Embrapa Embrapa Uva e Vinho
Sistema de Produção, 8
ISSN 1678-8761, Versão Eletrônica
Dez.2005
Uvas Sem Sementes
Cultivares BRS Morena, BRS Clara e BRS Linda
Umberto Almeida Camargo
Cultivares

BRS Morena
BRS Clara
BRS Linda

BRS Morena

Figura 1. BRS Morena. (Foto: Umberto Almeida Camargo)

    BRS Morena é uma cultivar de uva sem sementes desenvolvida pela Embrapa Uva e Vinho a partir do cruzamento Marroo Seedless x Centennial Seedless, realizado em 1998. O cacho é de tamanho médio a grande, cilindro-cônico, solto a mais ou menos cheio, pedúnculo curto (Fig. 4). A baga tem forma elíptica, tamanho natural, em média 16mm x 20mm, preta, película de espessura média, polpa incolor, trincante, sabor neutro; traço de semente pequeno a médio, macio, imperceptível ao mastigar.
A cv. BRS Morena apresenta vigor moderado e, quando cultivada em solos de fertilidade aquém da necessária, apresenta dificuldade na emissão e desenvolvimento de netos, podendo comprometer a formação das plantas. É uma cultivar de alta fertilidade, normalmente com dois cachos por ramo. Os cachos são soltos, exigindo manejo específico para obtenção de boa fecundação. Pode chegar à produtividade de 20 a 25 t/ha, desde que convenientemente manejada. A exigência térmica dessa cultivar, para o período da poda até a colheita, é de 1450 graus dia, o que, na região de Jales, eqüivale a um ciclo variando de 95 a 110 dias, dependendo das condições ambientais reinantes durante o período. A cv. BRS Morena apresenta comportamento similar à cv. Itália em relação às doenças fúngicas, portanto deve ser adequadamente protegida, com especial atenção para o míldio (Plasmopara viticola).
A uva tem bom equilíbrio entre açúcar e acidez o que lhe confere ótimo sabor, muito elogiado pelos consumidores durante os testes de validação. Também é destaque em qualidade pela textura firme e trincante da polpa. Apresenta um elevado potencial glucométrico, chegando a mais de 20ºBrix, sendo recomendável, porém, que seja colhida com 18ºBrix a 19ºBrix, quando a relação açúcar/acidez (SST/ATT) já é superior a 24. Apresenta boa conservação na planta, o que favorece o retardamento da colheita, se houver interesse. Também comporta-se bem em relação ao rachamento de bagas causado pela ocorrência de chuvas durante o período de maturação da uva. A aderência ao pedicelo é fraca, recomendando-se cuidados especiais na manipulação durante a colheita e o embalamento. O engaço desidrata relativamente rápido após a colheita, sob condições de ambiente natural. Face ao exposto, o embalamento da uva em sacolas de plástico ou cumbucas, que depois são acondicionadas em caixas, é uma providência importante para sua comercialização.

BRS Clara

Figura 2. BRS Clara (Foto: Umberto Almeida Camargo)

    BRS Clara é uma cultivar de uva sem sementes desenvolvida pela Embrapa Uva e Vinho, lançada em 2003, sendo oriunda do cruzamento CNPUV 154-147 x Centennial Seedless, realizado em 1998. O cacho é de tamanho médio a grande, cônico, às vezes alado, cheio, pedúnculo robusto, longo (Fig. 5). A baga tem forma elíptica, tamanho natural, em média 15mm x 20mm, verde-amarelada, chegando a amarelo mais intenso quando exposta ao sol, película de espessura média, resistente, polpa incolor, firme, crocante; sabor moscatel leve e agradável; traço de semente grande e de cor marrom, porém imperceptível ao mastigar.
    BRS Clara é uma cultivar vigorosa e fértil, adaptada ao cultivo nas regiões tropicais onde foi testada. Apresenta um ou dois cachos por ramo, sendo que o primeiro atinge de 500g a 600g; o segundo cacho, normalmente, é de tamanho menor. Com manejo adequado, atinge facilmente 30 t/ha/ano nas regiões de Jales e de Pirapora (duas podas e uma colheita) e no Vale do Submédio São Francisco (duas colheitas de 15 t/ha/ano). Sua exigência térmica entre a poda e a colheita é de 1450 graus dia, o que, na região de Jales, eqüivale a um ciclo variando de 95 a 110 dias, dependendo das condições ambientais reinantes durante o período de desenvolvimento. Tem comportamento similar à cv. Itália em relação às doenças fúngicas, devendo ser adequadamente protegida, com especial atenção para o míldio (Plasmopara viticola). No Vale do Submédio São Francisco, verificou-se bom comportamento em relação ao cancro bacteriano (Xanthomonas campestris pv. viticola). A ocorrência de chuvas durante a floração parece ser a causa de abortamento floral excessivo, verificado em Jales em 2003.
    A uva destaca-se pelo suave e agradável sabor moscatel, pela coloração verde-amarelada das bagas e textura crocante da polpa. Apresenta um elevado potencial glucométrico, chegando a mais de 20ºBrix, sendo o ponto de colheita recomendável, porém, de 18ºBrix a 19ºBrix, quando a relação açúcar/acidez (SST/ATT) situa-se em torno de 24. Apresenta boa conservação na planta, o que favorece o retardamento da colheita, se houver interesse. Também comporta-se bem em relação ao rachamento de bagas causado pela ocorrência de chuvas durante o período de maturação da uva. O cacho apresenta boa conformação, sendo naturalmente cheio, sem necessidade de raleio de bagas. As bagas têm boa aderência ao pedicelo, sendo bastante resistentes à degrana, mesmo após a seca do engaço. O engaço desidrata relativamente rápido após a colheita, sob condições de ambiente natural.

BRS Linda

Figura 3. BRS Linda (Foto: Umberto Almeida Camargo)

    BRS Linda é uma cultivar de uva sem sementes desenvolvida pela Embrapa Uva e Vinho e lançada em 2003. Ela é oriunda do cruzamento CNPUV 154-90 x Saturn, realizado em 1998. A cultivar apresenta cacho de tamanho grande, cilindro-cônico, cheio, pedúnculo curto (Fig. 6). A baga é elíptica, tamanho natural, em média de 19mm x 24mm, cor verde, tornando-se amarelada quando exposta ao sol; película de espessura média; polpa incolor, firme, crocante e sabor neutro; traço de semente minúsculo, praticamente invisível.
    BRS Linda é uma cultivar vigorosa, muito bem adaptada às regiões tropicais onde foi testada. Apresenta alta fertilidade de gemas, normalmente dois cachos por ramo, e elevada capacidade produtiva. Durante o período de validação, chegou a produzir o equivalente a 47t/ha, porém, com esse volume de produção, a qualidade da uva fica prejudicada em aparência e sabor. Os cachos são naturalmente cheios, apresentando conformação que dispensa o raleio de bagas. Sua exigência térmica, entre a poda e a colheita, é de 1550 graus dia, o que, na região de Jales, eqüivale a um ciclo variando de 100 a 115 dias, dependendo das condições ambientais.
    Apresenta entrenós curtos e folhas grandes, o que condiciona a uma vegetação fechada, favorável à incidência de doenças fúngicas, se não for feito o adequado manejo da vegetação. É bastante sensível ao oídio (Uncinula necator), exigindo cuidados para seu controle. Em relação às demais doenças fúngicas, tem comportamento similar à cv. Itália, devendo ser adequadamente protegida.
    A uva 'BRS Linda' tem coloração verde, tonalidade preferida em certos mercados como, por exemplo, o inglês. O cacho atinge facilmente 450 g a 600 g e o tamanho natural das bagas, em média 19 mm x 24 mm, pode dispensar o uso de reguladores vegetais, o que é interessante sobretudo para sistemas de produção orgânica. Apresenta limitado potencial glucométrico - na faixa de 14ºBrix a 15ºBrix - e baixa acidez. O sabor é neutro, bem aceito pelo consumidor brasileiro que, normalmente, prefere frutas menos ácidas. A polpa é firme e crocante. Destaca-se pela alta aderência ao pedicelo, com alta resistência à degrana, e engaço forte, resistente ao murchamento, características importantes no período pós-colheita.

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