Embrapa Embrapa Uva e Vinho
Sistema de Produção, 10
ISSN 1678-8761 Versão Eletrônica
Dez./2005
Sistema de Produção de Uva de Mesa no Norte do Paraná
Marcos Botton
Fancisca Nemaura Pedrosa Haji
Eduardo Rodrigues Hickel
Saulo de Jesus Soria
Maurício Ursi Ventura
Sérgio Ruffo Roberto
Pragas da videira

Introdução
Pérola da Terra Eurhizococcus brasiliensis (Hempel, 1922) (Hemiptera: Margarodidae)
Filoxera Daktylosphaera vitifoliae (Fitch, 1856) (Hemiptera: Phylloxeridae)
Cochonilhas da parte aérea

Introdução

    Sobre a videira, já foram relatadas diversas espécies de insetos e ácaros que se alimentam da planta, porém, poucas atingem a situação de praga exigindo a adoção de medidas de controle. Nos últimos anos, entretanto, devido a expansão do cultivo para novos pólos produtores, dependendo da localização e manejo do parreiral, o número de safras colhida/ano entre outros fatores, tem-se observado que insetos não residentes na cultura como os percevejos-da-soja e ou coleópteros como a vaquinha podem deslocar-se para os vinhedos alimentando-se de folhas, flores ou frutos, causando prejuízos significativos. Além disso, dependendo da espécie cultivada (Vitis vinifera e/ou V. labrusca) e finalidade da produção (mesa ou processamento), a resistência ao ataque de pragas e a exigência por qualidade é diferenciada, fazendo com que a importância das pragas seja alterada.
&nsp;   Este capítulo tem o objetivo de caracterizar as principais pragas associadas à cultura da videira cultivada na região Norte de Minas Gerais, relacionando as medidas de controle que podem ser adotadas pelos viticultores.

Pérola da Terra Eurhizococcus brasiliensis (Hempel, 1922) (Hemiptera: Margarodidae)

Descrição e Bioecologia

    A pérola-da-terra, Eurhizococcus brasiliensis (Hempel 1922) (Hemiptera: Margarodidae), é uma cochonilha subterrânea que ataca as raízes de plantas cultivadas e silvestres (Figura 1). Várias espécies de plantas entre anuais e perenes são hospedeiras do inseto, destacando-se a videira e fruteiras de clima temperado. A praga ocorre principalmente na região Sul do Brasil, onde acredita-se que a mesma seja nativa e também em São Paulo. Recentemente, a pérola-da-terra foi constatada atacando a cultura da videira no Vale do São Francisco, em Petrolina-PE. Na região Norte de Minas Gerais, o inseto não foi encontrado. A cochonilha desenvolve-se nas raízes e somente é prejudicial no primeiro, segundo e terceiro instares, visto que os adultos são desprovidos de aparelho bucal. O inseto é considerado a principal praga da videira, sendo responsável pelo abandono da cultura em várias regiões devido às dificuldades de controle.
    A cochonilha reproduz-se através de partenogênese facultativa apresentando uma geração por ano (Figura 2). O ciclo biológico do inseto, partindo da fase de cisto com ovos, que na região sul do Brasil ocorre de outubro a janeiro, caracteriza-se por possuir cor branca-acinzentada, repleto de ovos, bastante frágil e quebradiço (Figura 3), o qual rompe-se liberando os ovos e ninfas móveis do primeiro ínstar (Figura 4). Neste período, que ocorre de novembro a março, as ninfas eclodidas pressionam e rompem as paredes frágeis do cisto, permitindo a dispersão da praga. O primeiro instar é móvel e caminha de forma ativa até encontrar uma raiz para se fixar e alimentar.
    Formigas doceiras, principalmente a espécie Linepithema humile (Mayr), geralmente estão associadas a infestações da pérola-da-terra em busca dos excrementos açucarados da cochonilha. Esta associação (protocooperação) resulta no transporte (forese) das ninfas de primeiro instar para novos pontos do hospedeiro ou entre plantas. Além do transporte das ninfas no interior do parreiral, as formigas protegem a cochonilha do ataque de inimigos naturais e, ao cavarem galerias, facilitam a sobrevivência do inseto sob o solo. A disseminação do inseto ocorre principalmente através da movimentação de mudas enraizadas infestadas pela praga, tanto de videira como de outras fruteiras de clima temperado e ornamentais. O transporte também pode ocorrer conjuntamente ao solo retido nos equipamentos agrícolas utilizados em áreas infestadas.     A partir do segundo instar, as ninfas perdem as pernas, encerram-se no interior da exúvia que converte-se numa cápsula protetora, assumindo formato esférico. A ninfa de terceiro instar também imóvel, atinge o máximo de crescimento em outubro-novembro, possui formato globoso, de coloração amarela, sendo denominada de pérola-da-terra (Figura 5). O completo desenvolvimento das ninfas origina fêmeas que podem morrer dentro do próprio cisto (reprodução assexuada), após realizar a postura ou então, rompê-lo e subir à superfície como fêmea móvel para um eventual acasalamento (reprodução sexuada), retornando em seguida para o interior do solo (Figura 6). Embora pouco comum, na reprodução sexuada, as ninfas podem passar por dois instares, pré-pupa, pupa e originar machos alados (Figura 7) que vivem no máximo dois dias e, a princípio, servem apenas para copular as fêmeas móveis. Poucas informações encontram-se disponíveis sobre o que ocorre com as fêmeas móveis após a fecundação, bem como os fatores que levam ao aparecimento de machos na espécie.

Sintomas e danos

    A sucção da seiva efetuada pela pérola-da-terra nas raízes provoca um definhamento progressivo da videira, com redução da produção e conseqüente morte das plantas. Em parreirais adultos, as folhas amarelecem entre as nervuras de maneira similar à deficiência de magnésio; os bordos das folhas encarquilham-se para dentro, ocorrendo em alguns casos, queimaduras nas bordas (Figura 8). Plantas com estes sintomas, geralmente têm baixo vigor, entrenós curtos, entram em declínio e morrem (Figura 9). No caso de novos plantios, no primeiro ano as plantas desenvolvem-se normalmente; a partir do segundo ano, a brotação é fraca e desuniforme, ocorrendo a morte das plantas atacadas geralmente no terceiro ano. Plantas adultas, normalmente demoram mais para morrer por possuírem o sistema radicular mais desenvolvido. O período mais indicado para avaliar a presença do inseto no parreiral é no início da brotação, arrancando-se as plantas fracas e observando-se a presença das ninfas nas raízes.

Monitoramento e Controle

    A presença da pérola da terra no vinhedo deve ser realizada arrancando-se as planas suspeitas no período de inverno, e observando a presença do inseto nas raízes. Como no pólo de produção de uvas de Marialva o inseto não foi constatado, recomenda-se adotar as seguintes medidas para evitar a introdução da praga na região:
    a) Evitar o transplante de mudas com torrão de plantas hospedeiras provenientes de áreas infestadas.
    b) Ao comprar mudas de videira, dar preferência às de raiz nua, as quais devem ser lavadas para verificar a presença da pérola-da-terra. Em caso de dúvida quanto à presença do inseto, as mudas podem ser tratadas com fosfina ou methidathion para eliminar o inseto.
    c) Ao utilizar equipamentos provenientes de locais onde o inseto encontra-se presente, providenciar a limpeza dos mesmos antes de utilizá-los na propriedade.

Filoxera Daktylosphaera vitifoliae (Fitch, 1856) (Hemiptera: Phylloxeridae)

Descrição e bioecologia

    A filoxera é um inseto sugador que apresenta formas que diferem entre si dependendo da época do ano. O ciclo biológico do inseto é complexo e apresenta todas as formas somente em videiras americanas. Na primavera, a partir dos ovos de inverno depositados no ritidoma pelas formas ápteras sexuadas, ocorre a eclosão das ninfas que causam galhas nas folhas (Figura 10). Cada fêmea galícola reproduz-se partenogeneticamente, ovipositando de 500 a 600 ovos no interior de cada galha (Figura 11). Dependendo das condições climáticas, destes ovos podem surgir novas fêmeas galícolas que irão completar várias gerações nas folhas durante o ano, ou fêmeas radícolas, que migram para as raízes das plantas e, ao sugarem, provocam nodosidades nas radicelas (Figura 12).
    Ao final do verão, alguns ovos de fêmeas radícolas originam formas aladas, as quais abandonam o solo e retornam para as folhas. Estas formas ovipositam dois tipos de ovos: um menor que origina machos ápteros e outro maior, que origina fêmeas ápteras. As formas ápteras sexuadas, após o acasalamento, reiniciam o ciclo ovipositando ovos de inverno (um por fêmea). Das formas galícolas, também podem surgir fêmeas aladas que originam as formas sexuais ápteras. O ciclo biológico do inseto é ilustrado na Figura 13.
    Nem todas as formas e/ou fases do ciclo de vida ocorrem em determinadas regiões, visto que as etapas do ciclo estão associadas às condições de clima e suscetibilidade de hospedeiros. Nas videiras de origem européia (viníferas) geralmente não ocorrem as formas galícolas, e as radícolas passam o inverno nas nodosidades e tuberosidades produzidas. Porém, a biologia desta espécie ainda necessita ser estudada nas condições brasileiras.

Sintomas e danos

    Os danos da filoxera são observados nas folhas de cultivares de porta-enxertos sensíveis à forma galícola, onde a praga provoca galhas características. Este ataque impede o desenvolvimento das brotações, reduz a atividade fotossintética, chegando a paralisar o desenvolvimento da planta. Em infestações severas, o inseto ataca as gavinhas e ramos tenros. Muitas vezes, porta-enxertos atacados no campo não obtêm porte suficiente para realização de enxertia de inverno na safra seguinte (Figura 14).
    Quando o ataque ocorre na raiz, normalmente são observadas nodosidades resultantes do entumescimento dos tecidos das radicelas que podem ser confundidas com o ataque de nematóides. As nodosidades são causadas pela sucção contínua do inseto presente nas raízes e resultam numa menor capacidade de absorção de nutrientes, além de servir como sítio de entrada para fungos causadores de podridões de raízes. Como conseqüência, a planta reduz o desenvolvimento, podendo morrer. Isto tem ocorrido em áreas altamente infestadas pela praga, onde são plantadas cultivares de pé-franco da cultivar Niágara. Na região norte do Paraná, a incidência da filoxera tem sido mínima.

Monitoramento e Controle

    Observar a presença de galhas nas folhas, principalmente de porta-enxertos. Nas raízes, observar o ntumescimento das raízes nos pontos de alimentação da praga, com destaque para raízes de videiras cultivadas como pé-franco. O controle da forma radícola da praga deve ser realizado atraves do emprego de porta-enxertos resistentes. Embora cultivares americanas (V. labrusca) produzam através de pé-franco, sempre recomenda-se o uso de mudas enxertadas.
    A forma galícola, quando ocorre em quadras matrizes de porta-enxertos ou plantios novos para posterior enxertia no campo, deve ser controlada sistematicamente (a intervalos quinzenais) a partir do aparecimento dos primeiros sintomas. Atentar para a possibilidade de aumento na população de ácaros em função do desequilíbrio causado pela aplicação seqüencial de inseticidas de amplo espectro. Em situações de elevada infestação, os inseticidas não apresentam eficiência satisfatória visto o grande potencial biótico do inseto.

Tabela 1. Inseticidas registrados no Ministério da Agricultura e do Abastecimento para o controle das pragas da videira. Bento Gonçalves, RS, 2005
Praga Inseticida Dosagem (mL/100 L) Carência (dias) Classe toxico-lógica
Ingrediente ativo Produto comercial
Filoxera (forma galícola) Daktulosphaira vitifoliae Paratiom metil Bravik 600 CE 100 15 I
Hemiberlesia lataniae, Duplaspidiotus fossor, D. Tesseratus Paratiom metil Bravik 600 CE 100 15 I
Mosca-das-frutas Anastrepha fraterculus e Ceratitis capitata Fenthion Lebaycid 500 100 21 II
Triclorfom Dipterex 500 300 7 II
Vaquinha Diabrotica speciosa Fenthion Sumithion 500 150 14 II
Triclorfom Dipterex 500 300 7 II
Ácaro branco Polyphagotarsonemus latus Enxofre Kumulus Thiovit 200 a 400
200 a 400
SR
SR
IV
IV
Abamectin Vertimec 18 CE 80 a 100 28 III
Ácaro rajado Tetranychus urticae Abamectin Vertimec 18 CE 80 a 100 28 III
SR: Sem restrições
Fonte: MAPA/Agrofit

Cochonilhas da parte aérea

    As cochonilhas são insetos que danificam as plantas através da sucção de seiva, provocam fitotoxicidade devido à injeção de enzimas digestivas, depositam excreções açucaradas nas folhas, resultando no aparecimento da fumagina e, às vezes, são responsáveis pela transmissão de agentes patogênicos, principalmente vírus. As principais espécies associadas à cultura da videira são:

Cochonilha-do-tronco Hemiberlesia lataniae (Signoret, 1869), Duplaspidiotus tesseratus (Charmoy, 1899) e D. fossor (Newstead, 1914) (Hemiptera: Diaspididae)

Descrição e bioecologia

Estas cochonilhas freqüentemente estão associadas a vinhedos da cultivar Niágara Rosada. São espécies semelhantes quanto ao tamanho e forma da carapaça, dificultando a identificação no campo. Praticamente não existem informações sobre a biologia destas cochonilhas na cultura da videira o que dificulta o estabelecimento de medidas de controle.

Sintomas e danos

As cochonilhas infestam de forma agregada os ramos velhos da parreira, localizando-se abaixo do ritidoma. Ao se alimentarem depauperam as plantas, podendo provocar a morte.

Monitoramento e Controle

Identificar os focos de infestação localizados sob o ritidoma. Nas situações em que ocorrem infestações elevadas do inseto, o controle químico é recomendado. Entretanto, como a cochonilha normalmente se localiza sob o ritidoma, dificultando o contato com os produtos aplicados, recomenda-se previamente realizar uma limpeza da casca. Esta operação, pode ser feita manualmente com escovas, utilizando calda sulfocálcica a 4º Bé durante o período de dormência e/ou empregando o jato de água desenvolvido para este fim. No caso do uso da calda sulfocálcica, após a aplicação o ritidoma começa a se desprender, facilitando o contato do inseticida sobre as cochonilhas. O uso da calda sulfocálcica encontra restrições de uso pelos produtores devido à ação corrosiva sobre os arames do parreiral. Embora este assunto seja bastante controverso, no caso da aplicação no tronco, é possível utilizar uma haste com dupla saída adaptada ao pulverizador costal, de modo a atingir os dois lados do caule, evitando o contato com o arame. O emprego do pulverizador costal também pode ser utilizado para direcionar o tratamento das cochonilhas nas plantas infestadas. Após o uso da calda sulfocálcica, é importante lavar o equipamento de aplicação com uma solução de vinagre a 10% para retirar os resíduos da calda, evitando a corrosão. Com relação ao uso do jato de água para o controle das cochonilhas, o mesmo deve ser empregado no período de repouso vegetativo e numa intensidade que não danifique o tronco da planta.
Embora não existam levantamentos de inimigos naturais destas cochonilhas nos parreirais, é comum encontrar as carapaças perfuradas devido à emergência de parasitóides. Por este motivo, é importante que o controle químico da cochonilha seja direcionado somente para as plantas infestadas, visando preservar as espécies benéficas presentes no parreiral.

Cochonilhas algodonosas - Pseudococcus e Planococcus (Hemiptera: Pseudococcidae)

Descrição e bioecologia

As cochonilhas dos gêneros Pseudococcus e Planococcus são insetos de pequeno tamanho (3 a 5 mm) cujas fêmeas possuem formato ovalado com o corpo coberto de secreções cerosas brancas pulverulentas (Figura 16). As cochonilhas vivem sobre folhas, frutos, ramos, brotos e raízes. Devido ao reduzido tamanho e sua localização durante a entressafra, junto ao sistema radicular, a presença destas cochonilhas não são facilmente observadas nos vinhedos. A incidência das espécies está freqüentemente associada a formigas doceiras que auxiliam na dispersão e as protegem do ataque de inimigos naturais. No Brasil, ainda não foi realizado um inventário das espécies mais freqüentes associadas aos vinhedos.

Sintomas e danos

&nbsap;   O ataque das cochonilhas resulta no enfraquecimento das plantas, com conseqüente redução na produção. Durante a colheita, alojam-se entre os cachos, provocando o aparecimento da fumagina, o que deprecia os frutos para comercialização. A maior preocupação com a ocorrência dessas cochonilhas nos vinhedos diz respeito à transmissão de vírus e por sere quarentenária, devido a dificuldade de identificação das fases jovens, limitam a exportação para alguns países.

Monitoramento e Controle

&nbsap;   Não existem informações disponíveis sobre formas de monitoramento e medidas de controle validadas para as condições brasileiras. Em outras regiões vitivinícolas, é realizado um tratamento de inverno e pulverizações visando atingir as ninfas nas fases moveis durante o período vegetativo da cultura.

Ácaros da Videira

    Os ácaros que atacam a videira são mais prejudiciais em situações onde o clima é seco, favorecendo sua multiplicação. As espécies associadas à cultura e que podem ser consideradas pragas são as seguintes:

Ácaro branco Polyphagotarsonemus latus (Banks, 1904) (Acari: Tarsonemidae)

Descrição e bioecologia

    O ácaro branco é uma praga polífaga e cosmopolita, possui tamanho reduzido (machos e fêmeas medem aproximadamente 0,17 mm e 0,14 mm de comprimento, respectivamente), sendo dificilmente visualizados a olho nu. O macho, mesmo sendo menor que a fêmea, possui o hábito de carregar a pupa desta para acasalamento no momento da emergência. Os ovos são depositados isoladamente na face inferior das folhas. O ataque ocorre somente nas folhas novas da videira, não havendo presença de teias.

Sintomas e danos

    O ataque do ácaro branco resulta num encurtamento dos ramos da videira como resultado da alimentação contínua das folhas novas (Figura 17). Em situações de elevada infestação, as folhas ficam coriáceas e quebradiças podendo ocorrer a queda das mesmas. O ataque é mais importante em plantas novas atrasando a formação do parreiral e/ou no início do período de desenvolvimento vegetativo das plantas adultas.

Monitoramento e Controle

    Realizar a partir da brotação do parreiral, avaliação da presença da espécie nas folhas apicais. Em plantas adultas, o controle deve ser realizado quando 10% das folhas localizadas na ponta dos ramos estiverem infestados, até 30 dias após o florescimento. Em plantas novas, no período de formação, controlar sempre que este nível seja atingido. O controle deve ser realizado com acaricidas específicos sendo que o ácaro branco também é sensível ao enxofre, devendo-se direcionar o tratamento às brotações novas. Entretanto, o uso do enxofre pode causar fitotoxicidade em cultivares americanas além de apresentar efeitos deletérios as espécies predadoras. Em áreas cultivadas sob cobertura plástica, o enxofre danifica o plástico, reduzindo sua vida útil.

Ácaro rajado Tetranychus urticae (Koch, 1836) (Acari: Tetranychidae)

Descrição e bioecologia

    O ácaro rajado mede cerca de 0,5 mm de comprimento, possui coloração amarelo esverdeada com duas manchas escuras no dorso do corpo (Figura 18). Vive principalmente na página inferior das folhas e tece teia. Altas temperaturas e ausência de chuvas favorecem o desenvolvimento da praga.

Sintomas e danos

    Os sintomas de ataque iniciam como pequenas áreas cloróticas nas folhas, entre as nervuras principais, posteriormente, o local de ataque fica necrosado. Na página superior das folhas correspondente às lesões, surgem tons avermelhados. Altas infestações podem causar desfolhamento e também ataque aos cachos, causando bronzeamento das bagas.

Monitoramento e Controle

    Avaliar semanalmente as folhas medianas e basais dos ramos a presença da espécie. Controlar quando for encontrado mais de 10% das folhas infestadas até a metade do ciclo da cultura e 20% após este período. O ácaro rajado deve ser controlado eliminando-se as plantas hospedeiras da praga presentes no parreiral antes da brotação da videira. Outra prática que deve ser evitada é o emprego exagerado de adubos nitrogenados, visto que plantas com altos teores de nitrogênio favorecem o desenvolvimento da praga. Evitar o emprego de produtos pouco seletivos aos inimigos naturais, principalmente inseticidas piretróides, que provocam aumento na população do ácaro. Ao utilizar o controle químico as aplicações devem ser direcionadas para a face inferior das folhas.

Besouros desfolhadores

    Diferentes espécies da ordem Coleoptera podem danificar a cultura da videira. Dentre as principais, destacam-se:

Besouro verde da videira Maecolaspis aenea (Fabricius, 1801), M. trivialis (Boheman, 1858) e M. geminata (Boheman, 1859) (Coleoptera: Chrysomelidae)

Descrição e bioecologia

    Os besouros verdes que atacam a videira são insetos pequenos (3 a 5 mm de comprimento) de cor verde-metálica (Figura 19). As larvas vivem no solo alimentando-se das raízes; os adultos são polífagos atacando além da videira, roseira, algodão, batata-doce, feijão e citros, entre outros. Não existem informações disponíveis sobre a biologia destes besouros na cultura da videira e a identificação das espécies está sendo revista. O período de ataque dos adultos vai de outubro a janeiro, com picos em dezembro. Os adultos não são facilmente visíveis pelos viticultores, pois localizam-se sob as folhas e, ao serem tocados, imobilizam-se e caem no solo.

Sintomas e danos

    Os adultos atacam folhas, cachos e brotos novos, causando perfurações características (Figura 20). Os danos resultam em menor desenvolvimento das plantas reduzindo a atividade fotossintética. Outro dano causado pelo inseto é a queda prematura das bagas. Ao se observar os cachos danificados, estes mostram o pedicelo das bagas roídos, exibindo o tecido lenhoso (Figura 21).

Monitoramento e Controle

    Avaliar a presença dos adultos e ou lesões nas folhas. Controlar no início da infestação. O controle normalmente é realizado com a aplicação de inseticidas podendo ser necessário mais de uma pulverização dependendo da intensidade de ataque.

Mosca branca Bemisia argentifollii (Hemiptera: Aleyrodidae)

Descrição e biologia

    O adulto da mosca branca é de cor branca, apresenta dois pares de asas membranosas e alimenta-se sugando a seiva da planta (Figura 22). Os adultos medem aproximadamente 1 a 2 mm de comprimento, sendo as fêmeas maiores que os machos. Os ovos são colocados isoladamente na face inferior das folhas, possuem coloração amarela, formato de pêra e são presos por um pedúnculo curto. As ninfas são translúcidas e apresentam coloração amarela a amarela-clara. No primeiro instar, após a eclosão, as ninfas se locomovem sobre a folha e depois se fixam, geralmente, na face inferior, onde permanecem até a emergência do adulto. A emergência do adulto é precedida por uma fase chamada "pupário" (exúvia do último instar da ninfa), que pode ser ou não recoberta por uma substância pulverulenta, que flui através de uma ruptura em forma de T, na região ântero-dorsal do "pupário". O inseto passa por quatro instares até atingir a fase adulta, e todos os estádios habitam a face inferior das folhas. Apenas o adulto é capaz de migrar até novas plantas; os estádios imaturos permanecem o tempo todo no mesmo hospedeiro.

Sintomas e danos

    A mosca branca pode causar danos diretos e indiretos às culturas. Os danos diretos são causados pela sucção da seiva provocando alterações no desenvolvimento vegetativo e reprodutivo das plantas. O inseto também pode provocar o amadurecimento irregular dos frutos, dificultando o reconhecimento do ponto de colheita. A excreção de substâncias açucaradas, característica das moscas brancas e outros sugadores, cobrem as folhas e frutos servindo como substrato para o aparecimento da fumagina, que reduz o processo de fotossíntese (Figura 23).

Monitoramento e Controle

    Observar a presença de adultos e ninfas nas folhas e/ou cachos. O controle deve ser realizado quando houver mais de 60% das folhas infestadas por adultos ou 40% por ninfas. Nos cachos, o controle deve ser realizado quando a infestação ultrapassar 10%. Para o controle da mosca-branca recomenda-se eliminar os hospedeiros alternativos do inseto localizados próximos ao parreiral. Dentro do vinhedo, realizar periodicamente, a roçada das plantas silvestres ou espontâneas, de preferência em fileiras alternadas, de modo que sempre haja plantas novas para manter a praga, evitando que ela se desloque para a videira.

Bicudos da videira Heilipodus naevulus (Mannerheim, 1836) e H.dorsosulcatus (Boheman, 1843) (Coleoptera: Curculionidae)

Descrição e bioecologia

    O adulto é um besouro de aproximadamente 12 mm de comprimento, de cor castanho escura, com rostro ou bico típico da família Curculionidae (Figura 24). Os adultos são fracos voadores e alimentam-se das plantas à noite. Durante o dia, permanecem escondidos sob detritos no solo, sob a casca ou nas rachaduras dos moirões. As larvas vivem no solo, sendo que o ciclo biológico da fase de ovo à adulta é de 280 dias. Os adultos vivem aproximadamente cinco meses e são polífagos, alimentando-se de culturas como marmeleiro, cajueiro e eucalipto.

Sintomas e danos

    Os adultos alimentam-se das gemas, impedindo que ocorra a brotação. Além das gemas, o inseto pode atacar os brotos e cachos novos.

Monitoramento e Controle

    Observar o dano nas gemas, localizando os focos de infestação. A utilização de moirões de cimento contribui para reduzir a infestação no parreiral, pois estes não oferecem abrigo aos insetos. Evitar moirões de madeira com casca e/ou rachaduras     Alguns viticultores têm empregado armadilhas para a captura do inseto, as quais são constituídas de cascas de árvores ou lascas de toras, colocadas a intervalos regulares nas entrelinhas. Todas as manhãs, no período em que ocorre o ataque, as armadilhas são verificadas e os insetos coletados, destruídos. Não existem informações disponíveis sobre controle químico da praga.

Tripes Frankliniella occidentalis, Heliothrips haemorrhoidalis, Retithrips syriacus, Selenothripes rubrocintus (Thysanoptera: Thripidae)

Descição e Bioecologia

    Os tripes são pequenos insetos, cujos adultos medem de 0,5 mm a 1,5 mm de comprimento (Figura 25). Possuem corpo alongado, asas franjadas e aparelho bucal picador sugador. Quase todos são fitófagos, sugadores de seiva, mas podem atuar como predadores, polinizadores e/ou fungívoros.
    A reprodução é geralmente sexuada, podendo ocorrer por partenogênese. Os machos são, via de regra, menores do que as fêmeas. A postura dos tripes fitófagos é endofítica. Dos ovos eclodem ninfas (dois ínstares ativos), que se transformam em dois (Terebrantia) ou três (Tubulifera) ínstares pupais relativamente inativos, de onde emergirão os adultos.
    Há uma necessidade de um inventário sistemático das espécies mais freqüentes e abundantes nas diferentes regiões produtoras

Sintomas e danos

    Os tripes são sugadores de seiva, atacando sempre as partes aéreas da planta (folhas, flores, frutos), além de realizar as posturas dentro dos tecidos vegetais.     O dano casusado pelos tripes é mais importante em uvas de mesa, sendo significativo quando ocorre nas fases de floração e grão chumbinho. Os insetos raspam a epiderme das bagas em formação, acarretando posteriormente cicatrizes do tipo cortiça, que depreciam comercialmente os cachos. O dano causado pela oviposição nos frutos logo após a floração é conhecido como mancha areolada (Figura 26).

Monitoramento e controle

    A amostragem de tripes na inflorescência e/ou cachos da videira é feita batendo-se as inflorescências e/ou cachos sobre uma superfície branca (papel ou bandeja plástica) para avaliação da população. O nível de controle é de20% de cachos infestados com 2 ou mais tripes. Como medidas de controle recomenda-se eliminar plantas hospedeiras no interior do cultivo e empregar o controle químico quando o nível de controle for atingido.

Traça-dos-cachos-da-videira Cryptoblabes gnidiella (Millière, 1864) (Lepidoptera: Pyralidae)

Descrição e Bioecologia

    A traça-dos-cachos é um microlepidóptero cujas mariposas têm aproximadamente 10 mm de comprimento e 22mm de envergadura, com coloração predominantemente cinza. As lagartas têm coloração escura e, quando completamente desenvolvidas, atingem cerca de 10mm de comprimento (Figura 27). Possui hábitos crepusculares e noturnos, mostrando-se pouco ativa durante o dia. As fêmeas colocam em média 110 ovos, sendo que a oviposição ocorre à noite, de forma isolada nos pecíolos das folhas e na superfície dos frutos, com período de incubação de aproximadamente quatro dias. O ciclo biológico (ovo-adulto) do inseto tem duração média de 37 dias a 25ºC, sendo as fases de ovo, lagarta e pupa, de quatro, 26 e sete dias, respectivamente. Os adultos vivem em média 7 dias.
    A traça-dos-cachos é um inseto polífago, atacando além da videira, o abacate, a banana, os citros e o sorgo em países como Espanha, Israel e Portugal. No Brasil, o inseto também é uma importante praga do cafeeiro.

Sintomas e danos

    As lagartas alojam-se no interior dos cachos onde comem a casca do engaço e das bagas, causando o murchamento e conseqüente queda das uvas (Figura 28). Os danos causados por insetos praga que atacam os frutos resultam no extravasamento do suco sobre o qual proliferavam bactérias causadoras da podridão ácida, reduzindo a qualidade dos vinhos ou depreciando os cachos para o comércio in natura. Em algumas situações, os produtores colhem a uva antes destas atingirem o grau desejado. Isto amplia as perdas em termos de qualidade, tanto para vinificação (necessidade de correção com açúcar) como para o comércio in natura, visto a preferência dos consumidores pela uva doce, com pouca acidez.
    Outro fator a ser considerado são os ferimentos causados nas bagas, que favorecem a proliferação de fungos (Aspergillus e Penicillium) responsáveis pela presença da ocratoxina A nos vinhos, reduzindo sua qualidade bem como pondo em risco a saúde dos consumidores.

Monitoramento e Controle

    O monitoramento deve ser realizado com feromônio sexual sintético, em armadilhas delta, na densidade de 2 por ha, repondo-se o atrativo a cada 30 dias ou na ausência deste, observar a presença das lagartas nos cachos, realizando-se o controle quando 10% estiverem infestados. O controle biológico natural da traça-dos-cachos ocorre principalmente pela ação dos microhimenópteros Brachymeria pseudoovata, Elachertus sp. e Horismenus sp. Nas situações em que o controle biológico natural não é eficiente, torna-se necessário realizar a aplicação de inseticidas, procurando atingir o interior dos cachos, onde as lagartas ficam abrigadas.

Lagarta-das-fruteiras Argyrotaenia sphaleropa (Meyrick) (Lepidoptera: Tortricidae)

Descrição e Bioecologia

    A lagarta-das-fruteiras é um inseto polífago sendo os adultos pequenas mariposas (12 a 18 mm) que possuem hábito crepuscular e noturno (Figura 29). A oviposição ocorre à noite, depositando os ovos em massas irregulares e ligeiramente superpostos, sempre em superfícies lisas, principalmente na face superior das folhas. Cada fêmea oviposita entre 240 a 270 ovos, tendo uma longevidade média de 7 dias. Quando criadas em folhas de videira o desenvolvimento do inseto apresenta duração do período ovo-adulto de aproximadamente 31 dias na temperatura de 26º C, sendo seis dias como ovo, dezenove como lagarta e seis como pupa. As lagartas mostram forte tendência em permanecer ocultas durante todo seu desenvolvimento, escondendo-se logo após a eclosão na face inferior das folhas de videira. Neste local, constroem um abrigo de fios de seda, em forma de galeria. À medida que se desenvolvem, dobram a folha onde se encontram, alojando-se no seu interior; ou unem duas ou mais folhas, permanecendo entre elas.

Sintomas e danos

    O inseto pode se alimentar de brotos, folhas, flores e frutos de um grande número de espécies de plantas, incluindo árvores, arbustos e ervas. Os principais prejuízos ocorrem quando as lagartas se alimentam dos cachos, danificando o pedúnculo que sustenta a baga, perfurando-o. Lagartas de tamanho maior se alojam entre as bagas, alimentando-se superficialmente dos mesmos, sendo sua presença evidenciada por filamentos sedosos e excrementos entre as bagas. Os sintomas e danos são similares ao ataque da traça-dos-cachos.

Monitoramento e Controle

    O monitoramento deve ser realizado com feromônio sexual sintético, em armadilhas delta, na densidade de 2 por ha, repondo-se o atrativo a cada 75 dias. Na ausência deste, observar a presença das lagartas nos cachos, realizando-se o controle quando 10% estiverem infestados. Não existem inseticidas registrados para o controle da espécie na cultura da videira

Gorgulho-do-milho Sitophilus zeamays (Coleoptera: Curculionidae)

Descrição e bioecologia

    O gorgulho-do-milho é uma praga cosmopolita, característica de produtos armazenados, porém tem sido relatada com freqüência atacando fruteiras temperadas, com destaque para o pessegueiro na região de Pelotas, RS e macieira na região de Fraiburgo, SC. Na cultura da videira, foi observado na região da Serra Gaúcha, RS e no Alto Vale do Rio do Peixe, em SC. Viticultores paranaenses também relataram a presença do inseto em seus parreirais.
    Os adultos são gorgulhos de 2,0 a 3,5 mm de comprimento, de coloração castanho-escura, com manchas mais claras nos élitros (asas anteriores), visíveis logo após a emergência. Têm a cabeça projetada à frente, na forma de rostro curvado.
    O gorgulho do milho apresenta elevado potencial biótico realizando a postura nos grãos armazenados onde completa o desenvolvimento larval e a fase de pupa. As fêmeas podem viver até 140 dias, sendo o período de oviposição de 104 dias e o número médio de ovos/fêmea 282. O período de incubação oscila entre 3 e 6 dias sendo que o ciclo biológico de ovo até a emergência de adultos é de 34 dias.
    A grande multiplicação do gorgulho ocorre nos paióis existentes nas propriedades rurais que não recebem tratamento adequado visando sua supressão, principalmente o milho armazenado.

Sintomas e danos

    A ocorrência do gorgulho-do-milho na uva é próxima à colheita, na fase de maturação dos frutos, quando supostamente ocorre o deslocamento das populações dos paióis para as lavouras de milho no campo. Em busca de refúgios, os gorgulhos adentram os cachos e neles passam a buscar alimento nas bagas. Normalmente as uvas tintas de cacho compacto tipo Cabernet sauvignon são mais atacadas.
    Ao perfurarem as bagas, os gorgulhos propiciam pontos de início de podridão ácida, que deprecia a qualidade da uva e dos vinhos, além de prejudicar os frutos para comércio in natura.

Monitoramento e controle

    O monitoramento deve ser realizado mergulhando-se os cachos no período de maturação num recipiente com água e detergente (0,5%). O nível de controle é de 10% dos cachos infestados. Não existem inseticidas registrados para o controle do inseto nos parreirais, assim os maiores esforços de manejo devem ser direcionados aos paióis de armazenagem do milho, principalmente aqueles localizados próximos aos vinhedos.

Moscas-das-frutas-sulamericana Anastrepha fraterculus (Wied) e mosca-do mediterrâneo Ceratitis capitata (Wied) (Diptera: Tephritidae)

Descrição e bioecologia

    A mosca-das-frutas-sulamericana A. fraterculus (Figura 30) apresenta coloração amarela e cerca de 8 mm de comprimento. Os adultos possuem duas manchas sombreadas nas asas, uma em forma de S que vai da base à extremidade da asa, e outra na forma de V invertido, no bordo posterior. A fêmea apresenta, no extremo do abdômen a terebra, que funciona como aparelho perfurador e ovipositor. Antes de iniciar a reprodução, as fêmeas necessitam amadurecer os ovários. Para isso, alimentam-se de substâncias à base de proteínas e açúcares, encontrados em frutos de goiaba, pêssego, ameixa, uva, pêra, nectarina e outros cultivados ou nativos. O número médio de ovos colocados por fêmea é de 400, sendo depositados aproximadamente 30 ovos por dia num período de até 65 dias. Após a oviposição, as larvas eclodem em 3 a 4 dias e alimentam-se das bagas da uva. As larvas passam por três instares até atingir a fase de pupa que ocorre no solo e dura de 10 a 15 dias no verão, e 30 a 45 dias no inverno. O período larval, a 25ºC é de aproximadamente duas semanas, podendo se prolongar por até 77 dias dependendo das condições ambientais. A cópula é realizada no quarto ou quinto dia após a emergência do adulto. Após o acasalamento e o amadurecimento dos ovários, a fêmea fecundada procura o fruto da planta hospedeira, na qual faz postura, continuando seu ciclo. O ciclo completo (ovo-adulto) em condições ideais é de cerca de 30 dias, podendo se prolongar até três meses ou mais. O ciclo biológico depende do hospedeiro e do período do ano.
    Os adultos da mosca-do-mediterrâneo Ceratitis capitata (Figura 31) medem de 4 a 5 mm de comprimento, 10 a 12 mm de envergadura, apresentando coloração predominante amarela, tórax preto na face superior, com desenhos simétricos e olhos castanhos-violáceos. O abdome é amarelo, com duas listras transversais acinzentadas. As asas são suavemente rosadas, transparentes, com listras amarelas sombreadas. O ovo é alongado, possui coloração branca, mede aproximadamente, 1 mm de comprimento, assemelhando-se a uma banana. A postura é feita nos frutos em estágio de maduração mais avançado ("de vez"), podendo uma fêmea depositar 10 ovos por oviposição e 300 a 1000 ovos durante toda a sua vida. A larva é ápoda e, quando desenvolvida, mede aproximadamente 8 mm de comprimento; possui coloração branca-amarelada, com a extremidade anterior afilada e a posterior truncada e arredondada. Quando perturbada, tem a característica de saltar. Desenvolve-se dentro dos frutos e quando prestes a empupar deixa-se cair no solo. A pupa tem coloração marrom-avermelhada, mede em torno de 5 mm de comprimento e tem a forma de um pequeno barril.

Sintomas e danos

    As moscas-das-frutas são consideradas as principais pragas da fruticultura brasileira, contudo para a videira, a importância destes insetos está intimamente relacionada a cultivar plantada e ao destino da produção. Em vinhedos de cultivares americanas para vinho comum ou consumo in natura, tipo Niágaras, Isabel e Bordô, as moscas-das-frutas normalmente não são consideradas pragas. Nos vinhedos de cultivares viníferas para vinhos finos, também não há muita preocupação dos produtores quanto à incidência de mosca-das-frutas, embora os prejuízos causados ainda necessitem ser melhor quantificados. Sabe-se que o dano é maior nas cultivares tardias, podendo resultar na queda prematura de bagas.
    È nos vinhedos de cultivares viníferas para consumo in natura, tipo Itália e suas variantes, que a incidência de mosca-das-frutas torna-se problemática. Nesta cultivares os adultos das moscas efetuam a postura nas bagas e o posterior desenvolvimento das larvas acarreta o apodrecimento das mesmas. Outro agravante do ataque de mosca-das-frutas é a depreciação comercial dos cachos, pela presença de bagas com galerias produzidas pelas larvas na polpa, que são visíveis através da película (Figura 32). As moscas-das-frutas também são pragas quarentenárias que limitam a exportação de frutos.

Monitoramento e Controle

    O monitoramento dos adultos de A. fraterculus é realizado com armadilhas McPhail contendo como atrativo alimentar proteína hidrolisada a 5% (Figura 33). As inspeções e a substituição do atrativo devem ser semanais. Como essa praga normalmente vem de fora do parreiral, recomenda-se instalar as armadilhas na periferia do vinhedo, em número de 4 por ha. Outro atrativo que pode ser empregado é a levedura torula, utilizando-se 4 pastilhas por litro de água.     Para o monitoramento de C. capitata utilizam-se armadilhas do tipo Jackson e como atrativo o paraferomônio trimedlure. As inspeções são quinzenais e a substituição do trimedlure a cada 45 dias.
    Para o controle das moscas-das-frutas, utiliza-se como nível de controle ou de ação, o índice MAD=M/(AxD) onde M = Número de moscas capturadas, A = Número de armadilhas e D = Número de dias da exposição das armadilhas.
    A partir da constatação do MAD = 0,5, deve-se fazer aplicação de isca tóxica em 25% da área do parreiral e repetí-la, semanalmente, ou logo após uma chuva. A isca tóxica é formulada com proteína hidrolisada a 5% ou melaço a 7%, adicionando-se um inseticida fosforado na dose comercial. Quando a população atingir o MAD = 1, realizar pulverizações com inseticidas em cobertura total.
    Além do controle químico, são usadas outras medidas culturais, como: podas de raleio ou aeração, eliminação de hospedeiros alternativos, colheita e eliminação dos frutos maduros, principalmente os tempões, catação e enterrio dos frutos caídos no solo; medidas legislativas adotando-se o certificado fitossanitário de origem (CFO), barreiras fitossanitárias e tratamento a frio em pós-colheita.

Vespas e Abelhas Synoeca syanea, Polistes spp., Polybia spp., Apis mellifera e Trigona spinipes

Descrição e Bioecologia

    Vespas e abelhas são insetos benéficos ao homem, porém, devido à escassez de alimentos durante o verão, acabam indo buscá-lo nos cachos de uva em maturação.

Sintomas e danos

    As vespas ou marimbondos possuem mandíbulas bem desenvolvidas e rompem a película das bagas para sugar o suco que, ao extravasar, atrai grande quantidade de abelhas. As abelhas acabam afugentando as vespas da baga rompida, levando-as a romper outra baga em seguida, até secar todo o cacho. O ataque de vespas e abelhas aos cachos de uva deve-se à falta de alimento (floradas) no período de maturação da uva. Estes insetos, preferem néctar a qualquer exudato adocicado, sendo a primeira fonte de alimento flores e não frutos. A falta de floradas está associada à ausência de matas nativas próximas aos parreirais, que forneceriam flores durante o período de frutificação da cultura. Outra situação comum é a falta de planejamento dos apicultores, que muitas vezes, superpovoam as áreas próximas aos vinhedos.

Monitoramento e Controle

    O ataque de vespas e abelhas deve ser permanentemente monitorado em áreas com histórico de ocorrência devendo-se adotar medidas na maioria das vezes preventivas (Figura 34). O plantio escalonado de áreas marginais aos vinhedos com espécies que floresçam no mesmo período de maturação da videira é uma medida recomendada. Esta prática irá suprir as abelhas de alimento no período crítico de ataque.
    As matas próximas aos parreirais devem ser reflorestadas com espécies como eucalipto, angico, canela lageana e sassafrás, louro, pau marfim, cambuim, maricá, fedegoso, carne de vaca, palmeiras e butiás, ampliando a fonte de alimento para estas espécies. Também pode ser fornecido alimento artificial às abelhas em comedouros coletivos.
    Quando possível, ensacar os cachos de uva próximos à colheita. O emprego de repelentes para evitar o ataque de vespas e abelhas na uva tem se constituído numa nova opção de manejo. Extratos pirolenhosos, em associação ou não com fungicidas à base de mancozeb, aplicados a cada 5 ou 7 dias nos cachos, têm proporcionado uma redução significativa do número de bagas danificadas por vespas e abelhas.
    A destruição dos ninhos de vespas e abelhas deve ser feita com muito critério, pois as mesmas são valiosas auxiliares na predação de pragas e polinização de culturas.

Considerações finais

    Dentre os métodos de controle de pragas disponíveis para uso na cultura da videira, de forma prática são empregados a resistência de plantas a insetos, o controle cultural e o químico. A resistência de plantas a insetos é utilizada, principalmente, nas áreas cultivadas com V. vinifera enxertadas, visando resistência à forma radicular da filoxera Daktulosphaira vitifoliae. Para o programa de manejo integrado de pragas nos sistemas sustentáveis de produção integrada e orgânica, preconizados em normas nacionais e internacionais, é fundamental que sejam disponibilizadas novas ferramentas de controle e estratégias para a racionalização ou uso de insumos químicos de menor toxicidade e sem impacto ambiental, como os produtos biológicos e os feromônios sexuais insumos importantes que necessitam urgentemente serem registrados serem empregados na cultura da videira.

Fig. 1 Pérola-da-terra em raízes de videira.
Fonte: E. Hickel

Fig. 2 Ciclo biológico da pérola-da-terra em plantas de videira
Fonte: E. Hickel

Fig. 3 Cisto branco com ovos da pérola-da-terra
Fonte: E. Hickel

Fig. 4 Eclosão das ninfas a partir dos cistos brancos
Fonte: E. Hickel

Fig. 5 Cisto amarelo da pérola-da-terra
Fonte: E. Hickel

Fig. 6 Fêmea móvel da pérola-da-terra
Fonte: E. Hickel

Fig. 7 Macho alado da pérola da terra
Fonte: E. Hickel

Fig. 8 Sintomas do ataque da pérola-da-terra nas folhas de videira
Fonte: E. Hickel

Fig. 9 Plantas definhadas devido ao ataque da pérola-da-terra
Fonte: M. Botton

Fig. 10 Galhas nas folhas devido ao ataque da filoxera
Fonte: M. Botton

Fig. 11 Fêmea da filoxera e posturas localizadas no interior da galha
Fonte: E. Hickel

Fig. 12 Nodosidades causadas pelo ataque da filoxera em raízes de videira
Fonte: M. Botton

Fig. 13 Ciclo biológico da filoxera na cultura da videira
Fonte: E. Hickel

Fig. 14 Cochonilhas do tronco sob a casca da videira
Fonte: M. Botton

Fig. 15 Haste de dupla saída adaptada ao pulverizador costal
Fonte: Marcos Botton

Fig. 16 Cochonilha algodonosa em videira
Fonte: E. Prado

Fig. 17 Encurtamento dos ramos de plantas de videira devido ao ataque do ácaro-branco
Fonte: M. Botton

Fig. 18 Ácaro-rajado com as manchas características no dorso do corpo
Fonte: P.R. Reis

Fig. 19 Besouros desfolhadores atacando folhas da videira
Fonte: E. Hickel

Fig. 20 Perfurações em folhas de videira causadas pelo ataque de besouros desfolhadores
Fonte: M. Botton

Fig. 21 Queda de bagas devido ao ataque de besouros desfolhadores
Fonte: M. Botton

Fig. 22 Adultos da vaquinha Diabrotica speciosa.
Fonte: J.J. Silva

Fig. 23 Fruto de purungo utilizado como isca para a vaquinha
Fonte: M. Ventura

Fig. 24 Armadilha de garrafa plástica descartável de 2 L, contendo no interior tira de plástico com pó de purungo colado, fundo com água e externamente sache com o volátil 1,4-dimetoxibenzeno
Fonte: A. Pissinati

Fig. 25 Percevejo verde Nezara viridula
Fonte: E. Hirose

Fig. 26 Percevejo-marrom Euschistus heros
Fonte: J.J. Silva

Fig. 27 Mosca-branca em folhas de videira
Fonte: Hokko do Brasil

Fig. 28 Folhas e frutos com excreção de substâncias açucaradas expelidas pela mosca-branca
Fonte: F. Haji

Fig. 29 Adultos de tripes
Fonte: E. Hickel

Fig. 30 Mancha areolada causada pelo ataque de tripes durante a floração.
Fonte: M. Botton

Fig. 31 Lagartas de Cryptoblabes gnidiella
Fonte: R. Ringenberg

Fig. 32 Dano da traça-dos-cachos na cultura da videira
Fonte: R. Ringenberg

Fig. 33 Lagartas de Argyrotaenia sphaleropa
Fonte: A. Bavaresco

Fig. 34 Gorgulho-do-milho
Fonte: N.B. Lima

Fig. 35 Adultos de Anastrepha fraterculus
Fonte: E. Hickel

Fig. 36 Adulto de Ceratitis capitata
Fonte: E. Hickel

Fig. 37 Galerias causadas pelas larvas de A. fraterculus em bagas de uva Itália
Fonte: A. P. Afonso

Fig. 38 Vespa em cacho de uva
Fonte: M. Botton

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