet Fersol 500 PM Fitalamidas C PM IV 250   1 Produtos de forte reação alcalina
Fosetyl-Al Aliette Fosfonato S PM IV 250   15 Óxido cuproso, e fertilizantes foliares como MAP e DAP
Hidróxido de cobre Contact Inorgânico C PM IV 150 a 200   7 Calda sulfocálcica e carbamatos
Garra 450 WP Inorgânico C PM III 200   7 Calda sulfocálcica e carbamatos
Garant BR Inorgânico C PM III 200   7 Ziram, dicloram e carbamatos
Kocide WDG Bioactive Inorgânico C GrDa III 180   7 Ziram e dicloran
Supera Inorgânico C SC III 250 a 300   7  
Imibenconazole Manage 150 Triazol S PM III 100   14  
Iprodione Rovral Dicarboximida C PM IV 200   14  
Rovral   Dicarboximida C SC IV 150 a 200   14  
Iprovalicarb + Propineb Positron Duo Carbamato + ditiocarbamato S+C PM III 200 a 250 2000 a 2500 7  
Kresoxim metil Stroby Estrobirulina S SC III   200 21  
Mancozeb Dithane PM Ditiocarbamato C PM III 250 a 350   7 Produtos de forte reação alcalina
Manzate800 Ditiocarbamato C PM II 250   - Produtos de forte reação alcalina
Mancozeb Sanachem 800 PM Ditiocarbamato C PM II 350   21  
Manzate Sipcam Ditiocarbamato C PM III 300   7 Produtos de forte reação alcalina
Manzate GrDa Ditiocarbamato C GrDa III 250   7 Produtos de forte reação alcalina
Mancozeb Persist SC Ditiocarbamato C SC III 640   7 Produtos de forte reação alcalina
Metalaxyl-M + Mancozeb Ridomil Gold MZ Fenilalmida + Ditiocarbamato S+C PM III 300   21  
Mancozeb + Oxicloreto de cobre Cuprozeb Inorgânico + Ditiocarbamato C PM IV 350   7 Produtos de forte reação alcalina
Mancozeb+ Tiofanato metil Dithiobin 780 PM Benzimidazol + Ditiocarbamato S+C PM III 250   21 Produtos de forte reação alcalina
Maneb Maneb 800 Ditiocarbamato C PM III 350   7 Produtos de forte reação alcalina
Metconazole Caramba 90 Triazol S SC III 50 a 100   7  
Metiram Cabrio Top Ditiocarbamato S WG III   2000 30  
Myclobutanil Systhane Triazol S PM III 20   7  
Oxicloreto de Cobre Agrinose Inorgânico C PM IV 300 a 350   7 Calda sulfocálcica e carbamatos
Cupravit Azul BR Inorgânico C PM IV 300   7  
Cuprogarb 500 Inorgânico C PM IV 250   7  
Cupuran 500 PM Inorgânico C PM IV 220   ND  
Fungitol Azul Inorgânico C PM IV 275   7 Calda sulfocálcica e carbamatos
Fungitol Verde Inorgânico C PM IV 220   7 Calda sulfocálcica e carbamatos
Hokko Cupra 500 Inorgânico C PM IV 250 a 300   7  
Propose Inorgânico C PM IV 300   7  
Ramexane 850 PM Inorgânico C PM IV 250   7 TMTD, dicloran, carbamatoss cloropropilate
Reconil Inorgânico C PM IV 300   7 TMTD, DNOC, enxofre cálcico e ditiocar-
bamatos
Procymidone Sialex 500 Dicarboximida S PM III 150
a 200
  14  
  Sumilex 500 WP Dicarboximida S PM III     14  
Propineb Antracol 700 PM Ditiocarbamato C PM II 300   7  
Pyraclostrobin Comet Estrobirulina S CE II 40 400 4  
Pyrazophos Afugan Fosforotioato de Heterociclo S CE II 60   ?  
Pyrimethanil Mythos Anilinopirimidina S SC III 200   21  
Quinometionato Morestan BR Quinoxalina   PM III 40   14  
Sulfato de cobre Sulfato de cobre Agrimar Inorgânico C PM IV   10.000 7  
Sulfato de Cobre Microsal Inorgânico C PM IV 600 a 700   7  
Tebuconazole Elite Triazol S CE III 100   14  
Folicur 200 CE Triazol S CE III 100   14  
Folicur PM Triazol S PM III 100   14  
Constant Triazol S CE III 100   14  
Triade Triazol S CE III 100   14  
Tetraconazole Domark 100 EC Triazol S CE III 50 a 75   21  
Tiofanato metil Metiltiofan Benzimidazol S PM IV 100   14 Cúpricos e produtos alcalinos
Cercobin 700 PM Benzimidazol S PM IV 70   14 Cúpricos e produtos alcalinos
Tiofanato Sanachem 500 SC Benzimidazol S SC IV 100   14 Cúpricos e produtos alcalinos
Triadimefon Bayleton Triazol S PM III 200   15  
Triadimenol Shavit Agricur 250 CE Triazol S CE I 50 a 100   15  
Triflumizol Trifmine Imidazol S PM IV 40 a 80   7  
Zoxamide + mancozeb Stimo WP Benzamida + Ditiocarbamato S+C PM III   1400 a 1800 7 Produtos de forte reação alcalina
GQ = Grupo Químico
MA = Modo de ação
FR = Formulação
CT = Classe Toxicológica
PC = Período de Carência (dias)
IM = Imcompatibilidade

Fig. 1. "Mancha óleo" causada por
Plasmopara viticola
Foto: Lucas da R. Garrido

Fig. 2. Esporulação de Plasmopara viticola
na superfície inferior da folha.
Foto: Lucas da R. Garrido

Fig. 3. Necrose do tecido foliar
causada por Plasmopara viticola.
Foto: Lucas da R. Garrido

Fig. 4. Míldio no cacho.
Foto: Lucas da R. Garrido

Fig. 5. Oídio na folha.
Foto: Lucas da R. Garrido

Fig. 6. Oídio no cacho.
Foto: Lucas da R. Garrido

Fig. 7. Bagas rachadas devido
ao ataque de oídio.
Foto: Olavo R. Sônego

Fig. 8. Antracnose no ramo.
Foto: Lucas da R. Garrido

Fig. 9. Antracnose na folha.
Foto: Lucas da R. Garrido

Fig. 10. Folha deformada devido ao ataque
de antracnose nas nervuras.
Foto: Lucas da R. Garrido

Fig. 11. Antracnose no cacho.
Foto: Lucas da R. Garrido

Fig. 12. Podridão da uva madura..
Foto: Lucas da R. Garrido

Fig. 13. Podridão da uva madura -
massa rósea de conídios fúngicos.
Foto: Lucas da R. Garrido

Fig. 14. Mofo cinzento.
Foto: Lucas da R. Garrido

Fig. 15. Mofo cinzento.
Foto: Lucas da R. Garrido

Fig. 16. Podridão ácida.
Foto: Lucas da R. Garrido

Fig. 17. Ferrugem na folha.
Foto: Olavo R. Sônego

Fig. 18. Requeima das folhas.
Foto: Lucas da R. Garrido

Fig 19. Morte descendente - lesão em "V".
Foto: Lucas da R. Garrido

01- gemas dormentes
02- inchamento de gemas
03- algodão
05- ponta verde
07- 1a folhas separada
09- 2 ou 3 folhas separadas
12- 5 ou 6 folhas separadas: inflorescência visível
15- alongamento da inflorescência: flores agrupadas
17- inflorescência desenvolvida: folhas separadas
19- início do florescimento: 1as flores abertas
21- 25% das flores abertas
23- 50% das flores abertas (pleno florescimento)
25- 80% das flores abertas
27 frutificação (limpeza de cacho)
29- grão tamanho "chumbinho"
31- grão tamanho "ervilha"
33- início da compactação do cacho
35- início da maturação
38- maturação plena
41- maturação dos sarmentos
43- início da queda das folhas
47- final da queda da folha
Fig. 20. Estádios fenológicos da videira de acordo com Eichon & Lorenz e fase de maior suscetibilidade das cultivares sem semente às doenças fúngicas.
Fonte: Eichon & Lorenz / Embrapa Uva e Vinho.
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