Embrapa Embrapa Uva e Vinho
Sistema de Produção, 8
ISSN 1678-8761, Versão Eletrônica
Dez.2005
Uvas Sem Sementes
Cultivares BRS Morena, BRS Clara e BRS Linda
Jair Costa Nachtigal
Umberto Almeida Camargo
Manejo das plantas e dos cachos

    A definição das práticas de manejo das plantas e dos cachos das cultivares BRS Morena, BRS Clara e BRS Linda vem evoluindo a cada ciclo, desde o período de seleção, com os ensaios básicos realizados na Estação Experimental de Viticultura Tropical - EEVT, durante os trabalhos de validação e em áreas de produtores. Entretanto, serão necessários ajustes em virtude da expansão do cultivo para outras regiões e para adaptação ao sistema adotado nas diferentes propriedades. A seguir, serão apresentadas orientações que servirão de base para o cultivo, permitindo que o produtor tenha condições de obter frutos com qualidade e em quantidade suficientes para a comercialização e consolidação destas cultivares.A definição das práticas de manejo das plantas e dos cachos das cultivares BRS Morena, BRS Clara e BRS Linda vem evoluindo a cada ciclo, desde o período de seleção, com os ensaios básicos realizados na Estação Experimental de Viticultura Tropical - EEVT, durante os trabalhos de validação e em áreas de produtores. Entretanto, serão necessários ajustes em virtude da expansão do cultivo para outras regiões e para adaptação ao sistema adotado nas diferentes propriedades. A seguir, serão apresentadas orientações que servirão de base para o cultivo, permitindo que o produtor tenha condições de obter frutos com qualidade e em quantidade suficientes para a comercialização e consolidação destas cultivares.

Manejo das Plantas (BRS Morena, BRS Clara, BRS Linda)
Quebra da dormência
Manejo dos Cachos(BRS Morena, BRS Clara, BRS Linda)

Manejo das Plantas

    Para facilitar o entendimento do leitor e em função de algumas diferenças entre as cultivares, o manejo das plantas será apresentado individualmente para a cv. BRS Morena, BRS Clara e BRS Linda.

BRS Morena

    Conforme mencionado no capítulo de implantação, para a obtenção de boa produtividade (20 a 25 t/ha/ano) e boa qualidade, recomenda-se a formação da copa com 4 a 5 varas/m². Como essa cultivar apresenta entrenós bastante curtos, durante a formação deve ser eliminado o excesso de ramos laterais, distribuindo convenientemente a vegetação e, ao mesmo tempo, favorecendo o bom desenvolvimento dos ramos que constituirão as varas de produção. Além disso, a boa distribuição da vegetação facilita o manejo fitossanitário.
    Com relação às podas, no caso de dois ciclos anuais, um de formação e outro de produção (sistema adotado nas regiões de Jales e de Pirapora), recomenda-se fazê-las a 8 gemas, deixando um a dois brotos vigorosos por vara e apenas um cacho por broto, buscando uma média de seis ramos vigorosos com um cacho a cada/m². Na primeira poda, as plantas jovens ainda não atingiram a plena capacidade produtiva, recomendando-se limitar a carga a uma média de 3 varas/m² e apenas um broto com um cacho por vara.
    No caso de ciclos sucessivos de produção, desde a primeira poda, a orientação é podar metade das varas, desde que vigorosas, com 8 gemas e o restante com 2 gemas (esporões), para formação das varas visando ao próximo ciclo. Os cachos de ramos oriundos dos esporões devem ser suprimidos.

BRS Clara

    Para a obtenção de produtividade elevada (30 t/ha/ano) e com qualidade, recomenda-se a formação da copa com uma média de 3 varas/m², deixando dois brotos por vara e um cacho por broto.
    Com relação às podas, no caso de dois ciclos anuais, recomenda-se que a poda de produção seja feita com 8 gemas, deixando dois brotos por vara e apenas um cacho por broto, de forma a obter-se 5 a 6 cachos/m2. Na primeira poda, em plantas sem a plena capacidade produtiva, é recomendável limitar a carga a uma média de um broto a 1,5 brotos por vara.
    No caso de ciclos sucessivos de produção, desde a primeira poda, a orientação é de podar metade das varas com 8 gemas e o restante com 2 gemas (esporões) e, a partir de suas brotações, formar as varas de produção para o próximo ciclo.

BRS Linda

    Para a obtenção de produtividade elevada (30 t/ha/ano) com qualidade, recomenda-se a formação da copa com 3 a 3,5 varas/m2. Tendo em vista que BRS Linda tem entrenós curtos e folhas grandes, é importante que as varas e ramos tenham uma boa distribuição espacial, para evitar vegetação excessivamente densa, o que pode dificultar o manejo fitossanitário e prejudicar a qualidade da uva. Entretanto, o vigor e a facilidade na emissão de ramos laterais favorecem a boa formação das plantas.
    Com relação às podas, no caso de dois ciclos anuais, recomenda-se que a poda de produção seja feita a 8 gemas, deixando um a dois brotos vigorosos por vara e um ou dois cachos por ramo, conforme o vigor das brotações, buscando uma média de 6 cachos/m2. Na primeira poda, as plantas jovens ainda não atingiram a plena capacidade produtiva, recomenda-se, portanto, limitar a carga, em média, a 1,5 brotos/vara e um cacho por broto.
    No caso de ciclos sucessivos de produção, desde a primeira poda, a orientação é de podar metade das varas, desde que vigorosas, com 8 gemas e o restante com 2 gemas esporões, para formar varas para o próximo ciclo. Com esse manejo, a produtividade naquela região situa-se em torno de 20 t/safra.
    Para as três cultivares, nos ciclos de formação de ramos, a poda deve ser feita deixando-se 2 gemas por ramo (esporão).
    É importante lembrar que essas cultivares de uvas sem sementes apresentam produção de cachos mesmo com a realização de podas curtas (2 a 3 gemas), entretanto os cachos são menores que os oriundos das gemas mais apicais e, normalmente, devem ser eliminados quando o interesse é a formação de ramos para a produção da safra seguinte.
    Para ambas cultivares, as operações de desnetamento, desbrotas, eliminação de folhas e gavinhas, grampeação de ramos, abaixamento dos cachos, limpeza de cachos, etc. devem ser realizadas sempre que necessário e nas épocas adequadas.

Quebra de dormência

    A aplicação de produtos para a quebra de dormência também é necessária, podendo-se utilizar os produtos e concentrações semelhantes às demais uvas finas de mesa. Para essa finalidade, o produto mais utilizado é a cianamida hidrogenada (Dormex®), cuja concentração varia de 3,5% a 7% do produto comercial, sendo que as maiores dosagens devem ser utilizadas para os períodos em que as temperaturas mínimas são inferiores a 16ºC. As dosagens de 3,5% a 5% são recomendadas quando as podas são feitas em períodos com temperaturas mínimas superiores a 18ºC.
    Nos ciclos de poda longa (8 gemas), a aplicação de cianamida hidrogenada deve ser feita nas últimas 4 gemas, enquanto que, nos ciclos de poda curta, a aplicação deve ser realizada nas duas últimas gemas.
    A aplicação da cianamida hidrogenada pode ser feita por pulverização localizada, com pulverizador costal manual, por pincelamento ou por imersão do ramo em um tubo contendo a solução.

Manejo do cacho

    De forma semelhante ao item anterior, o manejo do cachos será apresentado individualmente para cada cultivar.

BRS Morena

    Os cachos da cultivar BRS Morena são naturalmente ralos, portanto as técnicas de manejo recomendadas, para melhoria do cacho, referem-se à obtenção de melhor fecundação e crescimento das bagas. Para a obtenção de cachos cheios e bem formados, as recomendações são as seguintes:

  • Deixar carga apenas em ramos vigorosos
  • Deixar apenas um cacho por brotação
  • Despontar e desnetar todos os ramos e eliminar os cachos excedentes antes da floração (4-5 dias antes da floração), para promover melhor fecundação dos cachos remanescentes. É importante salientar que a adubação adequada com zinco e boro também pode melhorar a fecundação

    A cultivar BRS Morena responde bem à utilização de reguladores de crescimento para aumento do tamanho de bagas. Os principais reguladores testados até o momento, bem como as concentrações que possibilitaram os melhores resultados serão apresentados a seguir:

Ácido giberélico - a aplicação de ácido giberélico deve ser feita na fase de chumbinho (bagas com diâmetro médio de 5 mm a 6 mm), utilizando concentrações de 20 mg.L-1 a 40 mg.L-1, dirigida aos cachos, em uma única aplicação, o que permite a obtenção de bagas com diâmetro próximo a 20 mm e comprimento superior a 23 mm.

Forchlorofenuron (CPPU) - o CPPU tem proporcionado bons resultados nas concentrações de 2 mg.L-1 a 4 mg.L-1, quando utilizado em conjunto com o ácido giberélico nas concentrações de 5 mg.L-1 a 10 mg.L-1, em aplicação única, em bagas com diâmetro médio de 5 mm a 6 mm. Com esses tratamentos obteve-se cachos com peso médio de 650 g e bagas com diâmetro entre 19 mm e 20 mm e comprimento de entre 25 mm e 26 mm.

Thidiazuron - o TDZ pode ser utilizado isolado ou em conjunto com o ácido giberélico. Quando aplicado isolado, os melhores resultados têm sido observados nas concentrações de 5 mg.L-1 a 10 mg.L-1, quando em conjunto com o AG3 os melhores resultados foram obtidos utilizando-se de 5 mg.L-1 a 10 mg.L-1 de AG3 combinadas com concentrações de 5 mg.L-1 a 10 mg.L-1 de TDZ, aplicados na mesma fase que os anteriores e em uma única aplicação. Com esses tratamentos obteve-se cachos com peso médio de 600 g e bagas com diâmetro entre 19 mm e 20 mm e comprimento entre 24 mm e 25 mm. Aplicações com concentrações superiores às citadas têm provocado alterações na maturação, principalmente na coloração das bagas e no teor de sólidos solúveis totais.

BRS Clara

    A cultivar BRS Clara normalmente apresenta cachos com boa conformação, não necessitando de raleio de bagas. Todavia, como o tamanho natural das bagas é relativamente pequeno, é interessante o uso de técnicas para promover o aumento do tamanho das mesmas. A utilização de reguladores de crescimento para aumento do tamanho das bagas não produz efeitos relevantes, entretanto, com base em resultados experimentais, é possível obter-se aumentos de diâmetro da ordem de 1 mm a 2 mm. Os principais reguladores testados até o momento, bem como as concentrações que possibilitaram os melhores resultados serão apresentados a seguir:

Ácido giberélico - a aplicação de ácido giberélico deve ser feita na fase de chumbinho (bagas com diâmetro médio de 5 mm a 6 mm), utilizando concentrações de 60 mg.L-1, dirigida aos cachos em uma única aplicação, o que permite a obtenção de cachos com peso médio superior a 500 g e bagas com 16,3 mm de diâmetro e 21,8 mm de comprimento.

Forchlorofenuron (CPPU) - o CPPU tem proporcionado bons resultados, quando utilizado em conjunto com o ácido giberélico na concentração de 20 mg.L-1 de AG3 + 4mg.L-1 de CPPU, em aplicação única, quando as bagas apresentarem diâmetro médio de 5 mm a 6 mm. Com esse tratamento, obteve-se cachos com peso médio de cerca de 900 g e bagas com 16,9 mm de diâmetro e 22,5 mm de comprimento.

Thidiazuron - o TDZ tem proporcionado resultados semelhantes ao CPPU, quando utilizado em conjunto com o ácido giberélico, sendo que os melhores resultados foram obtidos utilizando-se as concentrações de 10 mg.L-1 de AG3 + 5 mg.L-1 de TDZ, aplicados na mesma fase que os anteriores. Com esse tratamento, obteve-se cachos com peso médio de cerca de 950 g e bagas com e 17,1 mm de diâmetro 22,6 mm de comprimento.

BRS Linda

    Os cachos de BRS Linda têm boa conformação natural, dispensando em geral o raleio de bagas. Em plantas bem nutridas e com carga equilibrada, as bagas atingem diâmetro superior aos 18 mm, padrão normalmente exigido para a uva de exportação. Entretanto o uso de reguladores de crescimento pode melhorar o tamanho e a uniformidade das bagas e a apresentação dos cachos. Os principais reguladores testados até o momento, bem como as concentrações que possibilitaram os melhores resultados serão apresentados a seguir:

Ácido giberélico - a aplicação de ácido giberélico deve ser feita na fase de chumbinho (bagas com diâmetro médio de 5 mm a 6 mm), utilizando concentrações de 10 mg.L-1, dirigida aos cachos em uma única aplicação, o que permite a obtenção de cachos com peso médio superior a 800 g e bagas com diâmetro de 19,9 mm e comprimento de 26 mm.

Forchlorofenuron (CPPU) - o CPPU tem proporcionado bons resultados, quando utilizado em conjunto com o ácido giberélico, na concentração de 5 mg.L-1 de AG3 + 4 mg.L-1 de CPPU, em aplicação única, quando as bagas apresentarem diâmetro médio de 5 mm a 6 mm. Com esse tratamento, obteve-se cachos com peso médio de cerca de 800 g e bagas com diâmetro de 21,0 mm e comprimento de 28,0 mm.

Thidiazuron - o TDZ tem proporcionado resultados semelhantes ao CPPU, quando utilizado em conjunto com o ácido giberélico, sendo que os melhores resultados foram obtidos utilizando-se as concentrações de 5 mg.L-1 de AG3 + 10 mg.L-1 de TDZ, aplicados na mesma fase que os anteriores. Com esse tratamento, obteve-se cachos com peso médio de cerca de 1000 g e bagas com diâmetro de 20,3 mm e comprimento de 25,2 mm.

    Na cultivar BRS Linda, por ter cachos grandes e baixo teor açúcar, o desponte de cachos é uma técnica que pode ser utilizada para a melhoria da qualidade da uva produzida.
    A utilização de reguladores de crescimento em concentrações maiores do que as recomendadas, principalmente o CPPU e o TDZ em combinação com o AG3, pode causar alterações na maturação das uvas, como prolongamento do ciclo, redução do teor de sólidos solúveis e modificações na coloração das bagas.
    Cabe ressaltar que nenhuma das três cultivares necessita de raleio de bagas antes da floração, processo conhecido como 'penteação'. Entretanto a eliminação de bagas não fecundadas, com defeitos, atacadas por pragas ou doenças, etc., com auxílio de tesoura ou outro instrumento, melhora a aparência e a qualidade dos cachos.

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