Embrapa Embrapa Uva e Vinho
Sistema de Produção, 10
ISSN 1678-8761 Versão Eletrônica
Dez./2005
Sistema de Produção de Uva de Mesa no Norte do Paraná
Reginaldo Teodoro de Souza
Luiz Antonio Palladini
Tecnologia de aplicação de agrotóxicos para vitivinicultura

Introdução

O sistema de produção de uvas praticado atualmente é altamente dependente da aplicação de agrotóxicos. Em regiões como o Norte e Noroeste do Paraná, onde não existe um período de chuvas bem definidos e com o inverno apresentando temperaturas altas, torna-se ideal para o desenvolvimento de doenças e os produtores, muitas vezes, são obrigados a executar muitas aplicações de fungicidas durante o ano.
Além do uso indiscriminado de agrotóxicos, os produtores não se preocupam em conhecer os aspectos tecnológicos relacionados à aplicação de produtos para o controle de pragas, doenças e plantas daninhas. A qualidade na tecnologia de aplicação de agrotóxicos é de extrema importância por envolver o uso de substâncias tóxicas, normalmente perigosos a saúde humana e ao ambiente.
Por definição a tecnologia de Aplicação não se resume ao ato de apenas aplicar o produto, mas na interação de fatores, buscando a máxima eficiência dos tratamentos, economicidade, eficiência operacional, adequação de máquinas e menor contaminação ambiental e segurança do operador (Matthews,1992).
Neste contexto, o manejo integrado de pragas e doenças é um dos processos mais importantes que o agricultor dispõe para reduzir a quantidade de agrotóxico que é utilizado durante o ciclo da cultura. Portanto, a adoção de práticas como escolha criteriosa do local da implantação do pomar, considerando a topografia e presença de ventos dominantes e em regiões com depressões caracterizadas por umidade relativa alta o que propicia a propagação de doenças. O manejo adequado da irrigação interferindo no microclima no vinhedo, adubação balanceada para suprir as necessidades da planta proporcionando maior resistência ao ataque de pragas e doenças, épocas de podas ou podas verdes mantendo quantidade de folhas adequadas a manutenção da produtividade em padrões ideais para cada cultivar evitando a sobreposição dos ramos permitindo maior uniformidade na deposição dos produtos aplicados.
O uso de agrotóxicos a nível global, particularmente em regiões tropicais, subtropicais ou condições ambientais similares ocorre expressivo aumento. Nestas regiões o manejo integrado de pragas tem provocado pouco impacto sobre total de aplicações, diferentemente do que ocorre nos países europeus com redução significativa no número de aplicações durante o ciclo da cultura (Friedrich, 2004), Entretanto, no Brasil existem exemplos de programas em andamento onde o Sistema de Produção integrada da maça tem apresentado sucesso e alternativa viável, produzindo de maneira sustentável e segura atendendo as exigências para exportação de acordo com normas internacionais estabelicidas pela Codex Alimentarius Commission uma subsidiária da FAO (Food and Agriculture Organization) e WHO (World Health Organization) que estabelecem os limites máximos de resíduos recomendados. Mais especificamente para o cultivo da uva, (Santos, 2005), incorporando ao sistema o cultivo protegido, destacou que as exigências nos tratos fitossanitários, foram reduzidas, atingindo em média 89% de redução nas pulverizações com fungicidas nas áreas cobertas com plástico em relação a não coberta.
Apesar dos esforços da pesquisa em estabelecer e divulgar boas práticas de condução das culturas de forma sustentável visando produtividade, segurança ambiental e humana é comum observar aplicações de agrotóxicos como a apresentada na Figura 1, onde se verifica uma parreira mal projetada dificultando a pulverização com uso de equipamentos tratorizados, caracterizado pelo desconforto ao aplicador durante a execução do trabalho e também pela falta de conscientização da necessidade de uso de equipamentos de proteção individual e desta forma coloca em risco sua saúde pela exposição direta e a de comunidades vizinhas em função da perda por deriva. Grande parte das gotas formadas tem como destino o solo e alguns produtos por lixiviação e aliado ao uso constante pode contaminar o lençol freático apresentando-se como mais uma forma de dano ao ambiente.

Figura 1. Pulverização realizadas de forma inadequada em parreiras de uva.
Foto: João Dimas Garcia Maia

Grande parte das gotas formada tem como destino o solo e alguns produtos por lixiviação e aliado ao uso constante pode contaminar o lençol freático apresentando-se como mais uma forma de dano ao ambiente.

Equipamentos de pulverização

Pulverizador costal manual

Este equipamento é formado por um tanque com a capacidade de até 20 litros, normalmente em polietileno de alta densidade, e de uma bomba de pistão ou de diafragma com acionamento manual, através de uma alavanca, para produzir a pressão diretamente no tanque hermeticamente vedado. Pode-se utilizar com um ou mais bicos do tipo cone, leque ou impacto, dependendo do tipo de produto e do controle que deseja realizar. Pela reduzida capacidade de seu tanque é recomendado para áreas pequenas ou intransitáveis às máquinas grandes. Normalmente trabalha com baixa pressão.

Pulverizador costal motorizado

Atomizador rotativo - chamado popularmente de turbina, constituído de uma hélice movido por escoamento de ar a alta velocidade. As gotas são formadas por dispersão nesse disco rotativo. A velocidade de rotação da turbina é dada pelo ângulo, número e geometria das pás e pela velocidade do fluxo de ar produzido pelo equipamento, que influencia no diâmetro das gotas e na faixa de deposição. Como a pressão do líquido não influi na formação das gotas, a turbina pode produzir gotas pequenas, mesmo em baixas pressões, o que não ocorre com os bicos hidráulicos. A vazão é alterada pela substituição da célula dosadora, normalmente identificada por sua coloração. Em termos práticos operam entre 5 e 15 lbf/pol2. São indicados tanto para culturas anuais como para perenes, apresentam boa cobertura da área foliar e penetração na copa das plantas.
Pulverizadores costais ou atomizadores rotativos normalmente são utilizados nos estádios iniciais da cultura, principalmente por pequenos produtores ou para tarefas específicas nas maiores áreas de cultivo.

Pulverizadores com Mangueiras

Esses equipamentos são constituídos de tanque, bomba, mangueiras e lanças ou pistola de pulverização. Normalmente operam com uma ou duas saídas, quando se utiliza duas aumenta a capacidade de trabalho. São utilizados para tratamentos a volume alto, ou seja, até o ponto de escorrimento. A pistola é formada por um bico, um tubo e um sistema de registro e/ou regulador de jato a ser emitido. A vazão varia conforme a pressão, tipo do jato (estreito ou aberto) e pelo diâmetro do bico utilizado. A lança é constituída de um ou mais bicos, um tubo normalmente de alumínio, um filtro e uma torneira. O volume é alterado pela troca de bicos.
Sistemas estacionários desenvolvidos pelos próprios viticultores ou por empresas especializadas em equipamentos de pulverização são utilizados normalmente em áreas de pequeno porte, característico de agricultura familiar. Entretanto, este sistema não proporciona segurança ao aplicador. Segundo Ramos et al., (2002), a exposição dérmica do aplicador chega a ser 90 vezes maior comparando-se a aplicação com sistema estacionário e turboatomizadores.

Turboatomizador

Os turboatomizadores são equipamentos que projetam as gotas em direção ao alvo, por meio de uma corrente de ar gerada por uma turbina, acionada pela tomada de força do trator. Esse equipamento substitui os pulverizadores com pistola ou lança, com maior rapidez, e com a mesma eficiência. No mercado, encontram-se equipamentos com sistema para acoplamento no terceiro ponto do trator com tanques de 200 a 1000 litros, sendo que os de tanque menores são os acoplados ao trator e os maiores de arrasto.
Este equipamento é disponível a produtores considerados médios ou grandes e pode ser utilizado em qualquer etapa do ciclo da cultura, entretanto nos estádios iniciais devem-se orientar adequadamente os bicos para o alvo e deixar em funcionamento somente a quantidade necessária.

Componentes básicos do conjunto trator-pulverizador que devem sempre estar em ordem.

    As condições indispensáveis dos tratores e pulverizadores para a aplicação de produtos fitossanitários com procedimentos corretos segundo Palladini e Krueger (2004) são:
      a) cardan - este equipamento que une o trator a bomba de pulverização deve ter um dispositivo de proteção, denominada de proteção de cardan, que evita acidente com os operadores;
      b) bomba - a bomba deve bombear um volume de calda suficiente para suprir a demanda de vazão dos bicos além de proporcionar um volume mínimo para realizar a agitação da calda no tanque. Na Europa, este volume está estipulado em no mínimo de 5% da capacidade do tanque;
      c) Agitador - quando dispuser de agitador mecânico, verificar se está funcionando;
      d) Indicador de nível de calda - estar sempre visível, para orientar o operador do momento adequado para realizar o reabastecimento;
      e) Manômetro - verificar se está funcionando corretamente;
      f) Filtros - fazer a limpeza pelo menos duas vezes ao dia;
      g) Bicos - não podem ter vazamentos e deve-se verificar o seu funcionamento periodicamente para evitar que as aplicações sejam realizadas com pontas entupidas;
    Todos os pulverizadores possuem três fatores comuns: o líquido a ser pulverizado (calda) é contido em um tanque, do qual é movido por uma bomba até uma ou mais saídas chamadas bicos (figura 4). O termo "bico" é usado num sentido amplo para qualquer dispositivo através do qual o líquido é emitido em uma quantidade determinada, quebrado em gotas e disperso pelo menos a certa distância. Nos pulverizadores hidráulicos, a bomba desloca o líquido sob pressão, forçando-o a passar por uma pequena abertura, de maneira que há uma energia de velocidade suficiente para espalhar esse líquido na forma de uma lâmina fina que se quebra em gotas (Cristofoletti, 1999).

Pontas (bicos) de pulverização

    Nas aplicações de produtos fitossanitários nos vinhedos não se deve utilizar um mesmo tipo de ponta de pulverização para todas as aplicações necessárias durante o ciclo da cultura, pois os alvos biológicos são diferentes o que exige também dispositivos distintos para fazer com que as gotas atinjam o seu destino.
    Em fruticultura as pontas de pulverizações mais utilizadas, ainda, são as dos tipos cone vazio e cheio, para os tratamentos de fungicidas e inseticidas e leque ou de impacto para os herbicidas.
    No início dos anos 90 surgiram as pontas (bicos) AI (Air Injektor ou Indutores de Ar) que formam gotas com bolha de ar no seu interior e com diâmetro de gota bem superior aos bicos convencionais com jato em cone. Das vantagens deste tipo de bico cabe citar a diminuição da deriva (gotas que não atingem o alvo); sofrem menor influência do vento e do calor alcançando melhor a parte alta da planta; a gota por ser maior contém conseqüentemente maior quantidade de produto; ao bater no alvo a gota se divide em gotas menores. Os bicos AI, tanto com jato em cone como os de jato em leque/plano podem ser utilizados em turbopulverizadores com o mesmo sucesso Alguns bicos AI no mercado nacional: AVI (Jacto) e AD.IA (Magno).

Durabilidade das pontas (bicos)

    A durabilidade da ponta de pulverização depende de vários fatores tais como:

  • Tipo de produto: quanto mais abrasivos, mais rápido será o desgaste do material. A maior abrasividade está nas formulações pó molhável e suspensão concentradas;
  • Pressão de trabalho: quanto maior, maior o desgaste do material;
  • Qualidade da água: deve ser limpa, isenta de partículas em suspensão;
  • Dos cuidados no momento da limpeza: nunca utilizar objetos metálicos e pontiagudos para esta atividade, para a limpeza utilize sempre escova com cerdas de nylon, como exemplo, escova de dente

Resistência a abrasividade das pontas (bicos) de pulverização

    A maioria dos produtos utilizados nos tratamentos da videira é com formulações abrasivas, que causam desgaste acentuado das pontas de pulverização. Na fabricação dessas pontas a indústria utiliza diferentes materiais e consequentemente a resistência também é diferente. Recomenda-se que o produtor sempre utilize pontas fabricadas com material de alta resistência. De maneira geral e com uso normal, temos disponíveis as pontas fabricadas com os seguintes materiais:

  • cerâmica: material de alta resistência ao desgaste com o uso de produtos abrasivos e corrosivos. A sua vida útil com tratamentos normais está entre 400 e 600 horas de uso;
  • aço inoxidável endurecido: também possuem alta resistência ao desgaste, boa durabilidade e resistência aos produtos abrasivos e corrosivos, porém a sua vida útil é menor que a das pontas de cerâmica;
  • aço inoxidável: apresenta boa resistência ao desgaste;
  • polímero: resistência ao desgaste de média a boa, porém o orifício é facilmente danificado ao limpá-lo;
  • latão: baixa resistência ao desgaste, susceptível a corrosão.

Vazão de pontas (bicos) de pulverização

    No mercado nacional estão disponíveis várias marcas de pontas de pulverização. Nos Quadros 1 e 2, são apresentados as vazões em diferentes pressões de trabalho para algumas pontas disponíveis ao produtor. A pressão de trabalho mais utilizada para as pontas normalmente utilizadas nos tratamentos fitossanitários dos pomares é entre 150 e 200 lbf/pol2.
    As tabelas de vazão dos diferentes tipos de pontas (bicos) podem ser obtidas nas revendas de material para pulverização.

Quadro 1. Vazão das pontas de pulverização da série J.A. (Jacto) e MAG (Magno).
Pressão (lbf/pol2) Cor das pontas de pulverização
Denominação das pontas
Vazão (l/min)
Azul Marrom Preto Laranja Vermelho Verde
JA-1 JA-1,5 JA-2 JA-3 JA-4 JA-5
60 0,32 0,43 0,64 0,88 1,25 1,60
90 0,38 0,52 0,76 1,06 1,51 1,93
120 0,42 0,59 0,86 1,21 1,72 2,20
150 0,50 0,66 1,00 1,34 1,91 2,44
180 0,52 0,71 1,04 1,46 2,07 2,65
210 0,55 0,77 1,13 1,57 2,22 2,85
240 0,60 0,82 1,22 1,68 2,34 3,22
Fonte: Catálogo Comercial JACTO e MAGNO


Quadro 2. Vazão das pontas de pulverização (Disco + Difusor) - Jacto
Pressão (lbf/pol2) Denominação das pontas de pulverização
Vazão (l/min)
J4-2 J4-3 J5-2 J5-3 J6-2 J6-3
75 1,10 1,52 1,30 2,78 2,15 5,04
100 1,21 1,75 1,46 3,20 2,41 5,76
150 1,64 2,48 2,12 4,32 2,84 6,48
200 1,92 2,74 2,44 4,92 3,28 7,76
250 2,12 3,04 2,76 5,48 3,68 8,56
300 2,32 3,38 3,00 6,00 4,16 9,36
Fonte: Catálogo Comercial JACTO e MAGNO

Desgaste das pontas de pulverização

    Periodicamente deve-se verificar a vazão das pontas que estão sendo utilizadas nos tratamento, quando essa estiver maior que 10% da vazão nominal na tabela do fabricante, deve-se proceder a troca. Lembramos que o custo das pontas é insignificante quando se compara ao dos agrotóxicos ou com os prejuízos que as pragas, doenças ou plantas daninhas causam na produção, pela ineficiência de uma pulverização.

Fatores que interferem na cobertura do alvo

    A eficiência da aplicação de produtos fitossanitários está em colocar a quantidade de ingrediente ativo necessário no alvo para que este exerça sua ação sobre as pragas de forma segura, sem riscos ao ambiente e a saúde humana. Sendo assim, equipamentos adequados e calibrados, manuseados por aplicadores treinados são condições essenciais para o aumento da eficiência ou aumento da cobertura do alvo.
    A cobertura do alvo esta relacionado com o volume de aplicação ou litros de calda aplicado em um hectare, uso de adjuvantes que quebram a tensão superficial da água e aumentam a superfície de contato da gota gerada no processo de pulverização, denominados por surfactantes ou como espalhantes; acessórios incorporados ao pulverizadores que aumentam as chances de recuperação das gotas, como por exemplo o uso de assistência de ar que direciona as gota e provoca agitação das folhas permitindo maior penetração no dossel da planta ou ainda este sistema somado ao uso de energia eletrostática que carrega a gota com cargas negativas ou positivas e desta forma ao atingir a proximidade da folha são atraídas pelas mesmas nos pontos que apresentam cargas opostas.
    Por outro lado, a cobertura também é influenciada pela área foliar da planta e o diâmetro das gotas geradas no processo de pulverização. Corshee, 1967; demonstrou a interdependências entre estes fatores pela equação:

C = 15. (VK2R/DA)

Onde:
C= Cobertura do alvo (%)
V= volume de calda (L ha-1)
K= constante de espalhamento
R= fator de recuperação
D= diâmetro das gotas
A=área foliar

    Verifica-se pela equação que aumentando os fatores do denominador ou diminuindo o numerador ocorre aumento na porcentagem de cobertura (Matuo, 1998). Em função o aumento da área foliar com o avanço nos estádios de desenvolvimento da cultura os fatores tem que ser ajustado, lembrando ainda a interferência do ambiente no momento da aplicação é de extrema importância.

Volume de aplicação

    Existem propostas de vários autores com diferentes escalas para expressar as variações de volumes aplicados (ASAE, 1974; Matthews, 1979), entretanto abordaremos este fator de modo prático como a quantidade de calda necessária para proporcionar a máxima cobertura em função do equipamento ou técnica de pulverização utilizada até o limite em que se inicia o escorrimento como alto volume, sendo este elemento perceptível ao olhos do responsável pelo trabalho de pulverização e o mínimo de volume utilizado que proporcione o efeito biológico desejado, ou seja, eficiência de controle, como baixo volume.
    Chaim et al., 2004; demonstraram que eficiência da aplicação de agrotóxicos em videira é relativamente baixa, considerando as porcentagens das doses reais que atingem as folhas da parreira (Tabela 1) ao avaliarem diferentes pontas e volumes de aplicação com pulverizadores com cortina de ar em experimento realizado em uva Itália 70 dias apos a brotação, após desbaste de ramos improdutivos e com aproximadamente 46 folhas por metro quadrado. Observa-se que bico cone vazio JA-1 que produz gotas pequenas apresentou melhores deposições que os demais, entretanto o pulverizador Airbus 200 estava com dois bicos muito inclinados para as laterais, o que resultou numa elevada contaminação do solo. Deve ser considerado que os experimentos foram realizados
    Verifica-se ainda na Tabela que a eficiência da deposição não depende do volume aplicado e a escolha do bico e o padrão de gotas produzido é fundamental para o sucesso da aplicação. A calibração dos pulverizadores, associada a um manejo adequado de podas da videira para permitir uma maior penetração das gotas, ou um melhor arejamento da cultura, poder. proporcionar uma sensível redução do número de pulverizações.

Tablea 1. Distribuição percentual de traçador em videiras, comparando diferentes bicos e pulverizadores.
Região de amostragem Pulverizadores
FMC-Uva Airbus 200 Airbus 500 Airbus 200 Airbus 500
Pontas Yamaho D3 JA-1 API 110-015
Volume de calda L ha-¹ 600 372 246 501 503
Planta 61 67 82 46 47
Solo 5 23 8 20 19
Evaporação / Derica 34 10 10 34 34
Fonte: Chain et al. (2004)

    O aumento da cobertura com o aumento no volume de aplicação ocorre até certo limite, Palladini & Souza, 2004, ao avaliar os depósitos de pulverização com turboatomizadores nos volumes de 280, 380, 560 e 780 L ha-1 verificaram que a maior eficiência na deposição sobre as folhas ocorreu a 560 L ha-1.
    Não há um volume fixo de calda a ser utilizado por hectare, podendo variar por exemplo entre 150 a 700 litros/ha de acordo com vários fatores dos quais podemos citar o tipo de pulverizador, o porte das plantas, a distância entre filas de plantas, as condições climáticas, a praga a ser controlada e o estágio vegetativo da planta.
    Para aumentar ou diminuir o volume de calda a aplicar por hectare podemos, diminuir ou aumentar a velocidade de deslocamento, aumentar ou diminuir a pressão, aumentar ou diminuir o número de bicos, ou usar bicos de maior ou menor vazão, respectivamente. Estas alterações são possíveis de realizar desde que dentro de limites, sem exagerar na velocidade, seguir a faixa de pressão recomendada pelo fabricante dos bicos.
    A tendência atual, devido as perdas de tempo para reabastecimento do pulverizador, é a prática de modalidades que requerem menor volume de aplicação, visando com isto, diminuir o custo e aumentar a rapidez do tratamento. A diminuição do volume de aplicação, por sua vez, implica no emprego de gotas menores, se quiser uma adequada cobertura do alvo (Matuo, 1998).

Gotas de pulverização

    A nuvem de partículas de pulverização é constituída por gotas de diferentes diâmetros, o que forma o espectro de gotas. O tamanho de gota (no espectro) que divide o volume em duas partes iguais (metade do volume é formado por gotas de tamanho inferior e a outra metade por gotas de tamanho superior) é definido por diâmetro mediano volumétrico (DMV) e sua classificação é apresentada na Tabela 3.

Tabela 2. Classificação das gotas de acordo com o diâmetro
Classe de pulverização Diâmetro Médio Volumétrico (DMV) em µm
Aerosol < 50
Muito Fina 51 - 100
Fina 101 - 200
Média 201 - 400
Grossa 401 - 600
Muito Grossa > 600
Fonte: Chain et al. (2004)

Fatores que afetam o tamanho de gotas.

Tipo da ponta: pulverizações com pontas de jato cônico cheio produzem gotas maiores que a de jato plano (leque), que por sua vez produzem gotas de jato cônico vazio quanto trabalhadas na mesma pressão e com a mesma vazão.
Pontas de com o mesmo tipo de jato podem apresentar diferentes padrões de gotas de acordo com diferentes modelos projetados pelas empresas fabricantes, citando como exemplo os modelos XR, DG e TT fabricados pela TEEJET, que na mesma pressão produzem gotas finas, médias e grossas, respectivamente, dependendo da vazão. Dentro do mesmo tipo de jato, entretanto, com ângulos diferentes, como por exemplo XR 11002 e XR 8002, também apresentam diferentes padrões de gotas; quanto maior o ângulo, menor o tamanho de gota.
Quanto maior a vazão, maior será o tamanho da gota quando trabalhadas na mesma pressão. Por exemplo, pontas JA 1 produz gotas menores do que JA 2.
Um mesmo tipo de ponta tem diferentes padrões de gotas quando submetidas a diferentes pressões. O tamanho da gota é inversamente proporcional ao aumento da pressão, ou seja, quanto maior a pressão, menor o tamanho da gota.
Propriedades do liquido, portanto quanto maior a viscosidade e tensão superficial, maior serão as gotas e maior a quantidade de energia necessária para pulverização.

Fator de espalhamento

    A água que é o principal veículo utilizado nas pulverizações, sendo compatível com a maioria das formulações de agrotóxicos, apresenta alta tensão superficial e ao ser pulverizada forma gotas esféricas e com menor superfície de contato. Para alterar esta característica faz-se uso de adjuvantes denominados surfactantes, ou seja, qualquer produto que adicionado a calda de pulverização diminui a tensão superficial, aumentando a superfície de contato.
    Existem vários tipos de surfactantes no mercado e entre eles o que apresenta a maior capacidade de reduzir a tensão superficial são os organo-siliconados. Segundo Kogan & Pérez J., 2003; a grande diminuição da tensão superficial permite maior aderência das gotas de pulverização em superfícies foliares altamente repelentes a água, entretanto, este surfactante pode causar uma menor retenção e escorrimento superficial em superfícies lisas, quando se utilizam altos volumes de calda. Entre os viticultores é comum o uso de altos volumes de calda e a utilização de surfactantes com estas características, podem aumentar os riscos de perdas por escorrimento.

Efeito do ambiente na pulverização

    O vento, a temperatura e umidade relativa do ar são fenômenos climáticos que atuam diretamente na pulverização, agindo mais intensamente nas gotas de tamanho menores. A evaporação é um fenômeno ligado à relação da superfície/volume da gota, que tanto maior quanto menor é o diâmetro da mesma. À medida que a umidade do ar é mais baixa, mais rapidamente a água evapora, sendo que o chamado "tempo de vida" (Christofoletti ,1999).     À medida que a gota vai perdendo seu volume por evaporação, consequentemente seu peso (massa) também diminui, ficando mais lenta a sua queda em função da gravidade. O tempo de vida e a distância de queda de gotas de três diâmetros distintos podem ser vistos na Tabela 3, em duas condições climáticas diferentes, dando a idéia do comportamento das mesmas.

Tabela 3. Tempo de vida e distância de queda de gotas de três diâmetros distintos em duas condições climáticas diferentes.
Condições Ambientais Temperatura = 20 °C
(T seco - T úmido) = 2,2 °C
Umidade Relativa = 80 %
Temperatura = 30,0 °C
(T seco - T úmido)= 7,7 °C
Umidade Relativa = 50 %
Diâmetro inicial (um) Tempo até extinção (s) Distância de queda (m) Tempo até extinção (s) Distância de queda (m)
50 14,0 0,50 4,0 0,15
100 57,0 8,50 16,0 2,4
200 227,0 136,4 65,0 39,0
Fonte: Matthews, 1992

    Palladini & Souza, 2004; quantificaram porcentualmente as diferenças negativas nos depósitos de pulverização em diferentes horários de aplicação com turboatomizadores (Figura 2) e verificaram menores porcentagens de depósitos sobre as folhas com o aumento da temperatura e diminuição da umidade relativa do ar. Mesmo sob condições ambientais consideradas adequadas, as diferenças entre a primeira e última condição de aplicação chegaram a 17%.

Figura 2. Depósitos porcentuais de pulverização sobre folhas de maça em diferentes condições ambientais no momento da aplicação.
Foto: Adaptada de Soares & Costa (2000)

Velocidade e Direção do Vento

    Fatores como o tamanho da gota e sua velocidade descendente, turbulência de ar e altura da barra afetam a distância que uma gota percorre antes de se depositar no alvo. Porém, velocidade de vento normalmente é o fator mais crítico de todas a condições meteorológicas que afetam a deriva. Quanto maior a velocidade de vento, maior distância para fora do alvo que uma gota de um determinado tamanho será levada. Quanto maior a gota, menos afetada pelo vento será e mais rápido cairá. Porém, ventos altos podem desviar gotas maiores para fora do alvo. (Ozkan, 2005).
    Vários autores consideram que gotas de 100 mm ou menores são facilmente carregadas pelo vento e se evaporam muito rapidamente, sofrendo mais intensamente a ação dos fenômenos climáticos. Pesquisadores que trabalham com aplicações aérea consideram um limite mais rígido de 150 mm, devido à maior distância existente entre a máquina e o alvo e a própria turbulência gerada pela aeronave em vôo. Entretanto, é importante reconhecer que a deriva não começa ou pára nesses limites de 100 mm ou 150 mm. O potencial de deriva aumenta gradativamente à medida que as gotas sejam menores que esses diâmetros e, continuadamente, decresce à medida que elas são maiores.
    Direção do vento é tão importante quanto a velocidade na redução do dano causado pela deriva. A presença de vegetação sensível ou comunidades próximas ao local de pulverização, particularmente na direção do vento, é um das primeiras coisas que deveriam ser avaliadas, mas é freqüentemente negligenciada ao se iniciar uma pulverização trazendo riscos ao ambiente ou a saúde humana.
    Recomenda-se pulverizações com vento dentro dos limites de 3 a 9 kilometros por hora, desde que ajustes nos padrões de gotas sejam feitos para trabalho dentro dos níveis superior dentro deste limite.

Calibração de turboatomizadores

    Antes de iniciar os tratamentos fitossanitários do pomar deve-se realizar a calibração do equipamento de pulverização. Este procedimento deve ser realizado somente com água.     O objetivo da calibração é medir e ajustar a quantidade de líquido a ser aplicada pelo pulverizador na área conforme a recomendação do produto.     Para a calibragem deve-se dispor das seguintes informações:

  • pressão de trabalho em lbf/pol2;
  • a distância entre filas (m);
  • estabelecer a velocidade de deslocamento do trator-puvlerizador a ser utilizada para o tratamento (km/h);
  • conhecer a vazão individual ou total das pontas de pulverização utilizadas nos tratamentos (l/min).

Velocidade do trator-pulverizador

    A determinação da velocidade correta do trator é um dos itens necessários para calcular a dosagem e volume da calda exato a ser aplicado. O tacômetro e os manuais são indicativos. Mas, para obter a velocidade correta deve-se engatar o pulverizador com tanque cheio no mesmo trator a ser utilizado nas pulverizações, demarcar uma distância dentro do pomar e cronometrar o tempo gasto, e aplicar uma fórmula, conforme abaixo:
      a. Marque 50 metros no terreno a ser tratado (distância a ser percorrida);
      b. Abasteça completamente o pulverizador;
      c. Escolha a marcha de trabalho;
      d. Ligue a tomada de força;
      e. Acelere o motor até a rotação correspondente a 540 rpm na tomada de força;
      f. Inicie o movimento do trator no mínimo 5 metros antes do ponto marcado;
      g. Anote o tempo, em segundos, gasto para andar os 50 metros;
      h. Repita a operação 3 vezes para fazer uma média do tempo gasto;

Vazão total das pontas (bicos) do pulverizador

Procedimentos:

  • Com o pulverizador parado e com água, faça-o funcionar com o trator na aceleração de trabalho para regular a pressão desejada. desligue o pulverizador e complete o tanque com água até a boca.
  • Pulverizar durante um minuto, com o pulverizador parado.
  • Medir a quantidade de água que foi gasta ao completar o tanque até o nível inicial
  • Repetir esta operação 2 a 3 vezes e calcular a média da quantidade de água que foi gasta por todos os bicos em 1 minuto.

Determinação do volume de aplicação

    Com as informações de velocidade do trator-pulverizador, da distância entre filas e da vazão dos bicos/minuto, aplica-se a fórmula abaixo para obter a vazão do pulverizador em litros/hectare:

Q = vazão total por hectare (l/ha);
q = vazão dos bicos (l/min);
600 = fator constante;
V = velocidade de deslocamento (km/h);
L = largura da faixa de aplicação (m) ou largura entre as filas de plantas.

Topo
Todos os direitos reservados, conforme Lei n° 9.610