Embrapa Uva e Vinho
Sistema de Produção, 2
ISSN 1678-8761 Versão Eletrônica
Jan/2003

Uvas Americanas e Híbridas para Processamento em Clima Temperado

Olavo Roberto Sônego
Lucas da Ressurreição Garrido

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.Doenças fúngicas e medidas de controle

     A videira (Vitis spp.) quando cultivada em condições climáticas favoráveis (elevada umidade e temperaturas amenas) ao desenvolvimento de fungos, está sujeita a uma série de doenças, as quais poderão acarretar graves prejuízos se não forem devidamente controladas. As principais doenças fúngicas que podem causar prejuízos para as videiras americanas e híbridos são descritos a seguir:     

Míldio - Plasmopara viticola
Antracnose - Elsinoe ampelina
Escoriose - Phomopsis viticola
Podridão da uva madura - Glomerella cingulata
Podridão Amarga - Melanconium fuligineum = Greeneria uvicola
Mancha das folhas - Isariopsis clavispora= Pseudocercospora vitis
Doenças da madeira ou podridão descendente
Fusariose - Fusarium oxysporum f.sp. herbemontis

Míldio - Plasmopara viticola

     É a principal doença fúngica da videira, podendo infectar todas as partes verdes da planta, causando maiores danos quando afeta as flores e os frutos.

Sintomatologia:  Nas folhas, na parte superior aparecem manchas amarelas, translúcidas contra a luz do sol com aspecto encharcado, denominadas de "mancha de óleo" (Figura 1). Em umidade relativa alta (acima de 95%), surge a esporulação branca do fungo na parte inferior da mancha (Figura 2), a seguir a área afetada fica necrosada, podendo causar a queda da folha. Nas inflorescências infectadas ocorre o escurecimento da ráquis, podendo ainda haver esporulação do fungo, seguido pelo secamento e queda dos botões florais. Quando o fungo ataca as bagas mais desenvolvidas, estas são infectadas pelos pedicelos e o fungo se desenvolve no interior da baga, tornando-as escuras, duras, com superfícies deprimidas, provocando a queda das mesmas (Figura 3). Este sintoma nesta fase de desenvolvimento é denominado de "míldio larvado" ou grão preto.


Fig. 1. "Mancha de óleo" típica de míldio (Foto: G. Nakashima).


Fig. 2. Parte de baixo da folha com frutificação do fungo.
(Foto: G. Nakashima).



Fig. 3. Sintoma de míldio no cacho "grão preto". 
(Foto: G. Nakashima).


Condições predisponentes:
A temperatura ideal para o desenvolvimento do míldio fica entre 18ºC a 25ºC. O fungo necessita de água livre nos tecidos por um período mínimo de 2 horas para haver infecção. A presença de água livre, seja proveniente de chuva, de orvalho, ou de gutação, é indispensável para haver a infecção, sendo a umidade relativa do ar acima de 98% necessários para haver a esporulação. A infecção do fungo nas folhas se dá pelos estômatos presentes na face inferior, estômatos e pedicelos durante a floração e inicio da frutificação e pedicelos quando a uva já está mais desenvolvida.

Medidas de controle: O controle preventivo deve começar adotando-se medidas que melhorem a aeração e insolação da copa, objetivando diminuir o tempo de molhamento foliar. Estas medidas incluem: espaçamento adequado; evitar áreas de baixada ou voltados para o sul, quando for escolher o local do vinhedo; boa disposição espacial dos ramos sobre o aramado; adubação equilibrada; poda verde (desbrota, desnetamento, desfolha, desponte, etc.). 

  • O controle químico deve ser realizado com os fungicidas registrados para a cultura (Tabela 3). Estes podem ter ação de contato (superfície), de profundidade, e ação sistêmica. 
  • Os produtos de contato só protegem a superfície coberta pela aplicação, e não tem ação sobre o fungo no interior dos tecidos, por isso uma boa e uniforme cobertura durante a pulverização é necessário para a eficácia destes produtos. Tem pouca persistência na planta, são facilmente destruídos pelas altas temperaturas, radiação solar e lavados pela chuva. 
  • Os fungicidas com ação de profundidade podem atuar sobre o fungo no interior das folhas até dois dias após a infecção, porém não circulam na planta e também só protegem as partes pulverizadas. Podem ser usados quando se constata os sintomas iniciais do míldio, porem são mais eficazes quando aplicados preventivamente. 
  • Os produtos sistêmicos circulam pela seiva da planta, podendo matar o fungo até três dias após a infecção. Devido sua ação sistêmica, podem proteger as partes não pulverizadas da planta. Embora mais eficazes, não se recomenda mais de duas a três aplicações por safra, pois há riscos do aparecimento de raças resistentes do fungo a estes fungicidas. Recomenda-se que estes produtos sejam aplicados nos estádios de maior sensibilidade da cultura, que são a floração até o inicio da maturação. Para evitar o aparecimento de resistência, recomenda-se também um programa de tratamentos com alternância de produtos. 
    Os fungicidas cúpricos quando usados durante o florescimento e logo após o pegamento dos frutos podem causar fitotoxicidade. Um maior cuidado no controle do míldio deve ser dispensado durante a floração até o inicio da maturação, pois é nestes estádios que ocorre a infecção no cacho, causando o "míldio larvado ou grão preto". Os tratamentos devem ser preventivos, pois após o aparecimento do "grão preto" os danos e os prejuízos já foram produzidos. Na tabela 1, estão contidas informações sobre a eficácia dos principais princípios ativos recomendados para o controle do míldio. Algumas recomendações para evitar o surgimento de resistência de fingicidas ao fungo Plasmopara estão contidas na tabela 2.


Tabela 1.
Eficácia média de fungicidas recomendados para o controle do míldio baseado em resultados de três anos de avaliação. Bento Gonçalves, 1998.

Princípio ativo Concentração
g i.a. (%)
Dose
g i.a./hl
Ação do produto Eficácia
(%)
Classe toxicológica
Folpet 50 90 Contato 70 a 90 IV
Oxicloreto de cobre 50 137,5 Contato <70 IV
Oxicloreto de cobre + Mancozeb 20 + 20 60 + 60 Contato 70 a 90 III
Sulfato de cobre 25 240 Contato 70 a 90 IV
Mancozeb 80 240 Contato 70 a 90 III
Ditianon 75 93.75 Contato >90 II
Cymoxanil + Mancozeb 8 + 64 20 + 160 Penetrante + Contato >90 III
Metalaxil + Mancozeb 8 + 64 24 + 192 Sistêmico + Contato >90 II


Tabela 2.
Modo de Ação de Fungicidas Antimildio e Recomendações para evitar o surgimento de resistência do patógeno.

Modo de Ação Ingrediente ativo Recomendação para evitar resistência
Multisitios Mancozeb,folpet,dithianon,captan, cúpricos, etc. Sem limite de aplicações, deve ser reaplicado após chuva de 20 a 25 mm.
Unisitios- inibidores mitocondriais Azoxystrobin, famoxadone Máximo três aplicações/safra, não mais que duas seguidas.
Metabolismo do ácido nucleico e aminoácidos Cymoxanil Associar a produto de contato e limitar as aplicações.
Biosíntese da parede celular Dimethomorfo Máximo duas a três aplicações/safra.
Inibidores da biosíntese do ARN Matalaxil e benalaxil Associar a produto de contato e no máximo três aplicações/safra.
Ação direta ou indireta (estimulando defesas naturais da planta) Fosetyl Sem restrição
Ação sobre a parede celular Iprovalicarb Associar a produto de contato, sem restrição.

 

Antracnose - Elsinoe ampelina


Sintomatologia:
  A doença ataca todos órgãos verdes da planta (folhas, gavinhas, ramos, inflorescência, e frutos). Nos ramos, a doença causa o aparecimento de cancros com formatos irregulares de coloração cinzenta no centro e bordo preto (Figura 4). Com a evolução da doença nas folhas, as manchas ficam perfuradas no centro. Nas bagas também aparecem manchas circulares de cor cinza no centro e preta nas bordas, comumente chamada de "olho-de-passarinho" (Figura 5).



Fig. 4. Sintoma de antracnose no ramo "cancros". 
(Foto G. Nakashima).


Fig. 5. Bagas com sintomas de antracnose.
(Foto: G. Nakashima).

Condições predisponentes: O desenvolvimento do fungo é favorecido por alta umidade provocada pela precipitação, nevoeiro e orvalho. O fungo pode se desenvolver desde temperatura de 2ºC a 32ºC, porém desenvolve-se melhor em temperatura em torno de 20ºC.

Medidas de controle: Algumas medidas preventivas devem ser tomadas por ocasião da implantação do vinhedo: evitar o plantio em baixadas úmidas e terrenos expostos aos ventos frios do Sul, construir quebra-vento quando a área for exposta aos ventos frios; utilizar material sadio. Estas medidas normalmente não são suficientes para um controle eficiente da doença, portanto quando se observa incidência de antracnose em anos anteriores, o controle deve ser iniciado no período de repouso da videira, pela poda e queima de ramos doentes, e/ou tratamento químico de inverno com calda sulfocálcica, visando eliminar ou reduzir o inóculo inicial. No inicio da brotação, a alta umidade e os tecidos tenros favorecem a infecção das plantas pelo patógeno. As pulverizações devem ser iniciadas nesta fase. As demais aplicações dependerão das condições climáticas e da persistência do produto, até o estádio de meia baga, após esta fase as bagas se tornam resistentes. Os produtos e doses recomendados para o controle da doença constam da tabela 3.

Escoriose - Phomopsis viticola

     Pode ser facilmente confundida com antracnose, pois em determinada fase, os sintomas são muito semelhantes.

Sintomatologia: A escoriose se manifesta principalmente na base dos ramos do ano, apresentando os seguintes sintomas: necroses fusiformes ou arredondadas escuras, rachaduras e escoriações superficiais no córtex (Figura 6). No outono os ramos poderão se tornar esbranquiçados a partir de sua base e conter pequenos pontos negros que são os picnídios do fungo. Os ataques podem ocorrer nas nervuras principais de folhas jovens, pecíolos e pedúnculo.
     No limbo foliar, forma manchas arredondadas de 3 mm a 15 mm de diâmetro, sendo escura no centro e amarela(cloróticas) na periferia (Figura 7).
     Os ramos de ano podem quebrar facilmente devido ao intumescimento da sua inserção. Devido à morte das gemas basais a poda deve ser realizada na parte mediana do ramo, que distancia muito a produção da cepa, causando desequilíbrio da planta.


Fig. 6. Sintomas de escoriose nos ramos.
(Foto: G. Nakashima).


Fig. 7. Sintomas de escoriose nas folhas.
(Foto: G. Nakashima).

Condições predisponentes: A conservação do fungo se dá por meio de picnídios formados sobre os sarmentos e/ou do micélio no interior das gemas basais. Períodos prolongados de chuva e frio são as condições ideais para o patógeno. Temperatura entre 1ºC e 37ºC e períodos prolongados de água livre ou umidade relativa acima de 95% são as condições favoráveis às infecções. Os tecidos tenros(jovens) na fase inicial da brotação são altamente sensíveis ao fungo.

Medidas de controle: No inverno, reduzir o inóculo pela remoção e destruição dos ramos doentes e/ou tratamento com calda sulfocálcica antes do inicio da brotação.
     Na primavera, o controle deve ser realizado nos estádios inicias da brotação, por ser a fase mais sensível da planta, é nesta época que as condições climáticas são mais favoráveis ao patógeno. Sendo recomendados tratamentos nos estádios 05 (ponta verde) e 09 (duas a três folhas separadas).

Podridão da uva madura - Glomerella cingulata


Sintomatologia:
 O sintoma principal é o apodrecimento dos frutos maduros. Sobre as bagas inicialmente aparecem manchas marrom-avermelhadas, que posteriormente atingem todo o fruto, escurecendo-o. Em condições de alta umidade aparecem as estruturas do fungo na forma de pontuações cinza-escuras, das quais exsuda uma massa rósea, que são os conídios (Figura 8). Esta massa rósea serve também para diferenciar da podridão amarga.


Fig. 8. Sintoma da podridão da uva madura, com esporulação do 
patógeno sobre as bagas.

(Foto: L. Garrido).

Condições predisponentes: Temperatura entre 25ºC a 30ºC e alta umidade são as condições favoráveis ao patógeno. O fungo sobrevive em frutos mumificados e pedicelos, e na primavera, com elevada umidade, produz abundante frutificação. O excesso de nitrogênio favorece a infecção e o desenvolvimento do fungo.

Medidas de controle: A implementação de algumas medidas gerais são importantes para o manejo e controle da doença: remoção e destruição de frutos mumificados; eliminação de ramos podados; adubação equilibrada; localização do vinhedo (meia encosta e exposição norte). O tratamento químico deve ser iniciado no final da floração, e repetir as pulverizações para proteger as bagas em todos seus estádios de desenvolvimento (Tabela 3).

Podridão Amarga - Melanconium fuligineum = Greeneria uvicola

Sintomatologia: Nas folhas e ramos forma manchas marrom-avermelhadas escuras e pequenas, raramente maiores que 0,1 mm a 0,3 mm de diâmetro, com um halo amarelo. A ocorrência mais séria é sobre as bagas, causando podridões e destruição dos pedicelos. Nos cachos, quando afeta o engaço, impede o livre fluxo da seiva para as bagas. Estas se tornam enrugadas e mumificadas e caem com facilidade. O ataque direto do fungo sobre as bagas faz com que elas adquiram, inicialmente, coloração marrom-avermelhada, sem entretanto alterar-lhes a conformação. Pode-se observar, posteriormente, pontuações negras constituídas por estruturas típicas do fungo (acérvulos). As bagas restantes que permanecem no cacho, murcham, tornam-se múmias pretas, duras e secas (Figura 9).


Fig. 9. Cacho de uva com sintoma de 
podridão amarga.
 
(Foto: O. Sônego).

Condições predisponentes: Embora possa ocorrer numa faixa de 12ºC a 36ºC, as condições ideais para o desenvolvimento da podridão amarga são a temperatura em torno de 28ºC e a alta umidade.
     O fungo pode sobreviver saprofiticamente de um ano para outro sobre os restos de cultura, pedicelos mortos e frutos mumificados remanescentes nas plantas, servindo de fonte de inóculo para o próximo ciclo.

Medidas de controle: Algumas praticas são importantes para o manejo da doença e para melhorar a eficácia do tratamento químico: remoção e destruição de frutos mumificados; eliminação de ramos podados; adubação equilibrada; e arejamento da copa. O tratamento químico deve ser iniciado no final da floração, e repetir as pulverizações para proteger as bagas em todos seus estádios de desenvolvimento (Tabela 3).

Mancha das folhas - Isariopsis clavispora= Pseudocercospora vitis

     Em regiões quentes e úmidas a doença assume maior importância devido provocar desfolha precoce, podendo prejudicar a maturação dos ramos e enfraquecer a planta para o ciclo seguinte.

Sintomatologia: Os sintomas se manifestam principalmente nas folhas, onde são bastante característicos. No limbo foliar aparecem manchas bem definidas de contorno irregular e coloração inicialmente castanho-avermelhada, que mais tarde escurecem (Figura 10). As manchas podem atingir até 2 cm de diâmetro e apresentam um halo amarelado ou verde claro bem visível; e na face oposta da folha, no tecido correspondente, observa-se uma coloração pardacenta que são as frutificações do fungo. Não há perfurações nem deformações das folha. As frutificações do fungo se desenvolvem tanto na face superior como na inferior da folha. O ataque severo da doença provoca a queda prematura das folhas, com conseqüências sobre o vigor por falta de reservas que seriam acumuladas após a colheita da uva, prejudicando a maturação dos ramos, podendo predispo-los ao ataque de pragas e doenças.



Fig. 10. Sintoma de mancha das folhas. 
(Foto: L. Garrido)

Condições predisponentes: A doença se desenvolve melhor em condições de alta temperatura e umidade, aparececendo primeiro nas folhas mais velhas, geralmente no inicio de maturação da uva, em parreiras que não foram suficientemente tratadas contra míldio.

Medidas de controle: As medidas adotadas para o controle do míldio, exceto os cúpricos, geralmente são suficientes para manter as doenças em níveis baixos. Recomenda-se iniciar os tratamentos quando aparecer os primeiros sintomas. Os tratamentos químicos pós-colheita com ditiocarbamatos oferecem uma melhor proteção à folhagem, mantendo as folhas pôr mais tempo na planta. Os produtos e doses registrados constam da tabela 3.

Doenças da madeira ou podridão descendente

     As doenças de madeira podem ser causadas por diversos fungos, os quais colonizam a parte interna da planta ocasionando podridão descendente, e levando a sua morte se não controlada adequadamente. Os principais agentes de podridão descendente encontrados em vinhedos do Rio Grande do Sul são: Eutypa sp., Botryosphaeria spp., Sphaeropsis sp. e Phomopsis viticola .

Sintomatologia:  Os sintomas do declínio são bastante genéricos, caracterizando-se pelo retardamento da brotação na primavera; encurtamento dos internódios; deformação e descoloração dos ramos, as folhas são menores do que o normal, deformadas e cloróticas, com pequenas necroses nas margens; podendo murchar e cair; redução drástica do vigor; superbrotamento; seca de ramos e a morte da planta. Frutificação irregular e com menor número de bagas também é verificada. Morte de ramos e frutificação do fungo nestes locais são características importantes para diagnóstico do agente envolvido no declínio. Corte transversal da área do ramo afetado mostra a extensão da doença, apresentando área da madeira escura, morta e não funcional, em forma de cunha, contrastando com a parte ainda viva (Figura 11).


Fig. 11. Sintoma de podridão descendente da videira.
(Foto: L. Garrido).

Condições predisponentes: A infecção ocorre por ferimentos da poda ou outras injúrias produzidas sobre a planta, e o patógeno sobrevive em tecidos infectados. Estresse hídrico e desequilíbrio nutricional favorecem o desenvolvimento da doença. Os fungos se desenvolvem numa ampla faixa de temperatura, sendo a temperatura ótima para Eutypa entre 20ºC a 25ºC; para Botryosphaeria e Phomopsis entre 23ºC e 26ºC. Todos os patógenos são favorecidos por alta umidade.

Medidas de controle: Como a infecção ocorre pelo corte da poda ou outros ferimentos, quanto mais rápida a cicatrização destes, menor é o risco de infecção. As observações mostraram que mesmo com as causas primárias definidas, o declínio agrava-se quando a videira está em estresse de qualquer natureza. A redução da ação dos fatores que provocam estresse nas plantas poderá diminuir o efeito do declínio e às vezes até controlá-lo. Como medidas gerais de controle recomenda-se: utilização de material sadio, na poda retirar e destruir as partes doentes, desinfetar as ferramentas com hipoclorito de sódio (água sanitária 1%), proteger os ferimentos da poda o mais rápido possível com fungicida que pode ser o tebuconazole, tiofanato metílico ou pasta bordalesa.

Fusariose - Fusarium oxysporum f.sp. herbemontis

     Esta doença causa redução drástica da produtividade da videira por provocar a mortalidade de plantas, além de ser uma doença de difícil controle.

Sintomatologia:  A fusariose é uma doença vascular, provocando interrupção na translocação da seiva (Figura 12). A doença reduz o crescimento de brotos, e provoca escurecimento interno da madeira, murchamento de folhas e de cachos. Os cachos murcham ainda verdes ficando aderidos aos ramos. As plantas infectadas podem morrer subitamente, normalmente em reboleiras. Em outras plantas pode-se verificar brotações no tronco, que também morrerão com a evolução da doença.


Fig. 12. Sintoma de fusariose na região do tronco da planta. 
Corte transversal (Foto: L. Garrido).


Condições predisponentes:
O uso de implementos para manejo de solos e controle de plantas daninhas podem causar ferimentos às raízes, provocando aberturas que favorecem a infecção pelo fungo. Solos mal drenados e principalmente com excesso de matéria orgânica favorecem a ocorrência da doença. Altas temperaturas e baixa umidade relativa aumentam a severidade da doença.

Medidas de controle: As medidas de controle são preventivas, pois o controle químico não é eficaz. As medidas preventivas recomendadas são: plantar em áreas livres da doença, adotar práticas que não provocam ferimentos ao sistema radicular, escolher solos bem drenados para a instalação do vinhedo, usar material de propagação sadio. Em áreas já contaminadas deve-se proceder ao arranquio das plantas infectadas com o máximo possível de raízes e queimá-las, aplicar cal virgem nas covas, evitar o uso de máquinas em áreas contaminadas e depois em áreas de vinhedos sadios, controlar a erosão para evitar o escoamento de águas superficiais de áreas contaminadas para áreas não contaminadas. A principal medida de controle é a utilização de porta-enxertos resistentes. O porta-enxerto Paulsen 1103 tem mostrado boa tolerância à fusariose, enquanto o porta-enxerto So4 é muito suscetível; a cv. Isabel de pé franco apresenta boa tolerância ao patógeno.