Embrapa Embrapa Uva e Vinho
Sistema de Produção, 9
ISSN 1678-8761 Versão Eletrônica
Dez./2005
Sistema de Produção de Uvas Rústicas para Processamento em Regiões Tropicais do Brasil
Alexandre Hoffmann
Umberto Almeida Camargo
João Dimas Garcia Maia
Apresentação

A história registra que a viticultura tropical brasileira teve início com os imigrantes portugueses já no século com a introdução e o cultivo de cultivares de Vitis vinifera nos estados do Nordeste. Todavia, até meados do século XX, o cultivo da videira nas regiões tropicais do país limitou-se a plantios caseiros. Foi partir da década de 1960, com o cultivo da uva Itália no Vale do Submédio São Francisco, que a viticultura ganhou espaço como atividade comercial nas regiões tropicais do Brasil. Daí em diante, houve rápida evolução na tecnologia de produção e significativa expansão da área cultivada com uvas finas de mesa.
    As uvas americanas e híbridas, apesar de sua rusticidade e boa aceitação no mercado brasileiro, tanto para consumo in natura como na forma de vinhos de mesa e de suco, permaneceram restritas às condições de clima temperado, nos tradicionais pólos produtores do Sul e do Sudeste, até o final da década de 1990. Até esta época, no grupo das cultivares americanas e híbridas cultivadas em climas quentes, merece registro apenas a Seibel 2, cultivada em Pernambuco pela Vitivinícola Santa Maria, em Santa Maria da Boa Vista, PE, para a elaboração de vinho base para vinagre.
    A tecnologia para a produção de uvas americanas e híbridas em climas quentes, bastante diversa daquela utilizada para as cultivares de Vitis vinifera, foi desenvolvida no Brasil, em grande parte, a partir de meados da década de 1990, com as pesquisas conduzidas pela Embrapa Uva e Vinho na Estação Experimental de Viticultura Tropical-EEVT, em Jales, SP (Maia et al. 1998; Maia et al., 2001). Além dos trabalhos formais de pesquisa, o acompanhamento feito pelos pesquisadores em áreas de produção, implantadas sem o devido domínio tecnológico em Jales e nos municípios de Nova Mutum e Primavera do Leste, no Estado do Mato Grosso, foi de grande importância para a consolidação do pacote tecnológico que ora é disponibilizado aos viticultores.
    A partir de 1997, com o lançamento de novas cultivares pela Embrapa Uva e Vinho, atendendo à demanda de produtores de diferentes regiões do país, foram implantadas unidades de observação de novas e de tradicionais cultivares deste grupo em Minas Gerais, no Mato Grosso do Sul, no Mato Grosso, em Goiás, no Norte do Paraná e em Pernambuco. Este trabalho, realizado em estreita parceria com a iniciativa privada, proporcionou significativos avanços no conhecimento e na tecnologia de produção, estimulando à implantação de novos pólos vitícolas voltados à produção de uvas para suco e para vinho de mesa nestas regiões.
    A Embrapa Uva e Vinho, ao longo dos seus 30 anos de história tem pautado suas ações nas contribuições, na área tecnológica, para viabilizar sistemas de produção que assegurem competitividade e rentabilidade ao produtor. É exatamente dentro desta ótica que as ações de pesquisa visando a adaptação das uvas rústicas para processamento em regiões tropicais originaram um importante conjunto de informações, aqui sistematizadas na forma de um Sistema de Produção, que reúne o conhecimento disponível no momento, com a abordagem de especialistas das diferentes áreas do conhecimento que participaram deste processo de evolução tecnológica. Estima-se, assim, que os conhecimentos aqui reunidos contribuam para a diversificação da matriz produtiva vitícola em regiões tropicais, permitindo que essas regiões expressem sua potencialidade econômica.

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