Embrapa Uva e Vinho
Sistema de Produção, 2
ISSN 1678-8761 Versão Eletrônica
Jan/2003

Uvas Americanas e Híbridas para Processamento em Clima Temperado

Loiva Maria Ribeiro de Mello

Início

Clima
Preparo do solo, calagem e adubação
Porta-enxertos e cultivares
Obtenção e preparo da muda
Sistema de condução
Poda
Doenças fúngicas e medidas de controle
Doenças causadas por vírus, bactérias e nematóides e medidas de controle
Pragas e medidas de controle
Normas gerais sobre o uso de agrotóxicos
Maturação e colheita
Custo e rentabilidade
Produção e mercado
Referências
Glossário



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Autores

Produção e mercado

Produção
Mercado

Produção

     A produção de uvas no Brasil se localiza nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste. Constitui-se em atividade consolidada, com importância sócio–econômica, nos Estados do Rio Grande do Sul, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Pernambuco, Bahia, e Minas Gerais, com participação de 57,10%; 17,44%; 9,63%; 5,04%; 4,93%; 3,74% e 1,34%, da área colhida em 2000, respectivamente. No ano 2001, 44,14% da produção nacional de uva foi destinada à elaboração de vinhos, sucos, destilados e outros derivados, perfazendo um total de 469.098 toneladas de uvas (Tabela 1). Além dos Estados tradicionalmente produtores de uva, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás (Região Centro-oeste) e Ceará (Região Nordeste) despontam como potenciais produtores de uvas de mesa.

Tabela 1. Produção de uvas no Brasil, em toneladas.

Discriminação/Ano

1996

1997

1998

1999

2000

2001

Uva para Vinho

313.331

414.485

348.523

469.870

549.306

469.098

Uva de Mesa*

417.554

441.156

387.947

398.479

429.271

593.719

Total

730.885

855.641

736.470

868.349

978.577

1.062.717
* Dados estimados.

     Segundo o Cadastro Vitícola do Rio Grande do Sul-1995-2000, o Estado possui, 27.986,97 ha pertencentes a produtores que vendem uvas para processamento em 12.829 propriedades. Destes, 4.792 ha são cultivados com variedades viníferas (17,12%); 22.777 ha com cultivares americanas e híbridas (81,38%) e 417 ha com viveiros de porta-enxertos e coleções (1,5%). Além desta área, existe no Estado mais 2.118 propriedades com área de vinhedos de 2.387 ha cuja produção destina-se ao mercado de consumo in natura e/ou auto-consumo. No período de 1995 a 2000, verificou-se um incremento de 2,5% a.a na área cultivada com videiras, sendo que, nos últimos três anos, as cultivares americanas e híbridas que tiveram maior aumento de área na Região da Serra Gaúcha foram: Bordô (544,95 ha); Niágara Branca (205,42 ha); Couderc (188,02 ha); Jacquez (144,63 ha). Neste período, também registrou-se um aumento na área de viveiros de porta-enxerto da ordem de 317,77 ha (Cadastro Vitícola do Rio Grande do Sul – 1995/2000, 2001).
     A principal região produtora é a Serra Gaúcha, com 25.085,77 ha. Trata-se de uma viticultura de pequenas propriedades, com média de 15 ha de área total, sendo destes 40% a 60% de área útil e 2,5 ha de vinhedos, pouco mecanizada devido à topografia acidentada, onde predomina o uso da mão-de-obra familiar, cada propriedade dispondo em média de 4 pessoas. O sistema de condução adotado é o de latada. As principais cultivares americanas e híbridas em produção em 2000 foram: Isabel com área de 9.174,13 ha e produção de 240.209 t; Bordô com área de 3.540,8 ha e produção de 56.302 t; Niágara Branca com 2..080,39 ha de área e 32.219 t de produção; Concord com 1.678,66 ha de área e 56.302 t de produção e Niágara Rosada com 1.540,20 ha de área e 22.747 t de produção.
     Além dessa região, a viticultura está sendo implantada em outros municípios não tradicionais, como alternativa de diversificação de pequenas propriedades, principalmente na região do Alto Uruguai do Rio Grande do Sul, onde a matriz produtiva com base na cultura de pequenas áreas de soja, trigo e milho tornou-se inviável.
     Em Santa Catarina, a vitivinicultura apresenta expressão econômica, principalmente na Região do Vale do Rio do Peixe. Segundo o Cadastro Vitícola do Vale do Rio do Peixe - Santa Catarina, 2000, a viticultura daquela região ocupa uma área de 1.706,91 ha, apresentando grande similaridade com a da Região da Serra Gaúcha quanto à estrutura fundiária, topografia e tipo de exploração vitícola, baseada no uso da mão-de-obra familiar e voltada à produção de uvas destinadas, principalmente, à elaboração de vinhos de consumo corrente e suco de uva, sendo uma parte menor da produção destinada ao consumo in natura, com destaque para as cultivares Isabel com 859,27 ha, Niágara Branca com 324,52 ha, Seibel com 124,19 ha e Couderc (Seibel 1077) com 82,69 ha em 2000. A área média das propriedades desta região é de aproximadamente 30 ha, dos quais 2,14 ha com vinhedos. São propriedades com topografias acidentadas, nem sempre aproveitáveis integralmente para a agricultura. (Brasil, 2001)
     No Paraná, a viticultura está concentrada na Região Norte. Predominam as pequenas propriedades com uso da mão-de-obra familiar, freqüentemente complementada através de contratos de parceria, remunerados com parte da produção. É uma região tradicionalmente produtora de uvas finas de mesa mas que, a partir da década de 90, vem diversificando a estrutura produtiva através da introdução das cultivares Niágara Rosada e Niágara Branca que, segundo levantamento efetuado pela EMATER/PR em 2001, esta região possui 623,8 ha de uvas comuns.
     No Estado de São Paulo, destacam-se dois pólos vitícolas: um na Região Noroeste e outro na Região Leste. Na região Leste, a área de vinhedos é da ordem de 7.870 ha. Destaca-se num primeiro grupo, centrado nos municípios de Jundiaí, Vinhedo, Indaiatuba, Valinhos e Campinas, a produção de uva americana para mesa, representando cerca de 67% da área cultivada (5.270,2 ha), com predomínio absoluto da cultivar Niágara Rosada. Num segundo pólo de produção, centrado no município de São Roque, estão as uvas destinadas à elaboração de vinho, representando aproximadamente 4% da área cultivada (335 ha), todas americanas e híbridas, com destaque para a cultivar Seibel 2. No terceiro grupo, que tem por município pólo São Miguel Arcanjo, estão as uvas finas de mesa. Na Região Noroeste de São Paulo, a viticultura ocupa cerca de 1.212 hectares e está em fase de expansão. Nos últimos anos tem-se verificado um expressivo crescimento do plantio da cultivar Niágara Rosada, que vem se constituindo numa importante alternativa para diversificação da matriz produtiva vitícola da região. O nível tecnológico é alto, proporcionando colheitas da ordem de 40 t/hectare de uvas.
     No Estado de Minas Gerais também se destacam dois pólos produtores, um ao sul composto pelos municípios de Caldas, Andradas e Santa Rita de Caldas e outro ao norte, no município de Pirapora. Segundo levantamento efetuado pela Emater/MG, o pólo vitícola do sul do estado possui 255,3 ha de parreirais compostos pelas cultivares Jacquez, com 48% da área (122,12 ha), Bordô (Folha de Figo), com 27% da área (68,18 ha), Niágara Rosada, com 15% da área (39 ha), e Niágara Branca, com 10% da área (26 ha). O principal destino da produção de uvas da região é o processamento para a elaboração de vinhos, embora parte da produção, principalmente da Niágara Rosada, seja destinada para o consumo in natura. O pólo vitícola de Pirapora está estruturado com base em pequenas propriedades que, em sua maioria, estão organizadas em torno de uma cooperativa cuja viticultura está direcionada à produção de uvas finas, no entanto, a partir de 2001 começou a ser introduzida a cultivar Niágara Rosada.
     A Região do Vale do São Francisco possui cerca de 8.000 hectares de vinhedos distribuídos nos Estados de Pernambuco e Bahia, também baseada em uvas finas para mesa e atualmente diversificando para vinhos finos.

Mercado

     A produção de vinhos, suco de uva e derivados do mercado está concentrada no Rio Grande do Sul, onde são elaborados 300 milhões de litros de vinho e mosto como média anual, representando 95% da produção nacional. Cerca de 80% da produção tem por base cultivares americanas e híbridas. No ano de 2001 foram processadas 435,9 mil tonedadas de uvas, sendo, deste total, 386,3 mil toneladas de cultivares americanas e híbridas (Tabela 2). A cultivar Isabel, apresenta a maior quantidade de uvas destinada ao processamento no Rio Grande do Sul, com 188,5 mil toneladas. Essa cultivar é utilizada para elaboração de vinho tinto comum e para elaboração de suco de uvas.

Tabela 2. Quantidade de uvas americanas e híbridas processadas no Rio Grande do Sul, por variedade - 1998/2001.

Cultivares\Anos

1998

1999

2000

2001

 

 

 

 

 

Tintas

242.607.184

327.487.348

397.963.584

324.932.786

Isabel

143.410.394

195.025.199

237.507.385

188.547.951

Bordô

34.014.727

40.736.069

52.382.471

42.098.781

Concord

21.850.423

21.225.797

30.977.892

32.948.855

Seibel

14.338.821

27.946.347

31.253.537

20.842.760

Herbemont

17.315.058

25.009.687

25.932.525

17.762.997

Couderc

9.098.481

15.235.782

18.482.712

17.623.308

Outras

2.579.280

2.308.467

1.427.062

5.108.134

 


 

 

 

 

Brancas e Rosadas

25.221.416

40.968.541

49.381.965

61.359.413

 

 

 

 

 

Niágara Branca

16.338.939

28.210.764

29.969.046

34.145.485

Niágara Rosada

4.312.102

5.387.168

10.125.596

16.150.486

Couderc 13

2.598.439

4.524.048

6.123.476

7.809.061

Outras

1.971.936

2.898.083

3.163.847

3.254.381

 

 

 

 

 

TOTAL AMERICANAS E HÍBRIDAS

267.828.600

368.455.889

447.345.549

386.292.199

TOTAL GERAL

313.671.277

427.177.874

521.703.604

435.895.866

Fonte: União Brasileira de Vitivinicultura - UVIBRA
Elaborção: Embrapa Uva e Vinho.


     No ano 2001 (Tabela 3) foram comercializadas 304.433 milhões de litros de vinhos, sucos e derivados, sendo 221.518 milhões de vinhos comuns, 28.701 milhões de litros de vinhos de viníferas, 4.494 milhões de litros de espumantes, 11.499 milhões de litros de suco de uva natural e 14.704 milhões de quilos de suco concentrado (equivalente a 72.495 milhões de litros de suco simples).


Tabela 3.
Comercialização de vinhos, mosto e sucos de uva do Rio Grande do Sul por tipo, em litros - 1998 a 2001.

Produto/Ano

1998

1999

2000

2001






VINHO COMUM

181.576.649

200.578.746

221.023.603

221.518.224

Tinto

133.479.291

150.857.434

172.183.792

176.793.696

Rosado

12.980.172

13.221.934

9.150.927

7.283.912

Branco

35.117.186

36.499.378

39.688.884

37.440.616






VINHO ESPECIAL

194.075

234.696

249.345

492.272

Tinto

50.870

56.589

177.872

281.260

Rosado

2.074

112.392


12.833

Branco

141.131

65.715

71.473

198.179






VINHO DE VINIFERAS

32.456.318

37.096.571

34.195.829

28.701.658

Tinto

11.925.188

14.706.398

15.119.076

12.112.495

Rosado

1.585.687

1.479.987

1.021.310

790.176

Branco

18.945.443

20.910.186

18.055.443

15.798.987






ESPUMANTES

3.223.462

5.555.866

4.136.072

4.019.853

ESPUMANTES MOSCATEL

29.712

50.670

194.723

474.162

FILTRADO DOCE

11.506.197

14.457.195

11.065.803

10.253.296

FRIZANTES

15.370

12.861

2.583


LICOROSOS

1655907

1.013.137

1.110.159

957.388

COMPOSTOS

1.137.668

1.199.898

1.084.344

276.791

MISTELAS

108.555

27.060

-

6.619

JEROPIGA

49.339

71.800

66.197

66.824

SUCO DE UVA

9.025.797

7.778.310

6.847.466

11.498.893

SUCO DE UVA CONCENTRADO

13.944.137

16.261.806

15.315.971

14.704.091

MOSTO SULFITADO

-

88.000

180.900

369.070

MOSTO CONCENTRADO

-

-

-


COOLER

5.764.233

9.424.282

10.847.415

10.994.658

SANGRIA




99.260

TOTAL

260.687.419

293.850.898

306.320.410

304.433.059

Fonte: União Brasileira de Vitivinicultura - UVIBRA
Elaboração: Embrapa Uva e Vinho.


     O consumo brasileiro per capita/ano de vinhos apresentou uma tendência à redução de 1993 à 1996, com recuperação nos anos seguintes situando-se em 1,81 litros em 2001. O de suco de uva, no entanto, aumentou significativamente, passando de 0,09 litros em 1993 para 0,48 litros em 1998 e situando-se em 0,35 litros em 2001 (Tabela 4).

Tabela 4. Consumo per capita de vinhos e sucos e uvas, no Brasil, em litros, 1993/2000.

Produtos/anos

1993

1994

1995

1996

1997

1998

1999

2000

2001

Vinhos

1,85

1,77

1,51

1,58

1,62

1,60

1,80

1,89

1,81

Suco de Uva

0,09

0,15

0,22

0,24

0,25

0,48

0,38

0,33

0,35

 

    

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