Embrapa Embrapa Uva e Vinho
Sistema de Produção, 9
ISSN 1678-8761 Versão Eletrônica
Dez./2005
Sistema de Produção de Uvas Rústicas para Processamento em Regiões Tropicais do Brasil
João Dimas Garcia Maia
Umberto Almeida Camargo
Sistema de condução e formação das plantas

Construção da latada ou 'Pérgola'

A latada deve estar construída antes da época da enxertia, para evitar danos aos enxertos durante a sua construção. Deve-se utilizar materiais duráveis (madeira de eucalipto tratado ou postes de concreto; arames com galvanização pesada e alta resistência mecânica) para garantir boa longevidade da parreira, de no mínimo 15 anos. O aramado deve ficar situado numa altura de 1,8 m à 1,9 m para facilitar o trabalho de máquinas e de operários.
    Passos para construção de uma latada:

  • Escolher as áreas: preferir solos de meia encosta, próximo a fontes de águas, evitando se solos mal drenados.
  • Demarcar os quatro cantos da parreira.
  • Fincar os cantoneiros (palanques) no solo a 1,5 m de profundidade.
  • Colocar os três rabichos de quatro fiadas com arames n.º 6 em cada cantoneiro a 1,5 m de profundidade, sendo os dois laterais posicionados na projeção do alinhamento das duas respectivas laterais e o terceiro no meio.
  • Esticar o fio de contorno, cordoalha de 7 fios, através de uma talha no contorno da parreira na altura preconizada e prendê-lo pelas presilhas.
  • Fincar os postes laterais a 0,70 m de profundidade, com as bases alinhadas no perímetro da parreira, com seus respectivos rabichos de 2 fiadas feitos com arames n.º 6, e posicionados nas projeções perpendiculares das respectivas laterais. Outra opção é usar chapas âncoras, tirantes.
  • A ordem de colocação dos arames é a seguinte: primeiro coloca-se arames n º 12, ou ovalado com bitola de 2,4 mm x 3,00 mm e galvanização pesada, no mesmo sentido da rua. Depois, os porta-fios com arames n º 12, ou ovalado, com bitola de 2,4 mm x 3,00 mm e galvanização pesada, sobre os anteriores, no sentido perpendicular ao da rua, para sustentar os de n º 14 comum ou de 2,10 mm de bitola, no mesmo sentido da rua, sobre os quais sustentarão as varas.
  • Independente do espaçamento entre plantas, os arames da malha simples sempre serão esticados no cabo de aço externo, passando-os por cima de todos os arames que cruzam a latada no sentido perpendicular, deixando-se uma distância entre eles de 30 cm a 35 cm. Esta distância visa facilitar o acamamento dos ramos.
  • Amarrar os arames da malha fina nos pontos de sobreposição com os arames porta fios, através de arame n.º 18, objetivando-se mantê-los eqüidistantes, para não haver aglomeração dos mesmos durante as podas.

A seguir (Fig. 1) é apresentado um croqui simplificado para a construção de uma latada para o espaçamento de 2,00 m x 2,75 m (1 ha, 1900plantas). No croqui está representado a colocação dos postes, dos arames, assim como o sentido das ruas e dos braços no sentido das ruas.

Fig. 1. Sistema de condução em latada.
Foto: João Dimas Garcia Maia

Formação das plantas

Logo após a brotação dos enxertos ou da muda de raiz nua inicia-se a formação das plantas, cuja estrutura depende do sistema de condução a ser adotado. As etapas da formação das plantas visam obter a melhor estrutura possível com relação à forma da planta e número de elementos produtivos nos braços e sub-braços. O vigor dos brotos do enxerto é um dos fatores mais determinantes no sucesso para a obtenção de plantas com boa estrutura, o que é favorecido pelas correções iniciais do solo (fósforo, boro, pH, Ca ++, Mg ++), e aplicação abundante de matéria orgânica nas covas. Outros aspectos importantes são: a grampeação constante e adequada para orientar os ramos; a desponta na posição e momento adequado; o desnetamento de brotos laterais que não constituirão os futuros braços e sub-braços; e o uso de quebra-ventos nos contornos dos sistemas de condução. O vigor dos brotos, não esta diretamente relacionado somente com o vigor da variedade em si, más com o preparo e correção do solo assim como do preparo de covas para os porta-enxertos, sua manifestação pode ser verificada pelo bom desenvolvimento das feminelas (netos) imediatamente abaixo da extremidade assim como pela espessura da guia principal, normalmente superior à 7mm por volta da 5ª a 7ª folhas abertas contadas a partir do ápice, como pode ser observado na Fig. 1.

Formação da planta no sistema latada

Para o sistema latada a planta deve ser formada com dois braços em direções opostas sobre o aramado, podendo ser o sentido das ruas (Fig.2), ou perpendicular às mesmas(Fig.3), sendo que no primeiro caso os braços terão comprimento igual a metade do espaçamento entre plantas, e no segundo comprimento igual a metade do espaçamento entre ruas. Em ambos os tipos de formação, o broto mais vigoroso é conduzido em um tutor até ultrapassar cerca de 40 cm a posição do aramado, onde é despontado, deixando-se os últimos dois netos imediatamente abaixo do aramado para formação de dois braços em direções opostas. A formação das plantas no sentido das ruas tem como principal vantagem facilidade para realização de várias operações como: poda seca, poda verde (desbrota e desponta), aplicação de produtos para promover a brotação, grampeação, e colheita devido à localização dos cachos em faixas. Outra vantagem desta formação é possibilidade de aplicar defensivos de forma localizada de acordo com o desenvolvimento das brotações. A principal desvantagem desta formação é que a cobertura vegetal não cobre 100 % a superfície do aramado. Este sistema de formação é adeaquado para cultivares altamente produtivas com pouca dificuldade para quebra de dormência de gemas tais como: Isabel, Isabel Precoce, BRS Cora, BRS Lorena e Moscato Embrapa. Este sistema de formação é adaptado para cultivares altamente produtivas com pouca dificuldade para quebra de dormência das gemas tais como: Isabel, Isabel Precoce, BRS Lorana e Moscato Embrapa.
    A formação dos braços perpendicularmente ao alinhamento das ruas, embora necessite de maior demanda de mão de obra para realização das operações, proporciona maior cobertura vegetal da superfície do aramado permitindo maior aproveitamento da radiação solar o que pode resultar em maior produtividade sem prejuízos nos teores de açúcares totais. Durante a formação dos braços o ramo principal deverá ser despontado quando ultrapassar em cerca de 40 cm a posição do desponte, todos os netos (brotos laterais) sobre o aramado e antes desta posição são deixados para formação das primeiras varas de produção. Este sistema de formação é adequado ,Este sistema de formação é adequado, principalmente, para cultivares menos produtivas ou que apresenta dificuldades para quebra de dormência, como Concord, BRS Rúbea, e Bordô.
    Para ambos tipos de formação deve se observar a soltura da fita plástica no ponto da enxertia durante a cicatrização, se enxertia for realizada utilizando se o filme de PVC, normalmente a fita se desprende a medida de aumenta o volume do calo de cicatrização. Para o enxerto maduro, não atado com o filme de PVC, após a cicatrização, a fita deve ser cortada com um canivete ou gilete, para não haver estrangulamento do caule.

Fig. 2. Broto com bom vigor, verifica-se bom desenvolvimento dos netos.
Foto: João Dimas Garcia Maia

Fig. 3. Planta em formação, ótimo vigor braços no alinhamento da rua.
Foto: João Dimas Garcia Maia

Fig. 4. Planta em formação, braços perpendicular ao alinhamento da rua.
Foto: João Dimas Garcia Maia

Fig. 5. Braços no sentido da rua - planta adulta - sistema latada.
Foto: João Dimas Garcia Maia
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