Embrapa Embrapa Uva e Vinho
Sistema de Produção, 5
ISSN 1678-8761 Versão Eletrônica
Nov./2003
Cultivo da Videira Niágara Rosada em Regiões Tropicais do Brasil
 
Marco Antônio Fonseca Conceição
Início

O Clima em Regiões Tropicais do Brasil
Implantação do Vinhedo
Poda e Quebra de Dormência
Adubação da Videira Niágara Rosada
Manejo de Plantas Daninhas
Doenças e seu Controle
Insetos Pragas e seu Controle
Normas Gerais sobre o Uso de Agrotóxicos
Irrigação em Regiões Tropicais
Colheita, Embalagens e Classificação da Uva
Produção e Mercado
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Irrigação em Regiões Tropicais

    Entre os diferentes sistemas de irrigação empregados na cultura da videira, a micro-aspersão tem sido um dos mais adotados nos novos plantios da cv. Niágara Rosada em regiões tropicais. Nesse sistema os emissores são, normalmente, posicionados a cada duas plantas e a cada duas fileiras, não havendo problemas de interferência dos troncos na distribuição de água, como acontece na aspersão subcopa. Esse método apresenta, também, menor risco de entupimento em relação à irrigação por gotejamento, além de molhar uma superfície de solo maior, o que permite a utilização de práticas convencionais de manejo da planta, especialmente a aplicação regular de esterco, que é fundamental para um bom desempenho dessa cultivar.
    No sistema de condução da videira em latada os microaspersores ficam, normalmente, pendurados nas mangueiras sobre o aramado, operando de forma invertida. Na microaspersão são utilizados filtros de tela ou discos, os quais devem ser limpos regularmente, evitando-se prejudicar o desempenho do sistema.
    Deve-se dar preferência, quando possível, à aplicação de água durante o período noturno, reduzindo-se as perdas de água por evaporação e deriva durante os períodos de maior insolação e incidência de ventos. Os emissores de maiores vazões apresentam menos problemas de entupimento e tempos de irrigação inferiores aos de menores vazões, requerendo, contudo, maior custo inicial do sistema por exigirem tubulações de maior diâmetro e moto-bombas de maior potência.
    A freqüência de irrigações para sistemas por microaspersão deve ser de uma a duas vezes por semana, conforme a região, a época do ano, o desenvolvimento da planta e o tipo de solo. Deve-se evitar as aplicações a cada um ou dois dias, pois as perdas por evaporação da água do solo aumentam bastante e as raízes tendem a permanecer mais superficiais.
    O consumo médio de água da videira varia conforme o desenvolvimento da área foliar da planta. Logo após a poda o consumo é mínimo, sendo que as perdas principais ocorrem devido à evaporação da água do solo. Quando a cultura está na fase de desenvolvimento vegetativo, o consumo hídrico médio é de, aproximadamente, 80% da evapotranspiração de referência da região (ETo).
    O valor de ETo é fornecido, normalmente, pelas instituições de pesquisa locais. Na região de Jales, SP, os valores médios de ETo variam de, aproximadamente, 3,0 mm por dia, de abril a julho; a 4,5 mm por dia, de agosto a março. O consumo hídrico médio diário da cultura é, assim, de 2,4 mm (0,8 x 3,0), de abril a julho; e de 3,6 mm (0,8 x 4,5), de agosto a março. Esses valores representam consumos diários de 24.000 litros por hectare e 36.000 litros por hectare, respectivamente.
    Para determinar-se o tempo de irrigação (TI), basta dividir-se o consumo hídrico pela vazão total aplicada na área. Em áreas com um espaçamento entre plantas de 2,0 m x 2,5 m e com micro-aspersores a cada duas plantas e a cada duas fileiras, o espaçamento entre eles será, de 4,0 m x 5,0 m, representando uma área de 20,0 m2 (4,0 x 5,0) por microaspersor. Assim, em um hectare com um total de 500 microaspersores (10.000/20) de 70 L/h, a vazão será igual 35.000 L/h (500 x 70). Para um consumo hídrico da cultura igual a 36.000 L/ha por dia o tempo de irrigação será de, aproximadamente, uma hora por dia (36.000/35.000). Se a irrigação for realizada a cada 4 dias, isso representará um tempo de 4 horas a cada 4 dias. A esse tempo deverá ser acrescentado um percentual entre 10% a 20%, correspondente à eficiência de aplicação do sistema.
As chuvas que ocorrerem entre duas irrigações consecutivas deverá ser descontada do total a ser aplicado. Assim, por exemplo, se o consumo médio for de 2,4 mm/dia, o total a ser aplicado, para irrigações semanais, será de 16,8 mm por semana (2,4 x 7). Se nesse intervalo ocorrer uma chuva com valor igual ou superior a esse, não será necessária a irrigação. Se, por exemplo, ocorrer uma chuva de 7,0 mm no intervalo entre duas irrigações, o total a ser aplicado no dia da irrigação será de 9,8 mm (16,8 - 7,0), que corresponde a 98.000 litros por hectare. O tempo de irrigação deverá ser calculado conforme o exemplo anterior.

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